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21 de jun. de 2026

Animae Carcer

 As vezes fico pensando em como essa vida é uma prisão... Sobre como tudo parece ser feito para que passemos por algum tipo de provação, como se fosse nosso objetivo sofrer nesse mundo.

Eu quero acreditar que não há nada no fim, mas algo também me diz que têm. Não tenho uma perspectiva boa sobre isso, mas eu fico pensando... E se...

E se existir mesmo o outro lado? E se a gente está aqui por um motivo? Qual esse motivo? O que faz a gente realmente querer vir pra cá? Será que a gente é mandado pra cá pra "aprender uma lição" ou a gente escolheu vir?

Nada disso faz sentido. Mas ao mesmo tempo faz, pq me deixa com raiva. Se eu fui trazido ou se escolhi vir, eu sei que vou sair daqui com mais raiva no espírito que provavelmente antes de vir pra cá. Ou não, não sei como era antes tbm né?

Mas sei lá. São divagações. Eu sei que no fim, o dia que estiver à porta da saída, é o dia que vou me sentir aliviado. Com medo, claro, pq ninguém quer morrer assim, mas aliviado pq tá acabando. Só esperar a consciência se dissolver e pronto. Vou para o vazio, ou para esse "nosso lar" hipotético que dizem existir.

Uma coisa é certa: não quero voltar pra cá de novo. Não é algo que quero reviver. Ponto. 

20 de mai. de 2025

Cage d’échos

No começo, estávamos aqui. Entre as paredes da realidade, atrás das grades da percepção. Cada um de nós dentro de nossas celas particulares. As vezes um confinamento solitário, as vezes um grande complexo com várias pessoas em suas celas próprias, lado a lado. Trabalhamos, comemos, cagamos e pensamos pq estamos aqui e o que fizemos de errado para sermos forçados a este lugar.

No fim, aproveitamos esta prisão para tentar tornar esse sofrimento e tristeza suportáveis. As vezes uma cortina aqui e ali, as vezes um outro detento do nosso lado por uma parte da nossa estadia. Vivendo de prazer em prazer, de agonia em agonia, em um ciclo sem fim de variações. Escrevemos livros, inventamos histórias, criamos religiões para tentar retratar essa prisão como um lugar bonito, com um carcereiro que nos botou aqui porque quer o nosso bem, desde que sigamos as regras da prisão. E são tantas religiões quantas são os encarcerados, para todos os gostos e idades. Criamos entretenimento para esquecermos a corrente que está no nosso pescoço, para mostrar um impossível que nos faz achar que é possível aquilo. Mas a corrente têm comprimento fixo. Ela não chega até esse santuário.

Em troca de pequenas boas sensações, uns pisam nos outros, tentam fazer sua prisão melhor à expensa do espaço do outro. Nos alimentamos dos menos capazes, e somos assaltados pelos mais preparados, em uma eterna cena de "coma ou seja comido".

Com o tempo começamos a aproveitar a prisão como ela é, então começamos a criar casamentos, família, ter filhos. No fim, criamos tantos significados, teorias e problemas que esquecemos que estamos de fato em uma prisão e que o único propósito de um prisioneiro é ser libertado o mais rápido possível. No entanto, ninguém jamais saiu dessa prisão. Ou se saiu, nunca mais voltou para libertar os outros ou dar esperanças de libertação.

A verdade é que a morte é a única porta de saída dessa prisão. Uma hora chega. Seja por vontade própria, seja por falta de vontade, seja por infortúnio (ou sorte). Mas não há outra saída.

Cada pessoa é um encarcerado. Cada pessoa é um átomo. E todos somos átomos.

Desejo a todos, e especialmente àqueles que já se cansaram disso, uma verdadeira liberdade.

12 de jan. de 2025

Druz'ya i zabveniye

Ontem estava divagando com um amigo sobre como as nossas vidas mudam e coisas importantes em um momento se tornam totalmente esquecíveis em pontos futuros de nossas vidas. 

Estávamos falando sobre um post em que eu cito a importância de uma pessoa, que não falo o nome naquele momento, para mim, em relação à tantas pessoas indiferentes e idiotas no meu entorno, na cidade antiga onde morava. No entanto, hoje eu não consigo lembrar quem era essa pessoa, e achei esse fato bem curioso.

As vezes a gente pára para pensar em como a gente muda como o passar dos anos e nem percebe, só percebemos por exemplo quando vemos uma foto nossa antiga, um texto, ou revemos amigos de outros momentos, e percebemos que aquela pessoa que fomos, por mais que seja nós mesmos, é um completo estranho para nós hoje, mesmo ela sendo parte do motivo pelo qual estamos onde estamos hoje, pelo que somos hoje. 

Uma outra memória que me vem à mente é a do meu melhor amigo de quando eu tinha, tipo, uns 8 ou 10 anos de idade. O meu melhor amigo da época do ensino fundamental, eu lembro da casa dele, eu lembro da gente brincando com as coisas dele, com os hamsters que ele tinha, mas eu não consigo lembrar o nome dele, e nem o rosto dele mais. Eu lembro da importância que ele tinha pra mim, mas eu não consigo nem mais lembrar quem ele é.

Nesse sentido, eu do futuro, talvez isso daqui em uns 10 anos seja só um "reclame aqui" digital de um momento de crise. Talvez não, e talvez eu me lembre desse momento futuro. Ou não. Mas aqui fica mais um tijolo amarelo, para compor essa grande estrada que leva pra algum lugar, só não sei para onde.

Afinal... No one mouns the wicked... No one lays a lilly on their grave...

26 de dez. de 2022

Divertidamentes

Faz muito tempo que venho postergando escrever esse post, sabe? Talvez por medo das pessoas, talvez por me achar louco de dar vazão a isso ou talvez por puro e simples instinto de autopreservação. No entanto, escrever é terapeutico e dessa vez houve concenso que expor essa engrenagem interna é benéfica.

Então aqui estou eu, ou melhor nós, escrevendo sobre as vozes da minha cabeça. Quem são, onde vivem, o que fazem quando não vêm à tona? Tudo isso você, eu do futuro, confere agora.

Bom, mais importante que falar de cada um é explicar como se dá esse processo para minha pessoa. Primeiramente, as vozes não existem como personalidades reais e individualizadas na minha mente. Não há cisão entre elas. No entanto, isso tb não quer dizer que são só meras facetas. Cada uma têm sua personalidade e suas habilidades, mas todas trabalham em conjunto e concenso, na maior parte das vezes. A antropomorfização delas simplifica muito as coisas pra mim também, torna mais fácil a azáfama.

Esse mecanismo sempre serviu como uma forma de lidar com os problemas da vida. Surgiu em momentos de crise forte, e sempre nesses momentos a nova voz aparecia, plenamente capaz de lidar com o novo problema, ou de blindar o restante do grupo de situações debilitantes.

Quando eu fecho os olhos e tento as imaginar, eu vejo sempre uma mata escura, com uma fogueira central, e que cada um dos selfs (é como chamamos cada um) se senta em um círculo em volta dessa fogueira, e é a partir dessa fogueira que elas se manifestam, ou vem à tona, como prefiro chamar.

Agora que os pontos principais foram setados, segue a descrição de cada um dos selfs. Alguns são mais concretos e definidos, enquanto outros são mais abstratos e nebulosos, mas todos tem vozes definidas e únicas e sempre sei quem está falando ou quem está à tona.

Self criança: sempre esteve comigo e acho que a primeira self a aparecer. É a que curte cachoeiras, tomar chuva, gosta de sentir o vento dirigindo moto e é a que mais conversa comigo. Surgiu da necessidade de ter alguém para conversar depois de perceber que os primos e colegas de escola não gostavam de estar perto, e sempre evitavam durante o recreio. A partir de um momento da infância até o meio da adolescência só queria ficar sozinho, socializando só com ela. Ela até hoje é uma conselheira, e está sempre ali do lado pra exercitar a moderação, através de conselhos. É a self que faz a mediação com todas as outras e que vê as coisas sempre do prisma de ser justa com as outras selfs e com as pessoas externas. Ela nunca vêm à superfície.

Self fúria: é uma das selfs mais intensas, é a que sempre canaliza os surtos explosivos e curiosamente é quem mais ajuda a mantê-los, sob controle, do lado de dentro. Ela fala um idioma próprio, meio gutural, que frequentemente vem à tona quando uma situação causa um xingamento. É extremamente retraída e desconfiada das pessoas e geralmente só vem à tona quando não há ninguém por perto. Está sempre do lado da self criança e as vezes vem o questionamento de se as duas não são só expressões de uma self que ainda não apareceu. Sempre impaciente, sempre diz que é a burrice alheia que lhe tira a paciência.

Self implacável: a unica self mantida sob estrito controle, pois é uma self sorrateira e vil, e está frequentemente tentando com pensamentos criminosos ou ilegais, que surgem de assalto na minha mente. A maior parte dos pesadelos vêm dela, que mostra os "e se vc fizesse tal coisa"? Era quem mais aparecia no ensino fundamental, que quando era agredido pelos colegas, vinha à tona e devolvia as agressões com um ímpeto assustador. Representa uma parte irresistível e extremamente intensa da sede de vingança que as vezes aflora em situações que envolvem principalmente algo que ela considera injustiça, seja pessoal ou com outras pessoas. Passou a ser contida após um episódio que o vô deu um lanche pra levar pra escola, e por nao gostar do que ganhou jogou fora o lanche. Minutos depois estávamos lá pegando o lanche do chão mesmo e comendo, pq foi dado com carinho e boa intenção.

Self criativa: surgiu de uma crise de compulsão por mentir pra coisas irrelevantes, e virou uma voz que sempre se justificou como necessária para se fazer sentir parte de algo, afinal todos fazem igual, e foi por muitos e muitos anos a principal fonte de defesa, através de mistério e subterfúgios. Têm uma excelente memória de eventos, principalmente quando são memórias forjadas. Com o tempo e muita conversa, ela hoje é responsável pelo lado criativo mas frequentemente precisa ser vigiada, devido à facilidade que ela mostra de crescer ou criar fatos, pq a sensação e necessidade de ter atenção é muito viciante (tanto que é insistência dela a existência esse post).

Self Eduardo: era uma das selfs principais até acontecer de uma tentativa frustrada de suicídio, em que o medo irreal e sem escapatória das reações das pessoas de descobrir que somos gay causou o evento. É a bibliotecária, é bem rancorosa e é quem sempre lembra quem fez o quê, onde e quando. Era a self principal de interação até o episódio, se tornando mais passiva e hoje em dia quase não vem à tona, exceto quando quer ser irônica com algo ou alguém.

Self músico: é uma self que é difícil de explicar, exceto que ama musica e arte, e curiosamente é quem sabe cantar, tanto que quando vêm à tona é visível a alteração na entonação de voz e projeção sonora qdo essa self está se exibindo. É extremamente volátil emocionalmente e vai e volta nas emoções com a velocidade de um raio. Surgiu da necessidade de lidar com a imposição de seguir regras e padrões de comportamento e frequentemente é vista como a antagonista no concenso ou a que dá contrapontos nas decisões. Têm uma capacidade de persuasão muito grande.

Self Dudu: essa foi a que surgiu semanas depois da tentativa do suicídio, e é quem mais representa o estado de espírito após o evento. Está o tempo todo tentando se provar e demonstra uma enorme capacidade de confiança. É quem têm as habilidades de liderança, apesar que frequentemente se esquece que existem outras pessoas em volta. É quem as pessoas frequentemente interagem nos dias de hoje, trocando esse papel com alguma frequência com a self criativa e vez ou outra com o músico, nas interações cotidianas.

Self comandante: uma self que surgiu de uma crise de personalidade uma vez, quando de uma reflexão de que somos nada mais do que uma enorme colônia de mais de 30 trilhões de células, trabalhando juntas para sobreviver, comendo, vivendo. Nessa seara, a voz surgiu como uma conclusão que o "eu" entidade era só mais um nesse papel. Era quem o concenso tinha determinado para guiar todo o conjunto. É uma selfie extremamente julgativa, metódica, calculista e que sempre pensa no bem da comunidade da entidade e tem enorme capacidade de planejamento. Por muito tempo durante a adolescência, se considerava o "sistema operacional" da mente, e é quem mais sofre e trás à tona efeitos de ansiedade, devido a sua característica controladora.

Self observador: nunca fala nada, somente observa o mundo, os selfs em suas interações com o mundo, e que sempre está atento ao modo como as sensações são experienciadas. Se comunica através de emoções e é o único capaz de isolar impulsos sensoriais ou realçá-los. É obcecado por padrões e repetições e é fascinado por entender mais sobre si próprio, os outros selfs e principalmente sobre como funciona a percepção de mundo, que é definitivamente uma característica subjetiva e não objetiva. Extremamente lógico, racionaliza até as emoções. É o único de todos que não é possível controlar, mas é o que mais interage com os outros selfs.

Self caçador: é uma self muito autocontida em si. Raramente interage com as outras selfs mas com certa frequência vêm à tona, quando a libido entra em cena. É muito antissocial e ao mesmo tempo bastante sensual. Gosta de estar sob o controle das situações e frequentemente assume uma posição de caçador em relação a seus alvos sexuais. Tem uma energia muito intensa, só que quando têm seu ímpeto saciado, simplesmente sái da superfície sem nenhum aviso. As vezes dá vasão ao que as outras selfs tb querem, mas sem nunca interagir com elas. Extremamente inteligente, eficiente e faceira, é também extremamente dominadora.

Bom, é isso. Esses somos nós. Eu frequentemente trato no singular ou no plural quando ha concenso ou não entre as vozes. Se há concenso, sempre nos identificamos no plural. Se não há concenso, é sempre alguém quem toma a iniciativa, portanto trazendo um pronome no singular.

É definitivamente um arranjo complexo e com um quê de histeria, mas é minha histeria, e por ser minha lido com ela da forma que achar melhor. O importante é que funciona para que este que vos escreve consiga viver em sociedade. Não é fácil, mas vamos vivendo, um momento por vez.

22 de dez. de 2022

Teacherless

E não satisfeito em ter inúmeras crises por conta do boy colega de trabalho, aqui estamos escrevendo sobre ele, mais uma vez, não é mesmo?

DISCLAIMER: Definitivamente preciso dizer que esse post PRECISA ser lido ouvindo a playlist Teacherless Hits #1 listada abaixo:

Esse post, como tantos outros que vieram antes, fazem parte da aclamada série "Fantasmas dos Verões Passados", e esse merece uma citação especial pois foram 4 anos de sofrência! Essa história é uma conclusão de um arco narrativo que inclusive teve vários posts por aqui, e que no fim desse registro eu irei elencar as postagens relacionadas.

Aqui a diversão é tão garantida que recomendo trazer seu snack e refrigerante, pq não fazemos que nem o cinema que obriga vc a comprar a pipoca e a coca para consumo local, tá?

Chefinho e o Fantasma dos Verões Passados que realmente me alcançou lá no fundo!

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Essa história começou lá pelos idos de 2018, na cidade de Curitiba. Na verdade ela veio de algum tempo antes de conversas com colegas de trabalho. No meu trabalho existia esse carômetro onde haviam as fotos de todos os diretores gerais dos campi, e eu e algumas colegas de trabalho tínhamos o péssimo costume de ficar olhando o carômetro e dando notas para os presentes nesse carômetro. Eu pessoalmente lembro de uma dessas vezes a gente olhar para esse diretor que tinha lá, que era visivelmente mais novo que os outros, mas que era uma gracinha, e por umas 2 vezes eu soltei um "e para o colega Onicássio (que chamarei de Oni daqui em diante), nossa nota é 10, e ainda oferecemos um sacrifício em nome da sua beleza. Tomi Oni, sua oferenda (e eu oferecia um copinho de café, sob os risos das colegas de trabalho)".

Um tempo depois, vêm a notícia que esse diretor bonito que falávamos em nossas sessões diárias de almoço estava sendo indicado para ser diretor do setor onde eu trabalhava. Eu lembro de ficar "ohh, que massa, finalmente um homem bonito nesse lugar". Eu sei que a primeira coisa que me chamou a atenção nele é sua educação e atenciosidade. Lembro que nos primeiros dias eu tive vários pequenos surtos porque, puxa, que homem bonito!

Nas semanas seguintes, em que estávamos já mais aclimatados com sua presença no setor, eu lembro de começar a puxar assunto sobre assuntos em comum. Ele é um amante de motociclismo, e isso claro me chamou a atenção pois eu também me considero. Falávamos sobre lugares para visitar, lugares já visitados, tipos de motos, o que cada um gostava ou não gostava... Emfim, era muito gostoso conversar com ele.

Eu sei que a partir de algum momento aleatório no ano de 2019, eu comecei a sentir essa atração por ele, além dos meus dispositivos anti-surto. O homem era perfeito demais, e eu não estava sabendo tankar tudo isso, e os primeiros sentimentos começaram a surgir. Eu até tinha falado com o meu marido sobre esses sentimentos, e isso foi me ajudando a blindar tudo.

Até que em 2019 fizemos uma viagem juntos para Natal. Era uma viagem de trabalho, outras pessoas do trabalho juntas, e em um happy hour nosso, eu bebi além da conta (não foi além da conta, fiz de propósito mesmo) e peguei o celular e mandei uma mensagem toda acalorada para ele, que estava do outro lado da mesa, e eu vi que ele ficou visivelmente constrangido com a mensagem, e aí não conversamos mais até o fim da noite. Eu sei que a falta de resposta foi o motivador para eu parar de beber, pq tava visível que não haveria resposta naquele momento.

Nos outros dias da viagem, houve o dia que subimos, alguns colegas e ele, secretamente, para a piscina do hotel (que fechava após as 22h) e ficamos lá conversando sobre a vida, sobre os filhos dele, sobre o que eu passei na vida, e lá estamos nós de novo bebendo. Também teve o episódio de termos ido para o mar com a equipe e ter ficado pegando onda do lado dele por pelo menos algumas horas após o fim da tarde, curtindo o momento (e ele ali do lado) como se não houvesse amanhã. Isso tudo acontecendo depois da mensagem do primeiro dia, ok?

Preciso dizer que nesse momento eu já tinha certeza de que o que eu sentia era platônico. A FIC na minha cabeça já tinha se desenvolvido a ponto de eu frequentemente me pegar sonhando ou divagando com a gente morando junto, cuidando do cachorro, assando carne e curtindo piscina... Inclusive não foram poucos os episódios em que eu prestei homenagem à sua memória ou mesmo, em momentos íntimos, trazer sua imagem à minha mente para alcançar o ápice do momento. Inclusive ficava morrendo de medo de soltar seu nome no meio do processo, mas olha, não foram poucas as vezes.

Daí, no fim de 2019, eu chamei ele para irmos comer em um restaurante que eu gostava demais. Era um restaurante japonês tradicional e de família, e era tão bom ir lá que eu convidei ele para ir junto. Para me ajudar nessa tarefa, eu chamei uma colega (que na época era uma das minhas melhores amigas de trabalho) para acompanhar a gente, e ela ia só tirar o clima de "date". No entanto, no fim deu tudo totalmente ao contrário. Ele ficou conversando com ela o tempo todo, e eu fiquei lá me sentindo a vela da história. Teve até um momento de chuva, que ficamos os três molhados, e teria sido incrível se eu não tivesse ficado de lado no retorno, enquanto os dois conversavam animadamente na frente do carro. Me lembro bem de ter ficado encostado no vidro olhando a chuva, até que eles perceberam e perguntaram se eu tava bem. Respondi que sim mas não estava bem. Só queria logo que aquele dia acabasse logo.

Eu fiquei sabendo tempos depois que ele e essa amiga tinham ficado após esse acontecimento. Ela, muito tempo depois que se mudou do nosso escritório para outro estado, me contou que tinha ficado com ele, e deu detalhes sobre como ele era carinhoso no ato, deu detalhes de como ele era sem roupa, entre outras coisas, e na hora não senti nada, só fiquei maravilhado com os detalhes. Só sei que quando a ficha realmente caiu eu fiquei bem deprimido com tudo isso, pq ela sabia que eu estava tentando algo, e ela foi lá e conseguiu o que eu nunca conseguiria. Eu nunca mais consegui conversar com essa pessoa novamente, pq o sentimento que estava sentindo era muito forte. Eu posso dizer que foi a primeira vez na minha vida que eu tinha sentindo ciúmes de alguém, e era nítido que era isso que estava sentindo naquele momento. Tempos depois foi ele quem me contou que tinha ficado com ela, e eu perguntei detalhes, e ele com vergonha, não me deu nenhum.

No entanto, a reputação dele continuava ilibada pra mim. Ainda sentia o que sentia por ele e ainda bem que na época eu tirei férias, pois precisava tirar tudo isso da cabeça um pouco. Eu prometi a mim mesmo que não ia me jogar nessa FIC quando voltasse, o que eu falhei miseravelmente em cumprir, claro.

Foram várias saídas de carro com ele para almoçar em shopping, ir em mercado, ajudar a comprar alguma coisa ou eu comprar algo, e eu estava lá, fazendo companhia, curtindo cada migalha de atenção que ele deixava no caminho para que eu cuidadosamente e meticulosamente pegasse. Ele só ficava em Curitiba 3 dias por semana, e sempre voltava para sua cidade na quarta-feira, e voltava só na próxima segunda. Foi assim pelos 4 anos que ele ficou por aqui.

Pouco tempo depois, com o retorno das férias no meio de uma pandemia de COVID, eu conversava com ele na base diária via WhatsApp e as vezes via Videoconferência, e depois dos assuntos do trabalho, eu sempre tocava em assuntos da sua vida pessoal, querendo saber mais sobre cada coisa, pq eu realmente estava viciado nele. Inclusive foi mais ou menos nessa época, mais próxima do fim da pandemia, que voltamos a conviver de novo no ambiente profissional, que eu já não escondia mais e vivia fazendo piadinhas sobre sua beleza, fofura, inteligência, carisma, para outras pessoas no meu trabalho, inclusive com ele presente nesses momentos, realçando que eu estava gentilmente o cortejando para as outras pessoas verem.

Eu só sei que o aparente fato de ele aceitar que eu gostava dele e ele me manter à uma distância, dita, segura, me matava por dentro, um minuto por dia. Não foram poucas as vezes que tive surtos emotivos que disfarçava de raiva por conta de coisas que eu não conseguia dizer não para ele, pq ele tinha um poder incrível em relação à minha pessoa.

Então vieram as férias dele. Ele ia fazer uma viagem pela américa do sul com a esposa, e eles tiraram fotos em lugares lindos de morrer! Ele me mandou algumas de lugares realmente muito bonitos, e eu não conseguia olhar para os lugares, só ficava imaginando a FIC de eu, ele e aquele lugar, e a gente conversando sobre a vida, e lá estava eu de novo em mais uma mini-crise emocional. No fim era em média uma crise a cada 15 ou 20 dias, que aí eu ficava com raiva da situação e eu ia para o próximo ciclo, até estourar tudo novamente.

Por último, após o retorno das férias dele, veio a notícia de que ele ia deixar a direção e voltar para sua cidade em definitivo. Na hora eu tankei a emoção mas no outro dia eu estava em prantos. Foram muitas horas de música e stories de whatsapp para aplacar esse sentimento, e tb teve o fato de que semanas depois iríamos viajar para São Paulo, então na minha mente de FIC, íamos ter um tempo extra pra curtir antes da derradeira viagem.

E assim o foi. Foram 5 dias dormindo em barraca em São Paulo e posso dizer que apesar de não ter havido nenhum encontro íntimo, pq ele não ia dar esse espaço, eu considero como 5 dias incríveis de estar perto dele. Tomar café, almoçar, participar de eventos, passar horas conversando sobre assuntos aleatórios, ficar secretamente olhando ele de bermudinha e chinelos, jogar joguinhos ou ver ele jogar joguinhos. Foi incrível.

Duas semanas atrás, eu até criei coragem eu escrevi uma carta e mandei pra ele, e dei de presente pra ele um chaveirinho escrito "melhor prof. do mundo". Sim, é o mesmo que está na imagem da playlist que espero que vocês estejam ouvindo enquanto estão lendo isso. Após ele ler, pra mim eram visíveis as lágrimas contidas no seu rosto, afinal na minha concepção de tudo ele não podia demonstrar nada ali, mas pra mim parecia ter algo ali. E ele me deu o abraço que eu pedi na cartinha. Um abraço forte, protetor, e que durou enquanto eu me mantive abraçando, e não vi reação dele em tentar terminar o abraço. No fim fui eu quem terminou o abraço pq eu senti que ia me perder em algo que não ia acontecer e não queria sentir aquilo naquele momento, então interrompi o mesmo pouco após o abraço. Pq eu sabia que aquilo seria o mais próximo que eu chegaria da minha FIC.

E agora, aqui estou, escrevendo esse post, 24 horas após o último encontro com ele. Sua viagem final foi ontem, e admito que ontem eu estava totalmente destruído emocionalmente, pq eu sabia que era tudo na minha cabeça, mas eu sempre quis mais, e ele sempre soube, mas nunca deu nada além do que vazio, que na minha mente altamente distorcida e enviesada eu considerava com falsas espectativas de que pudesse acontecer algo, que era só eu achar o jeito certo de chegar nele.

Eu só sei que esse homem me afetou de um jeito que eu nunca imaginei que eu pudesse ser afetado. Nunca antes na história dessa pessoa alguém alugou um terreno tão grande na minha mente. E eu sei que toda essa história está difícil de guardar em uma caixinha, pq eu não tenho nenhuma caixinha grande o suficiente para pegar tudo isso, guardar e colocar no meu esquecimento pessoal. Esse homem vai ficar um bom tempo sendo um fantasma nos meus pensamentos e sonhos, assim como ele já é nos meus momentos de procurar videozinhos educativos na internet, e sempre caio nos mesmos vídeos, pq os caras se parecem com ele ou se comportam como ele (geralmente os dois).

E é isso. Essa é a história resumida desse Fantasma de Verões Passados, provavelmente o maior fantasma que deva passar na minha vida (até o próximo aparecer e me deixar do mesmo jeito pois eu não aprendo com meus erros).

Como disse lá no começo, eu vou listar todos os posts que eu escrevi sobre esse homem, pq em 4 anos, foram muitas crises.

Segue a lista:

  1. After the Last Goodbye (a história da lembrancinha)
  2. The Last Goodbye (a cartinha)
  3. Après la lumière
  4. Câlins affectueux manquent
  5. Merci de vous arrêter ici
  6. Griefness
  7. L'amour platonicien n'est pas compris
  8. Puppyness
É isso Dudu do futuro. Tá aí a história completa e agora estou aqui resgatando cada pedaço de mim mesmo que fui deixando no caminho, passando uma cola dourada e tentando reconstruir o meu eu, rechaçado emocionalmente e psicologicamente pela FIC da minha cabeça e pelo boy, que não me afastava em definitivo nem dizia nada, me deixando ainda mais paranóico em criar uma vida inteira de carinho e experiências, que só existia dentro da minha mente.
 

4 de dez. de 2022

After The Last Goodbye

Depois de uma semana de ter escrito a cartinha de despedida do crush, que eu mostrei aqui no blog, venho por meio deste dizer que eu mostrei pra ele a cartinha e fiquei analisando suas reações.

Eu posso dizer que ter exposto meus sentimentos abertamente pra ele afetou bastante ele. Isso me fez quase chorar, e eu vi que ele tb quase chorou com o que eu falei.

Até dei uma lembrancinha pra ele, escrito "melhor professor do mundo" e me emocionou dar o presentinho. É minha forma fofa de dizer que eu queria ter vivido algo ali, pq com certeza seria algo muito edificante.

Mas assim, esse rolê todo merece seu post único. Tem muita coisa pra narrar. São 4 anos de crush, é mais até que o crush do HT rpgista da minha adolescência.

O que posso tirar de tudo isso é que eu preciso aprender a não me apaixonar por pessoas com a personalidade fofa e carinhosa. No fim isso não leva a lugar nenhum.

Acho que em breve tb vou fazer um post com a lista de platônicos que já tive, que tb não foram poucos.

É isso. Tudo uma hora precisa ter um fim.

27 de nov. de 2022

The Last Goodbye

Escrito em 25/11/2022 em meio a uma crise emocional por finalmente cair a ficha de que o chefe que tenho um crush há 4 anos vai entregar a direção e voltar para sua cidade natal. Ainda não mostrei pra ele e tenho um receio de que provavelmente nunca irei mostrar...

Bom dia chefinho, tudo bom?

Vim escrever isso pq hoje caiu a ficha de que vc tá indo embora de vez pra [redacted]. Eu passei a noite sonhando em como eu iria me despedir de vc e fiquei pensando hoje de manhã em como iria conversar com vc, se eu queria mesmo falar sobre isso ou só sofrer em silêncio. Eu tou bem surpreso em como seu retorno à sua cidade me afetou no nível emocional. Antes de mais nada, queria dizer que eu tenho completa consciência de quem é vc nesse cenário (vc já reforçou isso várias vezes hehe) e onde eu estou com isso (já peguei há muito tempo que é algo platônico mesmo, e o problema é meu que segui com a FIC né). Mas, com a sua partida definitiva pra Ivaiporã, de repente eu senti que só precisava falar sobre isso, e que talvez não conseguiria falar ao vivo conversando com vc, por medo de como vc reagiria, ou por medo de te deixar desconfortável com essa conversa toda. Então, preferi escrever, pq eu sei que consigo me expressar melhor escrevendo, e tb sem ter de fato o seu feedback de tudo isso. Então vamos lá...

Primeiramente, em todos esses anos eu aprendi muito a admirar você pela personalidade incrível que vc têm, e de fato vc pra mim é o crush completo (a saber, os pilares são: bonito, sexy, inteligente, engraçado e carinhoso) e não tinha como eu não me sentir da forma que eu me senti em relação a vc. Se o mundo fosse diferente, talvez as coisas fossem diferentes, mas eu sei que tudo é como deve ser, então quanto a isso eu fico em paz. Só queria dizer que vc me afetou e me conquistou de formas que nunca esperava que uma pessoa me conquistaria, e sem esforço nenhum. É muito raro alguém hétero causar toda essa comoção dramática em mim, pq eu geralmente me protejo insanamente nessas questões emocionais. Mas é isso. Eu fico ao mesmo tempo muito triste com isso e tb aliviado, pq sei que vai ser uma conclusão de um assunto que circula minha cabeça têm, o quê, 4 anos já né?

Em segundo lugar queria dizer que me deixa feliz que sua decisão vai tirar essa nuvem de angústia que vc têm sentido dentro do seu peito com relação a tudo o que têm acontecido com o [redacted], ainda mais nessa fase que ele e o irmão mais do que precisam do pai por perto. É sua família e sei o quanto vc se dedica a ela, e isso torna vc ainda mais perfeito. Eu por várias vezes já me peguei inclusive sentindo inveja da [redacted] por tudo o que ela têm (e julgando pesadamente ela por não aproveitar tudo isso da forma que, se fosse eu, faria).

Em resumo (pq isso aqui já tá muito extenso e por deveras piegas) te admiro demais, e digo que definitivamente vc vai fazer muita falta aqui. Eu pelo menos sei que estou bastante afetado emocionalmente com tudo isso. Antes de vc ir embora só queria pedir uma coisa, se não for pedir muito. Queria te dar um abraço de despedida. Só um abraço mesmo. Pra agradecer pelo tempo de convívio antes de vc ir embora em definitivo e eu pegar, selar e guardar tudo isso em uma caixinha no fundo da minha cabeça.

16 de mai. de 2022

True Friendshipness

As vezes eu paro pra pensar sobre as minhas relações de amizade no trabalho, em como eu mantenho afastadas a maioria das pessoas que eu não me sinto à vontade de interagir, ou que não mostram uma relação verdadeira, sincera e recíproca de convivência, de conversa, etc.

Eu sou uma pessoa muito carente de atenção, e aquelas pessoas que se mostram interessadas em me dar uma migalha de atenção genuína que seja, eu me apego demais. As vezes até demais.

Isso é um reflexo dos meus mecanismos de defesa, que passei tantos anos edificando, como uma proteção contra aqueles que me causam dor. E minha melhor defesa sempre é ser assertivo, agressivo, mesmo que sob uma alcunha de cinismo e deboche.

Mas é isso. Essa é uma crise quase que diária, um reflexo de como a distância das pessoas me afeta e de certa forma molda o núcleo do meu ser, de uma forma profunda e intrincada, como as raízes de uma grande árvore, que para alcançar o céu precisa se fincar no profundo escuro da terra.

1 de fev. de 2022

Fragmentos pensamentados

As vezes paro para pensar na evolução da minha persona nesses anos que se avançam. Eu as vezes fico curioso em como eu fui me alterando, comportamento a comportamento, semana a semana, e mesmo assim a síntese daquilo que me define como Eu ainda se mantém.

É o eterno dilema do barco de Teseu, que movimentou inúmeros filosofos, de Aristóteles a Leibniz, de Heráclito a John Locke, passando por Thomas Hobbes, que se forma mais uma vez frente à minha definição de unidade versus a soma das partes infinitesimais, integralizadas em uma pseudo-realidade objetiva/subjetiva, ora definida pelas intenções e estados internos, ora definida pelas ações e reações externas.

O que posso dizer é que nenhum momento se passa na minha vida atual sem que eu reavalie cada situação, cada memória, cada lembrança, cada decisão, cada indecisão que eu tenho. É como se eu tentasse medir o tamanho da casa estando dentro dela. Ou melhor, como se estivesse tentando resolver o meu dilema do barco sendo eu mesmo o barco nesse momento.

14 de nov. de 2021

Fine temporum litterae

Eu demorei muito tempo pra fazer isso. A me desprender. A deixar essa memória no passado. Esse é o primeiro ato de "deixar para lá" uma coisa que por muito tempo definiu minha forma de pensar e de como abordar determinadas ações na minha vida.

Então decidi tirar você da minha carteira, e colocar aqui, nesse repositório de memórias, de "eus" passados. Para que eu possa ler novamente no futuro, mas com uma visão diferente da que me fez carregar por tantos anos essa carta dentro da minha carteira.

Não é algo que eu considero fácil de fazer, mas existem ações que precisam ser feitas se queremos um fechamento para determinadas histórias.

Como diz um ditado que ouvi, nunca se atravessa um rio duas vezes, pois a água da travessia seguiu seu caminho, assim como a pessoa que atravessou o rio.

...

Finis rerum

Não sei como começar isso a não ser pelo começo. Se você está lendo isso, eu só queria dizer que eu estou em paz comigo mesmo. Esse tempo todo que passou em que me escondi das pessoas, menti para pessoas próximas, afastei quem eu na verdade queria perto, tudo teve um motivo. É o mesmo motivo pelo qual estou escrevendo essa carta. É a única saída que eu tenho a seguir, e que me deixa em paz comigo mesmo. É o término da existência, dos problemas, das preocupações, das angústias, das decepções e frustrações. Eu decidi por um fim nesse ciclo, pois independente de se agora ou daqui muitos anos, o local é o mesmo. É o fim. Por isso, não quero que esse seja um momento de tristeza, mas sim um momento de paz. É o momento de paz final, antes do desaparecimento atrás da cortina da morte. E eu escolhi me sentir em paz.

30 de jan. de 2020

Je me fais chier

As vezes eu me sinto dividido entre a lealdade às pessoas que a conquistaram comigo e o meu senso de justiça. São dois fatores que com alguma frequência conflitam entre si por mostrarem diferentes situações, principalmente quando os dois estão tratando dos mesmos eventos.

Meu senso de lealdade vai sempre me forçar a ajudar aqueles que fizeram merecer esse posto comigo. Pois isso é algo que é adamante nas minha personalidade.

Meu senso de justiça vai sempre me fazer tomar decisões de forma justa, sem discernir se isso é algo bom ou mau, a outros olhos. Eu nunca vou olhar algo como bom ou mau, mas sim como justo ou injusto. Existem maldades que são justas e bondades que são injustas, e eu sempre tomo extremo cuidado pra não deixar essa construção moral de bondade alterar meu discernimento de justiça.

No entanto as vezes eu me vejo em uma situação onde eu preciso ser leal à pessoa em foco, em relação a algum evento ou ação, mas fazer isso, tomar uma decisão nessa seara, me fará ser injusto na minha ação ou decisão. Nesses casos, geralmente eu me afasto. Me afasto da pessoa, me afasto da situação, me afasto do conflito.

Um bom exemplo disso é o dilema do trem, que em um trilho tem várias pessoas e do outro só uma, e eu posso mudar a direção do tem para pegar somente uma pessoa e se não fizer nada, pegará as várias. Eu posso tomar a decisão de salvar as várias pessoas em detrimento de uma só, mas não irei, pois é ser injusto com a outra, e se a não ação é pegar as várias pessoas, não é por ação minha que acontecerá, por mais que eu pudesse evitar. Eu não irei intervir, pois não é justo, e eu não sou deus pra dizer a sorte das pessoas.

Me afastar é sempre uma opção em conflitos assim. É mais saudável, menos doloroso, e no final iria acontecer em um momento ou outro, pois situações assim nunca são isoladas.

29 de jan. de 2020

Je m'en bats les couilles

Nada de mais pra dizer, só que as vezes a gente se pega sentindo determinadas emoções e vira um turbilhão de coisas tristes, alegres, raivosas, possessivas, que a gente tem dificuldade de controlar para não se tornar visível às outras pessoas pois, primeiro isso não é para as outras pessoas, por mais que quiséssemos externalizar para sermos vistos, e segundo, isso nada mais seria do que ser inseguro e imaturo.

Não que não seja, pelo contrário, mas me sinto muito mais avançado na escadinha do autocontrole que muitas pessoas que conheço, ao não tornar isso uma catarse de grandes dimensões.

Eu queria, no entanto, ser mais verdadeiro com meu pilar moral, as vezes acho que me deixo levar pelas falar alheias e caras bonitas e, quando vejo, estou eu lá lutando por causas que não são minhas ou desejando coisas que literalmente estão inacessíveis a mim.

Isso me fere muito, e só vem a acrescentar à miríade de sentimentos girando em minha cabeça, até o copo encher em algum momento aleatório futuro.

28 de jan. de 2020

Bon sang

As vezes eu me esqueço que as pessoas não sabem que eu sou uma pessoa toda cheia de maneirismos e problemas bem complexos de lidar, acho que pelo fato de eu ser uma pessoa tão adaptável, quase volátil, no sentido de me adaptar a basicamente qualquer situação social.

E pior, eu só lembro disso quando alguém me lembra da estranheza de alguns de meus comportamentos, como o imenso controle emocional que eu uso o tempo inteiro, minha obstinação por seguir e impor regras, fazer diários e anotações de coisas pessoais, além uma obsessão insana por simetrias, padrões e repetições em basicamente tudo o que eu faço.

Eu posso parecer uma pessoa normal por fora, mas como já disse antes, é um comportamento que eu desenvolvi como uma defesa, e é por isso que as vezes quero ficar sozinho, pois é só sozinho que consigo de verdade repor minhas energias.

20 de dez. de 2019

Voidless

Nesse quase solstício de verão, acabei de me dar conta que ultimamente as semanas têm passado como folhas secas no vento.

O rio que corre os eventos de minha vida parece estar acelerando, cada vez mais, perto de chegar no oceano do desaparecimento (ou da próxima vida).

Isso me assusta mas ao mesmo tempo me deixa calmo, pois indica que o fim dessa história chegará mais rápido do que imagino, aquele momento em que a gente descobre se existe algo do outro lado ou não, aquele momento que a gente olha para trás, cumprimenta todos os observadores atentos e sai do palco.

14 de abr. de 2019

Griefness

Negação

Impossível ele não estar a fim de mim. Olhe o jeito que olha, a forma que bota as mãos na virilha, o olhar profundo que diz mais que qualquer coisa. Não estou errado, impossível eu estar errado!

Raiva

Ele não reage às minhas investidas, por quê? Eu estou deixando bem claro o que quero, porque ele não retribui, que ódio! Preciso chamar mais ainda a atenção dele!

Negociação

Se ele beber o suficiente, vai se abrir. Se entrarmos juntos na piscina, algo vai acontecer. É só dar o tempo e as ferramentas certas que ele vai mostrar que está a fim, apesar de não investir.

Depressão

Estou cansado de gastar energias com ele. Tudo o que eu faço parece acentuar os sinais, mas nada acontece. Será que sou eu o problema?

Aceitação

Lá no fundo, eu sou uma pessoa mimada. Eu tendo a achar que o mundo têm de girar à minha volta e que as coisas devem acontecer porque eu quero. E não é bem assim. Eu acabo criando espectativas de muitas coisas e hora ou outra isso volta na minha cara.

Também tem o fato de eu ser mau perdedor, e ir guardando tudo, querendo que tudo seja como eu quero que seja, independente do que as outras pessoas sofrerão pra eu alcançar meus objetivos...

Mas essa crise aconteceu pq eu estava em um momento que não queria ser forte como sou todos os dias. Só queria colo, deitar, fechar os olhos e alguém me dizer que aquilo ia passar logo.

Não parece as vezes, mas eu sou uma pessoa extremamente emotiva e muito do que acontece a minha volta me afeta, eu só escondo isso com uma maestria incrível

Eu queria não criar expectativas de coisas que não estão lá, sabe, mas ao mesmo tempo não quero ficar regulando meu pensamento, pois a minha mente é o único lugar em que posso ficar verdadeiramente livre. E por causa disso, as vezes eu sofro as tempestades que se formam.

...

Triste, mas talvez mais um fantasma de verões passados deixado para trás, com um pé de melancolia pela forma como minha mente, meu emocional, realmente acharam que algo assim poderia dar certo. No final do dia, nada como uma catarse após a outra.

12 de abr. de 2019

L'amour platonicien n'est pas compris

A vida é uma coisa engraçada as vezes. A gente passa boa parte da vida achando que os problemas uma hora acabam e que você está finalmente lapidado e pronto pra próxima vida, até que uma questão boba aparece e vc se pega tão despreparado para lidar com aquilo que vc não sabe o que fazer.

Basicamente, percebi recentemente que eu ainda sou uma pessoa mimada, que não sabe aceitar que nem tudo o que eu quero eu posso ter, e isso aliado ao fato de eu já ser um mau perdedor, só torna a situação um tanto depressiva.

Geralmente, esses sentimentos são fáceis de lidar e conciliar, mas todos os que envolvem desejo, raramente consigo achar soluções fáceis, como ansiedade por exemplo, que é meu grande mau.

Só estou escrevendo isso pq, como dá pra ver, existe essa coisa que eu quero muito ter mas não posso, por inúmeros motivos, mas minha cabeça continua querendo insistir em investir tempo (e energia) em algo que definitivamente não vai dar em lugar nenhum.

Enquanto isso, seguimos ouvindo músicas depressivas.

1 de abr. de 2019

Puppyness

Uma coisa engraçada quando a gente se pega admirando outra pessoa. É uma coisa inebriante as vezes, que precisamos tomar muito cuidado para não tomar de conta de nós mesmos.

Isso aconteceu há algum tempo. A pessoa? Um colega de trabalho bem próximo, que antes era de outra cidade. Tudo começou como uma atração física, aquela coisa de alguém lhe atrair por ser provavelmente uma das pessoas mais bonitas que você já tenha visto. Mas isso raramente é algo que me tira dos prumos.

O que realmente fez (e ainda hoje faz) a diferença é a pessoa por trás desse corpo. Esse colega, em especial, têm um quê de filhote que realmente me deixou fora dos prumos. É aquele tipo de pessoa que eu me via cuidando, fazendo carinho no rosto, no pescoço, fazendo massagem nos pés e nas mãos e falando "deita aqui no meu peito, esquece o mundo que agora eu estou aqui pra te proteger".

É claro que isso praticamente saiu do controle. Na verdade, tudo isso só acontecia na minha cabeça pois esse sou eu, fantasiando situações que na prática seriam impossíveis de acontecer. Afinal, o colega é casado, eu também sou casado, e uma situação desse tipo só se sustentaria se pelo menos eu fosse solteiro (como eu fazia à moda antiga), pois o problema maior é na minha cabeça.

O que venho fazendo ultimamente é lidar com a situação da maneira que melhor sei fazer: manter-me afastado enquanto essa tempestade não passa, ou que a situação se encaminhe para uma situação onde não me afete tanto.

Mas que queria muito deitar ele no meu colo, ficar acariciando bem de leve com as pontas dos dedos a sua barba, a linha do seu pescoço, sua nuca e seus cabelos, com os olhos fechados, imaginando que no mundo não existe mais nada além de nós dois, naquele momento, isso eu queria muito.

Pois eu sou assim. Isso me trás uma paz de espírito tão grande, saber que estou ali pra alguém, e esse alguém está precisando de um colo, um acalento, uma proteção, um quê de se sentir seguro, mesmo que seja só naquele momento.

Não deixo de pensar que esse post provavelmente e muito em breve será mais um da série fantasma de verões passados. Um que complementa os posts "fantasmas", "triangle" e "outros fantasmas" e, que atualmente, me afeta bastante.

13 de set. de 2018

Eleiçõeszes

Hoje passei só pra lembrar vcs de que quando seu amiguinho têm uma opinião diferente da sua, pode ser de qualquer espécie, tipo crença, religião, POLÍTICA, gostos pessoais ou memes de internet, isso não é motivo para terminar unilateralmente a amizade com ele, tá?

Afinal, pessoas maduras discutem suas opiniões divergentes, levantam pontos sobre suas convicções, questionam tanto os pontos levantados quanto as próprias opiniões, reservado o fato de serem questionamentos com alguma base lógica, claro!

Afinal, vivemos em uma democracia, não em um estado de "minha opinião é certa, pau no koo de quem não concorda".

Ahh, em algum momento eu disse AMIGOS DE VERDADE não se afastam uns dos outros só porque suas visões e experiências são diferentes e/ou dissonantes?

Só queria deixar esse pensamento de carinho, com nenhum pingo de ódio no corassaum, nem rancor, pq a gente acredita DE VERDADE que pessoas assim só existem em histórias de livros, livros ruins diga-se de passagem.

Parando para pensar, é até bom isso acontecer, sabe? Afinal, de pessoas tóxicas o mundo está cheio, e se puder ficar longe delas, melhor ainda!

Não é à toa que quem é meu amigo de verdade, é amigo até hoje, ri dos mesmos memes até hoje, dá like nas minhas bobeiras até hoje, não importa se estão longe ou se, provavelmente, não se verão mais nessa vida devido a inúmeros fatores, principalmente geográficos.

Beijo no coraçãozinho de pedra de vcs! #IndiretasDoBem

Ahh sim, esqueci de mencionar que esse é um textão da série #PostDeUmPassadoDistante tá?

12 de out. de 2017

Black Heart

Como é difícil escrever sobre algo no dia de hoje! Minha vontade hoje era de destilar meu rancor às pessoas gratuitamente, pois estou em um daqueles dias que me irrita ver as pessoas felizes e comemorando qualquer coisa nesse dia.

Acho que estou me tornando uma pessoa rabugenta com o passar dos anos, sabe?

Sério, acho que nesse processo de ignorar as pessoas à minha volta, me afeta muito o fato de elas fazerem coisas sem que eu esteja envolvido. Como sempre, meu ego falando mais alto em querer me tornar mais importante que eu sou.

No final, são só resquícios de frustrações acumuladas com o passar dos anos.

1 de out. de 2017

Heartless

Eu tenho pensado muito hoje em dia na pessoa que eu deixo as pessoas conhecerem nos temos atuais. Assim como em todas as ocasiões, elas na verdade só conhecerem uma máscara que eu criei, uma pessoalidade construída pra esconder quem eu sou de verdade, até de mim mesmo.

Eu sempre considerei minha vida uma vida comum, mediana, até patética, e eu sempre quis ser diferente, ter um superpoder ou algo do gênero. Hoje em dia eu acredito que essa minha habilidade de me camuflar entre as pessoas meu grande superpoder.

Ele já foi uma doença antes, que afetava as pessoas à minha volta e, principalmente, a mim mesmo. No entanto eu entendi seu papel em minha vida, como minha grande defensora. Eu devo muito a essa habilidade de me blindar e, dependendo do caso, de me anestesiar do mundo à minha volta, com um personagem que consegue lidar (ou ignorar) as situações à minha volta.

Por que esse assunto agora? Não sei, ele veio à mente, nesse domingo, em que estou ouvindo "Never be the same again" (Mel. C) e o marido está jogando videogame.

Sei que estou muito pessimista nos últimos dias, cansado de tudo, como se nada tivesse a mesma cor de sempre. São poucas as coisas que me alegram ultimamente, e elas vem diminuindo a cada dia. Pelo menos para compensar eu tenho essa máscara de pessoa extremamente confiante, que uso no dia-a-dia, pra me sentir vivo, sei lá.

Acho que é mais uma fase ruim da minha habitual variação monumental de humor. Ou são os 35 anos que fiz há duas semanas. Ou é a falta da moto e de poder dirigir pela cidade sem pensar em nada.

No fim, sempre passa. E menos um dia de espera até o fim, o descanso final, seja lá como ele for.