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14 de nov. de 2021

Fine temporum litterae

Eu demorei muito tempo pra fazer isso. A me desprender. A deixar essa memória no passado. Esse é o primeiro ato de "deixar para lá" uma coisa que por muito tempo definiu minha forma de pensar e de como abordar determinadas ações na minha vida.

Então decidi tirar você da minha carteira, e colocar aqui, nesse repositório de memórias, de "eus" passados. Para que eu possa ler novamente no futuro, mas com uma visão diferente da que me fez carregar por tantos anos essa carta dentro da minha carteira.

Não é algo que eu considero fácil de fazer, mas existem ações que precisam ser feitas se queremos um fechamento para determinadas histórias.

Como diz um ditado que ouvi, nunca se atravessa um rio duas vezes, pois a água da travessia seguiu seu caminho, assim como a pessoa que atravessou o rio.

...

Finis rerum

Não sei como começar isso a não ser pelo começo. Se você está lendo isso, eu só queria dizer que eu estou em paz comigo mesmo. Esse tempo todo que passou em que me escondi das pessoas, menti para pessoas próximas, afastei quem eu na verdade queria perto, tudo teve um motivo. É o mesmo motivo pelo qual estou escrevendo essa carta. É a única saída que eu tenho a seguir, e que me deixa em paz comigo mesmo. É o término da existência, dos problemas, das preocupações, das angústias, das decepções e frustrações. Eu decidi por um fim nesse ciclo, pois independente de se agora ou daqui muitos anos, o local é o mesmo. É o fim. Por isso, não quero que esse seja um momento de tristeza, mas sim um momento de paz. É o momento de paz final, antes do desaparecimento atrás da cortina da morte. E eu escolhi me sentir em paz.