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22 de dez. de 2022

Teacherless

E não satisfeito em ter inúmeras crises por conta do boy colega de trabalho, aqui estamos escrevendo sobre ele, mais uma vez, não é mesmo?

DISCLAIMER: Definitivamente preciso dizer que esse post PRECISA ser lido ouvindo a playlist Teacherless Hits #1 listada abaixo:

Esse post, como tantos outros que vieram antes, fazem parte da aclamada série "Fantasmas dos Verões Passados", e esse merece uma citação especial pois foram 4 anos de sofrência! Essa história é uma conclusão de um arco narrativo que inclusive teve vários posts por aqui, e que no fim desse registro eu irei elencar as postagens relacionadas.

Aqui a diversão é tão garantida que recomendo trazer seu snack e refrigerante, pq não fazemos que nem o cinema que obriga vc a comprar a pipoca e a coca para consumo local, tá?

Chefinho e o Fantasma dos Verões Passados que realmente me alcançou lá no fundo!

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Essa história começou lá pelos idos de 2018, na cidade de Curitiba. Na verdade ela veio de algum tempo antes de conversas com colegas de trabalho. No meu trabalho existia esse carômetro onde haviam as fotos de todos os diretores gerais dos campi, e eu e algumas colegas de trabalho tínhamos o péssimo costume de ficar olhando o carômetro e dando notas para os presentes nesse carômetro. Eu pessoalmente lembro de uma dessas vezes a gente olhar para esse diretor que tinha lá, que era visivelmente mais novo que os outros, mas que era uma gracinha, e por umas 2 vezes eu soltei um "e para o colega Onicássio (que chamarei de Oni daqui em diante), nossa nota é 10, e ainda oferecemos um sacrifício em nome da sua beleza. Tomi Oni, sua oferenda (e eu oferecia um copinho de café, sob os risos das colegas de trabalho)".

Um tempo depois, vêm a notícia que esse diretor bonito que falávamos em nossas sessões diárias de almoço estava sendo indicado para ser diretor do setor onde eu trabalhava. Eu lembro de ficar "ohh, que massa, finalmente um homem bonito nesse lugar". Eu sei que a primeira coisa que me chamou a atenção nele é sua educação e atenciosidade. Lembro que nos primeiros dias eu tive vários pequenos surtos porque, puxa, que homem bonito!

Nas semanas seguintes, em que estávamos já mais aclimatados com sua presença no setor, eu lembro de começar a puxar assunto sobre assuntos em comum. Ele é um amante de motociclismo, e isso claro me chamou a atenção pois eu também me considero. Falávamos sobre lugares para visitar, lugares já visitados, tipos de motos, o que cada um gostava ou não gostava... Emfim, era muito gostoso conversar com ele.

Eu sei que a partir de algum momento aleatório no ano de 2019, eu comecei a sentir essa atração por ele, além dos meus dispositivos anti-surto. O homem era perfeito demais, e eu não estava sabendo tankar tudo isso, e os primeiros sentimentos começaram a surgir. Eu até tinha falado com o meu marido sobre esses sentimentos, e isso foi me ajudando a blindar tudo.

Até que em 2019 fizemos uma viagem juntos para Natal. Era uma viagem de trabalho, outras pessoas do trabalho juntas, e em um happy hour nosso, eu bebi além da conta (não foi além da conta, fiz de propósito mesmo) e peguei o celular e mandei uma mensagem toda acalorada para ele, que estava do outro lado da mesa, e eu vi que ele ficou visivelmente constrangido com a mensagem, e aí não conversamos mais até o fim da noite. Eu sei que a falta de resposta foi o motivador para eu parar de beber, pq tava visível que não haveria resposta naquele momento.

Nos outros dias da viagem, houve o dia que subimos, alguns colegas e ele, secretamente, para a piscina do hotel (que fechava após as 22h) e ficamos lá conversando sobre a vida, sobre os filhos dele, sobre o que eu passei na vida, e lá estamos nós de novo bebendo. Também teve o episódio de termos ido para o mar com a equipe e ter ficado pegando onda do lado dele por pelo menos algumas horas após o fim da tarde, curtindo o momento (e ele ali do lado) como se não houvesse amanhã. Isso tudo acontecendo depois da mensagem do primeiro dia, ok?

Preciso dizer que nesse momento eu já tinha certeza de que o que eu sentia era platônico. A FIC na minha cabeça já tinha se desenvolvido a ponto de eu frequentemente me pegar sonhando ou divagando com a gente morando junto, cuidando do cachorro, assando carne e curtindo piscina... Inclusive não foram poucos os episódios em que eu prestei homenagem à sua memória ou mesmo, em momentos íntimos, trazer sua imagem à minha mente para alcançar o ápice do momento. Inclusive ficava morrendo de medo de soltar seu nome no meio do processo, mas olha, não foram poucas as vezes.

Daí, no fim de 2019, eu chamei ele para irmos comer em um restaurante que eu gostava demais. Era um restaurante japonês tradicional e de família, e era tão bom ir lá que eu convidei ele para ir junto. Para me ajudar nessa tarefa, eu chamei uma colega (que na época era uma das minhas melhores amigas de trabalho) para acompanhar a gente, e ela ia só tirar o clima de "date". No entanto, no fim deu tudo totalmente ao contrário. Ele ficou conversando com ela o tempo todo, e eu fiquei lá me sentindo a vela da história. Teve até um momento de chuva, que ficamos os três molhados, e teria sido incrível se eu não tivesse ficado de lado no retorno, enquanto os dois conversavam animadamente na frente do carro. Me lembro bem de ter ficado encostado no vidro olhando a chuva, até que eles perceberam e perguntaram se eu tava bem. Respondi que sim mas não estava bem. Só queria logo que aquele dia acabasse logo.

Eu fiquei sabendo tempos depois que ele e essa amiga tinham ficado após esse acontecimento. Ela, muito tempo depois que se mudou do nosso escritório para outro estado, me contou que tinha ficado com ele, e deu detalhes sobre como ele era carinhoso no ato, deu detalhes de como ele era sem roupa, entre outras coisas, e na hora não senti nada, só fiquei maravilhado com os detalhes. Só sei que quando a ficha realmente caiu eu fiquei bem deprimido com tudo isso, pq ela sabia que eu estava tentando algo, e ela foi lá e conseguiu o que eu nunca conseguiria. Eu nunca mais consegui conversar com essa pessoa novamente, pq o sentimento que estava sentindo era muito forte. Eu posso dizer que foi a primeira vez na minha vida que eu tinha sentindo ciúmes de alguém, e era nítido que era isso que estava sentindo naquele momento. Tempos depois foi ele quem me contou que tinha ficado com ela, e eu perguntei detalhes, e ele com vergonha, não me deu nenhum.

No entanto, a reputação dele continuava ilibada pra mim. Ainda sentia o que sentia por ele e ainda bem que na época eu tirei férias, pois precisava tirar tudo isso da cabeça um pouco. Eu prometi a mim mesmo que não ia me jogar nessa FIC quando voltasse, o que eu falhei miseravelmente em cumprir, claro.

Foram várias saídas de carro com ele para almoçar em shopping, ir em mercado, ajudar a comprar alguma coisa ou eu comprar algo, e eu estava lá, fazendo companhia, curtindo cada migalha de atenção que ele deixava no caminho para que eu cuidadosamente e meticulosamente pegasse. Ele só ficava em Curitiba 3 dias por semana, e sempre voltava para sua cidade na quarta-feira, e voltava só na próxima segunda. Foi assim pelos 4 anos que ele ficou por aqui.

Pouco tempo depois, com o retorno das férias no meio de uma pandemia de COVID, eu conversava com ele na base diária via WhatsApp e as vezes via Videoconferência, e depois dos assuntos do trabalho, eu sempre tocava em assuntos da sua vida pessoal, querendo saber mais sobre cada coisa, pq eu realmente estava viciado nele. Inclusive foi mais ou menos nessa época, mais próxima do fim da pandemia, que voltamos a conviver de novo no ambiente profissional, que eu já não escondia mais e vivia fazendo piadinhas sobre sua beleza, fofura, inteligência, carisma, para outras pessoas no meu trabalho, inclusive com ele presente nesses momentos, realçando que eu estava gentilmente o cortejando para as outras pessoas verem.

Eu só sei que o aparente fato de ele aceitar que eu gostava dele e ele me manter à uma distância, dita, segura, me matava por dentro, um minuto por dia. Não foram poucas as vezes que tive surtos emotivos que disfarçava de raiva por conta de coisas que eu não conseguia dizer não para ele, pq ele tinha um poder incrível em relação à minha pessoa.

Então vieram as férias dele. Ele ia fazer uma viagem pela américa do sul com a esposa, e eles tiraram fotos em lugares lindos de morrer! Ele me mandou algumas de lugares realmente muito bonitos, e eu não conseguia olhar para os lugares, só ficava imaginando a FIC de eu, ele e aquele lugar, e a gente conversando sobre a vida, e lá estava eu de novo em mais uma mini-crise emocional. No fim era em média uma crise a cada 15 ou 20 dias, que aí eu ficava com raiva da situação e eu ia para o próximo ciclo, até estourar tudo novamente.

Por último, após o retorno das férias dele, veio a notícia de que ele ia deixar a direção e voltar para sua cidade em definitivo. Na hora eu tankei a emoção mas no outro dia eu estava em prantos. Foram muitas horas de música e stories de whatsapp para aplacar esse sentimento, e tb teve o fato de que semanas depois iríamos viajar para São Paulo, então na minha mente de FIC, íamos ter um tempo extra pra curtir antes da derradeira viagem.

E assim o foi. Foram 5 dias dormindo em barraca em São Paulo e posso dizer que apesar de não ter havido nenhum encontro íntimo, pq ele não ia dar esse espaço, eu considero como 5 dias incríveis de estar perto dele. Tomar café, almoçar, participar de eventos, passar horas conversando sobre assuntos aleatórios, ficar secretamente olhando ele de bermudinha e chinelos, jogar joguinhos ou ver ele jogar joguinhos. Foi incrível.

Duas semanas atrás, eu até criei coragem eu escrevi uma carta e mandei pra ele, e dei de presente pra ele um chaveirinho escrito "melhor prof. do mundo". Sim, é o mesmo que está na imagem da playlist que espero que vocês estejam ouvindo enquanto estão lendo isso. Após ele ler, pra mim eram visíveis as lágrimas contidas no seu rosto, afinal na minha concepção de tudo ele não podia demonstrar nada ali, mas pra mim parecia ter algo ali. E ele me deu o abraço que eu pedi na cartinha. Um abraço forte, protetor, e que durou enquanto eu me mantive abraçando, e não vi reação dele em tentar terminar o abraço. No fim fui eu quem terminou o abraço pq eu senti que ia me perder em algo que não ia acontecer e não queria sentir aquilo naquele momento, então interrompi o mesmo pouco após o abraço. Pq eu sabia que aquilo seria o mais próximo que eu chegaria da minha FIC.

E agora, aqui estou, escrevendo esse post, 24 horas após o último encontro com ele. Sua viagem final foi ontem, e admito que ontem eu estava totalmente destruído emocionalmente, pq eu sabia que era tudo na minha cabeça, mas eu sempre quis mais, e ele sempre soube, mas nunca deu nada além do que vazio, que na minha mente altamente distorcida e enviesada eu considerava com falsas espectativas de que pudesse acontecer algo, que era só eu achar o jeito certo de chegar nele.

Eu só sei que esse homem me afetou de um jeito que eu nunca imaginei que eu pudesse ser afetado. Nunca antes na história dessa pessoa alguém alugou um terreno tão grande na minha mente. E eu sei que toda essa história está difícil de guardar em uma caixinha, pq eu não tenho nenhuma caixinha grande o suficiente para pegar tudo isso, guardar e colocar no meu esquecimento pessoal. Esse homem vai ficar um bom tempo sendo um fantasma nos meus pensamentos e sonhos, assim como ele já é nos meus momentos de procurar videozinhos educativos na internet, e sempre caio nos mesmos vídeos, pq os caras se parecem com ele ou se comportam como ele (geralmente os dois).

E é isso. Essa é a história resumida desse Fantasma de Verões Passados, provavelmente o maior fantasma que deva passar na minha vida (até o próximo aparecer e me deixar do mesmo jeito pois eu não aprendo com meus erros).

Como disse lá no começo, eu vou listar todos os posts que eu escrevi sobre esse homem, pq em 4 anos, foram muitas crises.

Segue a lista:

  1. After the Last Goodbye (a história da lembrancinha)
  2. The Last Goodbye (a cartinha)
  3. Après la lumière
  4. Câlins affectueux manquent
  5. Merci de vous arrêter ici
  6. Griefness
  7. L'amour platonicien n'est pas compris
  8. Puppyness
É isso Dudu do futuro. Tá aí a história completa e agora estou aqui resgatando cada pedaço de mim mesmo que fui deixando no caminho, passando uma cola dourada e tentando reconstruir o meu eu, rechaçado emocionalmente e psicologicamente pela FIC da minha cabeça e pelo boy, que não me afastava em definitivo nem dizia nada, me deixando ainda mais paranóico em criar uma vida inteira de carinho e experiências, que só existia dentro da minha mente.
 

29 de jan. de 2017

The virtue of selfishness

"I'm bad, and that's good. I will never be good, and that's not bad. There's no one I'd rather be than me", Detona Ralph.

As vezes a gente para pra pensar sobre algumas coisas de nossas próprias vidas e nos perguntamos: "será que somos bons com as outras pessoas?" ou "será que somos confiáveis?" e isso tede a ficar martelando a cada vez que você se encontra em uma situação em que você precisa tomar uma decisão difícil.

As vezes só o que temos para poder decidir algo é nossa própria consciência, e nesse ponto se não estamos bem conosco, isso só tende a obscurecer nossa capacidade de julgamento.

Veja bem que falei de consciência, e por consciência digo saber quem nós somos e o que queremos dessa experiência de vida. E isso quer dizer decepcionar pessoas pelo caminho, pois nem todos enxergamos a vida pela mesma ótica e nem esperamos as mesmas coisas dessa experiência.

Por isso, as vezes as pessoas podem nos enxergar como pessoas más, as vezes até nós podemos nos ver assim, mas se isso é uma coisa que nós somos, é essa coisa realmente ruim?

Penso sempre que o mais importante nessa vida é ter constância na forma com que vivo a experiência mundana, e tento manter essa constância na forma com que minhas ações são projetadas.

Dessa forma, não tenho nenhum medo de admitir que não sou uma pessoa boa, mas também não me considero uma pessoa má. Na verdade a única característica que ultimamente coloco como parte da minha personalidade é meu senso de justiça e lealdade. E é através desse senso para com meus próprios objetivos de vida, com as coisas que acredito e que me guiam, que canalizo minhas energias para ajudar alguém ou pra retribuir uma ingratidão, caso veja como necessário ou pertinente.

Eu tenho várias características negativas, assim como também tenho várias características positivas, e conheço todas, pois tive todos esses anos de introspecção e meditação comigo mesmo para conhecer cada pedacinho de cada aspecto da minha personalidade mais aparente, e vários de características mais latentes, mais escondidos atrás de tantas muralhas criadas por mim mesmo para me proteger do mundo, das pessoas, da vida. Algumas dessas características uso rotineiramente e com bastante desenvoltura, outras aparecem ocasionalmente em determinadas situações (stress, felicidade), outras ainda raramente aparecem mas tendem a ser reflexo das minhas defesas internas. E também existem aquelas características que nunca foram postas à prova, mas eu sei que existem, pois eu já criei cenários mentais em que essas características foram, de alguma forma, testadas.

Isso pode parecer errático para as outras pessoas, mas para mim não é. Eu sempre sei o porquê de estar fazendo as coisas, dentro do que conheço à respeito do que estou fazendo. À partir do momento que passei a não mais julgar se algo que estou fazendo foi bom ou ruim para alguém e sim julgar se aquilo merece ser feito ou não segundo o que acredito, eu passei a fazê-lo com mais consistência, com menos dúvidas e, principalmente, com mais fé em mim mesmo.

Saber que fui consistente nessa vida é muito mais importante do que ouvir que fiz o bem para outras pessoas, pois o que os outros pensam sobre mim reflete quem eles são não quem sou eu.

17 de nov. de 2016

Syzygyness

Tudo começa com você acordando. Você não nota nada de diferente no começo mas todas as pessoas estão lhe olhando diferente e você não sabe o porquê. Você vai até o espelho e percebe que você não é você, você é um construto mecânico. E não entendendo o que se passa, você tenta recapitular quando foi que tudo mudou. Será que era porque estava na cama por alguns dias com febre? Será que era por causa daquela visita estranha na noite anterior? E então você nota que todas as pessoas que você conhece estão alguns anos mais velhas, como se 10 anos tivessem passado em um piscar de olhos.

Este foi um sonho que tive há alguns dias, extremamente real e com muito mais detalhes que citei acima. Esse foi só o começo dele, e ele ainda foi muito longe, até um ponto onde finalmente pude entender um questionamento que venho fazendo nos últimos anos sobre o que é essa entidade observadora que existe no fundo de nós.

Essencialmente, o sonho me deu vários insights para os mecanismos que regem a consciência, e depois de muito divagar à respeito, a conclusão que chego é que o que acontece de diferente é o que descreverei abaixo.

Nossa consciência nada mais é do que um fluxo retroalimentado de análises das nossas próprias memórias. Nada mais. Não existe explicação mais complexa ou mística à respeito disso. É só você pensar sobre como seu cérebro sempre usa informações sensoriais e julgamentos tomados para definir o que é nossa personalidade. Na realidade, nós não existimos como entidades, nós existimos como construtos de personalidade baseada nas nossas experiências passadas.

É difícil assimilar isso, e só com uma divagação bastante profunda sobre nossa própria existência que foi possível que eu chegasse à essa conclusão. Essencialmente, somos máquinas biológicas que operam um conjunto de dados em constante mutação.

Isso só me faz lembrar o épico filme chamado Chappie, do cineasta Neill Blomkamp, que nos leva a questionar exatamente isso que chamamos de consciência, daquilo que aparentemente nos torna únicos.

Não se engane, no entanto. Nós continuamos únicos, afinal o maquinário de cada pessoa é ligeiramente diferente uns dos outros, e os conjuntos de memórias e experiências de vida também são diferentes, criando a miríade de identidades projetadas que estamos acostumados a interagir como eu, você, a moça do mercado e o cobrador de ônibus.

O engraçado é que chegar à essa conclusão me trás mais calma do que aflição, como alguns já disseram em um post anterior (Provenanceness) onde eu fiz um questionamento sobre "sua vida mudaria se você se descobrisse uma máquina". Vários de meus amigos falaram que iriam continuar seguindo suas vidas, sem contar as pessoas e evitando pensar nisso novamente. Eu, como disse nesse mesmo post, não conseguiria, eu precisaria explorar essa nova faceta, e de fato é o que venho fazendo desde que me entendo por ser vivo.

Agora, o mais importante na minha visão é como explorar melhor esse conhecimento e como ampliar a minha capacidade de trabalhar esse conceito de personalidade de forma a poder melhorar aspectos da minha vida que precisam ser melhorados.

Não que queira melhorar ou corrigir todos, mas sempre há espaço para melhoramentos, afinal é o que fazemos com uma máquina.

28 de mar. de 2016

Noneless

Hoje amanheci com uma vontade de escrever qualquer coisa sem sentido, sem rumo, sem saber onde vou chegar com esse texto, sem nenhum objetivo específico.

É engraçado quando você para para pensar em você, no mundo, nas suas descobertas e nas suas escolhas, tanto de vida quanto de crença (ou não-crença). Eu gosto de divagar de vez em quando sobre a vida, e no ônibus hoje eu me peguei aéreo, tocando o vidro do bus e sentindo sua textura, e digerindo mais uma vez o fato de que um dia isso tudo que eu absorvo vai desaparecer e talz.

Não que isso me deixe triste, de maneira nenhuma! Sabe quando sua maior vontade é de chegar naquele momento que todo mundo têm medo, olhar pra trás, ver tudo o que você fez e encarar o fim da aventura com um sorriso no rosto e uma lágrima nos olhos?

Sorriso no rosto por saber que, assim como tudo no mundo, sua participação no mundo chegou ao fim e, independente do que te espera do outro lado, você se sente realizado com tudo que viveu.

E uma lágrima nos olhos por já começar a sentir saudade disso tudo, de toda essa dificuldade, de todos esses momentos, de todas as memórias, de todas as sensações, cheiros, toques, músicas, e imagens que você colecionou em todos esses anos.

É como fazer uma viagem para um lugar qualquer, sabendo que é provavelmente a última vez que você vai ver aquele lugar que você aprendeu a amar, admirar, independente de todos os defeitos que posam nesse lugar, pois são eles que, por mais que não pareça, tornam o lugar incrível de se vivenciar.

E então, vêm finalmente a viagem, a transferência, a morte, não importa como se chama. O que importa é que vale a pena sentir cada milímetro desse mundo, na alegria e na tristeza, no ódio ou na depressão. Cada experiência conta. E mesmo que tudo isso seja em vão, e que o esquecimento nos aguarde no final, vale a pena saber que, até o último momento, é o momento e a experiência que mais contam.

8 de fev. de 2016

Fakeless

A minha maior habilidade de todas as habilidades que eu possuo é a de me fingir de bobo alegre e nesse processo ir analisando o comportamento das pessoas.

As vezes me surpreendo com a quantidade de pessoas que pressupõem que eu não entendi uma ironia ou que não peguei o subtexto das conversas. Eu fico lá, parecendo indiferente ao que é falado, mas pode ter certeza que cada coisinha está sendo anotada no meu caderninho mental que eu tenho sobre cada um de vocês, seus lindos!

P.S.: Post do Passado Distante

1 de fev. de 2016

Superpowerness

Vamos filosofar sobre o filme Poder sem Limites.

Não sei vocês, mas eu faço isso para todo filme que eu assisto, pois todo filme têm uma história para me contar (na verdade nem todo filme, alguns são meh o suficiente pra ser só mindless action).

O filme Poder sem Limites mexe comigo, pois ele relata exatamente uma das sensações que eu teria se de repente eu desenvolvesse um poder como psicocinese (o melhor poder).

Várias vezes eu me peguei imaginando como seria, como aquilo me afetaria, como a sociedade reagiria, e no final a única coisa que realmente me preocupa é em como minha personalidade se adaptaria em torno dessa nova habilidade.

Será que eu começaria a achar que sou um deus? Será que minhas noções de moral se alterariam? Eu sinceramente não sei. Eu só posso imaginar que eu ia me divertir muito com essa habilidade.

Alguns diriam que eu poderia salvar vidas com ela. Eu argumento que sim, se esse poder viesse com um propósito. De fato, a propensão a ajudar onde fosse preciso seria muito grande, mas não viveria só por essa ótica, afinal quem decidiria sobre isso seria eu, pois no final das contas o poder é meu, não é?

Eu sou uma pessoa que pensa muito mais em mim que nos outros, mas não deixo de pensar nos outros também, mas o fato é que eu vou pensar em mim primeiro e, a não ser que envolva uma decisão moral, eu vou sempre tomar uma decisão em meu favor próprio.

Assim, o fato de ter ou não superpoder é na verdade o fato de o quão eu me doaria para o mundo. Eu tenho minhas medidas de doação, e só vou além dessas medidas quando a pessoa conquista esse mérito comigo. O resto, é só uma carinha bonitinha lintamente esculpida através de anos de experiências de dissimulação.

Ainda sim, seria muito bom poder voar com um poder como esse. Eu ficaria a vida inteira voando e levantando as coisas.

15 de jan. de 2016

Dreamspaceless

As vezes eu paro e fico olhando o mundo físico e fico comparando com meu mundo interior. Minha vontade de estar dentro dele é sempre muito grande, como se eu tivesse nascido para aquele lugar, não para este daqui. No meu mundo interior, carinhosamente chamado de Entalis, tudo é muito parecido, mas ao mesmo tempo muito diferente. Algumas coisas que acontecem lá não acontecem aqui, e algumas coisas que acontecem aqui não aparecem por lá. No entanto, fora esses detalhes, a quantidade de detalhes é praticamente o mesmo.

Eu só preciso concentrar um pouco mais do que o normal, de olhos fechados, e de repente eu estou do lado de um riacho de águas frias, com árvores de folhas pequenas e sementes miúdas, com montanhas ao longe e uma parca névoa alcançando o horizonte. Indo um pouco mais longe, chego em uma cidade com ruas, carros, pessoas, prédios e lá as pessoas são como as daqui, sempre apressadas em sua própria vida. A diferença principal entre este mundo e aquele é que naquele eu não tenho as preocupações deste, como onde morar, o que fazer pra sobreviver, trabalho, medos, etc. Lá eu simplesmente vivo.

E a maior parte do tempo em que eu estou melancólico, eu vou para esse mundo, e lá me sinto em paz. Não existe nenhum lugar no mundo que me deixe mais em paz de espírito que em um morro verdejante com uma árvore frondosa e folhas aconchegantes no topo, que existe no meu mundo interior. É como se pudesse olhar para o mundo inteiro e sentir uma sensação de plenitude e completamento que não existe aqui.

A cada dia que vivo nessa realidade, eu sinto que vou me tornando cada vez mais insípido às sensações que recebo daqui, como se nada mais me surpreendesse ou me fizesse sentir as fortes emoções que eu gosto de sentir e de fazer fluir em meu interior. E é engraçado dizer isso, mas das coisas que mais tenho sentido prazer em fazer nessa realidade, a maior de todas é dormir. Pois é dormindo que na maioria das vezes eu cosigo passar horas, dias e até meses dentro do meu mundo, pra então acordar de manhã e perceber que preciso trabalhar, que preciso sobreviver, que preciso fazer um monte de coisas, e que praticamente nada disso têm sequer significado pra mim, exceto pelo fato de que preciso fazer essas coisas para continuar vivendo nesse mundo.

Não me importo que me achem doido ou fora de mim. Esse é quem eu sou de verdade, e poucas pessoas vão um dia conseguir enxergar essa pessoa que está escrevendo isso por aqui. E as que enxergam isso (ou compartilham da mesma sensação) me entendem quando digo que eu não sou desse mundo.

Eu não sou desse mundo. Eu nasci nele, mas de fato o meu mundo, aquele que queria estar nesse momento, existe só dentro da minha mente, e se eu estiver aéreo as vezes, pode ter certeza que estarei tomando um sorvete em algum lugar na minha mente ou sentado debaixo de uma árvore, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo por estar ali.

Aum shree iknari hum.

11 de jan. de 2016

Título

Inteligência não é parecer esperto para os bobos, mas parecer bobo para os espertos.

1 de jan. de 2016

Yearless

Mais um ano civil se passou, mais uma semana de vida para acumular as minhas já 1737 semanas. E pela primeira vez em 10 anos, a rotina será diferente. Moro em uma cidade nova, trabalhando em um trabalho diferente, convivendo com outras pessoas e literalmente começando uma nova vida do zero (só não é do zero pois tem o meu marido comigo pra positivar essa contagem).

O que sei é que esse novo período não começa fácil. São novos dilemas pessoais e profissionais que não sei se estou completamente pronto para enfrentar. Não espero nada de 2016 que não tivesse esperado de 2015 ou dos anos anteriores. Eu só espero alcançar mais entendimento do mundo e de mim mesmo, mais desconexão do mundo e mais ligação com meu mundo interior e, entre outras coisas, fico cada vez mais ansioso por chegar naquele momento que as pessoas tanto têm medo, uma das únicas certezas na vida.

Sim, voltando ao assunto, eu quero alcançar um fim, não quero viver para sempre em qualquer forma extraplanar que possa (ou não) existir. "Tudo que têm um começo, têm um fim" e é assim que acredito que o ciclo de tudo funciona. Sair pela esquerda no fim e abrir espaço para novos atores no mundo.

Afinal, isso nunca mudou em mim: não importa se eu deixei algo para o mundo ou não. O que importa é que em determinado momento da história do universo, eu existi e eu tive plena consciência disso. Isso já é o suficiente pra mim.

Ohm.

15 de dez. de 2015

Friendliness

Hoje foi o dia da divagação e um monte de coisa rolou nesse self-brainstorming. Uma delas foi sobre amigos. Sabe uma coisa que tenho percebido esses últimos tempos? Eu acho que tenho dado pouco valor para alguns amigos que tenho. Em uma amizade dou muito valor à sinceridade com que as pessoas me dizem as coisas. Não precisa ser 100% franco, no entanto espero um nível de franqueza pra pelo me dizer "amigo, você está errado por isso, isso e aquilo".

Sabe por que gosto disso? Porque eu gosto de discutir, gosto de botar minhas opiniões e conhecimentos à prova. Isso acrescenta muito à relação de amizade.

Não significa que quem não discute comigo tem menos valor. No entanto, o que não gosto é quando o amigo não está a fim de uma discussão direta (seja ideológica, seja de conhecimento) mas fica de indireta porque não concorda com minhas opiniões. Isso me mostra quem é a pessoa e isso me deprime, principalmente porque a pessoa é amiga e tem o canal aberto pra falar abertamente comigo.

Eu solto indiretas? Eu solto indiretas, sou o especialista das indiretas, principalmente no Twitter. Mas se eu preciso falar eu falo. Se eu não me sinto confortável, eu me afasto. Se eu me sinto ofendido ou percebo que não sou desejado no círculo, eu saio de perto. Eu dou todos os sinais de como eu estou me sentindo em relação às minhas amizades.

No entanto, ultimamente não estou sabendo lidar com algumas personalidades de alguns amigos. Não sei se é minha tolerância que tem diminuído ou se são as atitudes intolerantes deles têm aumentado. Só sei que no final, estou preferindo me afastar. Já passei por isso antes e na época quem eu achava que era meu amigo, no final não era, e não foi fácil superar isso. Por isso, desde então, me prometi que não deixaria isso acontecer comigo novamente.

Isso é uma indireta? Com toda certeza do mundo! Mas diferentemente das indiretas ofensivas, essa é mais uma indireta desabafo. Queria que quem visse esse post e se identificasse, soubesse que é assim que estou me sentindo em relação a alguns de vocês.

P.S.: Post do passado não tão distante.

28 de jun. de 2015

Beetleheadness

Para quem ainda não entendeu, vou desenhar: Eu tinha colorido minha foto, mas daí vi algumas pessoas sendo desnecessárias com quem não tinha colorido (ainda mais com outras gays, como pode) e em protesto mudei a minha pra preto-e-branco pra mostrar que não devia existir essa coisa de "my way or the highway", afinal a bandeira tb representa diversidade de pensamentos...

1 de abr. de 2015

Diceless

Uma coisa eu tenho de admitir, boa parte das coisas que eu posto nesse blog acabam envolvendo sexo de alguma forma, né? Não nesse post! Esse post surgiu depois de uma discussão sobre "amigos de antigamente e que não são mais amigos" e de outra discussão sobre os "tempos da escola". O post trata de um momento muito único na trajetória das minhas amizades mais duradouras e de como eu me deixei levar por uma paixão adolescente.

Esse post faz parte da aclamada série "Fantasmas dos Verões Passados", com a diferença que esse mereceu um tratamento especial por ter durado tanto tempo na minha vida. Para quem quiser ler as histórias anteriores, os links estão no fim do post.

Separe a pipoca, a coca-cola e o sal pois é diversão garantida, para toda a família!

Amigos, outros "amigos" e o maior Fantasma de Todos os Verões Passados

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Tudo começou em um dia típico no interior de Goiás. O ano, 1998, segundo ano do ensino médio. Nessa época, eu estudava de manhã e estagiava no recém criado laboratório de informática.

Lá estava eu, perdido em buscas aleatórias na recém instalada internete quando chega esse kra que tinha ficado sabendo que eu tinha baixando um vídeo (via Napster) mixando várias versões de Final Fantasy com uma música de uma banda de metal melódico e veio me pedir uma cópia do mesmo. Eu disse que não tinha CD para gravar mas que se ele trouxesse, eu gravaria no computador da coordenação do laboratório. Ele era mais ou menos da minha estatura, gordinho, com uma cara de pitboy e usava roupas com estampas militares. Não preciso dizer que havia sido paixão à primeira vista né? Ele se chamava Mateus.

Engraçado que nessa época eu não admitia que eu sentia algo pelo Mateus, mas da visão que tenho de hoje, era isso que eu sentia. Para mim era pura e simples empolgação e até cheguei a negar pra mim mesmo que eu estava gostando dele (eu não lidava bem com meus sentimentos e conflitos, longa história).

No outro dia, ele apareceu para pegar o vídeo e veio com um outro amigo, o Alessandro, e aproveitou pra pegar algumas músicas que eu já tinha baixado. Enquanto eu gravava o CD nós ficamos conversando sobre aleatoriedades e no final da conversa, eles me chamaram para conhecer o grupo de reeducação postural global (o famoso RPG) que eles frequentavam.

Passado algum tempo, eu já me considerava do grupo. Eram várias pessoas que participavam dos encontros. Tinha o Hernán Cortez, muito gente boa; o Maurílio, ligado com os lances punks straight edge; o Denício, que era o kra do linux, na época que linux era uma coisa de nerds nível asiático; e o Nheengatu (que é um nome tupi e talz), irmão do Mateus e o integrante mais novo do grupo.

Era divertido sair com esse pessoal. Eu não era uma pessoa muito conhecida na escola, exceto pelo fato de ser o CDF número dois da minha sala (admito, a CDF número um era a Eva Aline, irmã do Alessandro e sempre achei ela mais inteligente que eu em matemática e física, as matérias que eu dominava de letra). A gente fazia umas loucuras tipo sair correndo e pular na cerca da escola, pular nos postes de sinalização e fazer poledance (inclusive em uma dessas ocasiões o Alessandro conseguiu arrancar o poste, no sempre presente azar de corpo fechado dele) e nos chamarmos por nomes e raças de livros como Senhor dos Anéis.

Eu sei que muita da minha motivação em estar perto deles era para estar perto do Mateus. Eu achava ele legal, engraçado, irônico mas ignorava sumariamente os seus defeitos, como a arrogância, o orgulho e o seu nítido senso de superioridade sobre as outras pessoas. Afinal, no fundo eu gostava dele, daí eu anulava esses "pequenos inconvenientes".

Passado algum tempo, o Maurílio e o Denício se afastaram do grupo. Na verdade, o grupo se dividiu por conta de alguma treta entre o Mateus, o Nheengatu e o Denício e eles acabaram por pular do barco. Eu e o Hernán continuamos no grupo, que depois dessa Cisma se tornou a Sociedade do Personagem Desbalanceado (ou SPD).

Nesse período, várias outras pessoas passaram pelo grupo e não ficaram muito tempo. Em especial o Ueide Filho, o Valdir, o Karl Marx, o Bilbo Bolseiro, o Rodrigo (que tinha esse nome pois seu derrière é enorme e tinha vida própria, segundo os contos mitológicos) e o Tonhão. Deles, só o Ueide Filho acabou continuando. Outro que passou pela SPD e saiu pouco tempo depois foi o Amarildo, que fez uma das melhores histórias de RPG que já joguei, toda cheia de zoeira e brincadeiras e que não agradou muito o refinado gosto da tríade (esse era o nome que eu dei para o Mateus, o Nheengatu e o Alessandro, por serem os principais e mais visíveis integrantes do nosso grupo de reeducação postural global).

Foi nessa época que eu comecei a sentir que ocasionalmente os meus amigos da SPD pareciam não me querer na sua companhia, já que as vezes saiam pra fazer as coisas e não me chamavam ou marcavam sessões de reeducação postural global secretas. Eu achava que era porque eu tinha começado a trabalhar no estágio e por isso tinha menos tempo pra poder dedicar a eles. Pra mim tudo bem, a gente passou a se ver mais à noite e nos fins de semana. Foi também nessa época que o grupo novamente teve um crescimento, quando o Lagartixa, o Danielzim (primos de Alessandro), o Petit Lait e a Micaela entraram no grupo (no entanto o Petit Lait e a Micaela também não ficaram muito tempo).

Uma coisa pelo menos salvava essa sensação de isolamento. Eu sempre andei à pé na cidade (Alessandro morava pra lá da baixa da égua) e muitas vezes o Lagartixa, o Alessandro e o próprio Danielzim me buscavam ou me levavam para os lugares onde estavam todos. Alessandro ainda era o único que eu ainda via se lembrando de me chamar para os eventos de grupo.

Um dia, o Valdir e o pai dele abriram uma Cafeteria com Acesso à Internet e o Alessandro pouco tempo depois começou a trabalhar por lá. A gente meio que passou a se encontrar com frequência na cafeteria, que acabou se tornando meio que nossa sede de operações. Nesse período, eu tinha "terminado" o meu curso técnico e estava fazendo faculdade e tinha muito tempo à tarde para ficar por lá. Apesar de conversar muito com Mateus, Nheengatu e principalmente com Alessandro (que à essa altura era meu melhor amigo à época), sempre ficava sentindo que algo estava errado. Mas novamente, eu ignorava porque eu gostava de Mateus e nessa época eu queria ficar perto. Eu já tinha percebido que eu tinha essa atração pelo boy, mas não tinha coragem de chegar e falar pois ele frequentemente afirmava sua aparente heterossexualidade para todos que estavam próximos (não que eu achasse que ele fosse guei, mas era tremenda a semelhança do seu comportamento com o meu processo de esconder dos outros a minha pessoa).

Eu sei que esse período da cafeteria foi muito bom para expandir meu círculo de amizades, que nunca foi muito grande. Jogando Warcraft III com o Diogo e seu irmão, Adriano e jogando Command & Conquer Generals com a minha amiga Max Caulfield, passei a me integrar em outras turmas e a começar a perceber a dicotomia entre estes grupos e o até então meu único grupo de amizades. Foi assim que eu conheci melhor várias das pessoas que passaram pela SPD e que acabaram não ficando no grupo.

Nessa época, tínhamos sessões de reeducação postural global todos os finais de semana e ficávamos horas revisando nossas posturas, escritas em fichas de personagens. Eu frequentemente levava lanches ou dividíamos entre todos o valor das coisas. Eu sei que foi nessa época que o Hernán saiu do grupo. Ele já não vinha aparecendo com muita frequência pois era frequentemente alvo de bullying por parte de Nheengatu e um dia ele não engoliu a zuação e resgatou sua dignidade de volta. Estava livre da "zoação educada" do grupo, que todos apoiavam, desde que não fossem com Mateus e Nheengatu. Foi também concomitante a esse período que eu comecei a frequentar a casa do Diogo e do Adriano e a ficar horas conversando besteira ou vendo os dois jogarem videogame (nunca fui muito fã de jogar, mas sempre gostei de assistir os outros jogarem, vai entender) e enchendo o saco do Rodrigo ou desafinando o violão do Diogo.

Foi mais ou menos por volta dessa época que algumas coisas começaram a mudar na sociedade. Nheengatu, Mateus e Ueide Filho começaram a frequentar academia e a usar aqueles produtos saudáveis que servem para melhorar o desempenho físico (e que fazem com que o homem possa ter a experiência da TPM feminina) e aquela imagem que eu tinha do Mateus começou a ruir. Eu achava ele bonito pelo que ele era, e o que ele estava se tornando (fisica e psicologicamente) meio que estava quebrando o encanto da coisa toda, sabe como é.

Também foi essa a época que passamos a frequentar uma sorveteria no centro da cidade e que os primeiros casais começaram a se formar. Lagartixa tinha sua namorada, Alessandro e Nheengatu saíram da faixa virgem da nerdisse, Ueide Filho começou a chamar a atenção das meninas e Danielzim se transformava no José Meyer de Jataí. Enquanto isso, Mateus se mantinha impassível, e ninguém sabia dizer se ele tinha namorada ou não.

Eu sei que algum tempo depois o grupo começou a se separar, já que tirando eu que já estava na minha faculdade de mexedor de videocassetes, microondas e celulares sistemas de informação, os outros estavam fazendo vestibular e passando para os cursos das suas paixões. Alessandro foi fazer seu curso de design de interiores arquitetura em Goiânia, Mateus foi fazer alquimia em Black Small River e Nheengatu ficou na cidade pois agora era papai. Lagartixa e Danielzim também foram embora, fazer odontologia. Daí, com a sociedade dividida, deixei de fazer reeducação postural global e comecei a dar mais atenção para meus outros amigos, sempre deixados de lado até então.

A coisa engraçada é que a sensação de que eu era sempre deixado de lado simplesmente desapareceu. Eu sempre estive acostumado a correr atrás dos meus amigos, tentando alcançá-los em uma corrida que eu não entendia qual era. Quando ocasionalmente a sociedade se juntava, nas férias, a gente se juntava para botar o papo em dia, para tentar fazer nossas fichas de reeducação postural e divertir, mas eu não sentia realmente me divertindo. Eu meio que me sentia deslocado, cada vez que um feriado se aproximava e a turma se juntava novamente.

Um dia foi a minha vez de me mudar de Jataí. No meu caso eu passei em um concurso lá na casa da peste, vulgo Palmas, e acabei me afastando de todo mundo por um tempo. No entanto, sempre ia pra Jataí nos feriados longos (afinal, eu gastava 15 horas de viagem, não dava pra ir todo fim de semana) e combinava de visitar todo mundo pra rever as amizades. Foi nessa época também que eu saí de meu casulo e virei uma linda borboleta, oops história errada... Foi nessa época que eu saí do armário e assumi para o mundo que eu sou guei. Alguns amigos me deram uma força enorme, em especial o Diogo e o Rodrigo (e todos os frequentantes da casa do Diogo). Eu me senti muito à vontade de me abrir a eles e essa experiência positiva me deu forças para expandir o nível da saída do armário.

Foi quando contei para os membros da SPD que o nível de deslocamento cresceu a níveis estratosféricos. Lagartixa e Danielzim ficaram sem saber como reagir, mas isso é normal (e aconteceu com todo mundo) e tempos depois ficaram sussa. Alessandro aproveitou o momento e fez umas piadinhas (mas esse era o Alessandro) e pra mim foi tipo "Massa mano, vamo jogar", Nheengatu achou engraçado e meio que não fez diferença na vida dele, mas o mais estranho foi saber que Mateus tinha tido uma reação bem tensa ao saber da informação. Eu fiquei chateado com ele (um pouco porque eu tinha tido essa paixão adolescente por ele) e isso fez cair por definitivo toda a mágica em torno dele. Foi nessa época que eu comecei também a reavaliar todas as minhas amizades e a ver quem era cada um na visão de antes e na visão de agora.

Vou dizer que eu acabei descobrindo tarde demais que os meus amigos mais amigos e mais verdadeiros e mais preocupados comigo (da mesma forma com que eu me preocupo com eles) eram aqueles que eu passei uma vida ignorando, pelo fato de eu ter essa paixão platônica pelo Mateus e por isso me induzir a fazer parte de um grupo de amigos que não eram todos tão meus amigos assim (exceto o Lagartixa, o Danielzim e o Ueide Filho e o Alessandro, que eram as exceções à essa regra).

A mensagem que quero passar com esse post é: não seja amigo de alguém só porquê você têm um amor platônico pelo boy. De um jeito ou de outro você vai acabar se fodendo (e nem sempre pelo boy).

...

Ironias à parte, escolhi o dia de hoje para postar pois sabe com é né? Primeiro de Abril, ótimo pra contar sinceridades como se fossem mentiras e para contar mentirinhas como se fossem coisas verdadeiras. Daí, deixo a vocês decidir se a história é verdadeira ou se é zoeira. É muito bom ser mau, né?

Mentira, é tudo verdade! MUAWAWAWAWAWAWAWW!

No começo do post eu citei outros textos e só se você tiver coragem e paz de espírito suficiente que eu recomendaria a leitura. Mas vai lá, lê, é legal, não têm porn: "Fantasmas de Verões Passados" e "Outros Fantasmas de Verões Passados"

6 de jul. de 2014

Disbeliefs (ou como me tornei agnóstico)

Post do Passado Distante: 6 de julho de 2011.

Em algum ponto da vida você percebe que "tudo o que lhe foi contado na vida é uma mentira, e seu lugar no mundo é errado". E o que me fez chegar a essa conclusão?

Para mim, aconteceu quando eu tinha uns 12 anos. E não foi algo fácil desde então.

Eu cresci em uma familia conservadora da Igreja Católica Apostólica Romana, em uma cidade do interior de Goiás. Me foi ensinado desde cedo a ter medo de ateístas, de pessoas espiritistas e de qualquer coisa não relacionada à religião. Eu deduzi que elas eram pessoas infelizes cruéis com desprezo pela moralidade e ódio pela vida.

Essas pessoas eram como as vilãs das histórias que eu gostava na época. Eu achava meio difícil acreditar que esse tipo de pessoa existia. Me ensinaram que assassinos como Stalin eram ateus e que as pessoas boas um dia se tornavam santas, heróis da igreja.

As coisas começaram a mudar quando, um dia, perguntei se a alma da minha cadela (que tinha morrido) iria para o céu e me responderam que animais não possuíam alma. Eu não acreditava nisso. Me disseram, ainda, que eles estavam aqui só para satisfação Divina.

Durante um tempo, esse pensamento ficou dormente na minha cabeça, mas ele já havia me feito pensar muito sobre o que era certo e errado. Eu ficava paranóico por ter pensamentos "errados" pois Deus via tudo. Isso me levou a desenvolver um comportamento onde minha mente ocasionalmente disparava uma miríade de pensamentos depravados, quanto mais eu tentasse controlar esses pensamentos. Eu ficava imaginando Deus olhando pra mim em desaprovação. Imaginava que minhas orações não eram atendidas porque eu tinha tais pensamentos. Tive pesadelos quase constantes durante vários anos. Eu não contava a ninguém sobre isso, com medo de também ser desaprovado pela família.

Perdido, sem chão, desesperado, eu me voltei para a única coisa que sempre tinha sido estável na minha vida: minha mente. Pela primeira vez na vida, eu comecei a questionar o que me havia sido ensinado. Levei um tempo para dar mais espaço para a minha mente, descobrindo que minha razão e meu intelecto eram tudo o que eu precisava para entender o mundo, para entender o que era verdade e o que era mito.

Pela primeira vez na vida, li a bíblia do começo ao fim. E durante a leitura, fui vendo o que não via antes: várias partes contraditórias entre si. Não era um livro sagrado, mas várias histórias de várias épocas e vários grupos, nem mesmo necessariamente interligados.

Minha razão foi se fortalecendo aos poucos e eu comecei a questionar a pedra fundamental do meu sistema de crenças: a fé. Por que a fé é uma virtude? Por que Deus se importava tanto com o fato de eu acreditar nele? Por que ele não gostava da razão, se tinha criado a gente com cérebros capazes de usá-la?

No mesmo período, eu estava no rito cristão chamado Crisma. É um momento onde você reforça os votos que você fez na Primeira Comunhão. Na época da primeira comunhão eu era alguém que acreditava em um Deus bonito, bondoso e que "cuidava" dos seus filhos. Na época que eu crismei (mais por seguir protocolo familiar) eu me questionava sobre "Quem era esse Deus vingativo e que joga as pessoas umas contra as outras e toma partido de forma arbitrária?"

O que restou de mim como uma pessoa crente em um Deus estava atordoado com os pensamentos que eu vinha tendo. As histórias que me contavam sobre ateístas, "pessoas que secretamente suspeitavam da existência de Deus mas que negavam sua existência com objetivos nefastos", começaram a parecer nada mais nada menos do que uma arrogância besta por parte das pessoas crentes. Na verdade, tudo o que os católicos (e crentes em geral) brandavam como características negativas dos ateístas eram, na verdade projeções de seus próprios medos e pensamentos negativos. Comecei a perceber que os meus problemas de infância eram os mesmos dos deles, mas eles exteriorizavam isso em pessoas totalmente inocentes, e isso de alguma forma os trazia paz de espírito.

Com o tempo, passei a analisar a própria existência do Deus cristão através da razão, para desespero das migalhas do meu sistema de crenças anterior. Como podia esperar que Deus fosse justo quando ele condenava alguém ao sofrimento eterno só porque não acreditava nele? Especialmente quando a razão era a melhor forma de se discernir entre a verdade e a não-verdade?

Pouco tempo depois, ouvi falar da palavra "agnóstico" e comecei a me perguntar sobre o que tudo isso significava. Minha depressão (que poucas pessoas tiveram a chance de presenciar pois era escondida em várias camadas de personalidades artificiais que eu desenvolvia na época, para tratar de outros assuntos tão complexos quanto) era bastante entrelaçada com a minha confusão religiosa. Até então, eu só tinha duas opções: Ou acreditava em Deus ou não acreditava nele. Ponto final. Fim da linha.

Mas, e se eu pudesse acreditar em algo, mas ao mesmo tempo pudesse manter minha razão e intelecto em busca das respostas ao invés de acreditar cegamente em algo? Foi aí que entendi o significado da palavra recém descoberta. De repente o mundo tinha se tornado extremamente fascinante para que eu ficasse deprimido. Deus não era só um. Deus nem mesmo era mais uma Entidade Divina, mas a maravilhosa representação da projeção coletiva humana! E eram vários, em várias religiões diferentes. E eu queria conhecer todos eles, saber quem eles eram, quais as suas histórias, o que fizeram pelo mundo! De repente, as coisas começaram a fazer sentido novamente!

Eu não acreditava mais em fé, apesar de ter desenvolvido tempos depois algo que pode ser considerado como tal: Eu tinha "fé" de que poderia responder todas as questões do mundo com base nas minha habilidades racionais e intelectuais. Eu diferenciava dos religiosos pois não acreditava cegamente em nada, mas ao mesmo tempo eu não era cético ao ponto de achar que tudo precisa de provas reais e factuais para existir. Eu não era nem ateu nem crente. Eu passei a acreditar desacreditando. Passei a questionar o inquestionável e me perguntar se o místico podia ser real.

Se Deus (ou Deuses) existem ou não, não cabia a mim decidir. Meu objetivo à partir de então era buscar entendimento sobre o mundo e sobre eles. Buscar os indícios de que o mundo sutil existe. Responder aquela pergunta que eu me fiz desde o momento que minha cadela morreu: O que acontece no momento da morte? Passamos pra outra vida? Deixamos de existir por completo?

Minha fé é a de que até o fim da minha vida terrena eu conseguirei responder essas perguntas. Elas me guiam como religião. Elas me permitem viajar entre o mundo científico e o mundo místico. E mais, me permitiram transcender essas coisas e entender que o mundo é Gestalt.

Muitas das pessoas religiosas que passaram pela minha vida não me entenderiam nesse momento. Minha família provavelmente me veria com decepção por não mais acreditar no Deus católico. Minhas crenças transcenderam o mundano e eu finalmente aprendi a lidar com todos os monstros e pesadelos e pensamentos que existiam na minha mente.

Discutir com eles era como discutir com meu antigo eu. Eu sabia todos os argumentos e todas as respostas, com a diferença que eles não as questionariam. Eu os amo e os entendo, e compreendo sua religiosidade.

No entanto, as vezes tenho dificuldade de entender como tanta gente pode continuar a se agarrar em crenças que são baseadas em um texto com tantas inconsistências, ou como eles não conseguem ver que a fé é uma maneira que a religião usa para se proteger do escrutínio. Eu me pergunto se todas as pessoas que conviveram comigo na minha caminhada também tiveram as mesmas dúvidas que eu tive, ou se simplesmente criaram mecanismos para manter as crenças como algo válido para suas vidas.

Então me pergunto: Em que ponto alguém deve se soltar de uma visão de mundo que foi construída ao longo da vida? Em que ponto alguém decidiria desistir da promessa da vida eterna em troca da incerteza da dúvida? O que é preciso pra que isso aconteça? Com tudo isso em mente, eu me lembro:

Para mim, foi necessário muito!

7 de mai. de 2014

Sobre Passados, Presentes e Futuros

Acho que de todas as idiossincrasias que eu me disponho a seguir, a mais importante é a de querer sempre resolver assuntos que possam ter ficado mal resolvidos no decorrer da passagem do tempo e das experiências. Eu objeto resolver todos os problemas, mas sou pragmático o suficiente pra saber que alguns assuntos não podem ser mais resolvidos, sob o risco de se tornarem ainda mais negativos, para alguma ou ambas as partes.

Por isso, se eu tenho a oportunidade de me redimir de assuntos diretos ou indiretos que um dia fui responsável ou de alguma forma tive de lidar ou tomar uma decisão, e esses assuntos não são impossíveis/improváveis de serem resolvidos, o fato de resolvê-los vai me deixar bastante feliz pois mais um fantasma terei tirado daquele grande poço (estilo O Chamado) que possuo no fundo da minha mente.

Sei que para muitas pessoas, esses assuntos as vezes são triviais ou nem mesmo são problemas, mas eu não gosto de deixar essas coisas não resolvidas. Pra mim, isso mostra que eu dou valor às pessoas envolvidas.

1 de mar. de 2014

Outros Fantasmas de Verões Passados

Há alguns anos saiu um post agendado no blog que quase abalou as estruturas da sociedade, se eu e meu marido não fôssemos tão bem felizes e completos um com o outro. Daí, por isso, pensei em completar essa linha do tempo até o momento que o conheci.

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Desde o último evento, narrado no post Fantasmas de Verões Passados (e concluído no post Triangle) ainda houveram algumas coisas que aconteceram antes da fatídica (e maravilhosa) noite da caipiroska (e outras que havia esquecido de citar na cronologia anterior).

A.C.

Homem da Mão Mágica

Olha, acho que nunca me senti tão assustado nessa vida quanto esse encontro que tive com essa pessoa em especial. Tudo ia extremamente bem entre a gente, até que ele começou a demonstrar seus dotes com as mãos, especificamente com os dedos. Olha, no começo estava muito interessante, até que no processo, ele achou o ponto XT615 (vulgarmente conhecido uma glândula exócrina tubuloalveolar situada na região inferior da bexiga de mamíferos machos) e fez uma massagem que gerou um aumento tão abrupto da intensidade de ocitocinas, dopaminas, feromônios e outros neuropeptídeos de fenda sináptica que eu fiquei com medo do que estava acontecendo. Só sei que depois disso eu fiquei vários dias pensando sobre o que havia acontecido ali. O cara realmente é bom no que faz.

D.C.

Homem de Deus do BP Uol

Foi muito interessante descobrir que ainda se podia achar pessoas dispostas a nada mais do que um papo inteligente (e sem pretensões) no Batepapo Uol. Na verdade rolou umas coisas MUUUITO interessantes depois mas a minha vibe e da dele eram diferentes. Eu não queria me envolver e ele estava interessado em encontrar alguém especial (não naquele momento, claro). Hoje somos amigos e o mesmo papo inteligente de antes se manteve.

Músico do Palco do Palmas Shopping (e de outros eventos Palmenses)

Na sinceridade, acho que nunca tinha visto um mix tão eclético de personalidades, e tão bem harmonizadas em uma mesma pessoa. Singelo, safado, carinhoso, fogoso, educado, dominador, preocupado, intenso. Me senti tendo tido 1239872 noites em uma só! E ainda, no outro dia, foi educado e ainda me convidou pra sair com seus amigos. E tudo isso funcionando dentro do acordo prévio de que era só uma "Night without Regrets". Ficou marcado como um dia memorável, até a segunda noite, que não foi mais tão legal (acho que ainda era eu e meu antigo comportamento "No máximo 2 saídas por pessoa"). Ainda sim, foi bem acima da qualidade média dos encontros que tive.

O Retorno de Jedi (ou Parte 3 do último evento de Fantasmas de Verões Passados)

Engraçado como as vezes a gente não percebe a outra pessoa, sabe? Não estou sendo ingrato, pelo contrário! Só que eu não soube ler os sinais até muito tempo depois (na verdade, tiveram de me contar). O caso é que depois de ter acontecido tudo o que aconteceu, eu tive a idéia de ir visitar esse amigo (A.K.A. Bob do post Triangle) depois que as coisas se acalmaram do lado dele. Marquei a viagem para o fim do ano para ver alguns amigos de São Paulo (e em especial para vê-lo). Algo havia de diferente mas eu não sabia o que era. Fomos para o reveillon eu, seu pai e o ex-noivo dele para a confraternização do Santo Daime, que ia acontecer na virada do ano. Até aí tudo bem, nada de muito estranho afinal a gente ainda não se conhecia muito bem. Uns dois dias depois nós dois saímos para dar uma volta na Paulista, o acompanhei para comprar roupas, enquanto eu estava com aquela sensação de que ele se defendia muito. Ok. Daí, outro dia chamei outro casal de ursos que eram muito meus amigos para sair para comer rodízio de japonês na Liberdade, e nesse intermeio eu convidei o rapaz, que infelizmente não apareceu. Seu pai foi então comigo e tivemos um dia excelente nós quatro. No retorno para a casa onde eu estava (que era na verdade a casa onde seu pai morava em São Paulo) deixei as minhas defesas caírem e eu entrei em uma depressão por conta de ter muita coisa na minha cabeça. Mas não se preocupem, eu melhorei depois disso pouco (bem pouco) tempo depois...

Nota do autor: Ele estava na defensiva pois não havia muito tempo que ele tinha conhecido uma pessoa de São Paulo mesmo e que estava gostando muito dela. Eu não sabia disso, por isso fiquei me sentindo largado na medina. Mas quando fiquei sabendo dessa parte da história eu fiquei bastante feliz por eles dois, pois ainda tinha um carinho pelo primeiro e tão importante quanto, a pessoa que ele estava gostando também era alguém que eu conhecia e por quem eu tenho até hoje uma admiração muito grande!

Contiua no próximo episódio...

P.S.2:

B.C. a.k.a Before Closet.
A.C. means After Closet.

P.S.3: Da aclamada série "Posts do Passado Distante". Agendado no Carnaval de 2014.

19 de fev. de 2014

Fantasmas de Verões Passados

Todos possuem verões passados que gostariam de não mais lembrar. Todos possuem verões passados que gostariam de ter vivido mais. Todos possuem verões passados. Todos possuem. Todos.

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

B.C.

Homem de Deus

Só queria dizer que perdôo você. Perdôo no sentido de que hoje entendo as suas frustrações e sua sina. O que as pessoas acham que você fez é bem diferente do que você realmente fez. Só fique em paz. Sério.

Servidor da Limpeza Pública

Olha, não sei o que dizer sobre você. Rolou uma química legal, mas sua paranóia de ir na minha casa todos os dias e bater na janela dizendo que queria me ver aquela hora me fez realmente me afastar de você! Me desculpe, mas é verdade.

Professor de Karatê

Foram tempos bons, viu? Tudo bem que foi uma vez só e depois tanto eu quanto você ficamos só na defensiva e no final você acabou se mudando pra Rio Verde, e eu saí da turma de Karatê. Aprendi algumas coisas interessantes nessa época.

Colega de Faculdade

Foi tudo tão rápido, tão intenso, tão arriscado! Até hoje me arrependo de ter mentido pra você pra não sairmos mais uma vez. Nessa época, eu raramente saía com alguém mais de duas vezes. E com você, foram três!

Advogado do UOL

Aquele seu escritório com chão de carpete na garagem da casa da sua mãe me faz pensar, hoje, em quão esquisito você é! Naquela época eu não vi nada disso, só o carpete no chão mesmo.

Veterinário

Lindo, engraçado, cheiroso, charmoso (pra um peão - o que eu adoro). No entanto amigo, você foi a coisa mais fria e mais frígida que já encontrei na vida. E você perguntar por que eu não fiquei "túrgido" na hora contribuiu para a sua total falta de tato para a coisa. Ahh é, era sua primeira vez. Não era a minha. Mea culpa.

Homem da Bermuda Azul

Chegar em Palmas e dar de cara com você no banheiro da rodoviária foi pobre. Mas, né? Quem nunca fez loucuras nessa vida? Ainda mais com alguém de botinas e uma bermuda azul de jogar pelada na terra. O importante é que você serviu como base para, muitos anos depois, eu cunhar a expressão "Maranhense-Magya®".

Deputado Fazendeiro

Só uma coisa: ir pra sua fazenda depois de te conhecer foi muito bom. Mas perguntar meu nome uma vez e ainda errar depois da segunda vez foi difícil de aceitar. E assim, nem todo mundo gosta de fazer 128731687 vezes durante o fim de semana em todas as partes da fazenda. Eu pelo menos não (a quantidade e não os lugares, pois são lindos)!

Tio do UOL

Olha, raridade você viu! Admito que você quase foi meu primeiro namorado, se um dia você não tivesse aparecido no shopping com sua esposa e seus três filhos. Não que me importasse com o fato de você ter uma esposa (pois isso nunca me impediu de ter rapidinhas) mas eu realmente achei que ia rolar algo ali. Depois disso, acho que foram só mais umas duas vezes e nunca mais nos vimos. Mas pelo menos o livro de gramática indígena eu gostei de ler, apesar de não entender muito dele.

A.C.

Rapaz do Primeiro Beijo

Eu minto pra todo mundo falando que você foi a primeira pessoa que beijei na vida. Não, não é mas você está no top 3 primeiros beijos. O professor de karatê foi o primeiro e o tio da uol foi o segundo. Mas sabe como é, foi o primeiro beijo depois de eu sair do armário, debaixo da marquise do ponto de ônibus da avenida Teotônio Segurado. E você até ganhou um poema (creeeeeeepy). Só me desculpe por ter sido meio stalker, não queria ter assustado você.

Professor Loucura

Na boua, que química louca essa que rolou né? Só que seu surto psicótico super sayajin (IT'S OVER NINE THOUSAAAAAND) depois de só um único encontro e por conta de eu não ter ligado durante a viagem do coral e depois ter decidido não ir de encontro a você (por estar cansado e querer cama) realmente me assustou cara (e a meus amigos mais ainda)!

Moço da Ubanda

Meu primeiro namorado! Bem, foi meio aos trancos e barrancos né? Mas funcionou por alguns meses. Tudo bem que ambos eram pâmelas e que eu tinha esquecido de te convidar pra um sabbath (na época era wiccano) e que segundo você eu me vestia melhor pra ir pro coven que pra sair com você e ... Tá ok, não funcionou. Só preciso dizer mais uma coisa: A logo que você fez pra mim, eu realmente não gostei, achei com detalhes demais.

Dentista Dotado

Olha, não tenho nada a comentar exceto o fato de que nunca tinha visto algo com calibre suficiente pra minha mão nem fechar em volta. Se eu surtei? Claro, fiquei com medo! Eu gosto de pequenos, não de grandes. Um amigo de São Paulo, se soubesse de você, teria vindo de teleporte pra conhecer você!

Tio Importante de Algum Órgão do Estado que eu não posso dizer qual é

Acho que foi a pessoa com quem mais me relacionei (mesmo você sendo casado e a gente tendo um acordo de que era algo sem sentimentos) até hoje. Foram anos de encontros às escondidas. Foi divertido enquanto durou.

Professor Loucura Parte 2

Sabe como é a vida né? O mundo deu voltas e voltei a ficar com você. Dessa vez, a gente começou a namorar e talz mas convenhamos, nunca deu certo nem daria. Sabe por quê? No fundo, mesmo gostando de você, conviver com sua personalidade era extremamente cansativo. Eu sempre me sentia pisando em ovos, já que você se ofendia facilmente. E sua melhor amiga não ajudava muito, mesmo você fazendo o possível pra evitar isso. Internamente eu contei os dias até sua viagem e, como você já sabe, eu fiquei com o tio importante ainda no mesmo dia, pra poder conversar com alguém sobre isso. Se de perto não dava certo, de longe daria menos ainda. Eu só aceitei a sua proposição, lá no aeroporto, pois eu era fraco pra dizer não. Tivera eu dito não no aeroporto e evitado os problemas que vieram a seguir. Pelo menos uma coisa de boa tirei dessa história: consegui acabar com a minha compulsão patológica por mentir.

Astrólogo de São Paulo

Você sabe, tudo começou online e tudo terminou online. Teve o episódio do término com o Professor Loucura por telefone que ele queria que eu passasse o telefone pra você e eu não deixei e nos divertimos bastante nesse fim de semana que você esteve aqui. As inúmeras viagens a São Paulo que me fizeram apaixonar pela cidade e seus amigos, que passaram a ser meus também (nem todos, BTW). Pena que eu ainda tinha alguns problemas com compulsão e a primeira mentira que eu inventei ao acaso para você (pra não parecer que eu era um loser que ficou em ksa numa sexta à noite) foi a ferida que nunca tinha cicatrizado. Sei que relacionamentos se constroem em cima de confiança, mas eu ainda não tinha tanta confiança em mim mesmo. Mas teve também o fato de nosso amigo em comum ter terminado com outro amigo em comum, que gerou uma confusão muito grande. Afinal, dava certo? Até dava, desde que não houvessem influências externas (o que haviam, por parte de vários de seus amigos que não eram comuns e amigos meus que não eram comuns também).

DJ de São Paulo

Agradeço a sua disposição em me oferecer apoio e suporte desde antes do fim do namoro com o Astrólogo de São Paulo. Claro que depois rolou uma coisa legal entre a gente, mas nunca te contei que eu sentia de verdade pois você tinha passado por situação parecida. Hoje somos amigos mas acho que você nem imagina que eu tive sentimentos por você àquela época né? Então, é isso!

Ariano Psicótico (não confundir com Ariano Fortalezense)

Foram momentos intensos viu! A gente se conheceu, teve momentos de conversas muito fodas, trocamos fotos, skypeamos, brigamos feio um com o outro, tivemos nossa primeira DR, brigamos de novo e então tivemos nossa segunda DR e finalmente terminamos. Seria algo completamente plausível se isso não tivesse acontecido no intervalo de 3 dias né? Você conseguiu ser mais neurótico que o Professor Loucura! Na boa, tudo bem que dizem que arianos são apressados, mas isso fugiu às raias do absurdo! Acho que só aconteceu assim pois você é (era) o kra mais bonito do meu círculo de pessoas que eu conhecia na época e eu desliguei um monte de mecanismos anti-surto.

Conclusões

Verões passados, verões passados. Não estão todos, mas estão os mais importantes. É bom relembrar dos verões passados! A gente percebe que viveu lembrando dessas coisas, de cada momento que passamos na nossa vida! E por que estou escrevendo isso? Eh por que estou provavelmente pra entrar na próxima furada da minha vida. Vou resumir a história pra vocês ...

Casal de São Paulo

Eu conheci esse kra, que é fascinado pelas pessoas que trabalham num blog que eu participo. Começamos a interagir e esse kra começou a puxar um papo meio estranho pro meu lado. Ok, passou pelos mecanismos anti-surto. No entanto eu descobri, depois de uma sessão de fotos mais "interessante" que ele era casado. Novamente, não tenho problemas com isso, afinal quem têm de se garantir é ele, não eu. Tempos depois, descobri que esse marido dele era um amigo que recentemente adicionei. Conversa vai, conversa vem, papos em comum e de repente estou gostando do rapaz pois ele é muito fofo! A história agora é a seguinte: Eu conto pro primeiro que estou gostando do segundo, ou conto pro segundo que eu já chifrei ele via internet com o primeiro?

Dilemas. Aguardem os próximos capítulos!

UPDATE 1: Conclusão do Capítulo "Casal de São Paulo", postado em Dezembro de 2012.

UPDATE 2: Outros Fantasmas de Verões Passados.

P.S.:

B.C. a.k.a Before Closet.
A.C. means After Closet.

P.S.2: Da aclamada série "Posts do Passado Distante". Agendado em Agosto de 2012.

7 de out. de 2013

Not an easy life

Daqueles momentos que você pensa que sua atual identidade está cheia de meandros e de pedaços de coisas que ficaram pra trás e que você só queria esquecer que elas existiam em sua vida passada.

Uma nova identidade seria legal, mas daí você se lembra que existem muitas coisas e pessoas que valem à pena serem lembradas, e então você aceita que pelas coisas boas vale a pena enfrentar os fantasmas e devolvê-los àquele lugar profundo, escuro e esquecido do seu subconsciente.

E assim mais uma micro-crise se resolve tão rápido quanto começou.

#passadodistante

11 de out. de 2012

Algo

Mandei sifuder ... Mentalmente, é claro!

6 de out. de 2012

Sobre fantasmas de natais passados

Uma coisa eh certa: Uma hora eles passam. E ficam lá junto com todas as outras memórias...

No passado...