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11 de jun. de 2023

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Engraçado, a vida inteira sempre me senti desconectado dos grupos que eu me inseria, pois era poczinhe demais para ser da turma do metal, padrãozinhe demais pra ser da turma das bees, nerd demais pra andar com o pessoal de festa e aventureiro demais pra a turma nerd.

No fim, é tudo sobre vc e não sobre eles. Mas passamos a vida inteira fazendo nós sermos eles. O que é uma bosta no fim das contas.

Post escrito ao som de Perfect Perfect, do Simple Plan.

22 de dez. de 2022

Teacherless

E não satisfeito em ter inúmeras crises por conta do boy colega de trabalho, aqui estamos escrevendo sobre ele, mais uma vez, não é mesmo?

DISCLAIMER: Definitivamente preciso dizer que esse post PRECISA ser lido ouvindo a playlist Teacherless Hits #1 listada abaixo:

Esse post, como tantos outros que vieram antes, fazem parte da aclamada série "Fantasmas dos Verões Passados", e esse merece uma citação especial pois foram 4 anos de sofrência! Essa história é uma conclusão de um arco narrativo que inclusive teve vários posts por aqui, e que no fim desse registro eu irei elencar as postagens relacionadas.

Aqui a diversão é tão garantida que recomendo trazer seu snack e refrigerante, pq não fazemos que nem o cinema que obriga vc a comprar a pipoca e a coca para consumo local, tá?

Chefinho e o Fantasma dos Verões Passados que realmente me alcançou lá no fundo!

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Essa história começou lá pelos idos de 2018, na cidade de Curitiba. Na verdade ela veio de algum tempo antes de conversas com colegas de trabalho. No meu trabalho existia esse carômetro onde haviam as fotos de todos os diretores gerais dos campi, e eu e algumas colegas de trabalho tínhamos o péssimo costume de ficar olhando o carômetro e dando notas para os presentes nesse carômetro. Eu pessoalmente lembro de uma dessas vezes a gente olhar para esse diretor que tinha lá, que era visivelmente mais novo que os outros, mas que era uma gracinha, e por umas 2 vezes eu soltei um "e para o colega Onicássio (que chamarei de Oni daqui em diante), nossa nota é 10, e ainda oferecemos um sacrifício em nome da sua beleza. Tomi Oni, sua oferenda (e eu oferecia um copinho de café, sob os risos das colegas de trabalho)".

Um tempo depois, vêm a notícia que esse diretor bonito que falávamos em nossas sessões diárias de almoço estava sendo indicado para ser diretor do setor onde eu trabalhava. Eu lembro de ficar "ohh, que massa, finalmente um homem bonito nesse lugar". Eu sei que a primeira coisa que me chamou a atenção nele é sua educação e atenciosidade. Lembro que nos primeiros dias eu tive vários pequenos surtos porque, puxa, que homem bonito!

Nas semanas seguintes, em que estávamos já mais aclimatados com sua presença no setor, eu lembro de começar a puxar assunto sobre assuntos em comum. Ele é um amante de motociclismo, e isso claro me chamou a atenção pois eu também me considero. Falávamos sobre lugares para visitar, lugares já visitados, tipos de motos, o que cada um gostava ou não gostava... Emfim, era muito gostoso conversar com ele.

Eu sei que a partir de algum momento aleatório no ano de 2019, eu comecei a sentir essa atração por ele, além dos meus dispositivos anti-surto. O homem era perfeito demais, e eu não estava sabendo tankar tudo isso, e os primeiros sentimentos começaram a surgir. Eu até tinha falado com o meu marido sobre esses sentimentos, e isso foi me ajudando a blindar tudo.

Até que em 2019 fizemos uma viagem juntos para Natal. Era uma viagem de trabalho, outras pessoas do trabalho juntas, e em um happy hour nosso, eu bebi além da conta (não foi além da conta, fiz de propósito mesmo) e peguei o celular e mandei uma mensagem toda acalorada para ele, que estava do outro lado da mesa, e eu vi que ele ficou visivelmente constrangido com a mensagem, e aí não conversamos mais até o fim da noite. Eu sei que a falta de resposta foi o motivador para eu parar de beber, pq tava visível que não haveria resposta naquele momento.

Nos outros dias da viagem, houve o dia que subimos, alguns colegas e ele, secretamente, para a piscina do hotel (que fechava após as 22h) e ficamos lá conversando sobre a vida, sobre os filhos dele, sobre o que eu passei na vida, e lá estamos nós de novo bebendo. Também teve o episódio de termos ido para o mar com a equipe e ter ficado pegando onda do lado dele por pelo menos algumas horas após o fim da tarde, curtindo o momento (e ele ali do lado) como se não houvesse amanhã. Isso tudo acontecendo depois da mensagem do primeiro dia, ok?

Preciso dizer que nesse momento eu já tinha certeza de que o que eu sentia era platônico. A FIC na minha cabeça já tinha se desenvolvido a ponto de eu frequentemente me pegar sonhando ou divagando com a gente morando junto, cuidando do cachorro, assando carne e curtindo piscina... Inclusive não foram poucos os episódios em que eu prestei homenagem à sua memória ou mesmo, em momentos íntimos, trazer sua imagem à minha mente para alcançar o ápice do momento. Inclusive ficava morrendo de medo de soltar seu nome no meio do processo, mas olha, não foram poucas as vezes.

Daí, no fim de 2019, eu chamei ele para irmos comer em um restaurante que eu gostava demais. Era um restaurante japonês tradicional e de família, e era tão bom ir lá que eu convidei ele para ir junto. Para me ajudar nessa tarefa, eu chamei uma colega (que na época era uma das minhas melhores amigas de trabalho) para acompanhar a gente, e ela ia só tirar o clima de "date". No entanto, no fim deu tudo totalmente ao contrário. Ele ficou conversando com ela o tempo todo, e eu fiquei lá me sentindo a vela da história. Teve até um momento de chuva, que ficamos os três molhados, e teria sido incrível se eu não tivesse ficado de lado no retorno, enquanto os dois conversavam animadamente na frente do carro. Me lembro bem de ter ficado encostado no vidro olhando a chuva, até que eles perceberam e perguntaram se eu tava bem. Respondi que sim mas não estava bem. Só queria logo que aquele dia acabasse logo.

Eu fiquei sabendo tempos depois que ele e essa amiga tinham ficado após esse acontecimento. Ela, muito tempo depois que se mudou do nosso escritório para outro estado, me contou que tinha ficado com ele, e deu detalhes sobre como ele era carinhoso no ato, deu detalhes de como ele era sem roupa, entre outras coisas, e na hora não senti nada, só fiquei maravilhado com os detalhes. Só sei que quando a ficha realmente caiu eu fiquei bem deprimido com tudo isso, pq ela sabia que eu estava tentando algo, e ela foi lá e conseguiu o que eu nunca conseguiria. Eu nunca mais consegui conversar com essa pessoa novamente, pq o sentimento que estava sentindo era muito forte. Eu posso dizer que foi a primeira vez na minha vida que eu tinha sentindo ciúmes de alguém, e era nítido que era isso que estava sentindo naquele momento. Tempos depois foi ele quem me contou que tinha ficado com ela, e eu perguntei detalhes, e ele com vergonha, não me deu nenhum.

No entanto, a reputação dele continuava ilibada pra mim. Ainda sentia o que sentia por ele e ainda bem que na época eu tirei férias, pois precisava tirar tudo isso da cabeça um pouco. Eu prometi a mim mesmo que não ia me jogar nessa FIC quando voltasse, o que eu falhei miseravelmente em cumprir, claro.

Foram várias saídas de carro com ele para almoçar em shopping, ir em mercado, ajudar a comprar alguma coisa ou eu comprar algo, e eu estava lá, fazendo companhia, curtindo cada migalha de atenção que ele deixava no caminho para que eu cuidadosamente e meticulosamente pegasse. Ele só ficava em Curitiba 3 dias por semana, e sempre voltava para sua cidade na quarta-feira, e voltava só na próxima segunda. Foi assim pelos 4 anos que ele ficou por aqui.

Pouco tempo depois, com o retorno das férias no meio de uma pandemia de COVID, eu conversava com ele na base diária via WhatsApp e as vezes via Videoconferência, e depois dos assuntos do trabalho, eu sempre tocava em assuntos da sua vida pessoal, querendo saber mais sobre cada coisa, pq eu realmente estava viciado nele. Inclusive foi mais ou menos nessa época, mais próxima do fim da pandemia, que voltamos a conviver de novo no ambiente profissional, que eu já não escondia mais e vivia fazendo piadinhas sobre sua beleza, fofura, inteligência, carisma, para outras pessoas no meu trabalho, inclusive com ele presente nesses momentos, realçando que eu estava gentilmente o cortejando para as outras pessoas verem.

Eu só sei que o aparente fato de ele aceitar que eu gostava dele e ele me manter à uma distância, dita, segura, me matava por dentro, um minuto por dia. Não foram poucas as vezes que tive surtos emotivos que disfarçava de raiva por conta de coisas que eu não conseguia dizer não para ele, pq ele tinha um poder incrível em relação à minha pessoa.

Então vieram as férias dele. Ele ia fazer uma viagem pela américa do sul com a esposa, e eles tiraram fotos em lugares lindos de morrer! Ele me mandou algumas de lugares realmente muito bonitos, e eu não conseguia olhar para os lugares, só ficava imaginando a FIC de eu, ele e aquele lugar, e a gente conversando sobre a vida, e lá estava eu de novo em mais uma mini-crise emocional. No fim era em média uma crise a cada 15 ou 20 dias, que aí eu ficava com raiva da situação e eu ia para o próximo ciclo, até estourar tudo novamente.

Por último, após o retorno das férias dele, veio a notícia de que ele ia deixar a direção e voltar para sua cidade em definitivo. Na hora eu tankei a emoção mas no outro dia eu estava em prantos. Foram muitas horas de música e stories de whatsapp para aplacar esse sentimento, e tb teve o fato de que semanas depois iríamos viajar para São Paulo, então na minha mente de FIC, íamos ter um tempo extra pra curtir antes da derradeira viagem.

E assim o foi. Foram 5 dias dormindo em barraca em São Paulo e posso dizer que apesar de não ter havido nenhum encontro íntimo, pq ele não ia dar esse espaço, eu considero como 5 dias incríveis de estar perto dele. Tomar café, almoçar, participar de eventos, passar horas conversando sobre assuntos aleatórios, ficar secretamente olhando ele de bermudinha e chinelos, jogar joguinhos ou ver ele jogar joguinhos. Foi incrível.

Duas semanas atrás, eu até criei coragem eu escrevi uma carta e mandei pra ele, e dei de presente pra ele um chaveirinho escrito "melhor prof. do mundo". Sim, é o mesmo que está na imagem da playlist que espero que vocês estejam ouvindo enquanto estão lendo isso. Após ele ler, pra mim eram visíveis as lágrimas contidas no seu rosto, afinal na minha concepção de tudo ele não podia demonstrar nada ali, mas pra mim parecia ter algo ali. E ele me deu o abraço que eu pedi na cartinha. Um abraço forte, protetor, e que durou enquanto eu me mantive abraçando, e não vi reação dele em tentar terminar o abraço. No fim fui eu quem terminou o abraço pq eu senti que ia me perder em algo que não ia acontecer e não queria sentir aquilo naquele momento, então interrompi o mesmo pouco após o abraço. Pq eu sabia que aquilo seria o mais próximo que eu chegaria da minha FIC.

E agora, aqui estou, escrevendo esse post, 24 horas após o último encontro com ele. Sua viagem final foi ontem, e admito que ontem eu estava totalmente destruído emocionalmente, pq eu sabia que era tudo na minha cabeça, mas eu sempre quis mais, e ele sempre soube, mas nunca deu nada além do que vazio, que na minha mente altamente distorcida e enviesada eu considerava com falsas espectativas de que pudesse acontecer algo, que era só eu achar o jeito certo de chegar nele.

Eu só sei que esse homem me afetou de um jeito que eu nunca imaginei que eu pudesse ser afetado. Nunca antes na história dessa pessoa alguém alugou um terreno tão grande na minha mente. E eu sei que toda essa história está difícil de guardar em uma caixinha, pq eu não tenho nenhuma caixinha grande o suficiente para pegar tudo isso, guardar e colocar no meu esquecimento pessoal. Esse homem vai ficar um bom tempo sendo um fantasma nos meus pensamentos e sonhos, assim como ele já é nos meus momentos de procurar videozinhos educativos na internet, e sempre caio nos mesmos vídeos, pq os caras se parecem com ele ou se comportam como ele (geralmente os dois).

E é isso. Essa é a história resumida desse Fantasma de Verões Passados, provavelmente o maior fantasma que deva passar na minha vida (até o próximo aparecer e me deixar do mesmo jeito pois eu não aprendo com meus erros).

Como disse lá no começo, eu vou listar todos os posts que eu escrevi sobre esse homem, pq em 4 anos, foram muitas crises.

Segue a lista:

  1. After the Last Goodbye (a história da lembrancinha)
  2. The Last Goodbye (a cartinha)
  3. Après la lumière
  4. Câlins affectueux manquent
  5. Merci de vous arrêter ici
  6. Griefness
  7. L'amour platonicien n'est pas compris
  8. Puppyness
É isso Dudu do futuro. Tá aí a história completa e agora estou aqui resgatando cada pedaço de mim mesmo que fui deixando no caminho, passando uma cola dourada e tentando reconstruir o meu eu, rechaçado emocionalmente e psicologicamente pela FIC da minha cabeça e pelo boy, que não me afastava em definitivo nem dizia nada, me deixando ainda mais paranóico em criar uma vida inteira de carinho e experiências, que só existia dentro da minha mente.
 

27 de nov. de 2022

The Last Goodbye

Escrito em 25/11/2022 em meio a uma crise emocional por finalmente cair a ficha de que o chefe que tenho um crush há 4 anos vai entregar a direção e voltar para sua cidade natal. Ainda não mostrei pra ele e tenho um receio de que provavelmente nunca irei mostrar...

Bom dia chefinho, tudo bom?

Vim escrever isso pq hoje caiu a ficha de que vc tá indo embora de vez pra [redacted]. Eu passei a noite sonhando em como eu iria me despedir de vc e fiquei pensando hoje de manhã em como iria conversar com vc, se eu queria mesmo falar sobre isso ou só sofrer em silêncio. Eu tou bem surpreso em como seu retorno à sua cidade me afetou no nível emocional. Antes de mais nada, queria dizer que eu tenho completa consciência de quem é vc nesse cenário (vc já reforçou isso várias vezes hehe) e onde eu estou com isso (já peguei há muito tempo que é algo platônico mesmo, e o problema é meu que segui com a FIC né). Mas, com a sua partida definitiva pra Ivaiporã, de repente eu senti que só precisava falar sobre isso, e que talvez não conseguiria falar ao vivo conversando com vc, por medo de como vc reagiria, ou por medo de te deixar desconfortável com essa conversa toda. Então, preferi escrever, pq eu sei que consigo me expressar melhor escrevendo, e tb sem ter de fato o seu feedback de tudo isso. Então vamos lá...

Primeiramente, em todos esses anos eu aprendi muito a admirar você pela personalidade incrível que vc têm, e de fato vc pra mim é o crush completo (a saber, os pilares são: bonito, sexy, inteligente, engraçado e carinhoso) e não tinha como eu não me sentir da forma que eu me senti em relação a vc. Se o mundo fosse diferente, talvez as coisas fossem diferentes, mas eu sei que tudo é como deve ser, então quanto a isso eu fico em paz. Só queria dizer que vc me afetou e me conquistou de formas que nunca esperava que uma pessoa me conquistaria, e sem esforço nenhum. É muito raro alguém hétero causar toda essa comoção dramática em mim, pq eu geralmente me protejo insanamente nessas questões emocionais. Mas é isso. Eu fico ao mesmo tempo muito triste com isso e tb aliviado, pq sei que vai ser uma conclusão de um assunto que circula minha cabeça têm, o quê, 4 anos já né?

Em segundo lugar queria dizer que me deixa feliz que sua decisão vai tirar essa nuvem de angústia que vc têm sentido dentro do seu peito com relação a tudo o que têm acontecido com o [redacted], ainda mais nessa fase que ele e o irmão mais do que precisam do pai por perto. É sua família e sei o quanto vc se dedica a ela, e isso torna vc ainda mais perfeito. Eu por várias vezes já me peguei inclusive sentindo inveja da [redacted] por tudo o que ela têm (e julgando pesadamente ela por não aproveitar tudo isso da forma que, se fosse eu, faria).

Em resumo (pq isso aqui já tá muito extenso e por deveras piegas) te admiro demais, e digo que definitivamente vc vai fazer muita falta aqui. Eu pelo menos sei que estou bastante afetado emocionalmente com tudo isso. Antes de vc ir embora só queria pedir uma coisa, se não for pedir muito. Queria te dar um abraço de despedida. Só um abraço mesmo. Pra agradecer pelo tempo de convívio antes de vc ir embora em definitivo e eu pegar, selar e guardar tudo isso em uma caixinha no fundo da minha cabeça.

1 de fev. de 2022

Fragmentos pensamentados

As vezes paro para pensar na evolução da minha persona nesses anos que se avançam. Eu as vezes fico curioso em como eu fui me alterando, comportamento a comportamento, semana a semana, e mesmo assim a síntese daquilo que me define como Eu ainda se mantém.

É o eterno dilema do barco de Teseu, que movimentou inúmeros filosofos, de Aristóteles a Leibniz, de Heráclito a John Locke, passando por Thomas Hobbes, que se forma mais uma vez frente à minha definição de unidade versus a soma das partes infinitesimais, integralizadas em uma pseudo-realidade objetiva/subjetiva, ora definida pelas intenções e estados internos, ora definida pelas ações e reações externas.

O que posso dizer é que nenhum momento se passa na minha vida atual sem que eu reavalie cada situação, cada memória, cada lembrança, cada decisão, cada indecisão que eu tenho. É como se eu tentasse medir o tamanho da casa estando dentro dela. Ou melhor, como se estivesse tentando resolver o meu dilema do barco sendo eu mesmo o barco nesse momento.

14 de nov. de 2021

Fine temporum litterae

Eu demorei muito tempo pra fazer isso. A me desprender. A deixar essa memória no passado. Esse é o primeiro ato de "deixar para lá" uma coisa que por muito tempo definiu minha forma de pensar e de como abordar determinadas ações na minha vida.

Então decidi tirar você da minha carteira, e colocar aqui, nesse repositório de memórias, de "eus" passados. Para que eu possa ler novamente no futuro, mas com uma visão diferente da que me fez carregar por tantos anos essa carta dentro da minha carteira.

Não é algo que eu considero fácil de fazer, mas existem ações que precisam ser feitas se queremos um fechamento para determinadas histórias.

Como diz um ditado que ouvi, nunca se atravessa um rio duas vezes, pois a água da travessia seguiu seu caminho, assim como a pessoa que atravessou o rio.

...

Finis rerum

Não sei como começar isso a não ser pelo começo. Se você está lendo isso, eu só queria dizer que eu estou em paz comigo mesmo. Esse tempo todo que passou em que me escondi das pessoas, menti para pessoas próximas, afastei quem eu na verdade queria perto, tudo teve um motivo. É o mesmo motivo pelo qual estou escrevendo essa carta. É a única saída que eu tenho a seguir, e que me deixa em paz comigo mesmo. É o término da existência, dos problemas, das preocupações, das angústias, das decepções e frustrações. Eu decidi por um fim nesse ciclo, pois independente de se agora ou daqui muitos anos, o local é o mesmo. É o fim. Por isso, não quero que esse seja um momento de tristeza, mas sim um momento de paz. É o momento de paz final, antes do desaparecimento atrás da cortina da morte. E eu escolhi me sentir em paz.

29 de jan. de 2020

Je m'en bats les couilles

Nada de mais pra dizer, só que as vezes a gente se pega sentindo determinadas emoções e vira um turbilhão de coisas tristes, alegres, raivosas, possessivas, que a gente tem dificuldade de controlar para não se tornar visível às outras pessoas pois, primeiro isso não é para as outras pessoas, por mais que quiséssemos externalizar para sermos vistos, e segundo, isso nada mais seria do que ser inseguro e imaturo.

Não que não seja, pelo contrário, mas me sinto muito mais avançado na escadinha do autocontrole que muitas pessoas que conheço, ao não tornar isso uma catarse de grandes dimensões.

Eu queria, no entanto, ser mais verdadeiro com meu pilar moral, as vezes acho que me deixo levar pelas falar alheias e caras bonitas e, quando vejo, estou eu lá lutando por causas que não são minhas ou desejando coisas que literalmente estão inacessíveis a mim.

Isso me fere muito, e só vem a acrescentar à miríade de sentimentos girando em minha cabeça, até o copo encher em algum momento aleatório futuro.

28 de jan. de 2020

Bon sang

As vezes eu me esqueço que as pessoas não sabem que eu sou uma pessoa toda cheia de maneirismos e problemas bem complexos de lidar, acho que pelo fato de eu ser uma pessoa tão adaptável, quase volátil, no sentido de me adaptar a basicamente qualquer situação social.

E pior, eu só lembro disso quando alguém me lembra da estranheza de alguns de meus comportamentos, como o imenso controle emocional que eu uso o tempo inteiro, minha obstinação por seguir e impor regras, fazer diários e anotações de coisas pessoais, além uma obsessão insana por simetrias, padrões e repetições em basicamente tudo o que eu faço.

Eu posso parecer uma pessoa normal por fora, mas como já disse antes, é um comportamento que eu desenvolvi como uma defesa, e é por isso que as vezes quero ficar sozinho, pois é só sozinho que consigo de verdade repor minhas energias.

14 de abr. de 2019

Griefness

Negação

Impossível ele não estar a fim de mim. Olhe o jeito que olha, a forma que bota as mãos na virilha, o olhar profundo que diz mais que qualquer coisa. Não estou errado, impossível eu estar errado!

Raiva

Ele não reage às minhas investidas, por quê? Eu estou deixando bem claro o que quero, porque ele não retribui, que ódio! Preciso chamar mais ainda a atenção dele!

Negociação

Se ele beber o suficiente, vai se abrir. Se entrarmos juntos na piscina, algo vai acontecer. É só dar o tempo e as ferramentas certas que ele vai mostrar que está a fim, apesar de não investir.

Depressão

Estou cansado de gastar energias com ele. Tudo o que eu faço parece acentuar os sinais, mas nada acontece. Será que sou eu o problema?

Aceitação

Lá no fundo, eu sou uma pessoa mimada. Eu tendo a achar que o mundo têm de girar à minha volta e que as coisas devem acontecer porque eu quero. E não é bem assim. Eu acabo criando espectativas de muitas coisas e hora ou outra isso volta na minha cara.

Também tem o fato de eu ser mau perdedor, e ir guardando tudo, querendo que tudo seja como eu quero que seja, independente do que as outras pessoas sofrerão pra eu alcançar meus objetivos...

Mas essa crise aconteceu pq eu estava em um momento que não queria ser forte como sou todos os dias. Só queria colo, deitar, fechar os olhos e alguém me dizer que aquilo ia passar logo.

Não parece as vezes, mas eu sou uma pessoa extremamente emotiva e muito do que acontece a minha volta me afeta, eu só escondo isso com uma maestria incrível

Eu queria não criar expectativas de coisas que não estão lá, sabe, mas ao mesmo tempo não quero ficar regulando meu pensamento, pois a minha mente é o único lugar em que posso ficar verdadeiramente livre. E por causa disso, as vezes eu sofro as tempestades que se formam.

...

Triste, mas talvez mais um fantasma de verões passados deixado para trás, com um pé de melancolia pela forma como minha mente, meu emocional, realmente acharam que algo assim poderia dar certo. No final do dia, nada como uma catarse após a outra.

28 de mar. de 2016

Noneless

Hoje amanheci com uma vontade de escrever qualquer coisa sem sentido, sem rumo, sem saber onde vou chegar com esse texto, sem nenhum objetivo específico.

É engraçado quando você para para pensar em você, no mundo, nas suas descobertas e nas suas escolhas, tanto de vida quanto de crença (ou não-crença). Eu gosto de divagar de vez em quando sobre a vida, e no ônibus hoje eu me peguei aéreo, tocando o vidro do bus e sentindo sua textura, e digerindo mais uma vez o fato de que um dia isso tudo que eu absorvo vai desaparecer e talz.

Não que isso me deixe triste, de maneira nenhuma! Sabe quando sua maior vontade é de chegar naquele momento que todo mundo têm medo, olhar pra trás, ver tudo o que você fez e encarar o fim da aventura com um sorriso no rosto e uma lágrima nos olhos?

Sorriso no rosto por saber que, assim como tudo no mundo, sua participação no mundo chegou ao fim e, independente do que te espera do outro lado, você se sente realizado com tudo que viveu.

E uma lágrima nos olhos por já começar a sentir saudade disso tudo, de toda essa dificuldade, de todos esses momentos, de todas as memórias, de todas as sensações, cheiros, toques, músicas, e imagens que você colecionou em todos esses anos.

É como fazer uma viagem para um lugar qualquer, sabendo que é provavelmente a última vez que você vai ver aquele lugar que você aprendeu a amar, admirar, independente de todos os defeitos que posam nesse lugar, pois são eles que, por mais que não pareça, tornam o lugar incrível de se vivenciar.

E então, vêm finalmente a viagem, a transferência, a morte, não importa como se chama. O que importa é que vale a pena sentir cada milímetro desse mundo, na alegria e na tristeza, no ódio ou na depressão. Cada experiência conta. E mesmo que tudo isso seja em vão, e que o esquecimento nos aguarde no final, vale a pena saber que, até o último momento, é o momento e a experiência que mais contam.

22 de out. de 2015

Changeless

Esse negócio de mudar de cidade não é fácil. Estou querendo voltar a escrever aqui no blog sobre esses sentimentos, mas eu me sinto meio desconectado dos mesmos, pra evitar o impacto da ansiedade nesse processo, mas não têm tido muito sucesso. Ontem eu fui parar na enfermaria e hoje tive uma crise depressiva, que se não fosse meu amigo Talles e meu marido Tiw Brás, eu não teria melhorado.

O que percebi é que preciso voltar a me conectar comigo mesmo, lembrar as coisas que eu sou bom em fazer e tomar cuidado com as coisas que eu não sou bom. Essa mudança de cidade é, acima de tudo, uma mudança na forma como eu venho lidando com o mundo. Quero acreditar que vou deixar de ser essa pessoa reativa e começar a ser mais produtiva, mesmo que isso não signifique nada pra mim, afinal não tenho essas baboseiras de precisar deixar um sinal meu no mundo.

O que eu realmente quero (Mário Alberto) é conhecer o mundo, é descobrir o significado de todas as coisas e chegar no final da minha vida e olhar pra tudo o que eu aprendi, e desaparecer feliz sabendo que eu fiz o possível para entender cada partícula existente.

10 de jan. de 2013

Emptyness

Existe essa sensação ruim de que as coisas estão fugindo ao seu controle, como se fosse possível controlar cada aspecto da sua vida. Coisas dão errado e eu preciso aprender a lidar com elas sem me tornar um berserker no processo.

Eu penso isso pois em breve vai aparecer esse príncipe encantado na minha vida, e eu não quero que ele me veja tendo esses acessos de raiva. Eu tenho medo dessas reações e até certo ponto consigo controlá-las. O meu problema é o mecanismo de frustração, que faz com que a raiva exploda antes mesmo que eu possa pensar sobre o problema.

Tudo deriva do fato de eu me sentir sem alguém pra me ouvir de verdade. Isso mudou bastante com alguns amigos muito especiais, mas ainda falta alguém mais próximo pra eu poder realmente me abrir sobre um lado meu que aprendi, com os anos (e os ex namorados) a guardar fechado lá no fundo do baú.

Algo me diz que esse alguém está bem próximo (mais próximo do que imaginam) mas do meu estado atual até o estado em que vejo esse alguém explorando as fronteiras do oceano da minha mente há um vazio existencial muito grande.

Minha vontade de chorar é muito grande, mas eu prometi a mim mesmo que não faria agora. Eu preciso ser forte, ser frio, ser resistente e mesmo não sendo a pessoa mais corajosa do mundo, eu preciso fazer. A palavra do momento não é tentar. Tentar foi o que fiz a vida inteira. Agora é realizar. Realizar o que nunca consegui antes na minha vida, que foi ter o domínio completo dela, sem me preocupar em controlar cada aspecto, como se isso fosse fazer com que o caminho aparecesse para mim.

Eu queria pelo menos que esse vazio dentro de mim não fosse tão difícil de lidar. Todo o resto parece mais fácil sem ele. Tudo parece ficar mais difícil sem esse alguém.

25 de dez. de 2012

Triangle

Em algum lugar da minha linha temporal existem Eu, John e Bob.

Eu conheci John, ficamos amigos e trocamos "intimidades" via internet. John pediu sigilo à respeito das nossas "intimidades". Eu descubro mais para frente que John é casado. Com Bob, que aliás não conheço à essa época. Um belo dia de semana, John e Bob terminam seu casamento. John e Bob vão viver suas vidas separados. Tempos depois, eu conheci Bob. Eu avisei John que eu estava conhecendo Bob e John disse que não tinha problemas, afinal eles não estavam mais juntos. Depois de conhecer Bob, eu e ele ficamos amigos, ficamos mais próximos e passamos a nos gostar bastante, mas sem ainda termos trocado "intimidades". Um dia, eventualmente, trocamos "intimidades" mas num nível bem diferente do que eu e John trocamos.

Um dia, John descobre que Eu e Bob estamos conversando. John simplesmente fica extremamente chateado comigo e diz que eu traí a confiança dele. John me conta coisas sobre Bob. Dada a proximidade que eu tenho com John, aquilo que ele me conta me deixa perdido. Quem está certo? Quem está errado? Eu não sei. No final, eu sigo minha fé em Bob e escolho seu lado. Confronto Bob sobre essas coisas que me foram ditas por John. Eu pergunto "Me diga, você teve com outras pessoas conversa no mesmo tom que você teve comigo?" mesmo sabendo que a resposta seria indiferente, apesar de que os cursos de ação seriam diferentes. Bob responde Não. Eu conto pra Bob tudo o que aconteceu entre eu e John.

Bob decide então confrontar John à respeito do falado pra mim. Eu discordo, penso que por mais que John tenha feito isso, ele deveria ser deixado em paz. Bob usa o que eu disse que John me disse pra acuar John. John, acuado, para de fugir e começa a atacar. Eu estou no meio de um fogo cruzado de John e Bob. Bob me usa como espada e John me usa como escudo.

Eu quero morrer.

Bob me diz que John está chorando. John me acusa de ter destruído a vida dele. Eu me sinto a pessoa mais horrível do mundo. Quero me afastar mas não posso, pois gosto de Bob. Assumo minha parte na história e tento pelo menos subir a moral de John, o que falho miseravelmente. Deixo John para lá. Deixo Bob um pouco para lá.

Paro para respirar. Vou dormir com dor de cabeça e com a sensação de ser o vilão na história. Quem eu sou nesse momento? Quem é John? Quem é Bob? Eu não sei. Não tenho perspectiva para enxergar a situação como um todo, afinal, estou 2500 km longe.

A situação pode ter sido resolvida ou não. Eu não sei desse ponto do tempo que escrevi isso, afinal eu decidi enterrar tudo. Não totalmente, afinal esse post existe. Como um aviso para mim. Como um aviso para todos que forem ler esse post.

11 de out. de 2012

Caeryn

Há alguns dias durante uma sessão de meditação com música, eu tive uma visão, um vislumbre.

Como alguns de vocês sabem, eu tenho esse Mundo Interior chamado Entalis, que já existe há alguns anos em mim. E nesse mundo um personagem se destacou aos poucos e foi me motivando a escrever sobre ele, sobre tudo o que ele passava em sua vida pelo mundo.

Esse personagem sou eu. Mas não sou o Eu daqui, da Terra, desse mundo material que todos conhecemos. É o meu Eu como eu imagino que eu fui, que eu sou e que um dia eu serei. E eu tenho um apego muito grande por esse personagem, sabe? Eh como se ele fosse meu filho, minha criação maior e minha real ligação com o meu Mundo Interior.

O vislumbre que eu tive foi que, ouvindo a música Oraanu Pi, da banda E.S. Posthumus, eu soube que ele finalmente deixaria o mundo. Ele morreria.

Eu fui muito pego de surpresa, sabe? Eu não vou negar pra vocês que eu chorei muito quando isso aconteceu. Chorei de soluçar, e alguns amigos meus podem atestar isso pq eu liguei pra eles pra conversar, pra me sentir melhor, pra entender, pra aceitar. E no final eu aceitei isso e então entendi que era decisão dele, e que eu não poderia (e não queria) fazer nada para mudar isso.

Esse personagem, o Caeryn, passou por muita coisa na sua vida. Primeiro foi traído por seu melhor amigo, depois teve de passar vários anos convivendo com a maldição de ter de compartilhar sua mente com a do seu ex-amigo. Também foi usado como arma contra os povos livres de Entalis em sua raiva e quando finalmente se livrou de tudo, descobriu a pior das maldições, a de que ele viveria eternamente e não poderia ser morto por nenhuma força conhecida de Entalis.

No momento do vislumbre, Caeryn tinha por volta de 3 mil anos e estava descrente de tudo, já não mais vivia apesar de não morrer. E quando relembro a escolha dele por finalmente desfazer a maldição e morrer, ele tinha mais vida nos olhos que todos os outros anos que lentamente passaram por eles.

Hoje estou bem com isso, apesar que estou chorando agora ao falar isso para vocês, e acredito que vou chorar muito ainda reconstruindo a história toda que culmina nesse vislumbre do final.

Caeryn, te desejo toda a paz que você nunca teve em todos os seus anos anteriores.

Nai Kuntak Ameike, Caeryn Noriakun!

31 de jul. de 2012

Conformation

Cada um de nós temos aqueles valores que são totalmente importantes quando lidamos com outras pessoas, e temos aqueles valores que não são tão importantes.

E cada pessoa têm um conjunto diferente de valores totalmente importantes, diferente dos conjuntos das outras pessoas.

São nossos sistemas de crenças.

Cabe a cada um de nós exercitar a comunicação e a compreensão, para lidarmos com os valores das outras pessoas, que nem sempre são os mesmos que os nossos.

30 de jul. de 2012

Forgiveness

Só queria dizer que estou aqui, sem mágoa, pra falar que não guardo mágoa de nenhum tipo. A raiva e a incompreensão passaram e eu estou aqui. Como estive antes e como estarei até que seja dito que nada mais pode ser feito.

22 de jul. de 2012

Friendliness

Sabe quando você está feliz e de bem com a vida e com todas as coisas da humanidade e parece que nada mais no mundo é capaz de lhe afetar além de um determinado nível? Pois é, é assim que me sentia até ontem.

Eu tenho esse amigo, que não têm muito tempo que conheço. A gente se conheceu pelo twitter e inclusive esse amigo foi causa de uma discussão feia com fantasmas dos natais passados. Passei a fazer parte de um grupo de amigos convidado por esse amigo, que cada vez se tornava mais especial. A gente concordava em algumas coisas, discordava em outras e até ocasionalmente discutia à respeito de temas muito controversos (e em alguns casos, até affairs controversos também).

No entanto, alguma coisa aconteceu nessa virada de noite que esse meu amigo me falou algumas coisas que me deixaram intrigado. O que eu havia feito para deixá-lo assim? Não me recordava de ter feito nada que pudesse causar essa reação. Ah sim, eu não contei direito a história né? Esse meu amigo conheceu um kra que no início ele não curtia muito, mas que depois foi criando uma afeição cada vez maior por ele. Normal, isso acontece o tempo todo entre meus amigos (e por que não comigo)?

Só que essa reação de meu amigo, em relação à eu ter me aproximado do tal kra, me pegou de surpresa. Assim, eu sou safado, sou cachorro, sou sem vergonha, não valho uma nota de dois reais rasgada direito, mas em relação às pessoas com quem cultivo uma relação de amizade mais profunda, rola uma lealdade muito grande.

Já percebi nas relações com os fantasmas dos natais passados que minha lealdade sempre é posta em prova em vários momentos. Queria ser uma pessoa maior e não julgar as pessoas por me julgarem, mas eu não consigo. Eu estou muito surpreso com esse meu amigo, mas eu no final me dei por vencido em prol da nossa amizade. Eu sei que ele é um kra muito legal, um conselheiro incrível e uma pessoa que está sendo muito importante nessa minha fase de recuperação da minha última depressão, só que por motivos que não me vêem a cabeça agora, estamos tomando direções opostas. Ele me pede espaço, e eu vou dar espaço. Ele me pede pra entender ele e eu entendo. Ele me pede pra aceitar que pode ter sido uma decisão injusta e eu aceito, afinal ele sabe melhor do que eu o que se passa na sua cabeça, e no seu coração.

Eu me afasto, mas não me afasto incólume. Estou me sentindo tão mal por isso que amanheci com febre e minha garganta dói. Reações à minha famosa "qualidade" de interiorizar as coisas. Só que dessa vez não quero interiorizar. Não quero fingir que nada aconteceu. Essa vez vai ser diferente pq não quero ficar sofrendo com isso por mais tempo que o necessário. Meu amigo pode ou não estar com a razão e queria que ele soubesse o quanto eu estou sofrendo com isso. Mas eu vou sobreviver, sempre sobrevivo. E quero no final me encontrar com esse amigo em algum momento no futuro e rir disso tudo o que está acontecendo hoje, mas não nesse momento. Me afasto e mais uma vez eu visto a minha armadura de lobo solitário, só que dessa vez sem pretensão de tirá-la tão cedo.

E assim o mundo vai se mostrando cada vez mais para mim. E cada vez mais vou perdendo a fé na humanidade. Ainda tenho fé em mim, pois é a única coisa que eu posso realmente dizer que conheço, que controlo e que posso garantir existência. Para todo o resto eu não posso dizer o mesmo. Então vai me restando a fé, mas mesmo a fé pouco a pouco vai cedendo, e eu vou ficando cada vez mais isolado no mundo. Mas é uma decisão minha, afinal é a forma que eu tenho pra enfrentar a realidade.

E cada vez me resta menos e menos e cada vez mais e mais vai sobrando somente a mim. Parece que cada dia mais aquela visão de criança em que eu me via morando isolado numa casinha ao pé de alguma montanha esquecida se aproxima da minha pessoa. Não é algo que enxergo como ruim, mas como o ápice final do meu desprendimento desse mundo do qual tão pouco comungo e cada vez menos as coisas que me são comuns deixam de ser tão próximas.

24 de mai. de 2012

Sorrowness

Faz tempo que eu não sentia tal sensação ruim, tal aperto na garganta, tal agonia consumindo minhas forças como faz o fogo quando se espalha no milharal pronto para ser colhido.

É mais ou menos assim que me sinto sobre o dia de ontem. Aparentemente um dia normal. Mas, parece que justo no final as coisas começaram a sair dos seus eixos.

A primeira delas foi conversando com um amigo, em que ele está dando uma super força para outra pessoa, e eu solto uma daquelas infames piadinhas que só eu sei soltar, mas a piada dá margem à outras interpretações. Quando percebi que tinha falado merda, já era tarde.

A segunda, foi o desaparecimento da Sansa essa noite. Tudo bem, ela pode ter saído pra se aventurar por aí, mas mesmo assim, não deixa de me dar um aperto saber que essa é a primeira noite que ela dormiu fora de ksa. Com o John eu não senti isso que tou sentindo com ela.

Terceira, a dor de cabeça que senti hj cedo. Daquelas que os remédios não ajudam muito, cefaléia, ou algo do gênero.

Quarta, a minha grande quantidade de mau humor com que acordei. Acho que consequência dos dois fatos ocorridos.

Só sei que hj tou triste. E o pior, estou facilmente irritável. Nessas condições que estou hj, eu preferiria evitar contato humano, pois é a última coisa que eu quero agora é ver algum ser pseudo-inteligente querer me falar alguma mereda. Exceto meus amigos mais próximos, que pelo menos me conhecem um pouco. Esses eu mesmo estou falando como estou me sentindo.

Bom, é esse o desabafo de hoje. Começando mais um arco agressivo/depressivo na minha temporada 2012.

19 de abr. de 2012

Jon

Essa noite sonhei com o Jon. Ele tá sumido há varios dias e nenhum sinal dele na visinhança, mas o sonho foi assim.

Ele chega em ksa um dia todo ensanguentado e cansado com aquele olhar de me ajuda e eu dou banho nele e passo iodine nos machucados.

Na hora acordei numa vibe de chorar bem intensa sabe? Tou com saudade do Jon mas não sei manifestar isso direito. As vezes me sinto tão frio e distante com essas coisas que fico pensando se no final das contas eu não temho algum tipo de psicopatia.

O fato é que sonhar com o Jon foi deveras triste, pois significa q eu tou perdendo as esperanças dele voltar e começando a achar q ocorreu algo mais grave.

É isso.