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8 de out. de 2022

L'art d'être oreille

 Engraçado como as vezes a gente descobre pessoas incríveis ali, do nosso lado, pessoas que sempre existiram próximas, mas que nossas próprias barreiras cotidianas sempre nos impediram (e a eles) de nos entreolharmos, e enxergarmos aquilo que realmente nos faz humanos.

Tenho tido conversas tão incríveis com um conhecido recente de um grupo de amigos que faço parte que tenho me surpreendido com essa conexão. Parece que os sofrimentos mútuos de cada um, aquela visão sábia de que antes de vivermos, nós sobrevivemos, os assuntos em comum, a proximidade de gerações, tudo isso conta para que essas conversas sejam sempre inebriantes, como beber um licquor que vc sabe que está há muito tempo curtindo e esperando para ser consumido.

É difícil eu me encontrar nesse local de fala hoje, pois sempre fui uma pessoa muito isolada e mesmo meus amigos anteriores não eram tão amigos assim (o que é uma explicação superficial de pq eu apaguei todas as minhas redes sociais). Eu sempre sinto muita falta dessa identificação, de saber que não sou só eu quem passei por determinadas situações na vida, que olha para o futuro e para o passado e vê uma estrada sendo percorrida e não só os clubes ou as pedras no caminho.

Estou sendo dramático? Olha, se acharem uma única vez que eu não fui, me mostrem, porque olha...

Mas assim, eu fico feliz de descobrir essa conexão, eu me sinto menos solitário em meio ao meu grupo de amigos, pois estou sempre me perguntando se estou mesmo no lugar certo, com as pessoas certas, com as palavras certas, pq pra mim sempre parece que estou só sendo extremamente pedante e carente de atenção.

E é sobre isso a reflexão de hoje.

15 de fev. de 2016

Eagerness

Uma coisa que tenho percebido que têm acontecido com o passar dos anos é a minha diminuição por desejar algo de forma compulsiva.

Antigamente, eu não conseguia fazer outra coisa senão ficar olhando todos os reviews de celulares, ou de jogos, ou de qualquer coisa que eu julgasse extremamente importante para minha satisfação pessoal naquele momento.

Hoje, eu olho para coisas que eu desejo e, por um momento, sinto um forte desejo de possuir essas coisas mas, depois de pouco tempo esse desejo passa, sem deixar nenhum sentimento de frustração, como ocorria antigamente.

Não que o desejo tenha desaparecido, mas atualmente ele não parece ser tão importante na minha vida e, como qualquer mecanismo mental, é passível de adaptação, eu acho.

Penso que, ante a efemeridade da vida humana, essas coisas passam a não fazer tanto sentido, no que tange às experiências que vamos tendo durante nossas vidas. Afinal, a única coisa que podemos dizer que é nossa de verdade são as experiências, e nem sempre esses desejos se compõem em experiências que iremos nos lembrar.

Dado isso, acho que é parte do processo de desconexão do mundo, esse processo de não ver mais graça nas coisas que não estão dentro da minha mente. Afinal, isso é a única coisa que posso falar que é meu, "et veritas" e, independente do desfecho que a vida nos dá, representa quem somos de verdade: um mundo imenso de experiências se inter-relacionando.

22 de dez. de 2015

Provenanceness

Eu tenho um questionamento a fazer a todos, e queria que quem respondesse, o fizesse com muita sinceridade e pensando bastante no questionamento levantado.

TLDR;

Imagine que um dia você descobre que você não é um ser humano, mas uma máquina. Sua vida até agora era real, ninguém lhe controlava ou programava para se comportar de uma maneira especifica; as suas capacidades físicas e mentais são idênticas às de um ser humano orgânico. Mas você foi criado em um laboratório.

Ninguém, exceto você sabe sobre isso. Sua família seus amigos, todos eles acham que você é um ser humano normal como eles. Se você não contasse a ninguém, você poderia continuar a viver a sua vida da maneira que você viveu até agora e nada mudaria.

Como você reagiria?

Preste atenção específica a estas perguntas:

a) Será que o seu conceito de si mesmo mudaria? Você continuaria sendo a mesma pessoa que pensou que você era?
b) A sua compreensão do próprio mundo mudaria?
c) Você revelaria as informações a terceiros ou você guardaria para si? Por quê?

Respostas

R. Almeida: Negaria e fingiria que nada aconteceu.

J. Nascimento: O conceito de mim mesmo mudaria, ficaria uma dúvida se não havia nada digamos que programado pra ser assim.
Haveria uma mudança no ponto de vista sobre o mundo, provavelmente olharia mais friamente. Quanto a revelar para terceiros, creio que as pessoas têm certo medo/receio/preconceito a coisas novas/diferentes então revelaria para pessoas específicas.

R. Fortalesa: A: Viveria uma constante crise existencial, se já não estivesse vivendo. Procuraria saber se existe meios de me aprimorar, desenvolver habilidades novas. Faria uma jornada em busca de informações sobre meu passado e minhas origens. B: Não necessariamente. Atualmente sou ateu e já me vejo como uma máquina biológica. C: Eu confiaria essa informação apenas a pessoas de confiança. Talvez na esperança de encontrar outros como eu.

I. Lopes: Meu conceito mudaria, mas eu tentaria continuar sendo o mesmo...

E. Costa: Certamente meu conceito de mesma mudaria, consequentemente a compreensão do mundo. E, claro, não contaria a ninguém!

M. Mendes: Fingiria que nada aconteceu. Por que eu gostaria de saber quem me criou e fingir que nada aconteceu seria mais fácil.

M. Cruz: Ficaria paranóica tentando descobrir quem me criou.

Eu: Descobrir que sou uma máquina responderia alguns questionamentos meus sobre origem, forma e função mas criaria outros como motivação e objetivos da minha existência. Eu já vivo uma catarse existencial onde meu objetivo é entender a mim mesmo e aos processos envolvendo a vida.

Meu conceito de mim mesmo mudaria? Acredito que não, pois independente da forma com que me manifesto, ainda existe esse observador atrás dos meus sentidos, que precisa ser explicado, posto à luz da razão.

Minha compreensão de mundo mudaria, de forma a abarcar essa nova faceta de conhecimento sobre mim mesmo.

E por último, nao não contaria a ninguém, pois usaria esse novo conhecimento pra explorar ainda mais o conceito interativo humano, ou até achar um igual a mim, a quem me abriria sobre esse segredo.

27 de jul. de 2015

Κύριε ελέησον

Hoje ouvi uma música que representa muito do que estou sentindo hoje, sobre o sonho que tive de manhã, sobre as coisas que eu acredito e sobre o meu lugar no mundo ...

"E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando ir pra casa" Joan Osborne - One of Us

E apesar de não acreditar muito na figura de um deus, eu acredito que todos estamos em uma caminhada, e alguns estão mais à frente que a gente e outros mas atrás, mas no final todos estão andando para algum lugar melhor que hoje.

As vezes aquele que é Deus, ou Jesus, ou Khrishna ou Oxalá, para os outros, são pessoas como eu, como vocês, que dentre todas as coisas, só busca seu lugar no mundo...

18 de jan. de 2015

Irrationalityness

Eu pensei a primeira vez em colocar um alargador na minha orelha com 16 anos e coloquei quando tinha 32.

Daí a pessoa chega, me vê de alargador na orelha e, se achando no direito, fala que essa foi uma decisão feita sem pensar.

Não pensei duas vezes: unfriend + block pois as vezes, faço coisas sem pensar nas consequências.

20 de jul. de 2014

Recalques

Eu realmente devia parar com essa atual compulsão de querer entender os comportamentos das pessoas. Quando paro pra me enxergar no processo, me sinto extremamente trabalhado no recalque e esse realmente não sou eu.

Introspeção sempre foi a palavra de ordem dos meus processos cognitivos e essa recente onda de análise das outras pessoas é, nesse contexto introspetivo, irrelevante pois não há nada que essas análises possam fazer para alterar qualquer coisa que não seja modelos mentais concebidos para tentar compreender e, por tabela, prever as reações das pessoas.

16 de abr. de 2014

Sobre Spoilers, Murais e Conversas Intimistas

Hoje estava admirando as diversas reações positivas e negativas à invasão dos spoilers no Facebook depois que saíram os episódios de um seriado que ninguém se lembrará quando ler esse post. Mas vamos lá.

Em toda comunicação entre duas (ou mais pessoas) existem quatro componentes principais: Emissor, Receptor, Mensagem e Meio. E a forma como a comunicação é feita depende principalmente do Meio, que define métodos e protocolos de comunicação, a fim de estabelecer que a mensagem emitida seja recebida (ou descartada). Diversas teorias foram desenvolvidas para tentar explicar essa relação dos agentes comunicativos, mas isso não vem ao caso. O que importa de verdade é a característica intrínseca dos meios de comunicação, e isso têm total impacto na forma como a comunicação se dá.

Primeiramente, existe o que podemos chamar de comunicação bidirecional. Na comunicação bidirecional, tanto receptores quanto transmissores interagem uns com os outros no processo comunicativo, podendo haver interrupções ou troca de papéis entre os elementos participantes. Isso é o que podemos definir como "comunicação intimista".

Neste tipo de comunicação, todas as pessoas envolvidas sabem aproximadamente qual o estado das outras em relação à conversa, interagindo diretamente com os outros participantes, permitindo um dinamismo na forma como a mesma é conduzida.

Em segundo lugar, existe a comunicação unidirecional. Na comunicação unidirecional, os transmissores e os receptores não interagem entre si durante o processo comunicativo. Os transmissores simplesmente transmitem a mensagem ao passo que os receptores só podem receber a mensagem ou descartá-la. Isso é o que podemos definir como "comunicação de mural".

Nesse tipo de comunicação, normalmente as pessoas que estão enviando a mensagem não têm como saber o estado atual das pessoas que irão receber a mensagem, dado o fato que não existe uma ligação entre receptor e transmissor, exceto através do meio comunicativo, que pode definir ou não protocolos de interação. Quem fala não têm como saber se foi ouvido e se quem ouviu tinha conhecimento ou não do conteúdo da mensagem.

Twitter, Facebook e os Murais Sociais

A maioria das pessoas que vejo por aí usando redes sociais têm uma visão estranha da forma como as informações fluem na rede. Essas pessoas se esquecem que os transmissores são quase sempre ignorantes ao conhecimento prévio dos receptores. Isso está relacionado à característica unidirecional da rede e do fato de que as redes se comportam como murais onde as pessoas botam coisas que lhes interessam para que outras pessoas possam ler (ou não).

Voltando ao contexto dos spoilers, existe toda uma nebulosidade em torno desse assunto, já que ele está relacionado ao estado específico em que o transmissor sabe de algo que o receptor não sabe, e transmite uma mensagem com o conhecimento relacionado.

Na minha visão, as opiniões de ambos os lados são totalmente irrelevantes, pelo fato de as redes sociais provirem meios de evitar que tais problemas aconteçam. Pessoas que reclamam de spoilers podem simplesmente remover a assinatura de posts de uma determinada pessoa / grupo e da mesma forma transmissores podem selecionar quais são as pessoas / grupos que irão receber suas mensagens.

Minha Conclusão

Se a pessoa realmente considera que toda a experiência midiática é destruída ao ler um spoiler de um qualquer no Facebook ou no Twitter, deveria evitar seguir as publicações de pessoas que têm propensão a soltar spoiler na timeline. A maioria das pessoas que soltam spoilers NÃO ESTÃO FAZENDO ISSO pelo sarcasmo de ver as pessoas ficando irritadas por ler um spoiler (o que não é meu caso hehehe) mas pela possibilidade de exprimir suas experiências com outras pessoas, que é o intuito primário das redes sociais na minha visão sociopolítico-econômica das coisas.

8 de mar. de 2014

Desintoxication

A partir do momento que separamos o "Eu preciso" do "Eu quero" e passamos a entender o significado de cada uma das partes, todas as compulsões passam a não fazer mais sentido.

23 de jun. de 2013

Matter of Belief

Eu sempre estive dividido entre a crença e o ceticismo. Até que ponto o sutil é verdade, até que ponto é histeria coletiva e como diferenciar um do outro.

Eu simplesmente entendi que é um ato de fé. Não há certezas antes que os dados estejam na mesa, as cartas reveladas e as linhas traçadas.

Junto dessa divisão, a minha eterna dúvida: eu sou um ser místico ou só uma máquina? Sim, pois se não há outro lado, somos simplesmente um corpo mecânico executando software armazenado no nosso dna.

E assim, a criação e a criatura são só expressões da mesma coisa primordial.

A minha dúvida passou quando entendi que todos temos esse lado mundano e o místico. Somos máquinas executando software e quando pararmos de funcionar, o software se perderá. O que é diferente é a conexão com um ser maior, um eu divino, que já passou por vários hardwares e softwares diferentes, da mesma forma que passamos de um computador para outro.

E esse eu que me habita, é o software ou o operador? O que sobrevive do software no operador depois que a conexão é desfeita?

Digo que me sinto tranquilo por ser único em minhas existências e que parte de mim deixa de existir e essa parte mística divina continua, pois eu só sou eu quando existem essas três variáveis: hardware, software e operador.

E assim me mantenho divino e mundano, eterno e efêmero, encima e embaixo. Tudo e Um.

E a paz volta a reinar na minha mente corporal espiritual.

14 de jun. de 2013

Foretimeness

Passado. Lembranças. Saudades. Vontade de ser o que já se foi um dia. No entanto, é no presente que vivemos. É na construção do hoje que podemos alcançar e superar a nós mesmos em nossas próprias vitórias passadas.

"Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência
Adormecerá!
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material"

Quando olho para o passado e vejo a quantidade de vitórias (e também derrotas) que tive, penso no hoje e me pergunto porque não sou daquele jeito mais. Aquele foi eu, não sou eu, portanto aquelas vitórias não são vitórias do meu eu de hoje, não são derrotas do meu eu de hoje. Cada uma delas serviu para um crescimento espiritual e moral específico, mas a dificuldade de me desgarrar delas ainda é grande.

As vezes eu queria ser só eu mesmo, sem me preocupar com as visões do passado, mas isso é realmente uma coisa que eu nunca consegui deixar para trás.

Para poder ser Eu, preciso deixar de ser Eu.

Om mani padme hum.