Hoje estava admirando as diversas reações positivas e negativas à invasão dos spoilers no Facebook depois que saíram os episódios de um seriado que ninguém se lembrará quando ler esse post. Mas vamos lá.
Em toda comunicação entre duas (ou mais pessoas) existem quatro componentes principais: Emissor, Receptor, Mensagem e Meio. E a forma como a comunicação é feita depende principalmente do Meio, que define métodos e protocolos de comunicação, a fim de estabelecer que a mensagem emitida seja recebida (ou descartada). Diversas teorias foram desenvolvidas para tentar explicar essa relação dos agentes comunicativos, mas isso não vem ao caso. O que importa de verdade é a característica intrínseca dos meios de comunicação, e isso têm total impacto na forma como a comunicação se dá.
Primeiramente, existe o que podemos chamar de comunicação bidirecional. Na comunicação bidirecional, tanto receptores quanto transmissores interagem uns com os outros no processo comunicativo, podendo haver interrupções ou troca de papéis entre os elementos participantes. Isso é o que podemos definir como "comunicação intimista".
Neste tipo de comunicação, todas as pessoas envolvidas sabem aproximadamente qual o estado das outras em relação à conversa, interagindo diretamente com os outros participantes, permitindo um dinamismo na forma como a mesma é conduzida.
Em segundo lugar, existe a comunicação unidirecional. Na comunicação unidirecional, os transmissores e os receptores não interagem entre si durante o processo comunicativo. Os transmissores simplesmente transmitem a mensagem ao passo que os receptores só podem receber a mensagem ou descartá-la. Isso é o que podemos definir como "comunicação de mural".
Nesse tipo de comunicação, normalmente as pessoas que estão enviando a mensagem não têm como saber o estado atual das pessoas que irão receber a mensagem, dado o fato que não existe uma ligação entre receptor e transmissor, exceto através do meio comunicativo, que pode definir ou não protocolos de interação. Quem fala não têm como saber se foi ouvido e se quem ouviu tinha conhecimento ou não do conteúdo da mensagem.
Twitter, Facebook e os Murais Sociais
A maioria das pessoas que vejo por aí usando redes sociais têm uma visão estranha da forma como as informações fluem na rede. Essas pessoas se esquecem que os transmissores são quase sempre ignorantes ao conhecimento prévio dos receptores. Isso está relacionado à característica unidirecional da rede e do fato de que as redes se comportam como murais onde as pessoas botam coisas que lhes interessam para que outras pessoas possam ler (ou não).
Voltando ao contexto dos spoilers, existe toda uma nebulosidade em torno desse assunto, já que ele está relacionado ao estado específico em que o transmissor sabe de algo que o receptor não sabe, e transmite uma mensagem com o conhecimento relacionado.
Na minha visão, as opiniões de ambos os lados são totalmente irrelevantes, pelo fato de as redes sociais provirem meios de evitar que tais problemas aconteçam. Pessoas que reclamam de spoilers podem simplesmente remover a assinatura de posts de uma determinada pessoa / grupo e da mesma forma transmissores podem selecionar quais são as pessoas / grupos que irão receber suas mensagens.
Minha Conclusão
Se a pessoa realmente considera que toda a experiência midiática é destruída ao ler um spoiler de um qualquer no Facebook ou no Twitter, deveria evitar seguir as publicações de pessoas que têm propensão a soltar spoiler na timeline. A maioria das pessoas que soltam spoilers NÃO ESTÃO FAZENDO ISSO pelo sarcasmo de ver as pessoas ficando irritadas por ler um spoiler (o que não é meu caso hehehe) mas pela possibilidade de exprimir suas experiências com outras pessoas, que é o intuito primário das redes sociais na minha visão sociopolítico-econômica das coisas.