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22 de dez. de 2022

Teacherless

E não satisfeito em ter inúmeras crises por conta do boy colega de trabalho, aqui estamos escrevendo sobre ele, mais uma vez, não é mesmo?

DISCLAIMER: Definitivamente preciso dizer que esse post PRECISA ser lido ouvindo a playlist Teacherless Hits #1 listada abaixo:

Esse post, como tantos outros que vieram antes, fazem parte da aclamada série "Fantasmas dos Verões Passados", e esse merece uma citação especial pois foram 4 anos de sofrência! Essa história é uma conclusão de um arco narrativo que inclusive teve vários posts por aqui, e que no fim desse registro eu irei elencar as postagens relacionadas.

Aqui a diversão é tão garantida que recomendo trazer seu snack e refrigerante, pq não fazemos que nem o cinema que obriga vc a comprar a pipoca e a coca para consumo local, tá?

Chefinho e o Fantasma dos Verões Passados que realmente me alcançou lá no fundo!

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Essa história começou lá pelos idos de 2018, na cidade de Curitiba. Na verdade ela veio de algum tempo antes de conversas com colegas de trabalho. No meu trabalho existia esse carômetro onde haviam as fotos de todos os diretores gerais dos campi, e eu e algumas colegas de trabalho tínhamos o péssimo costume de ficar olhando o carômetro e dando notas para os presentes nesse carômetro. Eu pessoalmente lembro de uma dessas vezes a gente olhar para esse diretor que tinha lá, que era visivelmente mais novo que os outros, mas que era uma gracinha, e por umas 2 vezes eu soltei um "e para o colega Onicássio (que chamarei de Oni daqui em diante), nossa nota é 10, e ainda oferecemos um sacrifício em nome da sua beleza. Tomi Oni, sua oferenda (e eu oferecia um copinho de café, sob os risos das colegas de trabalho)".

Um tempo depois, vêm a notícia que esse diretor bonito que falávamos em nossas sessões diárias de almoço estava sendo indicado para ser diretor do setor onde eu trabalhava. Eu lembro de ficar "ohh, que massa, finalmente um homem bonito nesse lugar". Eu sei que a primeira coisa que me chamou a atenção nele é sua educação e atenciosidade. Lembro que nos primeiros dias eu tive vários pequenos surtos porque, puxa, que homem bonito!

Nas semanas seguintes, em que estávamos já mais aclimatados com sua presença no setor, eu lembro de começar a puxar assunto sobre assuntos em comum. Ele é um amante de motociclismo, e isso claro me chamou a atenção pois eu também me considero. Falávamos sobre lugares para visitar, lugares já visitados, tipos de motos, o que cada um gostava ou não gostava... Emfim, era muito gostoso conversar com ele.

Eu sei que a partir de algum momento aleatório no ano de 2019, eu comecei a sentir essa atração por ele, além dos meus dispositivos anti-surto. O homem era perfeito demais, e eu não estava sabendo tankar tudo isso, e os primeiros sentimentos começaram a surgir. Eu até tinha falado com o meu marido sobre esses sentimentos, e isso foi me ajudando a blindar tudo.

Até que em 2019 fizemos uma viagem juntos para Natal. Era uma viagem de trabalho, outras pessoas do trabalho juntas, e em um happy hour nosso, eu bebi além da conta (não foi além da conta, fiz de propósito mesmo) e peguei o celular e mandei uma mensagem toda acalorada para ele, que estava do outro lado da mesa, e eu vi que ele ficou visivelmente constrangido com a mensagem, e aí não conversamos mais até o fim da noite. Eu sei que a falta de resposta foi o motivador para eu parar de beber, pq tava visível que não haveria resposta naquele momento.

Nos outros dias da viagem, houve o dia que subimos, alguns colegas e ele, secretamente, para a piscina do hotel (que fechava após as 22h) e ficamos lá conversando sobre a vida, sobre os filhos dele, sobre o que eu passei na vida, e lá estamos nós de novo bebendo. Também teve o episódio de termos ido para o mar com a equipe e ter ficado pegando onda do lado dele por pelo menos algumas horas após o fim da tarde, curtindo o momento (e ele ali do lado) como se não houvesse amanhã. Isso tudo acontecendo depois da mensagem do primeiro dia, ok?

Preciso dizer que nesse momento eu já tinha certeza de que o que eu sentia era platônico. A FIC na minha cabeça já tinha se desenvolvido a ponto de eu frequentemente me pegar sonhando ou divagando com a gente morando junto, cuidando do cachorro, assando carne e curtindo piscina... Inclusive não foram poucos os episódios em que eu prestei homenagem à sua memória ou mesmo, em momentos íntimos, trazer sua imagem à minha mente para alcançar o ápice do momento. Inclusive ficava morrendo de medo de soltar seu nome no meio do processo, mas olha, não foram poucas as vezes.

Daí, no fim de 2019, eu chamei ele para irmos comer em um restaurante que eu gostava demais. Era um restaurante japonês tradicional e de família, e era tão bom ir lá que eu convidei ele para ir junto. Para me ajudar nessa tarefa, eu chamei uma colega (que na época era uma das minhas melhores amigas de trabalho) para acompanhar a gente, e ela ia só tirar o clima de "date". No entanto, no fim deu tudo totalmente ao contrário. Ele ficou conversando com ela o tempo todo, e eu fiquei lá me sentindo a vela da história. Teve até um momento de chuva, que ficamos os três molhados, e teria sido incrível se eu não tivesse ficado de lado no retorno, enquanto os dois conversavam animadamente na frente do carro. Me lembro bem de ter ficado encostado no vidro olhando a chuva, até que eles perceberam e perguntaram se eu tava bem. Respondi que sim mas não estava bem. Só queria logo que aquele dia acabasse logo.

Eu fiquei sabendo tempos depois que ele e essa amiga tinham ficado após esse acontecimento. Ela, muito tempo depois que se mudou do nosso escritório para outro estado, me contou que tinha ficado com ele, e deu detalhes sobre como ele era carinhoso no ato, deu detalhes de como ele era sem roupa, entre outras coisas, e na hora não senti nada, só fiquei maravilhado com os detalhes. Só sei que quando a ficha realmente caiu eu fiquei bem deprimido com tudo isso, pq ela sabia que eu estava tentando algo, e ela foi lá e conseguiu o que eu nunca conseguiria. Eu nunca mais consegui conversar com essa pessoa novamente, pq o sentimento que estava sentindo era muito forte. Eu posso dizer que foi a primeira vez na minha vida que eu tinha sentindo ciúmes de alguém, e era nítido que era isso que estava sentindo naquele momento. Tempos depois foi ele quem me contou que tinha ficado com ela, e eu perguntei detalhes, e ele com vergonha, não me deu nenhum.

No entanto, a reputação dele continuava ilibada pra mim. Ainda sentia o que sentia por ele e ainda bem que na época eu tirei férias, pois precisava tirar tudo isso da cabeça um pouco. Eu prometi a mim mesmo que não ia me jogar nessa FIC quando voltasse, o que eu falhei miseravelmente em cumprir, claro.

Foram várias saídas de carro com ele para almoçar em shopping, ir em mercado, ajudar a comprar alguma coisa ou eu comprar algo, e eu estava lá, fazendo companhia, curtindo cada migalha de atenção que ele deixava no caminho para que eu cuidadosamente e meticulosamente pegasse. Ele só ficava em Curitiba 3 dias por semana, e sempre voltava para sua cidade na quarta-feira, e voltava só na próxima segunda. Foi assim pelos 4 anos que ele ficou por aqui.

Pouco tempo depois, com o retorno das férias no meio de uma pandemia de COVID, eu conversava com ele na base diária via WhatsApp e as vezes via Videoconferência, e depois dos assuntos do trabalho, eu sempre tocava em assuntos da sua vida pessoal, querendo saber mais sobre cada coisa, pq eu realmente estava viciado nele. Inclusive foi mais ou menos nessa época, mais próxima do fim da pandemia, que voltamos a conviver de novo no ambiente profissional, que eu já não escondia mais e vivia fazendo piadinhas sobre sua beleza, fofura, inteligência, carisma, para outras pessoas no meu trabalho, inclusive com ele presente nesses momentos, realçando que eu estava gentilmente o cortejando para as outras pessoas verem.

Eu só sei que o aparente fato de ele aceitar que eu gostava dele e ele me manter à uma distância, dita, segura, me matava por dentro, um minuto por dia. Não foram poucas as vezes que tive surtos emotivos que disfarçava de raiva por conta de coisas que eu não conseguia dizer não para ele, pq ele tinha um poder incrível em relação à minha pessoa.

Então vieram as férias dele. Ele ia fazer uma viagem pela américa do sul com a esposa, e eles tiraram fotos em lugares lindos de morrer! Ele me mandou algumas de lugares realmente muito bonitos, e eu não conseguia olhar para os lugares, só ficava imaginando a FIC de eu, ele e aquele lugar, e a gente conversando sobre a vida, e lá estava eu de novo em mais uma mini-crise emocional. No fim era em média uma crise a cada 15 ou 20 dias, que aí eu ficava com raiva da situação e eu ia para o próximo ciclo, até estourar tudo novamente.

Por último, após o retorno das férias dele, veio a notícia de que ele ia deixar a direção e voltar para sua cidade em definitivo. Na hora eu tankei a emoção mas no outro dia eu estava em prantos. Foram muitas horas de música e stories de whatsapp para aplacar esse sentimento, e tb teve o fato de que semanas depois iríamos viajar para São Paulo, então na minha mente de FIC, íamos ter um tempo extra pra curtir antes da derradeira viagem.

E assim o foi. Foram 5 dias dormindo em barraca em São Paulo e posso dizer que apesar de não ter havido nenhum encontro íntimo, pq ele não ia dar esse espaço, eu considero como 5 dias incríveis de estar perto dele. Tomar café, almoçar, participar de eventos, passar horas conversando sobre assuntos aleatórios, ficar secretamente olhando ele de bermudinha e chinelos, jogar joguinhos ou ver ele jogar joguinhos. Foi incrível.

Duas semanas atrás, eu até criei coragem eu escrevi uma carta e mandei pra ele, e dei de presente pra ele um chaveirinho escrito "melhor prof. do mundo". Sim, é o mesmo que está na imagem da playlist que espero que vocês estejam ouvindo enquanto estão lendo isso. Após ele ler, pra mim eram visíveis as lágrimas contidas no seu rosto, afinal na minha concepção de tudo ele não podia demonstrar nada ali, mas pra mim parecia ter algo ali. E ele me deu o abraço que eu pedi na cartinha. Um abraço forte, protetor, e que durou enquanto eu me mantive abraçando, e não vi reação dele em tentar terminar o abraço. No fim fui eu quem terminou o abraço pq eu senti que ia me perder em algo que não ia acontecer e não queria sentir aquilo naquele momento, então interrompi o mesmo pouco após o abraço. Pq eu sabia que aquilo seria o mais próximo que eu chegaria da minha FIC.

E agora, aqui estou, escrevendo esse post, 24 horas após o último encontro com ele. Sua viagem final foi ontem, e admito que ontem eu estava totalmente destruído emocionalmente, pq eu sabia que era tudo na minha cabeça, mas eu sempre quis mais, e ele sempre soube, mas nunca deu nada além do que vazio, que na minha mente altamente distorcida e enviesada eu considerava com falsas espectativas de que pudesse acontecer algo, que era só eu achar o jeito certo de chegar nele.

Eu só sei que esse homem me afetou de um jeito que eu nunca imaginei que eu pudesse ser afetado. Nunca antes na história dessa pessoa alguém alugou um terreno tão grande na minha mente. E eu sei que toda essa história está difícil de guardar em uma caixinha, pq eu não tenho nenhuma caixinha grande o suficiente para pegar tudo isso, guardar e colocar no meu esquecimento pessoal. Esse homem vai ficar um bom tempo sendo um fantasma nos meus pensamentos e sonhos, assim como ele já é nos meus momentos de procurar videozinhos educativos na internet, e sempre caio nos mesmos vídeos, pq os caras se parecem com ele ou se comportam como ele (geralmente os dois).

E é isso. Essa é a história resumida desse Fantasma de Verões Passados, provavelmente o maior fantasma que deva passar na minha vida (até o próximo aparecer e me deixar do mesmo jeito pois eu não aprendo com meus erros).

Como disse lá no começo, eu vou listar todos os posts que eu escrevi sobre esse homem, pq em 4 anos, foram muitas crises.

Segue a lista:

  1. After the Last Goodbye (a história da lembrancinha)
  2. The Last Goodbye (a cartinha)
  3. Après la lumière
  4. Câlins affectueux manquent
  5. Merci de vous arrêter ici
  6. Griefness
  7. L'amour platonicien n'est pas compris
  8. Puppyness
É isso Dudu do futuro. Tá aí a história completa e agora estou aqui resgatando cada pedaço de mim mesmo que fui deixando no caminho, passando uma cola dourada e tentando reconstruir o meu eu, rechaçado emocionalmente e psicologicamente pela FIC da minha cabeça e pelo boy, que não me afastava em definitivo nem dizia nada, me deixando ainda mais paranóico em criar uma vida inteira de carinho e experiências, que só existia dentro da minha mente.
 

29 de jan. de 2017

The virtue of selfishness

"I'm bad, and that's good. I will never be good, and that's not bad. There's no one I'd rather be than me", Detona Ralph.

As vezes a gente para pra pensar sobre algumas coisas de nossas próprias vidas e nos perguntamos: "será que somos bons com as outras pessoas?" ou "será que somos confiáveis?" e isso tede a ficar martelando a cada vez que você se encontra em uma situação em que você precisa tomar uma decisão difícil.

As vezes só o que temos para poder decidir algo é nossa própria consciência, e nesse ponto se não estamos bem conosco, isso só tende a obscurecer nossa capacidade de julgamento.

Veja bem que falei de consciência, e por consciência digo saber quem nós somos e o que queremos dessa experiência de vida. E isso quer dizer decepcionar pessoas pelo caminho, pois nem todos enxergamos a vida pela mesma ótica e nem esperamos as mesmas coisas dessa experiência.

Por isso, as vezes as pessoas podem nos enxergar como pessoas más, as vezes até nós podemos nos ver assim, mas se isso é uma coisa que nós somos, é essa coisa realmente ruim?

Penso sempre que o mais importante nessa vida é ter constância na forma com que vivo a experiência mundana, e tento manter essa constância na forma com que minhas ações são projetadas.

Dessa forma, não tenho nenhum medo de admitir que não sou uma pessoa boa, mas também não me considero uma pessoa má. Na verdade a única característica que ultimamente coloco como parte da minha personalidade é meu senso de justiça e lealdade. E é através desse senso para com meus próprios objetivos de vida, com as coisas que acredito e que me guiam, que canalizo minhas energias para ajudar alguém ou pra retribuir uma ingratidão, caso veja como necessário ou pertinente.

Eu tenho várias características negativas, assim como também tenho várias características positivas, e conheço todas, pois tive todos esses anos de introspecção e meditação comigo mesmo para conhecer cada pedacinho de cada aspecto da minha personalidade mais aparente, e vários de características mais latentes, mais escondidos atrás de tantas muralhas criadas por mim mesmo para me proteger do mundo, das pessoas, da vida. Algumas dessas características uso rotineiramente e com bastante desenvoltura, outras aparecem ocasionalmente em determinadas situações (stress, felicidade), outras ainda raramente aparecem mas tendem a ser reflexo das minhas defesas internas. E também existem aquelas características que nunca foram postas à prova, mas eu sei que existem, pois eu já criei cenários mentais em que essas características foram, de alguma forma, testadas.

Isso pode parecer errático para as outras pessoas, mas para mim não é. Eu sempre sei o porquê de estar fazendo as coisas, dentro do que conheço à respeito do que estou fazendo. À partir do momento que passei a não mais julgar se algo que estou fazendo foi bom ou ruim para alguém e sim julgar se aquilo merece ser feito ou não segundo o que acredito, eu passei a fazê-lo com mais consistência, com menos dúvidas e, principalmente, com mais fé em mim mesmo.

Saber que fui consistente nessa vida é muito mais importante do que ouvir que fiz o bem para outras pessoas, pois o que os outros pensam sobre mim reflete quem eles são não quem sou eu.

15 de jan. de 2016

Dreamspaceless

As vezes eu paro e fico olhando o mundo físico e fico comparando com meu mundo interior. Minha vontade de estar dentro dele é sempre muito grande, como se eu tivesse nascido para aquele lugar, não para este daqui. No meu mundo interior, carinhosamente chamado de Entalis, tudo é muito parecido, mas ao mesmo tempo muito diferente. Algumas coisas que acontecem lá não acontecem aqui, e algumas coisas que acontecem aqui não aparecem por lá. No entanto, fora esses detalhes, a quantidade de detalhes é praticamente o mesmo.

Eu só preciso concentrar um pouco mais do que o normal, de olhos fechados, e de repente eu estou do lado de um riacho de águas frias, com árvores de folhas pequenas e sementes miúdas, com montanhas ao longe e uma parca névoa alcançando o horizonte. Indo um pouco mais longe, chego em uma cidade com ruas, carros, pessoas, prédios e lá as pessoas são como as daqui, sempre apressadas em sua própria vida. A diferença principal entre este mundo e aquele é que naquele eu não tenho as preocupações deste, como onde morar, o que fazer pra sobreviver, trabalho, medos, etc. Lá eu simplesmente vivo.

E a maior parte do tempo em que eu estou melancólico, eu vou para esse mundo, e lá me sinto em paz. Não existe nenhum lugar no mundo que me deixe mais em paz de espírito que em um morro verdejante com uma árvore frondosa e folhas aconchegantes no topo, que existe no meu mundo interior. É como se pudesse olhar para o mundo inteiro e sentir uma sensação de plenitude e completamento que não existe aqui.

A cada dia que vivo nessa realidade, eu sinto que vou me tornando cada vez mais insípido às sensações que recebo daqui, como se nada mais me surpreendesse ou me fizesse sentir as fortes emoções que eu gosto de sentir e de fazer fluir em meu interior. E é engraçado dizer isso, mas das coisas que mais tenho sentido prazer em fazer nessa realidade, a maior de todas é dormir. Pois é dormindo que na maioria das vezes eu cosigo passar horas, dias e até meses dentro do meu mundo, pra então acordar de manhã e perceber que preciso trabalhar, que preciso sobreviver, que preciso fazer um monte de coisas, e que praticamente nada disso têm sequer significado pra mim, exceto pelo fato de que preciso fazer essas coisas para continuar vivendo nesse mundo.

Não me importo que me achem doido ou fora de mim. Esse é quem eu sou de verdade, e poucas pessoas vão um dia conseguir enxergar essa pessoa que está escrevendo isso por aqui. E as que enxergam isso (ou compartilham da mesma sensação) me entendem quando digo que eu não sou desse mundo.

Eu não sou desse mundo. Eu nasci nele, mas de fato o meu mundo, aquele que queria estar nesse momento, existe só dentro da minha mente, e se eu estiver aéreo as vezes, pode ter certeza que estarei tomando um sorvete em algum lugar na minha mente ou sentado debaixo de uma árvore, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo por estar ali.

Aum shree iknari hum.

27 de out. de 2015

Sealess

Atravesso um mar seco
Seco por tanta água conter
Ando pelo leito seco, entre pedras que não existem
O sol do meio dia ilumina a sombra
do próprio sol que passa por ali

Escrito em 29/11/2000.

20 de ago. de 2015

Emotionless

As vezes percebo a estranheza do meu ser quando não consigo sentir determinados sentimentos que parecem tão intensos nas outras pessoas.

1 de abr. de 2015

Diceless

Uma coisa eu tenho de admitir, boa parte das coisas que eu posto nesse blog acabam envolvendo sexo de alguma forma, né? Não nesse post! Esse post surgiu depois de uma discussão sobre "amigos de antigamente e que não são mais amigos" e de outra discussão sobre os "tempos da escola". O post trata de um momento muito único na trajetória das minhas amizades mais duradouras e de como eu me deixei levar por uma paixão adolescente.

Esse post faz parte da aclamada série "Fantasmas dos Verões Passados", com a diferença que esse mereceu um tratamento especial por ter durado tanto tempo na minha vida. Para quem quiser ler as histórias anteriores, os links estão no fim do post.

Separe a pipoca, a coca-cola e o sal pois é diversão garantida, para toda a família!

Amigos, outros "amigos" e o maior Fantasma de Todos os Verões Passados

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Tudo começou em um dia típico no interior de Goiás. O ano, 1998, segundo ano do ensino médio. Nessa época, eu estudava de manhã e estagiava no recém criado laboratório de informática.

Lá estava eu, perdido em buscas aleatórias na recém instalada internete quando chega esse kra que tinha ficado sabendo que eu tinha baixando um vídeo (via Napster) mixando várias versões de Final Fantasy com uma música de uma banda de metal melódico e veio me pedir uma cópia do mesmo. Eu disse que não tinha CD para gravar mas que se ele trouxesse, eu gravaria no computador da coordenação do laboratório. Ele era mais ou menos da minha estatura, gordinho, com uma cara de pitboy e usava roupas com estampas militares. Não preciso dizer que havia sido paixão à primeira vista né? Ele se chamava Mateus.

Engraçado que nessa época eu não admitia que eu sentia algo pelo Mateus, mas da visão que tenho de hoje, era isso que eu sentia. Para mim era pura e simples empolgação e até cheguei a negar pra mim mesmo que eu estava gostando dele (eu não lidava bem com meus sentimentos e conflitos, longa história).

No outro dia, ele apareceu para pegar o vídeo e veio com um outro amigo, o Alessandro, e aproveitou pra pegar algumas músicas que eu já tinha baixado. Enquanto eu gravava o CD nós ficamos conversando sobre aleatoriedades e no final da conversa, eles me chamaram para conhecer o grupo de reeducação postural global (o famoso RPG) que eles frequentavam.

Passado algum tempo, eu já me considerava do grupo. Eram várias pessoas que participavam dos encontros. Tinha o Hernán Cortez, muito gente boa; o Maurílio, ligado com os lances punks straight edge; o Denício, que era o kra do linux, na época que linux era uma coisa de nerds nível asiático; e o Nheengatu (que é um nome tupi e talz), irmão do Mateus e o integrante mais novo do grupo.

Era divertido sair com esse pessoal. Eu não era uma pessoa muito conhecida na escola, exceto pelo fato de ser o CDF número dois da minha sala (admito, a CDF número um era a Eva Aline, irmã do Alessandro e sempre achei ela mais inteligente que eu em matemática e física, as matérias que eu dominava de letra). A gente fazia umas loucuras tipo sair correndo e pular na cerca da escola, pular nos postes de sinalização e fazer poledance (inclusive em uma dessas ocasiões o Alessandro conseguiu arrancar o poste, no sempre presente azar de corpo fechado dele) e nos chamarmos por nomes e raças de livros como Senhor dos Anéis.

Eu sei que muita da minha motivação em estar perto deles era para estar perto do Mateus. Eu achava ele legal, engraçado, irônico mas ignorava sumariamente os seus defeitos, como a arrogância, o orgulho e o seu nítido senso de superioridade sobre as outras pessoas. Afinal, no fundo eu gostava dele, daí eu anulava esses "pequenos inconvenientes".

Passado algum tempo, o Maurílio e o Denício se afastaram do grupo. Na verdade, o grupo se dividiu por conta de alguma treta entre o Mateus, o Nheengatu e o Denício e eles acabaram por pular do barco. Eu e o Hernán continuamos no grupo, que depois dessa Cisma se tornou a Sociedade do Personagem Desbalanceado (ou SPD).

Nesse período, várias outras pessoas passaram pelo grupo e não ficaram muito tempo. Em especial o Ueide Filho, o Valdir, o Karl Marx, o Bilbo Bolseiro, o Rodrigo (que tinha esse nome pois seu derrière é enorme e tinha vida própria, segundo os contos mitológicos) e o Tonhão. Deles, só o Ueide Filho acabou continuando. Outro que passou pela SPD e saiu pouco tempo depois foi o Amarildo, que fez uma das melhores histórias de RPG que já joguei, toda cheia de zoeira e brincadeiras e que não agradou muito o refinado gosto da tríade (esse era o nome que eu dei para o Mateus, o Nheengatu e o Alessandro, por serem os principais e mais visíveis integrantes do nosso grupo de reeducação postural global).

Foi nessa época que eu comecei a sentir que ocasionalmente os meus amigos da SPD pareciam não me querer na sua companhia, já que as vezes saiam pra fazer as coisas e não me chamavam ou marcavam sessões de reeducação postural global secretas. Eu achava que era porque eu tinha começado a trabalhar no estágio e por isso tinha menos tempo pra poder dedicar a eles. Pra mim tudo bem, a gente passou a se ver mais à noite e nos fins de semana. Foi também nessa época que o grupo novamente teve um crescimento, quando o Lagartixa, o Danielzim (primos de Alessandro), o Petit Lait e a Micaela entraram no grupo (no entanto o Petit Lait e a Micaela também não ficaram muito tempo).

Uma coisa pelo menos salvava essa sensação de isolamento. Eu sempre andei à pé na cidade (Alessandro morava pra lá da baixa da égua) e muitas vezes o Lagartixa, o Alessandro e o próprio Danielzim me buscavam ou me levavam para os lugares onde estavam todos. Alessandro ainda era o único que eu ainda via se lembrando de me chamar para os eventos de grupo.

Um dia, o Valdir e o pai dele abriram uma Cafeteria com Acesso à Internet e o Alessandro pouco tempo depois começou a trabalhar por lá. A gente meio que passou a se encontrar com frequência na cafeteria, que acabou se tornando meio que nossa sede de operações. Nesse período, eu tinha "terminado" o meu curso técnico e estava fazendo faculdade e tinha muito tempo à tarde para ficar por lá. Apesar de conversar muito com Mateus, Nheengatu e principalmente com Alessandro (que à essa altura era meu melhor amigo à época), sempre ficava sentindo que algo estava errado. Mas novamente, eu ignorava porque eu gostava de Mateus e nessa época eu queria ficar perto. Eu já tinha percebido que eu tinha essa atração pelo boy, mas não tinha coragem de chegar e falar pois ele frequentemente afirmava sua aparente heterossexualidade para todos que estavam próximos (não que eu achasse que ele fosse guei, mas era tremenda a semelhança do seu comportamento com o meu processo de esconder dos outros a minha pessoa).

Eu sei que esse período da cafeteria foi muito bom para expandir meu círculo de amizades, que nunca foi muito grande. Jogando Warcraft III com o Diogo e seu irmão, Adriano e jogando Command & Conquer Generals com a minha amiga Max Caulfield, passei a me integrar em outras turmas e a começar a perceber a dicotomia entre estes grupos e o até então meu único grupo de amizades. Foi assim que eu conheci melhor várias das pessoas que passaram pela SPD e que acabaram não ficando no grupo.

Nessa época, tínhamos sessões de reeducação postural global todos os finais de semana e ficávamos horas revisando nossas posturas, escritas em fichas de personagens. Eu frequentemente levava lanches ou dividíamos entre todos o valor das coisas. Eu sei que foi nessa época que o Hernán saiu do grupo. Ele já não vinha aparecendo com muita frequência pois era frequentemente alvo de bullying por parte de Nheengatu e um dia ele não engoliu a zuação e resgatou sua dignidade de volta. Estava livre da "zoação educada" do grupo, que todos apoiavam, desde que não fossem com Mateus e Nheengatu. Foi também concomitante a esse período que eu comecei a frequentar a casa do Diogo e do Adriano e a ficar horas conversando besteira ou vendo os dois jogarem videogame (nunca fui muito fã de jogar, mas sempre gostei de assistir os outros jogarem, vai entender) e enchendo o saco do Rodrigo ou desafinando o violão do Diogo.

Foi mais ou menos por volta dessa época que algumas coisas começaram a mudar na sociedade. Nheengatu, Mateus e Ueide Filho começaram a frequentar academia e a usar aqueles produtos saudáveis que servem para melhorar o desempenho físico (e que fazem com que o homem possa ter a experiência da TPM feminina) e aquela imagem que eu tinha do Mateus começou a ruir. Eu achava ele bonito pelo que ele era, e o que ele estava se tornando (fisica e psicologicamente) meio que estava quebrando o encanto da coisa toda, sabe como é.

Também foi essa a época que passamos a frequentar uma sorveteria no centro da cidade e que os primeiros casais começaram a se formar. Lagartixa tinha sua namorada, Alessandro e Nheengatu saíram da faixa virgem da nerdisse, Ueide Filho começou a chamar a atenção das meninas e Danielzim se transformava no José Meyer de Jataí. Enquanto isso, Mateus se mantinha impassível, e ninguém sabia dizer se ele tinha namorada ou não.

Eu sei que algum tempo depois o grupo começou a se separar, já que tirando eu que já estava na minha faculdade de mexedor de videocassetes, microondas e celulares sistemas de informação, os outros estavam fazendo vestibular e passando para os cursos das suas paixões. Alessandro foi fazer seu curso de design de interiores arquitetura em Goiânia, Mateus foi fazer alquimia em Black Small River e Nheengatu ficou na cidade pois agora era papai. Lagartixa e Danielzim também foram embora, fazer odontologia. Daí, com a sociedade dividida, deixei de fazer reeducação postural global e comecei a dar mais atenção para meus outros amigos, sempre deixados de lado até então.

A coisa engraçada é que a sensação de que eu era sempre deixado de lado simplesmente desapareceu. Eu sempre estive acostumado a correr atrás dos meus amigos, tentando alcançá-los em uma corrida que eu não entendia qual era. Quando ocasionalmente a sociedade se juntava, nas férias, a gente se juntava para botar o papo em dia, para tentar fazer nossas fichas de reeducação postural e divertir, mas eu não sentia realmente me divertindo. Eu meio que me sentia deslocado, cada vez que um feriado se aproximava e a turma se juntava novamente.

Um dia foi a minha vez de me mudar de Jataí. No meu caso eu passei em um concurso lá na casa da peste, vulgo Palmas, e acabei me afastando de todo mundo por um tempo. No entanto, sempre ia pra Jataí nos feriados longos (afinal, eu gastava 15 horas de viagem, não dava pra ir todo fim de semana) e combinava de visitar todo mundo pra rever as amizades. Foi nessa época também que eu saí de meu casulo e virei uma linda borboleta, oops história errada... Foi nessa época que eu saí do armário e assumi para o mundo que eu sou guei. Alguns amigos me deram uma força enorme, em especial o Diogo e o Rodrigo (e todos os frequentantes da casa do Diogo). Eu me senti muito à vontade de me abrir a eles e essa experiência positiva me deu forças para expandir o nível da saída do armário.

Foi quando contei para os membros da SPD que o nível de deslocamento cresceu a níveis estratosféricos. Lagartixa e Danielzim ficaram sem saber como reagir, mas isso é normal (e aconteceu com todo mundo) e tempos depois ficaram sussa. Alessandro aproveitou o momento e fez umas piadinhas (mas esse era o Alessandro) e pra mim foi tipo "Massa mano, vamo jogar", Nheengatu achou engraçado e meio que não fez diferença na vida dele, mas o mais estranho foi saber que Mateus tinha tido uma reação bem tensa ao saber da informação. Eu fiquei chateado com ele (um pouco porque eu tinha tido essa paixão adolescente por ele) e isso fez cair por definitivo toda a mágica em torno dele. Foi nessa época que eu comecei também a reavaliar todas as minhas amizades e a ver quem era cada um na visão de antes e na visão de agora.

Vou dizer que eu acabei descobrindo tarde demais que os meus amigos mais amigos e mais verdadeiros e mais preocupados comigo (da mesma forma com que eu me preocupo com eles) eram aqueles que eu passei uma vida ignorando, pelo fato de eu ter essa paixão platônica pelo Mateus e por isso me induzir a fazer parte de um grupo de amigos que não eram todos tão meus amigos assim (exceto o Lagartixa, o Danielzim e o Ueide Filho e o Alessandro, que eram as exceções à essa regra).

A mensagem que quero passar com esse post é: não seja amigo de alguém só porquê você têm um amor platônico pelo boy. De um jeito ou de outro você vai acabar se fodendo (e nem sempre pelo boy).

...

Ironias à parte, escolhi o dia de hoje para postar pois sabe com é né? Primeiro de Abril, ótimo pra contar sinceridades como se fossem mentiras e para contar mentirinhas como se fossem coisas verdadeiras. Daí, deixo a vocês decidir se a história é verdadeira ou se é zoeira. É muito bom ser mau, né?

Mentira, é tudo verdade! MUAWAWAWAWAWAWAWW!

No começo do post eu citei outros textos e só se você tiver coragem e paz de espírito suficiente que eu recomendaria a leitura. Mas vai lá, lê, é legal, não têm porn: "Fantasmas de Verões Passados" e "Outros Fantasmas de Verões Passados"

16 de mar. de 2015

Opinionless

Não tenho nada contra a opinião de ninguém, afinal cada um tem o direito de ter a sua própria e tem o direito tb de expressá-la livremente.

O que me deixa triste é ver as pessoas imbuírem de ódio as suas opiniões, sob a forma de agressividade contra o que pensa (ou pelo que é) diferente de si.

Vamos ter opinião mas vamos nos divertir com o outro e não marcá-lo como inimigo babaca que precisa ser salvo das trevas da desinformação.

7 de mai. de 2014

Sobre Passados, Presentes e Futuros

Acho que de todas as idiossincrasias que eu me disponho a seguir, a mais importante é a de querer sempre resolver assuntos que possam ter ficado mal resolvidos no decorrer da passagem do tempo e das experiências. Eu objeto resolver todos os problemas, mas sou pragmático o suficiente pra saber que alguns assuntos não podem ser mais resolvidos, sob o risco de se tornarem ainda mais negativos, para alguma ou ambas as partes.

Por isso, se eu tenho a oportunidade de me redimir de assuntos diretos ou indiretos que um dia fui responsável ou de alguma forma tive de lidar ou tomar uma decisão, e esses assuntos não são impossíveis/improváveis de serem resolvidos, o fato de resolvê-los vai me deixar bastante feliz pois mais um fantasma terei tirado daquele grande poço (estilo O Chamado) que possuo no fundo da minha mente.

Sei que para muitas pessoas, esses assuntos as vezes são triviais ou nem mesmo são problemas, mas eu não gosto de deixar essas coisas não resolvidas. Pra mim, isso mostra que eu dou valor às pessoas envolvidas.

7 de out. de 2013

Not an easy life

Daqueles momentos que você pensa que sua atual identidade está cheia de meandros e de pedaços de coisas que ficaram pra trás e que você só queria esquecer que elas existiam em sua vida passada.

Uma nova identidade seria legal, mas daí você se lembra que existem muitas coisas e pessoas que valem à pena serem lembradas, e então você aceita que pelas coisas boas vale a pena enfrentar os fantasmas e devolvê-los àquele lugar profundo, escuro e esquecido do seu subconsciente.

E assim mais uma micro-crise se resolve tão rápido quanto começou.

#passadodistante

25 de dez. de 2012

Triangle

Em algum lugar da minha linha temporal existem Eu, John e Bob.

Eu conheci John, ficamos amigos e trocamos "intimidades" via internet. John pediu sigilo à respeito das nossas "intimidades". Eu descubro mais para frente que John é casado. Com Bob, que aliás não conheço à essa época. Um belo dia de semana, John e Bob terminam seu casamento. John e Bob vão viver suas vidas separados. Tempos depois, eu conheci Bob. Eu avisei John que eu estava conhecendo Bob e John disse que não tinha problemas, afinal eles não estavam mais juntos. Depois de conhecer Bob, eu e ele ficamos amigos, ficamos mais próximos e passamos a nos gostar bastante, mas sem ainda termos trocado "intimidades". Um dia, eventualmente, trocamos "intimidades" mas num nível bem diferente do que eu e John trocamos.

Um dia, John descobre que Eu e Bob estamos conversando. John simplesmente fica extremamente chateado comigo e diz que eu traí a confiança dele. John me conta coisas sobre Bob. Dada a proximidade que eu tenho com John, aquilo que ele me conta me deixa perdido. Quem está certo? Quem está errado? Eu não sei. No final, eu sigo minha fé em Bob e escolho seu lado. Confronto Bob sobre essas coisas que me foram ditas por John. Eu pergunto "Me diga, você teve com outras pessoas conversa no mesmo tom que você teve comigo?" mesmo sabendo que a resposta seria indiferente, apesar de que os cursos de ação seriam diferentes. Bob responde Não. Eu conto pra Bob tudo o que aconteceu entre eu e John.

Bob decide então confrontar John à respeito do falado pra mim. Eu discordo, penso que por mais que John tenha feito isso, ele deveria ser deixado em paz. Bob usa o que eu disse que John me disse pra acuar John. John, acuado, para de fugir e começa a atacar. Eu estou no meio de um fogo cruzado de John e Bob. Bob me usa como espada e John me usa como escudo.

Eu quero morrer.

Bob me diz que John está chorando. John me acusa de ter destruído a vida dele. Eu me sinto a pessoa mais horrível do mundo. Quero me afastar mas não posso, pois gosto de Bob. Assumo minha parte na história e tento pelo menos subir a moral de John, o que falho miseravelmente. Deixo John para lá. Deixo Bob um pouco para lá.

Paro para respirar. Vou dormir com dor de cabeça e com a sensação de ser o vilão na história. Quem eu sou nesse momento? Quem é John? Quem é Bob? Eu não sei. Não tenho perspectiva para enxergar a situação como um todo, afinal, estou 2500 km longe.

A situação pode ter sido resolvida ou não. Eu não sei desse ponto do tempo que escrevi isso, afinal eu decidi enterrar tudo. Não totalmente, afinal esse post existe. Como um aviso para mim. Como um aviso para todos que forem ler esse post.

11 de ago. de 2012

Forgetfulness

"Querida, posso te dizer algo que você não vai esquecer nunca pelo resto da sua vida?"

"Pode sim amor"

"SUA GORDA!"

10 de ago. de 2012

Desaquenda da minha vida Ocó!

Ontem um kra que eu conheço pouco veio me chamar no xat de uma rede social aí pra me dizer o seguinte:

"Kra, na boua, pra mim vc não é gay, eu acho que vc só faz isso pra ficar perto das mina".

Rapaiz, eu não soube nem o que responder, fiquei pasmo, sem reação, com a afirmação deste ser humano. Minha vontade naquela hora.

Minha vontade, depois disso, era juntar toda a minha masculinidade em um supremo chute no meio das penas dessa pessoa e então, quando ela estivesse caída no chão gemendo de dor, sem nenhuma reação, eu fosse lá e lascasse um profundo beijo de língua no kra (pq afinal de contas, o ocó é um boy magia) mas depois fui pensar ... Eu não conseguiria. Por quê?

Porque pensar no que essa pessoa falou me deu nojo dela.

E então eu fui lá, feliz, e bloqueei o ocó!

P.S.: Não adianta perguntar quem é, pois essa é uma história sem tempo. Ontem é um termo relativo à algum momento de minha vida que já aconteceu. Beeeeeeeijo!

P.S.2: Ocó = Homem.

24 de jul. de 2012

Defeitos e Qualidades

Eventos recentes me fizeram trazer à tona um assunto que sempre tento evitar de conversar com as pessoas, pq dessa forma eu acredito que consigo ter tudo sob controle. Esse assunto é comum à todas as pessoas: Defeitos.

Meus relacionamentos anteriores, cada um deles, serviu entre outras coisas para mostrar para mim um lado meu que eu não gosto de ver. Um por exageração, outro por hiper-exposição e esse último por reflexão posterior. A questão é que eu tenho esses defeitos, e eu não gosto que as pessoas vejam esses defeitos.

Voltando ao fato recente, eu finalmente vi à minha frente uma situação que trouxe à tona um lado meu que igualmente não gosto que as pessoas conheçam: Meu orgulho narcisista.

Falando assim até parece que sou um monstro, mas a questão é que eu sou uma pessoa muito orgulhosa da forma como eu guio as coisas na minha vida: tenho orgulho de ter minhas coisas todas em dia, de não dever nada pra ninguém, de depender minimamente das outras pessoas e principalmente, da lealdade que eu cultivo para com meus amigos mais próximos (e antigamente em relacionamentos, mas como isso não vai acontecer mais, então posso descartar como possibilidade).

Esse fato sozinho não causaria tanto estrago se não fosse acompanhado daquela minha incrível habilidade de ser cabeça dura e de não aceitar as coisas sem uma prévia inspeção por minha parte antes. E quando essas duas coisas se juntam, não dá uma merda muito boa.

Mas, estamos aqui para entender um pouco esse meu lado egoísta, não é mesmo? Então ... Como alguns amigos meus já devem estar cansados de saber, eu sou uma pessoa um pouco generosa com recursos financeiros. Não que eu tenha dinheiro saindo pela torneira de casa, mas que eu gosto da sensação de estar ajudando de alguma forma. Pizzas, almoços, e mais uma miríade de coisas que eu faço quase que o tempo todo para aqueles que são mais próximos. E há o outro lado também: eu me sinto MUITO incomodado quando alguém paga pra mim, a ponto de eu preferir não comer ou sair por eu não poder arcar com as despesas. E isso é num nível épico, não um nível normal do tipo "ah ok, então está bom eu aceito".

Há também um outro quesito que esse eu considero o maior de todos e é também a maior fonte desse orgulho, que é minha lealdade para com as pessoas. Raramente eu serei visto quebrando alguma regra (ok, já fiz e já fui multado por isso) ou sendo desleal com alguém com quem me importo (há um caso, mas ele merece um post só pelas implicações que ele têm nos dois últimos relacionamentos). Eu me orgulho muito dessa minha qualidade "ordeira" apesar de eu querer parecer uma pessoa caótica e despreocupada com a vida e as implicações dos meus atos. No entanto, eu digo: eu não faço nada sem pensar nas implicações que isso têm. Eu sempre vou pesar e avaliar as minhas atitudes, as vezes cedo as vezes tarde demais. Mas sempre irei avaliar e, mais importante, sempre irei me criticar à respeito daquela decisão.

Outro ponto bastante complexo da minha pessoa é que eu demoro muito à decidir sobre um determinado assunto, quanto mais complexo e mais implicações ele possui. Eu demoro sim, eu fico indeciso, eu evito pensar nisso, mas no momento que eu tomo uma decisão e escolho um caminho, aquela decisão se torna final. E decidido, a possibilidade de eu voltar atrás é muito pequena, pois uma coisa que eu aprendi é sempre ter orgulho das minhas decisões. Em meu caso em especial que essas decisões são muito pensadas e muito pesadas, meu orgulho pessoal não me deixa voltar atrás.

Infelizmente no meu último relacionamento meu affair conheceu esse meu lado. Esse processo de decisão é complexo e por envolver meu orgulho do começo até o final, não permito que ninguém me influencie.

Há uma coisa que preciso falar à respeito disso tudo que eu falei, e que na verdade é onde eu queria chegar com esse post. Eu sou uma pessoa extremamente orgulhosa, cabeça-dura e indecisa, como pode ser visto acima. Mas isso é algo com que eu convivo, desde que determinados limites não sejam ultrapassados.

Eu sou uma pessoa que não me importo de maneira nenhuma com piadas e coisas do gênero que busquem me denegrir ou me deprimir. Sabe pq? Pq eu sou uma pessoa extremamente crítica e estou sempre avaliando as pessoas, e quase sempre as pessoas que fazem tais brincadeiras de mau gosto comigo gozam de igual privilégio nas minhas avaliações. Simplesmente considero "lixo" tudo o que dizem, por isso não sou afetado por essas pessoas. Da mesma forma, eu não sou ciumento com praticamente nada porque no fundo eu acredito que se a pessoa está comigo ela não irá procurar nada fora. Mas se procurar também não faz diferença. Eu prezo muito a minha individualidade e isso é convertido na minha habilidade em não me preocupar com o que o outro está fazendo, afinal ele têm o livre-arbítrio dele e eu o meu, e tanto ele quanto eu fazemos o que queremos com o tal.

No entanto, existem coisas que me afetam sim, e me afetam muito. Eu as chamo de minhas "Maldições Imperdoáveis", em referência à mitologia de Harry Potter. E da mesma forma que no livro, são três. Para eu perder o respeito (e a fé, dependendo do nível de proximidade)  em uma pessoa, é só fazer isso comigo.

Imperio

A primeira das Maldições Imperdoáveis é tentar influenciar minhas decisões. Não decisões quaisquer, mas me manipular de forma que eu passe a acreditar em algo que não seria natural eu acreditar ou desacreditar. Não é algo difícil de ser feito, realmente eu sou influenciável de acordo com o nível de intimidade da pessoa que está tentando me manipular. Quando eu percebo que isso está acontecendo, o ódio pela pessoa surge instantaneamente.

Crucio

A segunda das Maldições Imperdoáveis é tentar me coagir a fazer algo contra minha vontade. Eu realmente me sinto muito mal quando sou levado a fazer algo que eu não concordo. Você pode ser perguntar "como eu faria algo contra minha vontade?" e eu respondo "quando eu percebo que não há solução, e a melhor forma de evitar conflito é sendo conivente". Não é algo fácil de acontecer comigo. Só pessoas muito mas muito próximas gozam dessa "habilidade". E fazer isso comigo é plantar uma semente que lentamente vai criando raízes e minando minha confiança e fé na pessoa que fez isso. No final, eu tomo uma decisão de não mais aceitar isso e rompo com o ciclo.

Avada Kedavra

E a terceira das Maldições Imperdoáveis é duvidar da minha lealdade e fé na relação com outras pessoas (tanto de amizade quanto de namoro). Eu não sou uma pessoa muito transparente ao que eu sinto e à forma como eu penso, talvez por isso as pessoas possam se equivocar em seus julgamentos, mas infelizmente não há outro jeito. Quando minha lealdade é posta em prova, eu vou tentar defendê-la em um primeiro momento, nem que eu tenha de ajoelhar e explicar que nariz de porco não é tomada. Depois, vêm a fase da depressão, em que eu me sinto mal por duvidarem da minha pessoa e entro em um processo de "morte" ... Meu orgulho morre por um momento e então ele começa a renascer maior e mais resistente que o anterior. O que realmente deixa de existir à partir daquele momento é aquela fé anterior que eu possuía na pessoa que iniciou o processo. É triste quando isso acontece, mas é minha defesa contra um estado depressivo que poderia se estender por tempo indefinido.

Um efeito colateral é o ódio. O ódio é um subproduto que pode aparecer (exceto no primeiro caso, em que o ódio à pessoa é o principal produto da ação) dependendo da gravidade da ação que foi tomada comigo.

Concluindo, eu não me sinto bem dizendo isso. Esse é um lado meu que eu raramente gosto que as pessoas conheçam. Esse é meu demônio, minha sombra, desnudada para todos verem (e lerem). Por algum motivo (relacionado aos eventos recentes) eu achei de bom tom falar sobre isso. Acho que é porque por estar tão à flor da pele e exigindo tanto pensamento por minha parte, e por meu nível de sinceridade estar aumentando gradativamente, que eu achei por bem falar disso aqui.

Eu só queria reiterar que essas três Maldições Imperdoáveis não são algo para se brincar. Brincar com isso é querer ver todo o meu ódio e agressividade sendo direcionados para um único objetivo: causar o maior estrago possível em quem brincou com coisa séria.

De novo, eu estou falando isso porque eu sinto que preciso ser mais transparente. Preciso colocar esses fantasmas para fora com o intuito de que, de alguma forma, eu possa entendê-los e controlá-los melhor. Eu tenho consciência de que nunca estarei livre disso tudo que falei, pois esses "defeitos e qualidades" estão muito enraizados com a minha forma de lidar com a realidade. No entanto, acredito que aos poucos conseguirei neutralizar alguns algoritmos mais nocivos, como já venho conseguindo fazer nesses últimos três anos.