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9 de fev. de 2016

Hearingness

Engraçado que muitas pessoas não conseguem enxergar em mim a pessoa que eu costumo projetar aqui no blog ou nas redes sociais. É como se eu fosse duas pessoas diferentes. Isso, no entanto, é uma inverdade.

Quem me conhece me enxerga como uma pessoa paciente, que parece ouvir a opinião alheia e até mesmo me sensibilizar por suas causas, sejam elas irrelevantes ou não. Na realidade, o que ocorre é que na maior parte do tempo, esse comportamento é simulado de forma a tornar minha pessoa mais "convivível" no meio social. Assim, eu sempre vou parecer interessado, animado, alegre, bem disposto, e por aí vai. No entanto, ainda existe certa autenticidade em alguns de meus comportamentos. É até fácil distinguir quando estou sendo dissimulado de quando estou sendo autêntico, só não vê quem não consegue.

No entanto, quem me conhece de verdade sabe que eu não sou bem assim. Eu sou uma pessoa bastante nervosa e que se irrita facilmente com opiniões alheias, principalmente quando os transeuntes sequer conseguem defender seus argumentos com proposições lógicas. Eu amo a discussão lógica e filosófica, me atrai discutir minhas opiniões (que quase sempre são bem fortes) com outras pessoas com opiniões e sentimentos diferentes. No entanto, me irrita profundamente quando a pessoa usa o próprio ego ou idiossincrasias próprias para defender o próprio ponto de vista como correto, para todas as circunstâncias.

"Tudo aqui pra mim é mundano. Tudo é irrelevante. A humanidade é irrelevante pra mim. Exceto algumas coisas e pessoas realmente especiais, como natureza, ou amigos." (Angerness, 2013)

Nesses casos, eu tendo a parecer ceder em meus argumentos, quando na verdade estou sentindo profunda pena da pessoa por ser tão mente pequena, a ponto de achar que uma discussão deve ser sempre um conflito ou uma competição pra saber quem está certo de verdade. Eu paro de discutir pelo simples fato de entender que com pessoas como essas, continuar discutindo é equivalente a falar com uma parede. E nesses casos, eu escolho conservar essa energia para coisas realmente úteis, como ficar no facebook stalkeando os amigos.

As pessoas podem achar horrível ler algo sobre mim mesmo escrito dessa forma, mas é assim que eu sou. Eu sou bastante altruísta com o que merece meu altruísmo. No entanto, quanto mais passa o tempo, menos paciência eu tenho para lidar com as próprias inseguranças das pessoas à minha volta. Eu estou (quase) sempre disposto a ajudar, mas também não vou desviar do meu caminho para acalentar alguém que urge por ajuda mas não se entende a si próprio e torna isso em agressão com as pessoas próximas. Nesse sentido, prefiro me afastar.

Já fui muito mais agressivo no passado. Hoje, sigo o preceito filosófico de um ex, chamado de "O Princípio do Cagaísmo". Estou cagando para essas opiniões alheias que nada me acrescentam. Quer ter uma discussão comigo? Por favor, faça, eu adoro, mesmo! Mas não torne isso uma luta, como se houvesse a necessidade de sair um vencedor ou um perdedor. Pois se houver, eu vou ligar o "caguei" para você, e à partir daí, a tendência é só ir te ignorando cada vez mais até que eu julgue que não há motivos para continuarmos conectados à mesma rede social. Podemos nos manter amigos no mundo real, mas no mundo virtual, onde eu adoro desenvolver discussões sobre quaisquer temas, não vou fazer muita questão de ter você por perto, mais ainda se você for do tipo que problematiza as coisas sem ter bases para defender nem mesmo suas idéias/ideologias.

Olha que é até bem difícil fazer com que eu chegue a esse nível que eu citei nesse post, e se de fato você está lendo isso, significa que de alguma forma nossa relação significa alguma coisa, e muito provavelmente eu respeito isso. Apesar da exageração inerente desse texto, eu sou uma pessoa muito fácil de conviver, altamente adaptável às opiniões alheias. Só não tenho mais muita paciência com egos inflados. Acho que, no final, estou ficando mais velho muito mais rápido do que eu imaginava. Isso é um bom sinal para mim, eu acho.

O que está dito está dito. Quem sabe mais pra frente eu não destile melhor isso, mas não é esse o momento. Caso queira discutir comigo, estou sempre disponível.

P.S.: Os links do post são importantes para alguns entendimentos. Se você chegou até aqui, recomendo as leituras.

27 de out. de 2015

Amanhecer

Os raios de sol começam a aparecer.
A neblina noturna tornou-se o orvalho matinal.
A vida renasce, por debaixo da neve.

Tudo está imóvel, mas nada está morto.
A monotonia de cores domina o jardim.
O vento frio trespassa minha face.

Os raios de sol ficam mais fortes.
A neblina recua, diante do calor
Do pouco calor, neste mar de neve.
E volta, ao seu covil, a estepe.

Apesar do frio, crianças brincam.
O frio, nem um pouco, os incomoda.
Só pensam em brincar na neve.
Bonecos de neve, bolinhas de neve.

Neve.

Escrito em algum momento de 2001.

30 de jun. de 2013

Ode ao Etílico

Engraçado como a nossa percepção espacial, social e lógica é alterada sob os efeitos do álcool.

Eu percebo em mim mesmo duas camadas de realidade. A primeira camada é a minha consciência.

Para mim tudo parece absolutamente normal, pois consigo articular as idéias na minha mente como nunca antes. Ao mesmo tempo parece que todas as pessoas do mundo estão dispostas a nos ouvir e conversar com a gente. É uma sensação muito boa de auto-realização e de descontração.

No entanto não é assim que tudo está acontecendo. O sabor Etílico está ao mesmo tempo deturpando nossas percepções e nos fazendo acreditar que somos os melhores, mais fortes e mais bonitos da noite. E se não tomarmos cuidado e não percebemos isso, vamos acabar sendo os caras mais chatos da noite, pois vamos conversar coisas que ninguém merecia ouvir, vamos fazer coisas das quais posse os nos arrepender no outro dia e até caçar um encontro mais rápido com Valhalla.

Mais importante que saber seu limite é saber o quanto de você é ocultado pelas transformações oriundas da alteração do funcionamento do pensamento consciente. Não é difícil desde que você aprenda a observar mais você mesmo e a identificar as surtos alterações no seu comportamento.

Só para concluir, eu estou escrevendo isso depois de três caipiroskas e uma smirnoff ice e, sabendo como sou fraco para bebida, imagino que esse post vai ser a merda do domingo de manhã, então desconsidere os absurdos do post e se atenha à mensagem principal, que já não sei mais qual é mas é sobre álcool pois foi como comecei o meu post hehehe.

Falow

30 de out. de 2012

Somethingness

Nem todas as verdades
São plenas verdades
Porque as minhas verdades
São apenas
Meias-verdades

11 de out. de 2012

Algo

Mandei sifuder ... Mentalmente, é claro!

3 de set. de 2012

In Zsh We Trust

Ou como descobrir quantos clientes estão conectados em um AP construído na minha máquina e correlacionar tal informação com as entradas de host dentro do arquivo /etc/dhcpd.conf

iw dev wlan0 station dump | grep -i Station | cut -d " " -f 2 | xargs -I % zsh -c "echo '%: '; grep -i % /etc/dhcpd.conf"

Por isso digo. In Zsh We Trust

17 de ago. de 2012

Chiclete

:D'

:o

:O

:x

Fim

7 de ago. de 2012

RichSquare


Jorge Paulo Lemann just ousted Eike Batista as the Brazil's Richest Man on #forbes!

Jorge Paulo Lemann just unlocked the "Man of Power" badge on #forbes for become the richest person in the country!

13 de jul. de 2012

Datingless

Esse é um assunto que vem me assombrando já têm alguns dias.

Namorar.

Eu não sei explicar o porquê dessa coisa toda, mas como meu objetivo aqui é falar sobre o que me aflige e ser transparente, vamos lá.

Então, tudo começou com uma conversa com um amigo sobre amizade colorida. O tal de fazer carinho, fazer sexo gostoso, assistir filme junto, mas tudo isso sem o peso emocional e as cobranças de um relacionamento sério. Eu acredito que isso possa existir. Esse meu amigo não.

Mas antes que vocês achem que é uma indireta, não é. Eu conversei sobre esse assunto com vários amigos diferentes, em Palmas e na internet, então se vc não se lembra disso, não eh pra vc ok?

Prosseguindo, eu e esse amigo começamos a discutir sobre esse negócio de relação à dois. Para ele, ou é 8 ou 80. Se não for pra namorar, não quer saber de nada disso. Amigo é amigo e namorado é namorado, sem meio termo. Claro que eu discordei dessa posição intransigente, porque eu atualmente consigo ser tudo aquilo que citei lá em cima sem necessitar de uma muleta emocional.

E aqui vamos para o centro da questão. Pra mim relacionamento é isso. Não, eu não tenho uma opinião que eu tomei como verdade de algum pseudo-filósofo de Facebook, eu vivi isso em vários graus diferentes com diferentes pessoas.

Hoje eu enxergo um relacionamento como uma ligação emocional muito intensa e, na minha opinião, perigosa. É se abrir além daquele nível de segurança que todos nós temos. É se doar por inteiro.

Eu não sou dessas pessoas. Eu tenho dificuldade de me abrir. Eu tenho medos e pensamentos que não quero partilhar com ninguém. Eu tenho segredos que não quero que ninguém saiba. E isso, mais do que tudo foi a ruína em todos os meus relacionamentos.

Eu não sou misterioso. Eu tenho uma defesa mental muito grande, vinda dos meus tempos de terror familiar. Era uma guerra fria de desinformação e de aparências e nesse cenário eu forjei boa parte do meu ferramental defensivo. Eu sou até bem aberto aos meus problemas para com alguns amigos bem próximos. O problema é que a grande cobrança era em querer extrair de mim coisas que eu não quero dizer ou não tenho certeza se devo dizer.

Isso é motivado, na verdade, pela frustração. Meus relacionamentos sempre começaram uma maravilha. Até que eu falava algo e era repreendido. Ou outra coisa era irritante. Ou não podia dizer algo porque iria ofender. Eu não me eximo de culpa por não saber lidar com frustrações. Meu modo de funcionamento é: "se eu me frustro com algo, evito fazer com que aconteça de novo".

Claro que isso foi se tornando frequente. Não podia conversar com fulana ou ciclano porque não eram pessoas confiáveis, ou porque o parceiro não conversa mais com tal pessoa e eu para evitar a discussão, tomava o caminho menos doloroso para mim.

Acho que o fato de fazer isso talvez fosse uma forma de egoísmo minha, sabe? Querer evitar conflito. No entanto ele sempre acontece. E nesses casos, vem aquele caminhão de coisa guardada.

Sim, sou dessas pessoas que interioriza as coisas e lá na frente tudo derrama de uma vez só. Como esse post.

Essas cobranças, essas posses, tudo isso na minha visão de relacionamento nada mais é do que querer certezas, ou diminuir inseguranças. Me desculpe, mas quando você faz isso, fere mais ainda a pessoa do outro lado.

Meus relacionamentos sempre se basearam na fé que eu tinha na pessoa. A única coisa que queria era estar junto, partilhar momentos agradáveis, ser companheiro, mas sem perder a minha identidade e individualidade. Vários amigos me disseram que namorar sempre vai ter isso, essa complexidade, essa necessidade de se ter certeza de algo que é a expressão mais subjetiva e incerta do emocional humano.
Hoje eu perdi a fé em relacionamentos. Em parte porque eu perdi várias vezes a fé em meus companheiros, pelos mais diversos motivos. E uma ferida aberta sempre vai deixar uma cicatriz. Eu com certeza deixei uma cicatriz tão profunda quanto as que recebi, não tenho dúvida disso, mas elas estão aqui - algumas bem fundas, e na boa, eu não quero mais feridas não.

Minha visão pode ser deturpada, mas é a visão do que eu vivi nesses últimos 6 anos em que me assumi e passei a investir em descobrir mais o meu lado emocional. Hoje me conheço melhor, mudei muito e me sinto um pouco menos confuso que quando me abri pra esse mundo. Só que infelizmente, é como eu aprendi a enxergar as coisas. E é algo que só mudará quando alguém aparecer com uma proposta diferente. Com um conceito diferente.

Só que eu não estou mais disposto a tentar encontrar essa agulha de ouro no meio do feno. Em algum momento pode aparecer alguém querendo fazer a diferença, mas na minha cabeça será somente mais do mesmo. E é por isso que eu criei mais uma camada de proteção à minha volta. Uma blindagem que me permite ser carinhoso, carente, atencioso, mas sem que com isso eu me sinta compelido a querer desenvolver uma relação mais séria com a pessoa.

É incongruente? Sim, com certeza. Mas uma incongruência que tem funcionado muito bem e que não tem me causado nenhuma ferida desde então.

Você pode argumentar que desse jeito nunca vou ter um grande amor. Provavelmente é verdade! Mas pelo menos eu não me privo de algo que você só quer desenvolver se estiver em uma relação séria.

Eu não tenho problema em manifestar carinho pra uma pessoa que nem sei se vai estar aqui na próxima semana. Essas coisas deviam ser feitas sem esperar que haja algo em troca. Por isso me sinto bem fazendo isso sem um relacionamento. Pq não preciso de um contrato de "eu te dou carinho mas você também precisa me dar".

Está dito. Meu desabafo saiu. Muitos não vão concordar com minha opinião e visão disso mas, e daí, não são vocês que viveram a minha vida, não sabem o que eu passei. Eu espero de vocês pelo menos o tato de perceber que nada do que vocês falarem vai mudar tudo isso que eu disse. Claro que eu enxergo exceções por todos os lados. Tenho vários amigos cujos relacionamentos são lindos. Mas com eles deu certo. Comigo não. Cada experiência é única para cada casal. Infelizmente comigo não dei sorte. Ou foi eu quem estragou tudo. Ou foram eles, BTW. Não interessa. EU SEI QUE COMIGO FOI ASSIM!

No final, sempre fui um lobo solitário. E assim será até o fim, e hoje me sinto feliz assim.