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17 de nov. de 2016

Syzygyness

Tudo começa com você acordando. Você não nota nada de diferente no começo mas todas as pessoas estão lhe olhando diferente e você não sabe o porquê. Você vai até o espelho e percebe que você não é você, você é um construto mecânico. E não entendendo o que se passa, você tenta recapitular quando foi que tudo mudou. Será que era porque estava na cama por alguns dias com febre? Será que era por causa daquela visita estranha na noite anterior? E então você nota que todas as pessoas que você conhece estão alguns anos mais velhas, como se 10 anos tivessem passado em um piscar de olhos.

Este foi um sonho que tive há alguns dias, extremamente real e com muito mais detalhes que citei acima. Esse foi só o começo dele, e ele ainda foi muito longe, até um ponto onde finalmente pude entender um questionamento que venho fazendo nos últimos anos sobre o que é essa entidade observadora que existe no fundo de nós.

Essencialmente, o sonho me deu vários insights para os mecanismos que regem a consciência, e depois de muito divagar à respeito, a conclusão que chego é que o que acontece de diferente é o que descreverei abaixo.

Nossa consciência nada mais é do que um fluxo retroalimentado de análises das nossas próprias memórias. Nada mais. Não existe explicação mais complexa ou mística à respeito disso. É só você pensar sobre como seu cérebro sempre usa informações sensoriais e julgamentos tomados para definir o que é nossa personalidade. Na realidade, nós não existimos como entidades, nós existimos como construtos de personalidade baseada nas nossas experiências passadas.

É difícil assimilar isso, e só com uma divagação bastante profunda sobre nossa própria existência que foi possível que eu chegasse à essa conclusão. Essencialmente, somos máquinas biológicas que operam um conjunto de dados em constante mutação.

Isso só me faz lembrar o épico filme chamado Chappie, do cineasta Neill Blomkamp, que nos leva a questionar exatamente isso que chamamos de consciência, daquilo que aparentemente nos torna únicos.

Não se engane, no entanto. Nós continuamos únicos, afinal o maquinário de cada pessoa é ligeiramente diferente uns dos outros, e os conjuntos de memórias e experiências de vida também são diferentes, criando a miríade de identidades projetadas que estamos acostumados a interagir como eu, você, a moça do mercado e o cobrador de ônibus.

O engraçado é que chegar à essa conclusão me trás mais calma do que aflição, como alguns já disseram em um post anterior (Provenanceness) onde eu fiz um questionamento sobre "sua vida mudaria se você se descobrisse uma máquina". Vários de meus amigos falaram que iriam continuar seguindo suas vidas, sem contar as pessoas e evitando pensar nisso novamente. Eu, como disse nesse mesmo post, não conseguiria, eu precisaria explorar essa nova faceta, e de fato é o que venho fazendo desde que me entendo por ser vivo.

Agora, o mais importante na minha visão é como explorar melhor esse conhecimento e como ampliar a minha capacidade de trabalhar esse conceito de personalidade de forma a poder melhorar aspectos da minha vida que precisam ser melhorados.

Não que queira melhorar ou corrigir todos, mas sempre há espaço para melhoramentos, afinal é o que fazemos com uma máquina.

25 de jan. de 2016

Deityness

Sabe aquele momento que você está sonhando e de repente sente uma coisa estranha, como se aquilo não fosse um sonho de verdade, e sim uma memória? Hoje me senti assim.

Tive um estranho sonho onde eu fazia parte da criação do universo, mas não tinha sido eu quem criava. Eu mesmo fazia parte da criação mas eu como criatura era responsável por criar a substância que permeia o universo.

Portanto, comecei a tocar levemente em um oceano tridimensional (sim, eu era uma entidade 4D e isso foi parte da estranheza do sonho) e a cada toque, a matéria se aglomeravam e brilhava, formando as estrelas.

Dali a pouco, as estrelas começaram a se agrupar e a rodopiarem em torno de si próprias e a produzir mais estrelas. E quanto mais estrelas eram criadas, mais espaço no oceano ia aparecendo, até o ponto de as pequenas espirais de luz começarem a se afastar umas das outras.

Daí eu me afastei um pouco da criação, e olhei mais de longe. As pequenas espirais se aglomeravam em fios de prata de várias espessuras, até chegar ao ponto de parecer um emaranhado de fios desordenados. E dessa distância comecei a ver pequenos flashes de luz.

Me aproximei para ver e percebi que algumas das estrelas estavam explodindo em luz quase impossível de encarar, e formavam lindos padrões de cores. Algumas estrelas no entanto ficavam mais escuras que o canto mais escuro do universo, e eu não me arriscava a me aproximar.

Quase no fim, não havia mais luz e a maior parte das estrelas tinha virado pontos escuros, que se desfaziam como um boneco de areia enfrentando um vento seco. No fim de tudo, havia só o mar escuro novamente, mas o meu toque no oceano não fazia mais efeito.

Por fim, eu perguntei bem assim "Eu sou Varuna, a ordem universal, por que não mais posso criar ordem do caos?"

E uma voz respondeu "Você, Varuna, é a ordem universal, mas cada vez que você ordena algo, outrossim desordena em igual proporção. No fim, somente a desordem sobraria. O que sobra de você, agora?"

E foi aí que acordei, e fiquei com isso na cabeça o dia todo. Engraçado foi que durante todo o sonho a sensação de que aquilo era de verdade era surreal! Parecia tão real e tão presente que, comparando, estar aqui acordado e escrevendo isso parece menos real que o sonho em si.

É como se estar aqui fosse uma parte da existência dessa entidade do sonho, como se fosse uma tentativa de enxergar o universo outro lado de dentro, coisa que eu percebi que Varuna não conseguia fazer ou que tinha medo de fazer.

15 de jan. de 2016

Dreamspaceless

As vezes eu paro e fico olhando o mundo físico e fico comparando com meu mundo interior. Minha vontade de estar dentro dele é sempre muito grande, como se eu tivesse nascido para aquele lugar, não para este daqui. No meu mundo interior, carinhosamente chamado de Entalis, tudo é muito parecido, mas ao mesmo tempo muito diferente. Algumas coisas que acontecem lá não acontecem aqui, e algumas coisas que acontecem aqui não aparecem por lá. No entanto, fora esses detalhes, a quantidade de detalhes é praticamente o mesmo.

Eu só preciso concentrar um pouco mais do que o normal, de olhos fechados, e de repente eu estou do lado de um riacho de águas frias, com árvores de folhas pequenas e sementes miúdas, com montanhas ao longe e uma parca névoa alcançando o horizonte. Indo um pouco mais longe, chego em uma cidade com ruas, carros, pessoas, prédios e lá as pessoas são como as daqui, sempre apressadas em sua própria vida. A diferença principal entre este mundo e aquele é que naquele eu não tenho as preocupações deste, como onde morar, o que fazer pra sobreviver, trabalho, medos, etc. Lá eu simplesmente vivo.

E a maior parte do tempo em que eu estou melancólico, eu vou para esse mundo, e lá me sinto em paz. Não existe nenhum lugar no mundo que me deixe mais em paz de espírito que em um morro verdejante com uma árvore frondosa e folhas aconchegantes no topo, que existe no meu mundo interior. É como se pudesse olhar para o mundo inteiro e sentir uma sensação de plenitude e completamento que não existe aqui.

A cada dia que vivo nessa realidade, eu sinto que vou me tornando cada vez mais insípido às sensações que recebo daqui, como se nada mais me surpreendesse ou me fizesse sentir as fortes emoções que eu gosto de sentir e de fazer fluir em meu interior. E é engraçado dizer isso, mas das coisas que mais tenho sentido prazer em fazer nessa realidade, a maior de todas é dormir. Pois é dormindo que na maioria das vezes eu cosigo passar horas, dias e até meses dentro do meu mundo, pra então acordar de manhã e perceber que preciso trabalhar, que preciso sobreviver, que preciso fazer um monte de coisas, e que praticamente nada disso têm sequer significado pra mim, exceto pelo fato de que preciso fazer essas coisas para continuar vivendo nesse mundo.

Não me importo que me achem doido ou fora de mim. Esse é quem eu sou de verdade, e poucas pessoas vão um dia conseguir enxergar essa pessoa que está escrevendo isso por aqui. E as que enxergam isso (ou compartilham da mesma sensação) me entendem quando digo que eu não sou desse mundo.

Eu não sou desse mundo. Eu nasci nele, mas de fato o meu mundo, aquele que queria estar nesse momento, existe só dentro da minha mente, e se eu estiver aéreo as vezes, pode ter certeza que estarei tomando um sorvete em algum lugar na minha mente ou sentado debaixo de uma árvore, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo por estar ali.

Aum shree iknari hum.

27 de jul. de 2015

Humanizer

Não acredito em deuses, acredito em pessoas, não importa de que lado estejam.

Κύριε ελέησον

Hoje ouvi uma música que representa muito do que estou sentindo hoje, sobre o sonho que tive de manhã, sobre as coisas que eu acredito e sobre o meu lugar no mundo ...

"E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando ir pra casa" Joan Osborne - One of Us

E apesar de não acreditar muito na figura de um deus, eu acredito que todos estamos em uma caminhada, e alguns estão mais à frente que a gente e outros mas atrás, mas no final todos estão andando para algum lugar melhor que hoje.

As vezes aquele que é Deus, ou Jesus, ou Khrishna ou Oxalá, para os outros, são pessoas como eu, como vocês, que dentre todas as coisas, só busca seu lugar no mundo...

4 de jul. de 2015

Languageness

Essa é a primeira vez que conto isso para alguém, pois é o tipo de coisa que não faz diferença na vida de ninguém.

Não sei quanto à vocês, mas na minha cabeça, quando eu converso comigo mesmo, eu não converso em português como suponho que aconteça com as outras pessoas. Existe uma língua que uso, que só quem já me ouviu xingando raivoso deve ter escutado.

Essa língua é somente sonora e cheia de estalos e chiados, muito parecida com uma mistura de alemão com chinês.

Por que estou dizendo isso? Por motivo nenhum, só quis compartilhar um tshako da minha ikee e tentar ser um pouco mais uma pessoa desse mundo.

Não que não seja, mas sinto que não sou. Um dia eu explico esse ikotma pra vocês. Por hoje fiquem com essas poucas palavras. Shree au ktaniotee.

24 de mai. de 2015

Mindless vs Godfull

Desde que deixei de seguir uma doutrina que no fundo em não acreditava (catolicismo), eu passei a ser um estudioso das várias culturas religiosas através do globo, as vezes me dedicando a algumas em busca de uma conexão ou de alguma resposta a questões que sempre fiz desde o momento que construí a minha primeira teoria da mente.

O engraçado foi que nas culturas onde houveram conexões místicas (a se falar, Hinduísmo e Candomblé) as minhas experiências com os seres divinos foram especialmente intimistas e pessoais. Eles tinham coisas a me ensinar, e não exigiam nada em troca, nada mesmo.

Eu gosto de acreditar que deva existir o lado espiritual, mas como minhas experiências místicas (com ganesha e omulu) me disseram, eu estou nesse mundo para questionar, é essa a minha missão, e dentre os questionamentos, o mais importante de todos é o da existência de algo após a morte física do corpo.

Eu queria mesmo acreditar que exista algo, mas eu acredito de verdade que o fim é o fim e é o fim. É até engraçado dizer que alguém que não acredita de verdade na existência de seres místicos e em mundo espiritual se colocasse a estar conversando com entidades divinas. O ponto é que: eu acredite que eles existam ou não, eu estou direcionando minhas forças para aquilo que meu corpo físico pode sentir, analisar, dizer com certeza que está ali.

É como sentar com omulu e ter uma conversa sobre por que eu acredito que o fim da vida é o fim da minha pessoa, pedir desculpas por não acreditar que ele é real de verdade e ele sorrir para mim e me dizer: "Nada me faz mais feliz que ver um filho aprendendo a pensar por si próprio e enfrentar, sem medo, as questões que as pessoas comuns tem medo de fazer."

Eu tenho medo, na verdade, mas se eu não questionar até as fundações da realidade e da minha própria existência, por que então teria eu vindo a esse mundo com essa habilidade? Se os deuses existem, não seria crueldade tremenda dar um brinquedo qual eu não pudesse brincar?

19 de ago. de 2014

Quem sou eu? Eu sou Um. Um são Todos e Todos são Um.

Você já parou para pensar quem realmente é você? Esqueça as definições tradicionais de ser humano, pessoa, ser consciente, espírito, etc. Quem é você de verdade? O que é você?

Uma das perguntas que mais me perguntei na minha vida foi "quem sou eu". Quem sou eu? O que sou eu?

A primeira resposta que dei para essa pergunta foi que eu era uma entidade consciente, um ser único com consciência e intelecto únicos. Assim como cada ser humano é único na sua própria consciência e intelecto. Mas algo nessa pergunta nunca funcionou bem para mim. Algo estava errado. Essa resposta, no fundo, exige a existência de algo além da minha capacidade, do meu intelecto, de entender. E por isso essa resposta nunca foi completa. Eu acredito em espiritualidade, em níveis de realidade diferentes, em forças ainda não descobertas, mas nunca acreditei que exista uma única entidade responsável por tudo isso.

Então, um dia eu aprendi que o Um é Tudo e o Tudo é Um. O que está Em Cima é o que está Embaixo.

Era eu o Um e o Universo o Todo? Como eu podia ser Um e o Todo ao mesmo tempo? Poderia eu ser ao mesmo tempo Um e Tudo? Quem sou eu afinal? Ainda não tinha minha resposta, aquela que me traria tranquilidade de espírito.

No entanto, um dia eu percebi algo que estava embaixo do meu nariz o tempo todo. Na verdade, não só do nariz. Eu não sou só um ser vivo. Eu sou milhares de milhões de pequenos seres vivos, indefesos mas que juntos trabalham coletivamente, cada um com sua função. Eu sou toda uma miríade de pequenas formas de vida! E eu, como ser pensante, só sou mais uma pequena vida, nessa infinitude de pequenas vidas, todos trabalhando para que esse corpo ande, conheça pessoas, interaja com o mundo. Eu sou só mais uma das vidas desse corpo, a quem foi dada a difícil tarefa de coordenar e tomar decisões em prol da coletividade.

Se eu sinto fome, é porque alguma parte do meu corpo está me avisando que é necessário comer. Se eu sinto sede, é porque outra parte do meu corpo está me avisando que precisamos de mais água. Se eu sinto dor, é porque uma terceira parte deste está me dizendo que a decisão que estou tomando pode ferir partes de nós. E cabe a mim cuidar para que todos nós estejamos bem. Cabe a mim tomar decisões em prol de todos.

Nós separados não somos nada. Um não pode viver sem o outro e o todo é muito maior que a soma das partes.

Então, finalmente entendi que Eu sou Um. E não é só isso. Também entendi que o "Um" são "Todos" e Todos são Um.

E assim eu finalmente consigo ter paz de espírito, pois assim como cada ser vivo constituinte do meu corpo têm uma função, eu entendo qual a minha função na coletividade. Se existe um Deus por trás disso tudo ou não, não faz diferença para mim. Não é essa resposta que eu preciso responder nessa vida. Se ele existe ou não, sua existência é independente de mim. A única coisa que eu realmente sei é que Eu Existo e que minha missão é cuidar de Nós.

6 de abr. de 2014

Sobre Vidas e Pós-vidas

Só acho muito estranho a pessoa dedicar a vida à transmitir a palavra achando que essa realidade não é a real, pois deus vai vir, destruir os "infiéis" e instituir o paraíso, onde finalmente todos os "escolhidos" poderão ter suas profissões.

Desculpa, mas não. É de uma sanidade muito maior acreditar que todos terão a chance de evoluir e ajudar o mundo a ser melhor que acreditar em um Deus maniqueísta que quer destruir o mundo só para salvar uma parcela da população que foi fiel em sua bajulação divina.

Eis o que acredito.