Mostrando postagens com marcador berenice segura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador berenice segura. Mostrar todas as postagens

15 de jan. de 2016

Dreamspaceless

As vezes eu paro e fico olhando o mundo físico e fico comparando com meu mundo interior. Minha vontade de estar dentro dele é sempre muito grande, como se eu tivesse nascido para aquele lugar, não para este daqui. No meu mundo interior, carinhosamente chamado de Entalis, tudo é muito parecido, mas ao mesmo tempo muito diferente. Algumas coisas que acontecem lá não acontecem aqui, e algumas coisas que acontecem aqui não aparecem por lá. No entanto, fora esses detalhes, a quantidade de detalhes é praticamente o mesmo.

Eu só preciso concentrar um pouco mais do que o normal, de olhos fechados, e de repente eu estou do lado de um riacho de águas frias, com árvores de folhas pequenas e sementes miúdas, com montanhas ao longe e uma parca névoa alcançando o horizonte. Indo um pouco mais longe, chego em uma cidade com ruas, carros, pessoas, prédios e lá as pessoas são como as daqui, sempre apressadas em sua própria vida. A diferença principal entre este mundo e aquele é que naquele eu não tenho as preocupações deste, como onde morar, o que fazer pra sobreviver, trabalho, medos, etc. Lá eu simplesmente vivo.

E a maior parte do tempo em que eu estou melancólico, eu vou para esse mundo, e lá me sinto em paz. Não existe nenhum lugar no mundo que me deixe mais em paz de espírito que em um morro verdejante com uma árvore frondosa e folhas aconchegantes no topo, que existe no meu mundo interior. É como se pudesse olhar para o mundo inteiro e sentir uma sensação de plenitude e completamento que não existe aqui.

A cada dia que vivo nessa realidade, eu sinto que vou me tornando cada vez mais insípido às sensações que recebo daqui, como se nada mais me surpreendesse ou me fizesse sentir as fortes emoções que eu gosto de sentir e de fazer fluir em meu interior. E é engraçado dizer isso, mas das coisas que mais tenho sentido prazer em fazer nessa realidade, a maior de todas é dormir. Pois é dormindo que na maioria das vezes eu cosigo passar horas, dias e até meses dentro do meu mundo, pra então acordar de manhã e perceber que preciso trabalhar, que preciso sobreviver, que preciso fazer um monte de coisas, e que praticamente nada disso têm sequer significado pra mim, exceto pelo fato de que preciso fazer essas coisas para continuar vivendo nesse mundo.

Não me importo que me achem doido ou fora de mim. Esse é quem eu sou de verdade, e poucas pessoas vão um dia conseguir enxergar essa pessoa que está escrevendo isso por aqui. E as que enxergam isso (ou compartilham da mesma sensação) me entendem quando digo que eu não sou desse mundo.

Eu não sou desse mundo. Eu nasci nele, mas de fato o meu mundo, aquele que queria estar nesse momento, existe só dentro da minha mente, e se eu estiver aéreo as vezes, pode ter certeza que estarei tomando um sorvete em algum lugar na minha mente ou sentado debaixo de uma árvore, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo por estar ali.

Aum shree iknari hum.

19 de dez. de 2015

Berenice Segura

NO LIMITE DA MORTE

- Leila, como é que foi essa situaçao, aquele momento crítico na qual você passou?

ÂÃÃHNN.. É a sensação de rodaaar, rodaaaar, rodaaaar, ãããhnn, sem saber exatamente para onde estava indo ou como se JÁ estivesse no céu. Porque que eu acredito totalmente que é pra lá que eu vou, quando, quando isso for decidido né, quando for o momeinto. Eêêê, eu não sabia o que estava acontecendo, porque eu não sabia como como-ãã-começou a acontecer. Uma tarde de domingo, linda, maravilhoooosa, um sol beeelo, azul. 17 horas. Eu, ããããah, rãããm, ao contrário do que os homens pensam, dirijo muito bem. Porque pra dirigir RioSãoPauloPortoAlegre eu preciso dirigir muito bem. AAAAH. Não tinha movimento, era incrível, era domingo, era pra estar lotado de carros vindos da praia. Era verão, dia DEZENÚÓÓÓVE de dezembro de 1999. Exatamente no dia que minha mãe se estivesse viva estaria de aniversário. E eu vinha muito feliz, eu estava indo muito feliz para Santa Izabeaaal, aonde eu fiz amigos maravilhosos numa turnê que eu fiz com Terapia Sexual, e que eles se tornaram amigos íntimos. Estavamos indo eu e a minha empresária, minha amiiiiga querida, que hoje é minha amiga querida, não mais empresária, Berenice Lamônica, quando tudo começou a girar, girar, girar, girar... quando eu disse: BERENICE, SEGURA! NÓS VAMOS BATER

(Silêncio)

Nada mais me lembro. Nada-mais-me-lembro. Apenas sei que foram horas e horas e horas e horas de resgate, porque pensavam que eu estava ...realmente morta.

(CLOSE)

Eu tive sete vérteberas ãh realmente feridas, né? Não pude nem mais fazer a novela. Não pude mais nem... tive que ir... era Natal, eu tive que ir de de de, com aquelas macas da Varig, e tal. E realmente foi uma coisa terrível e foram meses e meses na cama de recuperação, foi uma coisa terrível.

- Leila Lopes, por exemplo, você acordou para uma nova realidade, um presente de ter a vida de volta. Como fica Deus nessa situação? Você pensou nele, o que que veio, qual foi o primeiro pensamento da segunda chance?

Aaaaah, eu tenho certeza absoluta que foi ele que me salvou. Aliás é minha vida, eu digo é uma antes do acidente e outra pós-acidente. A ORAÇÃO, sobretudo, a oração é que te recupera. E aí começou uma nova Leila, uma nova Leila. É esse Deus que me tirou dali, são esses anjos, zesseszzx Jesus Cristo mérmão, que me tirou dali, e um bom carro também né hehreheahssshs. Que se não, pode falar, se eu tivesse num Fusquinha que tem que empurrar, me desculpem os fusquinhas, achoótimo, eu não estaria lá com certeza. Eu não estaria mais aqui, eu seria também um anjo, tenho certeza. Porque tudo que eu faço na minha vida, sem pieguice, é TENTAR-SER-BOUA.