Sabe aquele momento que você está sonhando e de repente sente uma coisa estranha, como se aquilo não fosse um sonho de verdade, e sim uma memória? Hoje me senti assim.
Tive um estranho sonho onde eu fazia parte da criação do universo, mas não tinha sido eu quem criava. Eu mesmo fazia parte da criação mas eu como criatura era responsável por criar a substância que permeia o universo.
Portanto, comecei a tocar levemente em um oceano tridimensional (sim, eu era uma entidade 4D e isso foi parte da estranheza do sonho) e a cada toque, a matéria se aglomeravam e brilhava, formando as estrelas.
Dali a pouco, as estrelas começaram a se agrupar e a rodopiarem em torno de si próprias e a produzir mais estrelas. E quanto mais estrelas eram criadas, mais espaço no oceano ia aparecendo, até o ponto de as pequenas espirais de luz começarem a se afastar umas das outras.
Daí eu me afastei um pouco da criação, e olhei mais de longe. As pequenas espirais se aglomeravam em fios de prata de várias espessuras, até chegar ao ponto de parecer um emaranhado de fios desordenados. E dessa distância comecei a ver pequenos flashes de luz.
Me aproximei para ver e percebi que algumas das estrelas estavam explodindo em luz quase impossível de encarar, e formavam lindos padrões de cores. Algumas estrelas no entanto ficavam mais escuras que o canto mais escuro do universo, e eu não me arriscava a me aproximar.
Quase no fim, não havia mais luz e a maior parte das estrelas tinha virado pontos escuros, que se desfaziam como um boneco de areia enfrentando um vento seco. No fim de tudo, havia só o mar escuro novamente, mas o meu toque no oceano não fazia mais efeito.
Por fim, eu perguntei bem assim "Eu sou Varuna, a ordem universal, por que não mais posso criar ordem do caos?"
E uma voz respondeu "Você, Varuna, é a ordem universal, mas cada vez que você ordena algo, outrossim desordena em igual proporção. No fim, somente a desordem sobraria. O que sobra de você, agora?"
E foi aí que acordei, e fiquei com isso na cabeça o dia todo. Engraçado foi que durante todo o sonho a sensação de que aquilo era de verdade era surreal! Parecia tão real e tão presente que, comparando, estar aqui acordado e escrevendo isso parece menos real que o sonho em si.
É como se estar aqui fosse uma parte da existência dessa entidade do sonho, como se fosse uma tentativa de enxergar o universo outro lado de dentro, coisa que eu percebi que Varuna não conseguia fazer ou que tinha medo de fazer.