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1 de out. de 2017

Heartless

Eu tenho pensado muito hoje em dia na pessoa que eu deixo as pessoas conhecerem nos temos atuais. Assim como em todas as ocasiões, elas na verdade só conhecerem uma máscara que eu criei, uma pessoalidade construída pra esconder quem eu sou de verdade, até de mim mesmo.

Eu sempre considerei minha vida uma vida comum, mediana, até patética, e eu sempre quis ser diferente, ter um superpoder ou algo do gênero. Hoje em dia eu acredito que essa minha habilidade de me camuflar entre as pessoas meu grande superpoder.

Ele já foi uma doença antes, que afetava as pessoas à minha volta e, principalmente, a mim mesmo. No entanto eu entendi seu papel em minha vida, como minha grande defensora. Eu devo muito a essa habilidade de me blindar e, dependendo do caso, de me anestesiar do mundo à minha volta, com um personagem que consegue lidar (ou ignorar) as situações à minha volta.

Por que esse assunto agora? Não sei, ele veio à mente, nesse domingo, em que estou ouvindo "Never be the same again" (Mel. C) e o marido está jogando videogame.

Sei que estou muito pessimista nos últimos dias, cansado de tudo, como se nada tivesse a mesma cor de sempre. São poucas as coisas que me alegram ultimamente, e elas vem diminuindo a cada dia. Pelo menos para compensar eu tenho essa máscara de pessoa extremamente confiante, que uso no dia-a-dia, pra me sentir vivo, sei lá.

Acho que é mais uma fase ruim da minha habitual variação monumental de humor. Ou são os 35 anos que fiz há duas semanas. Ou é a falta da moto e de poder dirigir pela cidade sem pensar em nada.

No fim, sempre passa. E menos um dia de espera até o fim, o descanso final, seja lá como ele for.

15 de fev. de 2016

Eagerness

Uma coisa que tenho percebido que têm acontecido com o passar dos anos é a minha diminuição por desejar algo de forma compulsiva.

Antigamente, eu não conseguia fazer outra coisa senão ficar olhando todos os reviews de celulares, ou de jogos, ou de qualquer coisa que eu julgasse extremamente importante para minha satisfação pessoal naquele momento.

Hoje, eu olho para coisas que eu desejo e, por um momento, sinto um forte desejo de possuir essas coisas mas, depois de pouco tempo esse desejo passa, sem deixar nenhum sentimento de frustração, como ocorria antigamente.

Não que o desejo tenha desaparecido, mas atualmente ele não parece ser tão importante na minha vida e, como qualquer mecanismo mental, é passível de adaptação, eu acho.

Penso que, ante a efemeridade da vida humana, essas coisas passam a não fazer tanto sentido, no que tange às experiências que vamos tendo durante nossas vidas. Afinal, a única coisa que podemos dizer que é nossa de verdade são as experiências, e nem sempre esses desejos se compõem em experiências que iremos nos lembrar.

Dado isso, acho que é parte do processo de desconexão do mundo, esse processo de não ver mais graça nas coisas que não estão dentro da minha mente. Afinal, isso é a única coisa que posso falar que é meu, "et veritas" e, independente do desfecho que a vida nos dá, representa quem somos de verdade: um mundo imenso de experiências se inter-relacionando.

15 de jan. de 2016

Dreamspaceless

As vezes eu paro e fico olhando o mundo físico e fico comparando com meu mundo interior. Minha vontade de estar dentro dele é sempre muito grande, como se eu tivesse nascido para aquele lugar, não para este daqui. No meu mundo interior, carinhosamente chamado de Entalis, tudo é muito parecido, mas ao mesmo tempo muito diferente. Algumas coisas que acontecem lá não acontecem aqui, e algumas coisas que acontecem aqui não aparecem por lá. No entanto, fora esses detalhes, a quantidade de detalhes é praticamente o mesmo.

Eu só preciso concentrar um pouco mais do que o normal, de olhos fechados, e de repente eu estou do lado de um riacho de águas frias, com árvores de folhas pequenas e sementes miúdas, com montanhas ao longe e uma parca névoa alcançando o horizonte. Indo um pouco mais longe, chego em uma cidade com ruas, carros, pessoas, prédios e lá as pessoas são como as daqui, sempre apressadas em sua própria vida. A diferença principal entre este mundo e aquele é que naquele eu não tenho as preocupações deste, como onde morar, o que fazer pra sobreviver, trabalho, medos, etc. Lá eu simplesmente vivo.

E a maior parte do tempo em que eu estou melancólico, eu vou para esse mundo, e lá me sinto em paz. Não existe nenhum lugar no mundo que me deixe mais em paz de espírito que em um morro verdejante com uma árvore frondosa e folhas aconchegantes no topo, que existe no meu mundo interior. É como se pudesse olhar para o mundo inteiro e sentir uma sensação de plenitude e completamento que não existe aqui.

A cada dia que vivo nessa realidade, eu sinto que vou me tornando cada vez mais insípido às sensações que recebo daqui, como se nada mais me surpreendesse ou me fizesse sentir as fortes emoções que eu gosto de sentir e de fazer fluir em meu interior. E é engraçado dizer isso, mas das coisas que mais tenho sentido prazer em fazer nessa realidade, a maior de todas é dormir. Pois é dormindo que na maioria das vezes eu cosigo passar horas, dias e até meses dentro do meu mundo, pra então acordar de manhã e perceber que preciso trabalhar, que preciso sobreviver, que preciso fazer um monte de coisas, e que praticamente nada disso têm sequer significado pra mim, exceto pelo fato de que preciso fazer essas coisas para continuar vivendo nesse mundo.

Não me importo que me achem doido ou fora de mim. Esse é quem eu sou de verdade, e poucas pessoas vão um dia conseguir enxergar essa pessoa que está escrevendo isso por aqui. E as que enxergam isso (ou compartilham da mesma sensação) me entendem quando digo que eu não sou desse mundo.

Eu não sou desse mundo. Eu nasci nele, mas de fato o meu mundo, aquele que queria estar nesse momento, existe só dentro da minha mente, e se eu estiver aéreo as vezes, pode ter certeza que estarei tomando um sorvete em algum lugar na minha mente ou sentado debaixo de uma árvore, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo por estar ali.

Aum shree iknari hum.

10 de dez. de 2015

Learningness

you live, you learn
you love, you learn
você dá bafão, you learn
you lose, you learn
you bleed, you learn
you scream, you learn
você cria expectativas irreais, you learn
you choke, you learn
you laugh, you learn
você faz papel de trouxa, you learn
you pray, you learn
you ask, you learn
você fica toda cagada, you learn