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8 de out. de 2022

L'art d'être oreille

 Engraçado como as vezes a gente descobre pessoas incríveis ali, do nosso lado, pessoas que sempre existiram próximas, mas que nossas próprias barreiras cotidianas sempre nos impediram (e a eles) de nos entreolharmos, e enxergarmos aquilo que realmente nos faz humanos.

Tenho tido conversas tão incríveis com um conhecido recente de um grupo de amigos que faço parte que tenho me surpreendido com essa conexão. Parece que os sofrimentos mútuos de cada um, aquela visão sábia de que antes de vivermos, nós sobrevivemos, os assuntos em comum, a proximidade de gerações, tudo isso conta para que essas conversas sejam sempre inebriantes, como beber um licquor que vc sabe que está há muito tempo curtindo e esperando para ser consumido.

É difícil eu me encontrar nesse local de fala hoje, pois sempre fui uma pessoa muito isolada e mesmo meus amigos anteriores não eram tão amigos assim (o que é uma explicação superficial de pq eu apaguei todas as minhas redes sociais). Eu sempre sinto muita falta dessa identificação, de saber que não sou só eu quem passei por determinadas situações na vida, que olha para o futuro e para o passado e vê uma estrada sendo percorrida e não só os clubes ou as pedras no caminho.

Estou sendo dramático? Olha, se acharem uma única vez que eu não fui, me mostrem, porque olha...

Mas assim, eu fico feliz de descobrir essa conexão, eu me sinto menos solitário em meio ao meu grupo de amigos, pois estou sempre me perguntando se estou mesmo no lugar certo, com as pessoas certas, com as palavras certas, pq pra mim sempre parece que estou só sendo extremamente pedante e carente de atenção.

E é sobre isso a reflexão de hoje.

25 de abr. de 2013

ἰδιοσυγκρασία (idiossincrasias)

Engraçado, eu tenho essa necessidade de querer entender como a outra pessoa pensa. Para mim, se eu souber como a pessoa pensa, eu vou conseguir entender ações que ela tomar e conseguir viver com aquilo.

Mas claro, nem tudo é um mar de rosas. Primeiro que eu não tenho como saber o que os outros pensam, somente fazendo uma análise da forma como eu escondo e altero a minha realidade. Segundo, que as vezes decisões são tomadas que nada têm a ver com a forma com que minha mente funciona, como virar à esquerda ou seguir reto para ir para casa, simplesmente escolho randomicamente. E terceiro, saber que a pessoa pensa de um jeito e esperar que a ação tomada por ela seja daquele jeito me faz sentir uma pessoa muito horrível por prejulgar os outros dessa forma.

Daí, eu esqueço isso ... Até a próxima crise.

8 de mar. de 2013

Angerness

Hoje terminei de assistir mais um seriado. Dessa vez foi Star Trek Deep Space 9. Esse foi um seriado que me decepcionou no começo mas que me conquistou e me prendeu até o último episódio, que eu assisti hoje. Eu não gosto de assistir (nem ler) finais das coisas. Não porque "Tudo que têm um começo, têm um fim" (Oráculo, Matrix) mas porque eu não gosto de me sentir voltando daquele mundo fantástico e retornando a essa realidade imunda e desprezível que nós vivemos.

Eu tenho muito disso, sabe? As pessoas me chamam de inocente ou de fútil, ou mesmo de coisas piores, pelo fato de eu me doar tanto emocionalmente pra coisas tão "insípidas". Eu sou do tipo que chora em filme (Rei Leão e Titanic são os recordistas atuais), que se revolta com vilões, que comemora uma vitória, como se eu mesmo estivesse lá dentro dos filmes ou livros.

Isso também leva a outro ponto relacionado aos meus gostos: Eu gosto de muitas literaturas e filmes que a maioria das pessoas acha ridículo, imperfeito, moralista, e por aí vai, só pelo fato de que muitas vezes o diálogo e a progressão psicológica dos personagens me prende e me fascina tremendamente. Um exemplo é Eragon. Eu adoro esse livro. Realmente vejo nele um cara lutando contra sua própria incapacidade de fazer as coisas do jeito certo e ao mesmo tempo, tendo de fazer o papel de líder da resistência e a única esperança do povo sob sua tutela. Pra muita gente, é uma série de livros mal escritos. Pra mim, é um compêndio de impressões psicológicas enorme! Outro livro é Jogos Vorazes. Quantas pessoas criticaram o filme por mostrar uma ficção fantástica sobre dominação e povos dominados, que raramente conseguiria ser complexo politicamente. Sinceramente, não ligo. O que me importa (e me cativa) é ver a Katniss ter de lidar com o fato de que ela pode morrer e que várias outras pessoas estão desejando a morte dela para eles próprios continuarem vivendo.

Pra mim o livro ou o filme não é bom pelo que está escrito ou mostrado ali, mas pela miríade de sensações que eles me causam. Pela imersão que eles me proporcionam. Pela possibilidade de, por algumas páginas ou por algumas horas, me permitir fugir desse mundo e existir em um lugar diferente, onde tudo poderia ser diferente.

Tudo aqui pra mim é mundano. Tudo é irrelevante. A humanidade é irrelevante pra mim. Exceto algumas coisas e pessoas realmente especiais, como natureza, ou amigos. Eu me revolto com muitas coisas, mas no fundo eu sou uma pessoa que nunca soube o que é passar fome, ficar sem emprego, ser assaltado ou ter a vida em risco. Alguns podem argumentar que eu não tenho direito de reclamar tendo uma vida tão "boa".

VÁ A MERDA! PEGUEM ESSE SEU ARGUMENTO E ENFIEM NO SEU CU ATÉ SAIR PELA ORELHA, SEU FILHO DE UMA RAMPEIRA RUMINANTE! VOCÊ SÓ EXISTE PORQUÊ DEUS DEVE TER UM ENORME SENSO DE HUMOR, SEU IDIOTA IGNORANTE DE MERDA!

Eu sozinho já me revolto com isso, com o fato de eu não ter vivido essas experiências, mas isso não me tira a propriedade em eu falar como me sinto à respeito de determinados assuntos. E ao mesmo tempo não dá direito a nenhum de vocês de dizer o que eu posso ou não fazer, ou sentir, ou acreditar.

Da mesma forma eu tenho esse pensamento para aquelas pessoas que adoram ditar regras por aí. "Não pode twittar piada de humor negro", "Fulano morreu, daqui a pouco começam as ofensas", "Quem usa hashtag no Facebook é retardado", "Em vez de postar foto de comida no Instagram, deveria gastar esse tempo comendo a mesma".

A minha vontade era, para cada comentário ignóbil que alguém faz para mim, sacar um taser e disparar uma carga por uns 10 minutos no meio do seu saco (ou peitos) só pra me sentir melhor.

Mas, no final das contas, me conformo em ficar calado e deixar que essas pessoas caiam no abismo da minha ignorância da existência desses pedaços de carne, com intestinos no lugar do cérebro, pois só assim pra explicar tanta verborragia dissonante que ouço por aí.

Hoje estou furioso. Furioso principalmente comigo. E quem quiser falar qualquer coisa, vai dar meia hora de bunda pro diabo porque eu não estou a fim de escutar ninguém hoje!

12 de ago. de 2012

Fobias

É engraçado esse meu medo. As pessoas me chamam pra sair e dependendo da relação que eu tenho com elas e do lugar pra onde estamos indo, eu me sinto extremamente desconfortável.

Isso se intensifica se eu estou indo com essa pessoa e lá vai ter amigos dela que eu não conheço. Isso more aterroriza de uma forma que não é nem possível quantificar.
Comigo é assim, se eu vou pro lugar sozinho, de boa, não vou conversar com quase ninguém. Agora se eu vou com alguém, eu me sinto impelido a interagir ... e interagir com pessoas que eu não conheço é uma das coisas que mais me causam calafrios nesse mundo.

Que o digam meus amigos de São Paulo. Eles me conheceram como mudinho pq eu raramente interagia. Mas isso pq eu estava lá, construindo o modelo mental de cada um dos meus novos amigos, mesmo que eu estivesse completamente overwhelmed com a situação.

Claro que com o tempo a relação melhorou e eu até comecei a falar por conta própria.
É sempre assim. Se houver a mínima possibilidade de eu me sentir desconfortável e/ou deslocado, eu vou pensar muito se eu vou mesmo a esse lugar. Eu gosto de ambientes e pessoas que eu já conheço.

Então, se vc não entender por que eu não quis sair com você mesmo eu querendo sair pra algum lugar, já sabe: freak out ...