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29 de jan. de 2020

Je m'en bats les couilles

Nada de mais pra dizer, só que as vezes a gente se pega sentindo determinadas emoções e vira um turbilhão de coisas tristes, alegres, raivosas, possessivas, que a gente tem dificuldade de controlar para não se tornar visível às outras pessoas pois, primeiro isso não é para as outras pessoas, por mais que quiséssemos externalizar para sermos vistos, e segundo, isso nada mais seria do que ser inseguro e imaturo.

Não que não seja, pelo contrário, mas me sinto muito mais avançado na escadinha do autocontrole que muitas pessoas que conheço, ao não tornar isso uma catarse de grandes dimensões.

Eu queria, no entanto, ser mais verdadeiro com meu pilar moral, as vezes acho que me deixo levar pelas falar alheias e caras bonitas e, quando vejo, estou eu lá lutando por causas que não são minhas ou desejando coisas que literalmente estão inacessíveis a mim.

Isso me fere muito, e só vem a acrescentar à miríade de sentimentos girando em minha cabeça, até o copo encher em algum momento aleatório futuro.

20 de dez. de 2019

Voidless

Nesse quase solstício de verão, acabei de me dar conta que ultimamente as semanas têm passado como folhas secas no vento.

O rio que corre os eventos de minha vida parece estar acelerando, cada vez mais, perto de chegar no oceano do desaparecimento (ou da próxima vida).

Isso me assusta mas ao mesmo tempo me deixa calmo, pois indica que o fim dessa história chegará mais rápido do que imagino, aquele momento em que a gente descobre se existe algo do outro lado ou não, aquele momento que a gente olha para trás, cumprimenta todos os observadores atentos e sai do palco.

9 de fev. de 2016

Hearingness

Engraçado que muitas pessoas não conseguem enxergar em mim a pessoa que eu costumo projetar aqui no blog ou nas redes sociais. É como se eu fosse duas pessoas diferentes. Isso, no entanto, é uma inverdade.

Quem me conhece me enxerga como uma pessoa paciente, que parece ouvir a opinião alheia e até mesmo me sensibilizar por suas causas, sejam elas irrelevantes ou não. Na realidade, o que ocorre é que na maior parte do tempo, esse comportamento é simulado de forma a tornar minha pessoa mais "convivível" no meio social. Assim, eu sempre vou parecer interessado, animado, alegre, bem disposto, e por aí vai. No entanto, ainda existe certa autenticidade em alguns de meus comportamentos. É até fácil distinguir quando estou sendo dissimulado de quando estou sendo autêntico, só não vê quem não consegue.

No entanto, quem me conhece de verdade sabe que eu não sou bem assim. Eu sou uma pessoa bastante nervosa e que se irrita facilmente com opiniões alheias, principalmente quando os transeuntes sequer conseguem defender seus argumentos com proposições lógicas. Eu amo a discussão lógica e filosófica, me atrai discutir minhas opiniões (que quase sempre são bem fortes) com outras pessoas com opiniões e sentimentos diferentes. No entanto, me irrita profundamente quando a pessoa usa o próprio ego ou idiossincrasias próprias para defender o próprio ponto de vista como correto, para todas as circunstâncias.

"Tudo aqui pra mim é mundano. Tudo é irrelevante. A humanidade é irrelevante pra mim. Exceto algumas coisas e pessoas realmente especiais, como natureza, ou amigos." (Angerness, 2013)

Nesses casos, eu tendo a parecer ceder em meus argumentos, quando na verdade estou sentindo profunda pena da pessoa por ser tão mente pequena, a ponto de achar que uma discussão deve ser sempre um conflito ou uma competição pra saber quem está certo de verdade. Eu paro de discutir pelo simples fato de entender que com pessoas como essas, continuar discutindo é equivalente a falar com uma parede. E nesses casos, eu escolho conservar essa energia para coisas realmente úteis, como ficar no facebook stalkeando os amigos.

As pessoas podem achar horrível ler algo sobre mim mesmo escrito dessa forma, mas é assim que eu sou. Eu sou bastante altruísta com o que merece meu altruísmo. No entanto, quanto mais passa o tempo, menos paciência eu tenho para lidar com as próprias inseguranças das pessoas à minha volta. Eu estou (quase) sempre disposto a ajudar, mas também não vou desviar do meu caminho para acalentar alguém que urge por ajuda mas não se entende a si próprio e torna isso em agressão com as pessoas próximas. Nesse sentido, prefiro me afastar.

Já fui muito mais agressivo no passado. Hoje, sigo o preceito filosófico de um ex, chamado de "O Princípio do Cagaísmo". Estou cagando para essas opiniões alheias que nada me acrescentam. Quer ter uma discussão comigo? Por favor, faça, eu adoro, mesmo! Mas não torne isso uma luta, como se houvesse a necessidade de sair um vencedor ou um perdedor. Pois se houver, eu vou ligar o "caguei" para você, e à partir daí, a tendência é só ir te ignorando cada vez mais até que eu julgue que não há motivos para continuarmos conectados à mesma rede social. Podemos nos manter amigos no mundo real, mas no mundo virtual, onde eu adoro desenvolver discussões sobre quaisquer temas, não vou fazer muita questão de ter você por perto, mais ainda se você for do tipo que problematiza as coisas sem ter bases para defender nem mesmo suas idéias/ideologias.

Olha que é até bem difícil fazer com que eu chegue a esse nível que eu citei nesse post, e se de fato você está lendo isso, significa que de alguma forma nossa relação significa alguma coisa, e muito provavelmente eu respeito isso. Apesar da exageração inerente desse texto, eu sou uma pessoa muito fácil de conviver, altamente adaptável às opiniões alheias. Só não tenho mais muita paciência com egos inflados. Acho que, no final, estou ficando mais velho muito mais rápido do que eu imaginava. Isso é um bom sinal para mim, eu acho.

O que está dito está dito. Quem sabe mais pra frente eu não destile melhor isso, mas não é esse o momento. Caso queira discutir comigo, estou sempre disponível.

P.S.: Os links do post são importantes para alguns entendimentos. Se você chegou até aqui, recomendo as leituras.

27 de jun. de 2015

Self choose Prideness

Primeiramente, queria dizer que me cansa ver que tudo ultimamente nas redes sociais do momento acaba virando uma guerrinha de opiniões e, por esse motivo, eu mudei minha foto, para representar o preto-no-branco que parece permear as opiniões nesses dias de conflitos, não importando se os temas são importantes ou se são supérfluos.

Cada um devia poder decidir o que fazer e o que mostrar, já que é na pluralidade que vivemos, e não em um mundo preto-e-branco. Não é à toa que a bandeira LGBT é multicor. Pensem nisso.

"O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa." Madre Teresa de Calcutá

Segundamente, estou vendo todos muito felizes com a decisão dos EUA no que tange a definição, a nível territorial, do casamento igualitário e todas as mídias mostrando e comemorando essa luta.

Eu achei extremamente válida a comemoração, mas lembro de ter visto ninguém comemorando dessa forma quando os Países Baixos aprovaram, em 2001, ou a Bélgica (que se tornou o segundo país a fazê-lo) em 2003. Ou da França, em 2013.

Até o da Irlanda, país onde até pouco tempo a Igreja Católica tinha peso na política, teve um referendo que modificou sua constituição duas vezes, para deixar de considerar homossexualidade como crime e a aprovar o casamento igualitário, e eu não vi tamanha comoção.

Gente, são só os EUA.

O motivo desse TL;DR é pelo fato de que ainda, em nosso país, há uma luta pela frente.

O casamento igualitário no Brasil ainda não é amparado pela Constituição Federal e pelo Código Civil, sendo somente permitidos por meio da Ação Direta de Constitucionalidade nº 4277 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132 do Supremo Tribunal Federal, julgadas em 2011, que estenderam o conceito de unidade familiar, deram direito erga omnes àqueles que queriam se unir civilmente e, posteriormente pela Resolução do CNJ que obrigou os cartórios a celebrar o casamento e a conversão da união estável em casamento civil.

Os que já se casaram sob essa chancela estão protegidos pelo direito adquirido, mas pode a qualquer momento ser revogado pelos mesmos órgãos que se fizeram julgados, impedindo que novas celebrações possam ser feitas.

Então, com o mesmo afinco que comemoramos a decisão da Suprema Corte dos EUA, vamos trabalhar na nossa própria Constituição e mostrar que esse símbolo que todos estão usando seja instrumento para a melhoria do nosso país, que tanto têm sofrido nas mãos daqueles que estão no poder.

E, por último, "This way or the highway" não deveria ser uma filosofia de vida. Só acho.

24 de nov. de 2014

Histórias da Bíblia, versão resumida

Era uma vez, um livro mágico escrito pelos deuses ... opa, por um deus só ... opa de novo, escrito por homens inspirados por deus. Esse livro é enorme (quase tão grande e complexo quanto outro livro mágico, escrito por George Martin) e por isso estou aqui trazendo um resumo da história para vocês.

GENESIS

Deus: Ok, tudo criado! Hey, vocês dois, não façam oba oba! Fora isso, divirtam-se.
Adão e Eva: Ok.
Satanás: Vocês deveriam fazer oba oba.
Adão e Eva: Ok.
Deus: O que aconteceu?
Adão e Eva: Nós fizemos a tal oba oba.
Deus: PORRA VÉIO!

O RESTO DO ANTIGO TESTAMENTO

Deus: Vocês são meu povo, e vocês não deveriam fazer oba oba.
Povo: Nós não faremos mais oba oba.
Deus: Bom! Senão mato todo mundo!
Povo: Nós fizemos oba oba!
Deus: PORRA VÉIO!

EVANGELHOS

Jesus: Eu sou o Filho de Deus, e mesmo que vocês tenham feito oba oba, o Pai e Eu ainda os amamos e queremos que vocês vivam. Só não façam oba oba novamente.
Pessoas curadas: Ok! Obrigado Jesus!
Outras pessoas: Nós nunca o vimos fazer oba oba, mas ele provavelmente deve fazê-las quando ninguém está olhando!
Jesus: Eu nunca fiz oba oba!
Outras pessoas: Nós vamos lhe colocar em julgamento por ter feito oba oba!
Pilates: Você fez oba oba?
Jesus: Não.
Pilates: Ele não fez oba oba.
Outras pessoas: Mate-o mesmo assim, e soltem aquele outro ali!
Pilates: Ok.
Jesus: PORRA VÉIO!

CARTAS DE PAULO

Pessoas: Nós fizemos oba oba!
Paulo: Jesus ainda ama vocês, e por que vocês amam Ele, vocês devem parar de fazer oba oba.
Povo: Ok!

CARTAS DE PAULO, PARTE 2

Pessoas: Nós fizemos oba oba de novo.
Paulo: PORRA VÉIO!

APOCALIPSE

João: Quando Jesus voltar, não haverão mais pessoas que fazem oba oba. Até lá, PAREM DE FAZER OBA OBA!

FIM

Esse post é uma tradução do post The histories of the bible in TL;DR form que apareceu a primeira vez no Reddit.

14 de jul. de 2014

Foda-se o potencial

Sabe de uma coisa? Eu estou fodendo para o meu potencial. Me irrita imensamente ver as pessoas olhando pra mim e me falando "nossa, você têm um potencial muito grande, devia trabalhar isso"...

Em primeiro lugar, eu sei bem qual é meu potencial e pode crer, ele está MUUUITO além do que você acredita que ele é. Segundo, o potencial é meu e eu faço com ele o que eu quiser. Ou não faço.

Agora, se você têm um problema com o fato de que você não possui um potencial como o meu e queria ter tido a mesma "sorte" que eu, uma dica: tenha amor próprio. Foram suas decisões que lhe levaram a ter esse sentimento de que seu próprio potencial não foi explorado e tentar fazer com que eu "explore corretamente" meu potencial não vai fazer com que a sua situação se reverta.

Ou seja, se eu vou explorar ou não meu potencial, é uma decisão somente minha e eu tenho pleno conhecimento e consciência das implicações da mesma. Não preciso de sua opinião, como se para esse assunto em particular eu realmente me importasse com ela.

6 de jun. de 2013

Nosce te ipsum

Desconexões neurodérmicas efetuadas por sinapses velhas e sem consciência do que armazenam. Testes práticos de tiros verbais auto-sustentados por falácias coloquiais e culturalmente estabelecidas no senso comum. Aparências desconstruídas pelos devaneios psicóticos de mentes evoluídas à base de agrados e mentiras.

Tudo é impermanente. Nada é permitido. Quando Tudo deveria ser Um, Tudo é Deus e Um não é nada. Conexões desaparecidas no ganges espiritual de fanáticos fatalistas.

Pois só uma coisa há de ser verdadeiro e puro. Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius, ad perpetranda miracula rei unius. Et sict omnes res fuerunt ab Uno, mediatione unius, sic omnes res natæ fuerunt ab hac una re, adaptatione.

Assim o mundo é. Assim o mundo foi. Assim o mundo sempre será. A separação do joio e do trigo se dá na pessoa e não no mundo. A pessoa se separa do mundo e o mundo fica para trás. A evolução do mundo é muito mais lenta que a evolução do ser. O Mundo evolui o Ser. O Ser evolui o Mundo. Tudo é relacionado, apesar das heresias estabelecidas dizerem o contrário, como se um ônibus fosse o mundo onde as pessoas sobem e descem e usam tudo como se fossem descer na próxima estação.

Quod est inferius est sicut quod est superius, ad astra et ultra.