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6 de jul. de 2014

Disbeliefs (ou como me tornei agnóstico)

Post do Passado Distante: 6 de julho de 2011.

Em algum ponto da vida você percebe que "tudo o que lhe foi contado na vida é uma mentira, e seu lugar no mundo é errado". E o que me fez chegar a essa conclusão?

Para mim, aconteceu quando eu tinha uns 12 anos. E não foi algo fácil desde então.

Eu cresci em uma familia conservadora da Igreja Católica Apostólica Romana, em uma cidade do interior de Goiás. Me foi ensinado desde cedo a ter medo de ateístas, de pessoas espiritistas e de qualquer coisa não relacionada à religião. Eu deduzi que elas eram pessoas infelizes cruéis com desprezo pela moralidade e ódio pela vida.

Essas pessoas eram como as vilãs das histórias que eu gostava na época. Eu achava meio difícil acreditar que esse tipo de pessoa existia. Me ensinaram que assassinos como Stalin eram ateus e que as pessoas boas um dia se tornavam santas, heróis da igreja.

As coisas começaram a mudar quando, um dia, perguntei se a alma da minha cadela (que tinha morrido) iria para o céu e me responderam que animais não possuíam alma. Eu não acreditava nisso. Me disseram, ainda, que eles estavam aqui só para satisfação Divina.

Durante um tempo, esse pensamento ficou dormente na minha cabeça, mas ele já havia me feito pensar muito sobre o que era certo e errado. Eu ficava paranóico por ter pensamentos "errados" pois Deus via tudo. Isso me levou a desenvolver um comportamento onde minha mente ocasionalmente disparava uma miríade de pensamentos depravados, quanto mais eu tentasse controlar esses pensamentos. Eu ficava imaginando Deus olhando pra mim em desaprovação. Imaginava que minhas orações não eram atendidas porque eu tinha tais pensamentos. Tive pesadelos quase constantes durante vários anos. Eu não contava a ninguém sobre isso, com medo de também ser desaprovado pela família.

Perdido, sem chão, desesperado, eu me voltei para a única coisa que sempre tinha sido estável na minha vida: minha mente. Pela primeira vez na vida, eu comecei a questionar o que me havia sido ensinado. Levei um tempo para dar mais espaço para a minha mente, descobrindo que minha razão e meu intelecto eram tudo o que eu precisava para entender o mundo, para entender o que era verdade e o que era mito.

Pela primeira vez na vida, li a bíblia do começo ao fim. E durante a leitura, fui vendo o que não via antes: várias partes contraditórias entre si. Não era um livro sagrado, mas várias histórias de várias épocas e vários grupos, nem mesmo necessariamente interligados.

Minha razão foi se fortalecendo aos poucos e eu comecei a questionar a pedra fundamental do meu sistema de crenças: a fé. Por que a fé é uma virtude? Por que Deus se importava tanto com o fato de eu acreditar nele? Por que ele não gostava da razão, se tinha criado a gente com cérebros capazes de usá-la?

No mesmo período, eu estava no rito cristão chamado Crisma. É um momento onde você reforça os votos que você fez na Primeira Comunhão. Na época da primeira comunhão eu era alguém que acreditava em um Deus bonito, bondoso e que "cuidava" dos seus filhos. Na época que eu crismei (mais por seguir protocolo familiar) eu me questionava sobre "Quem era esse Deus vingativo e que joga as pessoas umas contra as outras e toma partido de forma arbitrária?"

O que restou de mim como uma pessoa crente em um Deus estava atordoado com os pensamentos que eu vinha tendo. As histórias que me contavam sobre ateístas, "pessoas que secretamente suspeitavam da existência de Deus mas que negavam sua existência com objetivos nefastos", começaram a parecer nada mais nada menos do que uma arrogância besta por parte das pessoas crentes. Na verdade, tudo o que os católicos (e crentes em geral) brandavam como características negativas dos ateístas eram, na verdade projeções de seus próprios medos e pensamentos negativos. Comecei a perceber que os meus problemas de infância eram os mesmos dos deles, mas eles exteriorizavam isso em pessoas totalmente inocentes, e isso de alguma forma os trazia paz de espírito.

Com o tempo, passei a analisar a própria existência do Deus cristão através da razão, para desespero das migalhas do meu sistema de crenças anterior. Como podia esperar que Deus fosse justo quando ele condenava alguém ao sofrimento eterno só porque não acreditava nele? Especialmente quando a razão era a melhor forma de se discernir entre a verdade e a não-verdade?

Pouco tempo depois, ouvi falar da palavra "agnóstico" e comecei a me perguntar sobre o que tudo isso significava. Minha depressão (que poucas pessoas tiveram a chance de presenciar pois era escondida em várias camadas de personalidades artificiais que eu desenvolvia na época, para tratar de outros assuntos tão complexos quanto) era bastante entrelaçada com a minha confusão religiosa. Até então, eu só tinha duas opções: Ou acreditava em Deus ou não acreditava nele. Ponto final. Fim da linha.

Mas, e se eu pudesse acreditar em algo, mas ao mesmo tempo pudesse manter minha razão e intelecto em busca das respostas ao invés de acreditar cegamente em algo? Foi aí que entendi o significado da palavra recém descoberta. De repente o mundo tinha se tornado extremamente fascinante para que eu ficasse deprimido. Deus não era só um. Deus nem mesmo era mais uma Entidade Divina, mas a maravilhosa representação da projeção coletiva humana! E eram vários, em várias religiões diferentes. E eu queria conhecer todos eles, saber quem eles eram, quais as suas histórias, o que fizeram pelo mundo! De repente, as coisas começaram a fazer sentido novamente!

Eu não acreditava mais em fé, apesar de ter desenvolvido tempos depois algo que pode ser considerado como tal: Eu tinha "fé" de que poderia responder todas as questões do mundo com base nas minha habilidades racionais e intelectuais. Eu diferenciava dos religiosos pois não acreditava cegamente em nada, mas ao mesmo tempo eu não era cético ao ponto de achar que tudo precisa de provas reais e factuais para existir. Eu não era nem ateu nem crente. Eu passei a acreditar desacreditando. Passei a questionar o inquestionável e me perguntar se o místico podia ser real.

Se Deus (ou Deuses) existem ou não, não cabia a mim decidir. Meu objetivo à partir de então era buscar entendimento sobre o mundo e sobre eles. Buscar os indícios de que o mundo sutil existe. Responder aquela pergunta que eu me fiz desde o momento que minha cadela morreu: O que acontece no momento da morte? Passamos pra outra vida? Deixamos de existir por completo?

Minha fé é a de que até o fim da minha vida terrena eu conseguirei responder essas perguntas. Elas me guiam como religião. Elas me permitem viajar entre o mundo científico e o mundo místico. E mais, me permitiram transcender essas coisas e entender que o mundo é Gestalt.

Muitas das pessoas religiosas que passaram pela minha vida não me entenderiam nesse momento. Minha família provavelmente me veria com decepção por não mais acreditar no Deus católico. Minhas crenças transcenderam o mundano e eu finalmente aprendi a lidar com todos os monstros e pesadelos e pensamentos que existiam na minha mente.

Discutir com eles era como discutir com meu antigo eu. Eu sabia todos os argumentos e todas as respostas, com a diferença que eles não as questionariam. Eu os amo e os entendo, e compreendo sua religiosidade.

No entanto, as vezes tenho dificuldade de entender como tanta gente pode continuar a se agarrar em crenças que são baseadas em um texto com tantas inconsistências, ou como eles não conseguem ver que a fé é uma maneira que a religião usa para se proteger do escrutínio. Eu me pergunto se todas as pessoas que conviveram comigo na minha caminhada também tiveram as mesmas dúvidas que eu tive, ou se simplesmente criaram mecanismos para manter as crenças como algo válido para suas vidas.

Então me pergunto: Em que ponto alguém deve se soltar de uma visão de mundo que foi construída ao longo da vida? Em que ponto alguém decidiria desistir da promessa da vida eterna em troca da incerteza da dúvida? O que é preciso pra que isso aconteça? Com tudo isso em mente, eu me lembro:

Para mim, foi necessário muito!

12 de jun. de 2013

Feliz dia dos #morrr

7 de janeiro de 2013.

Essa data é uma data que nunca mais vou esquecer. Sério! Foi o dia da virada da maré na minha vida. Foi o dia em que nada mais no mundo existia além da felicidade de duas pessoas se divertindo. Foi o dia que comecei a namorar. E também é, coincidentemente, o dia que meu marido faz aniversário.

Hoje fazem exatamente 5 meses e 6 dias (ou 157 dias, ou quase 22 semanas) dessa data e estamos aqui, no Dia dos Namorados (ft. Brasil) e eu feliz por esse acontecimento em nossas vidas.

Hoje também fazem 1 mês e 10 dias que estamos morando juntos. Não posso nem começar a definir o quanto estou feliz que a gente está morando junto. Nunca me senti tão feliz e realizado em toda minha vida. Fazer as coisas juntos é uma experiência incrível!

Não sei o que dizer mais nesse dia dos namorados exceto que estou tão feliz que o mundo finalmente voltou a fazer sentido para mim! Meu marido é antes de tudo meu melhor amigo e isso por si só já significa muita coisa!

Feliz dia dos namorados pra vocês!

3 de jan. de 2013

Confusioness

Aqueles sentimentos contraditórios que me partem ao meio. Ao mesmo tempo que quero ele aqui do meu lado, nao quero causar tristeza e angústia por causa da distância!

Eu me sinto tão dividido e destruído por essa catarse. Eu não sei o que fazer nesse momento, mesmo sabendo que no futuro tudo isso se resolverá.

Mas o futuro não é hoje. O hoje me define assim, como um ser totalmente confuso e perdido.

Quero seus braços e seu carinho, para dar meus abraços e meus cuidados. Quero estar perto pra te dizer que te amo com todas as forças de meu ser.

Agora entendo a frase do último Daime...

Você nao têm direitos até que você mude.

25 de dez. de 2012

Triangle

Em algum lugar da minha linha temporal existem Eu, John e Bob.

Eu conheci John, ficamos amigos e trocamos "intimidades" via internet. John pediu sigilo à respeito das nossas "intimidades". Eu descubro mais para frente que John é casado. Com Bob, que aliás não conheço à essa época. Um belo dia de semana, John e Bob terminam seu casamento. John e Bob vão viver suas vidas separados. Tempos depois, eu conheci Bob. Eu avisei John que eu estava conhecendo Bob e John disse que não tinha problemas, afinal eles não estavam mais juntos. Depois de conhecer Bob, eu e ele ficamos amigos, ficamos mais próximos e passamos a nos gostar bastante, mas sem ainda termos trocado "intimidades". Um dia, eventualmente, trocamos "intimidades" mas num nível bem diferente do que eu e John trocamos.

Um dia, John descobre que Eu e Bob estamos conversando. John simplesmente fica extremamente chateado comigo e diz que eu traí a confiança dele. John me conta coisas sobre Bob. Dada a proximidade que eu tenho com John, aquilo que ele me conta me deixa perdido. Quem está certo? Quem está errado? Eu não sei. No final, eu sigo minha fé em Bob e escolho seu lado. Confronto Bob sobre essas coisas que me foram ditas por John. Eu pergunto "Me diga, você teve com outras pessoas conversa no mesmo tom que você teve comigo?" mesmo sabendo que a resposta seria indiferente, apesar de que os cursos de ação seriam diferentes. Bob responde Não. Eu conto pra Bob tudo o que aconteceu entre eu e John.

Bob decide então confrontar John à respeito do falado pra mim. Eu discordo, penso que por mais que John tenha feito isso, ele deveria ser deixado em paz. Bob usa o que eu disse que John me disse pra acuar John. John, acuado, para de fugir e começa a atacar. Eu estou no meio de um fogo cruzado de John e Bob. Bob me usa como espada e John me usa como escudo.

Eu quero morrer.

Bob me diz que John está chorando. John me acusa de ter destruído a vida dele. Eu me sinto a pessoa mais horrível do mundo. Quero me afastar mas não posso, pois gosto de Bob. Assumo minha parte na história e tento pelo menos subir a moral de John, o que falho miseravelmente. Deixo John para lá. Deixo Bob um pouco para lá.

Paro para respirar. Vou dormir com dor de cabeça e com a sensação de ser o vilão na história. Quem eu sou nesse momento? Quem é John? Quem é Bob? Eu não sei. Não tenho perspectiva para enxergar a situação como um todo, afinal, estou 2500 km longe.

A situação pode ter sido resolvida ou não. Eu não sei desse ponto do tempo que escrevi isso, afinal eu decidi enterrar tudo. Não totalmente, afinal esse post existe. Como um aviso para mim. Como um aviso para todos que forem ler esse post.

11 de out. de 2012

Caeryn

Há alguns dias durante uma sessão de meditação com música, eu tive uma visão, um vislumbre.

Como alguns de vocês sabem, eu tenho esse Mundo Interior chamado Entalis, que já existe há alguns anos em mim. E nesse mundo um personagem se destacou aos poucos e foi me motivando a escrever sobre ele, sobre tudo o que ele passava em sua vida pelo mundo.

Esse personagem sou eu. Mas não sou o Eu daqui, da Terra, desse mundo material que todos conhecemos. É o meu Eu como eu imagino que eu fui, que eu sou e que um dia eu serei. E eu tenho um apego muito grande por esse personagem, sabe? Eh como se ele fosse meu filho, minha criação maior e minha real ligação com o meu Mundo Interior.

O vislumbre que eu tive foi que, ouvindo a música Oraanu Pi, da banda E.S. Posthumus, eu soube que ele finalmente deixaria o mundo. Ele morreria.

Eu fui muito pego de surpresa, sabe? Eu não vou negar pra vocês que eu chorei muito quando isso aconteceu. Chorei de soluçar, e alguns amigos meus podem atestar isso pq eu liguei pra eles pra conversar, pra me sentir melhor, pra entender, pra aceitar. E no final eu aceitei isso e então entendi que era decisão dele, e que eu não poderia (e não queria) fazer nada para mudar isso.

Esse personagem, o Caeryn, passou por muita coisa na sua vida. Primeiro foi traído por seu melhor amigo, depois teve de passar vários anos convivendo com a maldição de ter de compartilhar sua mente com a do seu ex-amigo. Também foi usado como arma contra os povos livres de Entalis em sua raiva e quando finalmente se livrou de tudo, descobriu a pior das maldições, a de que ele viveria eternamente e não poderia ser morto por nenhuma força conhecida de Entalis.

No momento do vislumbre, Caeryn tinha por volta de 3 mil anos e estava descrente de tudo, já não mais vivia apesar de não morrer. E quando relembro a escolha dele por finalmente desfazer a maldição e morrer, ele tinha mais vida nos olhos que todos os outros anos que lentamente passaram por eles.

Hoje estou bem com isso, apesar que estou chorando agora ao falar isso para vocês, e acredito que vou chorar muito ainda reconstruindo a história toda que culmina nesse vislumbre do final.

Caeryn, te desejo toda a paz que você nunca teve em todos os seus anos anteriores.

Nai Kuntak Ameike, Caeryn Noriakun!

27 de ago. de 2012

Occam's razor

Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem

Não sei explicar, mas nesses tempos tempestuosos as pessoas deviam conhecer mais sobre esse princípio lógico. Simplificaria tanto as coisas.

Então, vem Antonie de Saint-Exupéry e fala ...

"A perfeição é alcançada não quando não há mais nada para adicionar, mas quando não há mais nada que se possa retirar"

Aí vêm Einstein e me diz isso:

"Tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso"

Daí, é por isso que amo esses velhinhos!

19 de ago. de 2012

Reflowering

E desperta em mim novamente aquilo que eu tinha prometido a mim mesmo que eu não deixaria acontecer de novo.

Mas, são coisas que a gente não controla. Elas acontecem e cabe a nós saber fazer o que é certo com o tempo que nos é dado.

Portanto, que venha esse sentimento e me preencha até o último pedaço do meu ser.

17 de ago. de 2012

Bitcoins

Pessoal, estou escrevendo um post sobre Bitcoins para o blog #tocadoelfo e gostaria de saber se vocês poderiam me ajudar a juntar algumas. Existe esse site chamado Free Bitcoins que dá 0.005 BTC para quem tiver uma conta do Google. E é aqui que eu peço a ajuda de vocês.

Primeiramente, é necessário entrar no site Free Bitcoins Faucet e clicar em "Get Some Now!". Ao clicar nesse link, o site irá fazer uma verificação de autenticidade com o Google (ao estilo que ocorre com Facebook e Twitter) pedindo autorização pra fazer a verificação. Passado esse passo, será mostrado uma caixa em que será necessário informar o número da carteira para onde enviar esse valor. A carteira é a seguinte:

1Nb2WAk5RfTFYk1ci46M4xfqwRtrLiUWFn

Informando a carteira, ele irá enviar o valor informado acima (0.005 BTC é equivalente à R$ 0,10 hoje). Só é possível fazer um pedido por IP e por endereço de e-mail confirmado, então depois de feito, ele avisará do envio pendente, que poderá ser conferido na página Recent Sends.

Assim, depois que vocês fizerem isso, podem conferir na página do Google Accounts para remover a autorização do site, mas pelo que vi ele não solicita nada mais do que uma confirmação de endereço.

Agradeço à quem me ajudar fazendo essa pequena doação! Não custa nada mais do que 5 minutos do seu tempo livre! Um beijo pra todos!

16 de ago. de 2012

Serenity Prayer

God, Grant me the serenity to accept the things I cannot change,
Courage to change the things I can,
And wisdom to know the difference.

13 de jul. de 2012

Datingless

Esse é um assunto que vem me assombrando já têm alguns dias.

Namorar.

Eu não sei explicar o porquê dessa coisa toda, mas como meu objetivo aqui é falar sobre o que me aflige e ser transparente, vamos lá.

Então, tudo começou com uma conversa com um amigo sobre amizade colorida. O tal de fazer carinho, fazer sexo gostoso, assistir filme junto, mas tudo isso sem o peso emocional e as cobranças de um relacionamento sério. Eu acredito que isso possa existir. Esse meu amigo não.

Mas antes que vocês achem que é uma indireta, não é. Eu conversei sobre esse assunto com vários amigos diferentes, em Palmas e na internet, então se vc não se lembra disso, não eh pra vc ok?

Prosseguindo, eu e esse amigo começamos a discutir sobre esse negócio de relação à dois. Para ele, ou é 8 ou 80. Se não for pra namorar, não quer saber de nada disso. Amigo é amigo e namorado é namorado, sem meio termo. Claro que eu discordei dessa posição intransigente, porque eu atualmente consigo ser tudo aquilo que citei lá em cima sem necessitar de uma muleta emocional.

E aqui vamos para o centro da questão. Pra mim relacionamento é isso. Não, eu não tenho uma opinião que eu tomei como verdade de algum pseudo-filósofo de Facebook, eu vivi isso em vários graus diferentes com diferentes pessoas.

Hoje eu enxergo um relacionamento como uma ligação emocional muito intensa e, na minha opinião, perigosa. É se abrir além daquele nível de segurança que todos nós temos. É se doar por inteiro.

Eu não sou dessas pessoas. Eu tenho dificuldade de me abrir. Eu tenho medos e pensamentos que não quero partilhar com ninguém. Eu tenho segredos que não quero que ninguém saiba. E isso, mais do que tudo foi a ruína em todos os meus relacionamentos.

Eu não sou misterioso. Eu tenho uma defesa mental muito grande, vinda dos meus tempos de terror familiar. Era uma guerra fria de desinformação e de aparências e nesse cenário eu forjei boa parte do meu ferramental defensivo. Eu sou até bem aberto aos meus problemas para com alguns amigos bem próximos. O problema é que a grande cobrança era em querer extrair de mim coisas que eu não quero dizer ou não tenho certeza se devo dizer.

Isso é motivado, na verdade, pela frustração. Meus relacionamentos sempre começaram uma maravilha. Até que eu falava algo e era repreendido. Ou outra coisa era irritante. Ou não podia dizer algo porque iria ofender. Eu não me eximo de culpa por não saber lidar com frustrações. Meu modo de funcionamento é: "se eu me frustro com algo, evito fazer com que aconteça de novo".

Claro que isso foi se tornando frequente. Não podia conversar com fulana ou ciclano porque não eram pessoas confiáveis, ou porque o parceiro não conversa mais com tal pessoa e eu para evitar a discussão, tomava o caminho menos doloroso para mim.

Acho que o fato de fazer isso talvez fosse uma forma de egoísmo minha, sabe? Querer evitar conflito. No entanto ele sempre acontece. E nesses casos, vem aquele caminhão de coisa guardada.

Sim, sou dessas pessoas que interioriza as coisas e lá na frente tudo derrama de uma vez só. Como esse post.

Essas cobranças, essas posses, tudo isso na minha visão de relacionamento nada mais é do que querer certezas, ou diminuir inseguranças. Me desculpe, mas quando você faz isso, fere mais ainda a pessoa do outro lado.

Meus relacionamentos sempre se basearam na fé que eu tinha na pessoa. A única coisa que queria era estar junto, partilhar momentos agradáveis, ser companheiro, mas sem perder a minha identidade e individualidade. Vários amigos me disseram que namorar sempre vai ter isso, essa complexidade, essa necessidade de se ter certeza de algo que é a expressão mais subjetiva e incerta do emocional humano.
Hoje eu perdi a fé em relacionamentos. Em parte porque eu perdi várias vezes a fé em meus companheiros, pelos mais diversos motivos. E uma ferida aberta sempre vai deixar uma cicatriz. Eu com certeza deixei uma cicatriz tão profunda quanto as que recebi, não tenho dúvida disso, mas elas estão aqui - algumas bem fundas, e na boa, eu não quero mais feridas não.

Minha visão pode ser deturpada, mas é a visão do que eu vivi nesses últimos 6 anos em que me assumi e passei a investir em descobrir mais o meu lado emocional. Hoje me conheço melhor, mudei muito e me sinto um pouco menos confuso que quando me abri pra esse mundo. Só que infelizmente, é como eu aprendi a enxergar as coisas. E é algo que só mudará quando alguém aparecer com uma proposta diferente. Com um conceito diferente.

Só que eu não estou mais disposto a tentar encontrar essa agulha de ouro no meio do feno. Em algum momento pode aparecer alguém querendo fazer a diferença, mas na minha cabeça será somente mais do mesmo. E é por isso que eu criei mais uma camada de proteção à minha volta. Uma blindagem que me permite ser carinhoso, carente, atencioso, mas sem que com isso eu me sinta compelido a querer desenvolver uma relação mais séria com a pessoa.

É incongruente? Sim, com certeza. Mas uma incongruência que tem funcionado muito bem e que não tem me causado nenhuma ferida desde então.

Você pode argumentar que desse jeito nunca vou ter um grande amor. Provavelmente é verdade! Mas pelo menos eu não me privo de algo que você só quer desenvolver se estiver em uma relação séria.

Eu não tenho problema em manifestar carinho pra uma pessoa que nem sei se vai estar aqui na próxima semana. Essas coisas deviam ser feitas sem esperar que haja algo em troca. Por isso me sinto bem fazendo isso sem um relacionamento. Pq não preciso de um contrato de "eu te dou carinho mas você também precisa me dar".

Está dito. Meu desabafo saiu. Muitos não vão concordar com minha opinião e visão disso mas, e daí, não são vocês que viveram a minha vida, não sabem o que eu passei. Eu espero de vocês pelo menos o tato de perceber que nada do que vocês falarem vai mudar tudo isso que eu disse. Claro que eu enxergo exceções por todos os lados. Tenho vários amigos cujos relacionamentos são lindos. Mas com eles deu certo. Comigo não. Cada experiência é única para cada casal. Infelizmente comigo não dei sorte. Ou foi eu quem estragou tudo. Ou foram eles, BTW. Não interessa. EU SEI QUE COMIGO FOI ASSIM!

No final, sempre fui um lobo solitário. E assim será até o fim, e hoje me sinto feliz assim.

29 de mai. de 2012

A dangerous game

Amor é um jogo. Estou finalmente me dando conta disso. Mas não é algo ruim o fato de ser um jogo. O ruim é ignoramos por tanto tempo isso.

Primeiramente, aprendemos que não devemos nos abrir demais pra pessoa. Depois descobrimos q precisamos nos entregar por completo. Depois percebemos q só estados sofrendo porque nos abrimos em demasia e nos tornamos dependentes do outro, que agora teima em ficar pra sempre, como um fantasma a espreitar, só esperando pra dizer o "eu sabia, você não mudou nada".

As pessoas se armam para o amor. É até engraçado dizer isso, mas é verdade. Jogos de conquista, mão no cabelo, uma bebida no bar, um filme inocente. Tudo porque nenhum dos dois quer correr o risco de sair perdendo. Uma guerra fria onde ninguém perde é melhor que um confronto armado onde alguém pode perder e com certeza ambos teriam baixas.

Não culpo ninguém por ser assim. Faz parte do nosso desenvolvimento emocional. Nos protege dos perigos de se gostar de alguém e não haver reciprocidade.

Afinal, o amor é uma guerra onde os dois lados devem sair ganhando.