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21 de jun. de 2026

Animae Carcer

 As vezes fico pensando em como essa vida é uma prisão... Sobre como tudo parece ser feito para que passemos por algum tipo de provação, como se fosse nosso objetivo sofrer nesse mundo.

Eu quero acreditar que não há nada no fim, mas algo também me diz que têm. Não tenho uma perspectiva boa sobre isso, mas eu fico pensando... E se...

E se existir mesmo o outro lado? E se a gente está aqui por um motivo? Qual esse motivo? O que faz a gente realmente querer vir pra cá? Será que a gente é mandado pra cá pra "aprender uma lição" ou a gente escolheu vir?

Nada disso faz sentido. Mas ao mesmo tempo faz, pq me deixa com raiva. Se eu fui trazido ou se escolhi vir, eu sei que vou sair daqui com mais raiva no espírito que provavelmente antes de vir pra cá. Ou não, não sei como era antes tbm né?

Mas sei lá. São divagações. Eu sei que no fim, o dia que estiver à porta da saída, é o dia que vou me sentir aliviado. Com medo, claro, pq ninguém quer morrer assim, mas aliviado pq tá acabando. Só esperar a consciência se dissolver e pronto. Vou para o vazio, ou para esse "nosso lar" hipotético que dizem existir.

Uma coisa é certa: não quero voltar pra cá de novo. Não é algo que quero reviver. Ponto. 

20 de dez. de 2019

Voidless

Nesse quase solstício de verão, acabei de me dar conta que ultimamente as semanas têm passado como folhas secas no vento.

O rio que corre os eventos de minha vida parece estar acelerando, cada vez mais, perto de chegar no oceano do desaparecimento (ou da próxima vida).

Isso me assusta mas ao mesmo tempo me deixa calmo, pois indica que o fim dessa história chegará mais rápido do que imagino, aquele momento em que a gente descobre se existe algo do outro lado ou não, aquele momento que a gente olha para trás, cumprimenta todos os observadores atentos e sai do palco.

29 de jan. de 2017

The virtue of selfishness

"I'm bad, and that's good. I will never be good, and that's not bad. There's no one I'd rather be than me", Detona Ralph.

As vezes a gente para pra pensar sobre algumas coisas de nossas próprias vidas e nos perguntamos: "será que somos bons com as outras pessoas?" ou "será que somos confiáveis?" e isso tede a ficar martelando a cada vez que você se encontra em uma situação em que você precisa tomar uma decisão difícil.

As vezes só o que temos para poder decidir algo é nossa própria consciência, e nesse ponto se não estamos bem conosco, isso só tende a obscurecer nossa capacidade de julgamento.

Veja bem que falei de consciência, e por consciência digo saber quem nós somos e o que queremos dessa experiência de vida. E isso quer dizer decepcionar pessoas pelo caminho, pois nem todos enxergamos a vida pela mesma ótica e nem esperamos as mesmas coisas dessa experiência.

Por isso, as vezes as pessoas podem nos enxergar como pessoas más, as vezes até nós podemos nos ver assim, mas se isso é uma coisa que nós somos, é essa coisa realmente ruim?

Penso sempre que o mais importante nessa vida é ter constância na forma com que vivo a experiência mundana, e tento manter essa constância na forma com que minhas ações são projetadas.

Dessa forma, não tenho nenhum medo de admitir que não sou uma pessoa boa, mas também não me considero uma pessoa má. Na verdade a única característica que ultimamente coloco como parte da minha personalidade é meu senso de justiça e lealdade. E é através desse senso para com meus próprios objetivos de vida, com as coisas que acredito e que me guiam, que canalizo minhas energias para ajudar alguém ou pra retribuir uma ingratidão, caso veja como necessário ou pertinente.

Eu tenho várias características negativas, assim como também tenho várias características positivas, e conheço todas, pois tive todos esses anos de introspecção e meditação comigo mesmo para conhecer cada pedacinho de cada aspecto da minha personalidade mais aparente, e vários de características mais latentes, mais escondidos atrás de tantas muralhas criadas por mim mesmo para me proteger do mundo, das pessoas, da vida. Algumas dessas características uso rotineiramente e com bastante desenvoltura, outras aparecem ocasionalmente em determinadas situações (stress, felicidade), outras ainda raramente aparecem mas tendem a ser reflexo das minhas defesas internas. E também existem aquelas características que nunca foram postas à prova, mas eu sei que existem, pois eu já criei cenários mentais em que essas características foram, de alguma forma, testadas.

Isso pode parecer errático para as outras pessoas, mas para mim não é. Eu sempre sei o porquê de estar fazendo as coisas, dentro do que conheço à respeito do que estou fazendo. À partir do momento que passei a não mais julgar se algo que estou fazendo foi bom ou ruim para alguém e sim julgar se aquilo merece ser feito ou não segundo o que acredito, eu passei a fazê-lo com mais consistência, com menos dúvidas e, principalmente, com mais fé em mim mesmo.

Saber que fui consistente nessa vida é muito mais importante do que ouvir que fiz o bem para outras pessoas, pois o que os outros pensam sobre mim reflete quem eles são não quem sou eu.

7 de set. de 2016

Nirvanaless

É engraçado como à medida que o tempo vai passando, a minha vontade de fazer coisas nessa realidade vai diminuindo.

É como se nada tivesse realmente o gostinho que eu esperaria ter, não sei se é devido à minha consciência de que a estadia aqui é passageira e, no final, nada que fizer vai servir pra algo ou se é pura e simples depressão.

O fato é que eu olho pra tudo e nada parece real. Será que, se existir outro lado, será assim também?

Lá, no fim de tudo, um dia vou descobrir. Ou não.

28 de mar. de 2016

Noneless

Hoje amanheci com uma vontade de escrever qualquer coisa sem sentido, sem rumo, sem saber onde vou chegar com esse texto, sem nenhum objetivo específico.

É engraçado quando você para para pensar em você, no mundo, nas suas descobertas e nas suas escolhas, tanto de vida quanto de crença (ou não-crença). Eu gosto de divagar de vez em quando sobre a vida, e no ônibus hoje eu me peguei aéreo, tocando o vidro do bus e sentindo sua textura, e digerindo mais uma vez o fato de que um dia isso tudo que eu absorvo vai desaparecer e talz.

Não que isso me deixe triste, de maneira nenhuma! Sabe quando sua maior vontade é de chegar naquele momento que todo mundo têm medo, olhar pra trás, ver tudo o que você fez e encarar o fim da aventura com um sorriso no rosto e uma lágrima nos olhos?

Sorriso no rosto por saber que, assim como tudo no mundo, sua participação no mundo chegou ao fim e, independente do que te espera do outro lado, você se sente realizado com tudo que viveu.

E uma lágrima nos olhos por já começar a sentir saudade disso tudo, de toda essa dificuldade, de todos esses momentos, de todas as memórias, de todas as sensações, cheiros, toques, músicas, e imagens que você colecionou em todos esses anos.

É como fazer uma viagem para um lugar qualquer, sabendo que é provavelmente a última vez que você vai ver aquele lugar que você aprendeu a amar, admirar, independente de todos os defeitos que posam nesse lugar, pois são eles que, por mais que não pareça, tornam o lugar incrível de se vivenciar.

E então, vêm finalmente a viagem, a transferência, a morte, não importa como se chama. O que importa é que vale a pena sentir cada milímetro desse mundo, na alegria e na tristeza, no ódio ou na depressão. Cada experiência conta. E mesmo que tudo isso seja em vão, e que o esquecimento nos aguarde no final, vale a pena saber que, até o último momento, é o momento e a experiência que mais contam.

1 de jan. de 2016

Yearless

Mais um ano civil se passou, mais uma semana de vida para acumular as minhas já 1737 semanas. E pela primeira vez em 10 anos, a rotina será diferente. Moro em uma cidade nova, trabalhando em um trabalho diferente, convivendo com outras pessoas e literalmente começando uma nova vida do zero (só não é do zero pois tem o meu marido comigo pra positivar essa contagem).

O que sei é que esse novo período não começa fácil. São novos dilemas pessoais e profissionais que não sei se estou completamente pronto para enfrentar. Não espero nada de 2016 que não tivesse esperado de 2015 ou dos anos anteriores. Eu só espero alcançar mais entendimento do mundo e de mim mesmo, mais desconexão do mundo e mais ligação com meu mundo interior e, entre outras coisas, fico cada vez mais ansioso por chegar naquele momento que as pessoas tanto têm medo, uma das únicas certezas na vida.

Sim, voltando ao assunto, eu quero alcançar um fim, não quero viver para sempre em qualquer forma extraplanar que possa (ou não) existir. "Tudo que têm um começo, têm um fim" e é assim que acredito que o ciclo de tudo funciona. Sair pela esquerda no fim e abrir espaço para novos atores no mundo.

Afinal, isso nunca mudou em mim: não importa se eu deixei algo para o mundo ou não. O que importa é que em determinado momento da história do universo, eu existi e eu tive plena consciência disso. Isso já é o suficiente pra mim.

Ohm.

22 de out. de 2015

Changeless

Esse negócio de mudar de cidade não é fácil. Estou querendo voltar a escrever aqui no blog sobre esses sentimentos, mas eu me sinto meio desconectado dos mesmos, pra evitar o impacto da ansiedade nesse processo, mas não têm tido muito sucesso. Ontem eu fui parar na enfermaria e hoje tive uma crise depressiva, que se não fosse meu amigo Talles e meu marido Tiw Brás, eu não teria melhorado.

O que percebi é que preciso voltar a me conectar comigo mesmo, lembrar as coisas que eu sou bom em fazer e tomar cuidado com as coisas que eu não sou bom. Essa mudança de cidade é, acima de tudo, uma mudança na forma como eu venho lidando com o mundo. Quero acreditar que vou deixar de ser essa pessoa reativa e começar a ser mais produtiva, mesmo que isso não signifique nada pra mim, afinal não tenho essas baboseiras de precisar deixar um sinal meu no mundo.

O que eu realmente quero (Mário Alberto) é conhecer o mundo, é descobrir o significado de todas as coisas e chegar no final da minha vida e olhar pra tudo o que eu aprendi, e desaparecer feliz sabendo que eu fiz o possível para entender cada partícula existente.

26 de ago. de 2015

Death

Existe um post nesse blog que todo mês eu adio ele em mais um mês. Esse post é um post onde eu deixo meus pensamentos para caso eu morra. Vocês podem achar mórbido o quanto quiserem, mas eu faço isso e sou feliz por não ter medo da minha própria finitude.

Em resumo, esse post (que vocês só conhecerão o conteúdo no momento certo hehe) trás vários pensamentos meus sobre muitas coisas nessa vida. Esse post é constantemente atualizado com novos conteúdos e com alterações de coisas que antes eu acreditava e agora não mais.

Por que estou falando isso? Porque sim.

6 de jul. de 2014

Disbeliefs (ou como me tornei agnóstico)

Post do Passado Distante: 6 de julho de 2011.

Em algum ponto da vida você percebe que "tudo o que lhe foi contado na vida é uma mentira, e seu lugar no mundo é errado". E o que me fez chegar a essa conclusão?

Para mim, aconteceu quando eu tinha uns 12 anos. E não foi algo fácil desde então.

Eu cresci em uma familia conservadora da Igreja Católica Apostólica Romana, em uma cidade do interior de Goiás. Me foi ensinado desde cedo a ter medo de ateístas, de pessoas espiritistas e de qualquer coisa não relacionada à religião. Eu deduzi que elas eram pessoas infelizes cruéis com desprezo pela moralidade e ódio pela vida.

Essas pessoas eram como as vilãs das histórias que eu gostava na época. Eu achava meio difícil acreditar que esse tipo de pessoa existia. Me ensinaram que assassinos como Stalin eram ateus e que as pessoas boas um dia se tornavam santas, heróis da igreja.

As coisas começaram a mudar quando, um dia, perguntei se a alma da minha cadela (que tinha morrido) iria para o céu e me responderam que animais não possuíam alma. Eu não acreditava nisso. Me disseram, ainda, que eles estavam aqui só para satisfação Divina.

Durante um tempo, esse pensamento ficou dormente na minha cabeça, mas ele já havia me feito pensar muito sobre o que era certo e errado. Eu ficava paranóico por ter pensamentos "errados" pois Deus via tudo. Isso me levou a desenvolver um comportamento onde minha mente ocasionalmente disparava uma miríade de pensamentos depravados, quanto mais eu tentasse controlar esses pensamentos. Eu ficava imaginando Deus olhando pra mim em desaprovação. Imaginava que minhas orações não eram atendidas porque eu tinha tais pensamentos. Tive pesadelos quase constantes durante vários anos. Eu não contava a ninguém sobre isso, com medo de também ser desaprovado pela família.

Perdido, sem chão, desesperado, eu me voltei para a única coisa que sempre tinha sido estável na minha vida: minha mente. Pela primeira vez na vida, eu comecei a questionar o que me havia sido ensinado. Levei um tempo para dar mais espaço para a minha mente, descobrindo que minha razão e meu intelecto eram tudo o que eu precisava para entender o mundo, para entender o que era verdade e o que era mito.

Pela primeira vez na vida, li a bíblia do começo ao fim. E durante a leitura, fui vendo o que não via antes: várias partes contraditórias entre si. Não era um livro sagrado, mas várias histórias de várias épocas e vários grupos, nem mesmo necessariamente interligados.

Minha razão foi se fortalecendo aos poucos e eu comecei a questionar a pedra fundamental do meu sistema de crenças: a fé. Por que a fé é uma virtude? Por que Deus se importava tanto com o fato de eu acreditar nele? Por que ele não gostava da razão, se tinha criado a gente com cérebros capazes de usá-la?

No mesmo período, eu estava no rito cristão chamado Crisma. É um momento onde você reforça os votos que você fez na Primeira Comunhão. Na época da primeira comunhão eu era alguém que acreditava em um Deus bonito, bondoso e que "cuidava" dos seus filhos. Na época que eu crismei (mais por seguir protocolo familiar) eu me questionava sobre "Quem era esse Deus vingativo e que joga as pessoas umas contra as outras e toma partido de forma arbitrária?"

O que restou de mim como uma pessoa crente em um Deus estava atordoado com os pensamentos que eu vinha tendo. As histórias que me contavam sobre ateístas, "pessoas que secretamente suspeitavam da existência de Deus mas que negavam sua existência com objetivos nefastos", começaram a parecer nada mais nada menos do que uma arrogância besta por parte das pessoas crentes. Na verdade, tudo o que os católicos (e crentes em geral) brandavam como características negativas dos ateístas eram, na verdade projeções de seus próprios medos e pensamentos negativos. Comecei a perceber que os meus problemas de infância eram os mesmos dos deles, mas eles exteriorizavam isso em pessoas totalmente inocentes, e isso de alguma forma os trazia paz de espírito.

Com o tempo, passei a analisar a própria existência do Deus cristão através da razão, para desespero das migalhas do meu sistema de crenças anterior. Como podia esperar que Deus fosse justo quando ele condenava alguém ao sofrimento eterno só porque não acreditava nele? Especialmente quando a razão era a melhor forma de se discernir entre a verdade e a não-verdade?

Pouco tempo depois, ouvi falar da palavra "agnóstico" e comecei a me perguntar sobre o que tudo isso significava. Minha depressão (que poucas pessoas tiveram a chance de presenciar pois era escondida em várias camadas de personalidades artificiais que eu desenvolvia na época, para tratar de outros assuntos tão complexos quanto) era bastante entrelaçada com a minha confusão religiosa. Até então, eu só tinha duas opções: Ou acreditava em Deus ou não acreditava nele. Ponto final. Fim da linha.

Mas, e se eu pudesse acreditar em algo, mas ao mesmo tempo pudesse manter minha razão e intelecto em busca das respostas ao invés de acreditar cegamente em algo? Foi aí que entendi o significado da palavra recém descoberta. De repente o mundo tinha se tornado extremamente fascinante para que eu ficasse deprimido. Deus não era só um. Deus nem mesmo era mais uma Entidade Divina, mas a maravilhosa representação da projeção coletiva humana! E eram vários, em várias religiões diferentes. E eu queria conhecer todos eles, saber quem eles eram, quais as suas histórias, o que fizeram pelo mundo! De repente, as coisas começaram a fazer sentido novamente!

Eu não acreditava mais em fé, apesar de ter desenvolvido tempos depois algo que pode ser considerado como tal: Eu tinha "fé" de que poderia responder todas as questões do mundo com base nas minha habilidades racionais e intelectuais. Eu diferenciava dos religiosos pois não acreditava cegamente em nada, mas ao mesmo tempo eu não era cético ao ponto de achar que tudo precisa de provas reais e factuais para existir. Eu não era nem ateu nem crente. Eu passei a acreditar desacreditando. Passei a questionar o inquestionável e me perguntar se o místico podia ser real.

Se Deus (ou Deuses) existem ou não, não cabia a mim decidir. Meu objetivo à partir de então era buscar entendimento sobre o mundo e sobre eles. Buscar os indícios de que o mundo sutil existe. Responder aquela pergunta que eu me fiz desde o momento que minha cadela morreu: O que acontece no momento da morte? Passamos pra outra vida? Deixamos de existir por completo?

Minha fé é a de que até o fim da minha vida terrena eu conseguirei responder essas perguntas. Elas me guiam como religião. Elas me permitem viajar entre o mundo científico e o mundo místico. E mais, me permitiram transcender essas coisas e entender que o mundo é Gestalt.

Muitas das pessoas religiosas que passaram pela minha vida não me entenderiam nesse momento. Minha família provavelmente me veria com decepção por não mais acreditar no Deus católico. Minhas crenças transcenderam o mundano e eu finalmente aprendi a lidar com todos os monstros e pesadelos e pensamentos que existiam na minha mente.

Discutir com eles era como discutir com meu antigo eu. Eu sabia todos os argumentos e todas as respostas, com a diferença que eles não as questionariam. Eu os amo e os entendo, e compreendo sua religiosidade.

No entanto, as vezes tenho dificuldade de entender como tanta gente pode continuar a se agarrar em crenças que são baseadas em um texto com tantas inconsistências, ou como eles não conseguem ver que a fé é uma maneira que a religião usa para se proteger do escrutínio. Eu me pergunto se todas as pessoas que conviveram comigo na minha caminhada também tiveram as mesmas dúvidas que eu tive, ou se simplesmente criaram mecanismos para manter as crenças como algo válido para suas vidas.

Então me pergunto: Em que ponto alguém deve se soltar de uma visão de mundo que foi construída ao longo da vida? Em que ponto alguém decidiria desistir da promessa da vida eterna em troca da incerteza da dúvida? O que é preciso pra que isso aconteça? Com tudo isso em mente, eu me lembro:

Para mim, foi necessário muito!

29 de dez. de 2012

Forgiveness

Traços de sangue mareiam a minha vista. Tudo parece estranho. Eu acordo e vejo a chuva cair e meu corpo dolorido, minhas mãos manchadas e um cheiro ocre no ar.

Encontro em seguida uma mulher, morta, no chão. A chuva lavou seus cabelos do sangue que neles havia impregnado. Como ela morreu, eu não me lembro. Mas algo me diz, no fundo do meu coração, de que a sua morte veio pelas minhas mãos.

É tudo o que me lembro agora. Gastei muitos anos tentando entender o significado disso. Só sei que não será agora nem nunca mais que saberei, pois em alguns minutos o fogo que arde na madeira sob meus pés irá me alcançar e levar à minha carne o sofrimento supremo.

As pessoas gritam meu nome como se me amaldiçoassem por suas miseráveis vidas. Mas se esquecem que elas mesmas, escondidas de suas casas, fazem pior que eu, pois matam a cada dia a si mesmas. Eu não as culpo por não serem como eu. Eu não as culpo por não verem as coisas com meus olhos. Eu não as culpo de nenhuma maneira, na verdade.

Eu só sinto que levará muito tempo para alcançarem um estágio em que consigam entender o que eu hoje vejo. Que isso aqui não têm fim nisso. Que tudo continua. E que, lobo ou homem ou garou... Vou ser sempre essa pessoa que eu sempre fui, que hoje sou e que um dia novamente serei.

E o fogo varre meus pensamentos para longe, antes que o fogo os queime junto com a carne.

1 de nov. de 2012

24 de jul. de 2012

Defeitos e Qualidades

Eventos recentes me fizeram trazer à tona um assunto que sempre tento evitar de conversar com as pessoas, pq dessa forma eu acredito que consigo ter tudo sob controle. Esse assunto é comum à todas as pessoas: Defeitos.

Meus relacionamentos anteriores, cada um deles, serviu entre outras coisas para mostrar para mim um lado meu que eu não gosto de ver. Um por exageração, outro por hiper-exposição e esse último por reflexão posterior. A questão é que eu tenho esses defeitos, e eu não gosto que as pessoas vejam esses defeitos.

Voltando ao fato recente, eu finalmente vi à minha frente uma situação que trouxe à tona um lado meu que igualmente não gosto que as pessoas conheçam: Meu orgulho narcisista.

Falando assim até parece que sou um monstro, mas a questão é que eu sou uma pessoa muito orgulhosa da forma como eu guio as coisas na minha vida: tenho orgulho de ter minhas coisas todas em dia, de não dever nada pra ninguém, de depender minimamente das outras pessoas e principalmente, da lealdade que eu cultivo para com meus amigos mais próximos (e antigamente em relacionamentos, mas como isso não vai acontecer mais, então posso descartar como possibilidade).

Esse fato sozinho não causaria tanto estrago se não fosse acompanhado daquela minha incrível habilidade de ser cabeça dura e de não aceitar as coisas sem uma prévia inspeção por minha parte antes. E quando essas duas coisas se juntam, não dá uma merda muito boa.

Mas, estamos aqui para entender um pouco esse meu lado egoísta, não é mesmo? Então ... Como alguns amigos meus já devem estar cansados de saber, eu sou uma pessoa um pouco generosa com recursos financeiros. Não que eu tenha dinheiro saindo pela torneira de casa, mas que eu gosto da sensação de estar ajudando de alguma forma. Pizzas, almoços, e mais uma miríade de coisas que eu faço quase que o tempo todo para aqueles que são mais próximos. E há o outro lado também: eu me sinto MUITO incomodado quando alguém paga pra mim, a ponto de eu preferir não comer ou sair por eu não poder arcar com as despesas. E isso é num nível épico, não um nível normal do tipo "ah ok, então está bom eu aceito".

Há também um outro quesito que esse eu considero o maior de todos e é também a maior fonte desse orgulho, que é minha lealdade para com as pessoas. Raramente eu serei visto quebrando alguma regra (ok, já fiz e já fui multado por isso) ou sendo desleal com alguém com quem me importo (há um caso, mas ele merece um post só pelas implicações que ele têm nos dois últimos relacionamentos). Eu me orgulho muito dessa minha qualidade "ordeira" apesar de eu querer parecer uma pessoa caótica e despreocupada com a vida e as implicações dos meus atos. No entanto, eu digo: eu não faço nada sem pensar nas implicações que isso têm. Eu sempre vou pesar e avaliar as minhas atitudes, as vezes cedo as vezes tarde demais. Mas sempre irei avaliar e, mais importante, sempre irei me criticar à respeito daquela decisão.

Outro ponto bastante complexo da minha pessoa é que eu demoro muito à decidir sobre um determinado assunto, quanto mais complexo e mais implicações ele possui. Eu demoro sim, eu fico indeciso, eu evito pensar nisso, mas no momento que eu tomo uma decisão e escolho um caminho, aquela decisão se torna final. E decidido, a possibilidade de eu voltar atrás é muito pequena, pois uma coisa que eu aprendi é sempre ter orgulho das minhas decisões. Em meu caso em especial que essas decisões são muito pensadas e muito pesadas, meu orgulho pessoal não me deixa voltar atrás.

Infelizmente no meu último relacionamento meu affair conheceu esse meu lado. Esse processo de decisão é complexo e por envolver meu orgulho do começo até o final, não permito que ninguém me influencie.

Há uma coisa que preciso falar à respeito disso tudo que eu falei, e que na verdade é onde eu queria chegar com esse post. Eu sou uma pessoa extremamente orgulhosa, cabeça-dura e indecisa, como pode ser visto acima. Mas isso é algo com que eu convivo, desde que determinados limites não sejam ultrapassados.

Eu sou uma pessoa que não me importo de maneira nenhuma com piadas e coisas do gênero que busquem me denegrir ou me deprimir. Sabe pq? Pq eu sou uma pessoa extremamente crítica e estou sempre avaliando as pessoas, e quase sempre as pessoas que fazem tais brincadeiras de mau gosto comigo gozam de igual privilégio nas minhas avaliações. Simplesmente considero "lixo" tudo o que dizem, por isso não sou afetado por essas pessoas. Da mesma forma, eu não sou ciumento com praticamente nada porque no fundo eu acredito que se a pessoa está comigo ela não irá procurar nada fora. Mas se procurar também não faz diferença. Eu prezo muito a minha individualidade e isso é convertido na minha habilidade em não me preocupar com o que o outro está fazendo, afinal ele têm o livre-arbítrio dele e eu o meu, e tanto ele quanto eu fazemos o que queremos com o tal.

No entanto, existem coisas que me afetam sim, e me afetam muito. Eu as chamo de minhas "Maldições Imperdoáveis", em referência à mitologia de Harry Potter. E da mesma forma que no livro, são três. Para eu perder o respeito (e a fé, dependendo do nível de proximidade)  em uma pessoa, é só fazer isso comigo.

Imperio

A primeira das Maldições Imperdoáveis é tentar influenciar minhas decisões. Não decisões quaisquer, mas me manipular de forma que eu passe a acreditar em algo que não seria natural eu acreditar ou desacreditar. Não é algo difícil de ser feito, realmente eu sou influenciável de acordo com o nível de intimidade da pessoa que está tentando me manipular. Quando eu percebo que isso está acontecendo, o ódio pela pessoa surge instantaneamente.

Crucio

A segunda das Maldições Imperdoáveis é tentar me coagir a fazer algo contra minha vontade. Eu realmente me sinto muito mal quando sou levado a fazer algo que eu não concordo. Você pode ser perguntar "como eu faria algo contra minha vontade?" e eu respondo "quando eu percebo que não há solução, e a melhor forma de evitar conflito é sendo conivente". Não é algo fácil de acontecer comigo. Só pessoas muito mas muito próximas gozam dessa "habilidade". E fazer isso comigo é plantar uma semente que lentamente vai criando raízes e minando minha confiança e fé na pessoa que fez isso. No final, eu tomo uma decisão de não mais aceitar isso e rompo com o ciclo.

Avada Kedavra

E a terceira das Maldições Imperdoáveis é duvidar da minha lealdade e fé na relação com outras pessoas (tanto de amizade quanto de namoro). Eu não sou uma pessoa muito transparente ao que eu sinto e à forma como eu penso, talvez por isso as pessoas possam se equivocar em seus julgamentos, mas infelizmente não há outro jeito. Quando minha lealdade é posta em prova, eu vou tentar defendê-la em um primeiro momento, nem que eu tenha de ajoelhar e explicar que nariz de porco não é tomada. Depois, vêm a fase da depressão, em que eu me sinto mal por duvidarem da minha pessoa e entro em um processo de "morte" ... Meu orgulho morre por um momento e então ele começa a renascer maior e mais resistente que o anterior. O que realmente deixa de existir à partir daquele momento é aquela fé anterior que eu possuía na pessoa que iniciou o processo. É triste quando isso acontece, mas é minha defesa contra um estado depressivo que poderia se estender por tempo indefinido.

Um efeito colateral é o ódio. O ódio é um subproduto que pode aparecer (exceto no primeiro caso, em que o ódio à pessoa é o principal produto da ação) dependendo da gravidade da ação que foi tomada comigo.

Concluindo, eu não me sinto bem dizendo isso. Esse é um lado meu que eu raramente gosto que as pessoas conheçam. Esse é meu demônio, minha sombra, desnudada para todos verem (e lerem). Por algum motivo (relacionado aos eventos recentes) eu achei de bom tom falar sobre isso. Acho que é porque por estar tão à flor da pele e exigindo tanto pensamento por minha parte, e por meu nível de sinceridade estar aumentando gradativamente, que eu achei por bem falar disso aqui.

Eu só queria reiterar que essas três Maldições Imperdoáveis não são algo para se brincar. Brincar com isso é querer ver todo o meu ódio e agressividade sendo direcionados para um único objetivo: causar o maior estrago possível em quem brincou com coisa séria.

De novo, eu estou falando isso porque eu sinto que preciso ser mais transparente. Preciso colocar esses fantasmas para fora com o intuito de que, de alguma forma, eu possa entendê-los e controlá-los melhor. Eu tenho consciência de que nunca estarei livre disso tudo que falei, pois esses "defeitos e qualidades" estão muito enraizados com a minha forma de lidar com a realidade. No entanto, acredito que aos poucos conseguirei neutralizar alguns algoritmos mais nocivos, como já venho conseguindo fazer nesses últimos três anos.

24 de mai. de 2012

Sorrowness

Faz tempo que eu não sentia tal sensação ruim, tal aperto na garganta, tal agonia consumindo minhas forças como faz o fogo quando se espalha no milharal pronto para ser colhido.

É mais ou menos assim que me sinto sobre o dia de ontem. Aparentemente um dia normal. Mas, parece que justo no final as coisas começaram a sair dos seus eixos.

A primeira delas foi conversando com um amigo, em que ele está dando uma super força para outra pessoa, e eu solto uma daquelas infames piadinhas que só eu sei soltar, mas a piada dá margem à outras interpretações. Quando percebi que tinha falado merda, já era tarde.

A segunda, foi o desaparecimento da Sansa essa noite. Tudo bem, ela pode ter saído pra se aventurar por aí, mas mesmo assim, não deixa de me dar um aperto saber que essa é a primeira noite que ela dormiu fora de ksa. Com o John eu não senti isso que tou sentindo com ela.

Terceira, a dor de cabeça que senti hj cedo. Daquelas que os remédios não ajudam muito, cefaléia, ou algo do gênero.

Quarta, a minha grande quantidade de mau humor com que acordei. Acho que consequência dos dois fatos ocorridos.

Só sei que hj tou triste. E o pior, estou facilmente irritável. Nessas condições que estou hj, eu preferiria evitar contato humano, pois é a última coisa que eu quero agora é ver algum ser pseudo-inteligente querer me falar alguma mereda. Exceto meus amigos mais próximos, que pelo menos me conhecem um pouco. Esses eu mesmo estou falando como estou me sentindo.

Bom, é esse o desabafo de hoje. Começando mais um arco agressivo/depressivo na minha temporada 2012.

27 de abr. de 2012

Velhice

Essa noite tive um sonho interessante. Eu sonhava que estava velho e que uma moça bem simpática estava me dando sopa na boca, pois eu não tinha dentes e mal tinha forças pra conseguir segurar o garfo nas mãos. Ela me dizia que gostava de ouvir as histórias que eu tinha pra contar, reais ou imaginárias. Eu não me sentia sozinho, apesar de no sonho eu não ter nenhum familiar próximo há mais de uns 20 anos. Pelas minhas mãos, rosto e pela declaração anterior, eu devia ter algo em torno dos 90 anos.

Eu me sentia bem no sonho. Realizado, como se feliz por relembrar tudo aquilo que eu tinha passado todos os anos anteriores. Eu contava histórias para essa moça que cuidava de mim. Eu acho que eu estava em algum asilo ou algo do tipo. Era estranho, mas eu naquele momento específico não sentia o peso da idade nos meus processos cognitivos. Eu senti esse sonho mais como uma conexão com algum ponto futuro, como se de repente minha mente voasse anos à frente e se encontrasse, por um curto espaço de tempo, naquele corpo idoso.

É engraçado que nem sempre eu pensei muito na minha velhice. No máximo eu me imaginava com uns 60 anos contando historinhas pra crianças sobre coisas que não aconteceram comigo, uma forma de me sentir importante e dar uma imagem heróica. Nunca tinha parado pra sentir a sensação de velhice no corpo, como esse sonho proporcionou. Mas é engraçado, eu estava diferente. Meu pensamento era outro. E eu sabia qual era o motivo.

Eu estava morrendo no sonho. Aqueles eram meus últimos momentos de lucidez, aquele momento onde você têm um último contato com o mundo real da maneira como você o enxergava, antes daquele mergulho em direção ao desconhecido.

Eu só me lembro que nesse momento, eu disse à moça que cuidava de mim "Obrigado por tudo" antes de acordar do sonho enquanto eu desfalecia. Eu sabia que aquela frase não era só para ela, era para o mundo. Eu sei disso pois essa é uma das coisas que eu mais acredito.

Eu me lembro de quando minha tia-avó faleceu. Não me recordo de quem falou com ela, mas suas últimas palavras foram "Eu não quero morrer". Aquele momento, aquela fala, me acordaram bem cedo para o fato de que não somos eternos, que não duramos para sempre. E foi a primeira vez também que eu parei para me enxergar e pensar "Como vai ser na minha vez"?

Viver aqui é uma experiência incrível, e não importa o momento da partida, eu sempre vou estar feliz por ter tido tantas experiências. Quando eu digo a frase "Qualquer coisa depois dos 40 anos é lucro pra mim" não estou querendo dizer que eu não quero viver além dessa idade. É uma forma irônica de dizer que minha maior felicidade é fazer tudo isso que eu faço e que, independente do momento que ocorra essa transição, eu sempre estarei feliz e dignificado por ter tido esse tempo junto com todos vocês.

E então, eu saio pela esquerda e vou pra coxia, esperar todos voltarem (como no final de Titanic) ou não. Se o outro lado existe ou não, eu não me importo, pois se você viver essa vida de forma a sempre se orgulhar dela, o vazio pode ser uma coisa suportável. Ou se sentir bem na outra vida por saber que você viveu de verdade por aqui! Daí, cada um tira a sua interpretação.