Eventos recentes me fizeram trazer à tona um assunto que sempre tento evitar de conversar com as pessoas, pq dessa forma eu
acredito que consigo ter tudo sob controle. Esse assunto é comum à todas as pessoas: Defeitos.
Meus relacionamentos anteriores, cada um deles, serviu entre outras coisas para mostrar para mim um lado meu que eu não gosto de ver. Um por exageração, outro por hiper-exposição e esse último por reflexão posterior. A questão é que eu tenho esses defeitos, e eu não gosto que as pessoas vejam esses defeitos.
Voltando ao fato recente, eu finalmente vi à minha frente uma situação que trouxe à tona um lado meu que igualmente não gosto que as pessoas conheçam: Meu orgulho narcisista.
Falando assim até parece que sou um monstro, mas a questão é que eu sou uma pessoa muito orgulhosa da forma como eu guio as coisas na minha vida: tenho orgulho de ter minhas coisas todas em dia, de não dever nada pra ninguém, de depender minimamente das outras pessoas e principalmente, da lealdade que eu cultivo para com meus amigos mais próximos (e antigamente em relacionamentos, mas como isso não vai acontecer mais, então posso descartar como possibilidade).
Esse fato sozinho não causaria tanto estrago se não fosse acompanhado daquela minha incrível habilidade de ser cabeça dura e de não aceitar as coisas sem uma prévia inspeção por minha parte antes. E quando essas duas coisas se juntam, não dá uma merda muito boa.
Mas, estamos aqui para entender um pouco esse meu lado egoísta, não é mesmo? Então ... Como alguns amigos meus já devem estar cansados de saber, eu sou uma pessoa um pouco generosa com recursos financeiros. Não que eu tenha dinheiro saindo pela torneira de casa, mas que eu gosto da sensação de estar ajudando de alguma forma. Pizzas, almoços, e mais uma miríade de coisas que eu faço quase que o tempo todo para aqueles que são mais próximos. E há o outro lado também: eu me sinto MUITO incomodado quando alguém paga pra mim, a ponto de eu preferir não comer ou sair por eu não poder arcar com as despesas. E isso é num nível épico, não um nível normal do tipo "ah ok, então está bom eu aceito".
Há também um outro quesito que esse eu considero o maior de todos e é também a maior fonte desse orgulho, que é minha lealdade para com as pessoas. Raramente eu serei visto quebrando alguma regra (ok, já fiz e já fui multado por isso) ou sendo desleal com alguém com quem me importo (há um caso, mas ele merece um post só pelas implicações que ele têm nos dois últimos relacionamentos). Eu me orgulho muito dessa minha qualidade "ordeira" apesar de eu querer parecer uma pessoa caótica e despreocupada com a vida e as implicações dos meus atos. No entanto, eu digo: eu não faço nada sem pensar nas implicações que isso têm. Eu sempre vou pesar e avaliar as minhas atitudes, as vezes cedo as vezes tarde demais. Mas sempre irei avaliar e, mais importante, sempre irei me criticar à respeito daquela decisão.
Outro ponto bastante complexo da minha pessoa é que eu demoro muito à decidir sobre um determinado assunto, quanto mais complexo e mais implicações ele possui. Eu demoro sim, eu fico indeciso, eu evito pensar nisso, mas no momento que eu tomo uma decisão e escolho um caminho, aquela decisão se torna final. E decidido, a possibilidade de eu voltar atrás é muito pequena, pois uma coisa que eu aprendi é sempre ter orgulho das minhas decisões. Em meu caso em especial que essas decisões são muito pensadas e muito pesadas, meu orgulho pessoal não me deixa voltar atrás.
Infelizmente no meu último relacionamento meu affair conheceu esse meu lado. Esse processo de decisão é complexo e por envolver meu orgulho do começo até o final, não permito que ninguém me influencie.
Há uma coisa que preciso falar à respeito disso tudo que eu falei, e que na verdade é onde eu queria chegar com esse post. Eu sou uma pessoa extremamente orgulhosa, cabeça-dura e indecisa, como pode ser visto acima. Mas isso é algo com que eu convivo, desde que determinados limites não sejam ultrapassados.
Eu sou uma pessoa que não me importo de maneira nenhuma com piadas e coisas do gênero que busquem me denegrir ou me deprimir. Sabe pq? Pq eu sou uma pessoa extremamente crítica e estou sempre avaliando as pessoas, e quase sempre as pessoas que fazem tais brincadeiras de mau gosto comigo gozam de igual privilégio nas minhas avaliações. Simplesmente considero "lixo" tudo o que dizem, por isso não sou afetado por essas pessoas. Da mesma forma, eu não sou ciumento com praticamente nada porque no fundo eu acredito que se a pessoa está comigo ela não irá procurar nada fora. Mas se procurar também não faz diferença. Eu prezo muito a minha individualidade e isso é convertido na minha habilidade em não me preocupar com o que o outro está fazendo, afinal ele têm o livre-arbítrio dele e eu o meu, e tanto ele quanto eu fazemos o que queremos com o tal.
No entanto, existem coisas que me afetam sim, e me afetam muito. Eu as chamo de minhas "Maldições Imperdoáveis", em referência à mitologia de Harry Potter. E da mesma forma que no livro, são três. Para eu perder o respeito (e a fé, dependendo do nível de proximidade) em uma pessoa, é só fazer isso comigo.
Imperio
A primeira das Maldições Imperdoáveis é tentar influenciar minhas decisões. Não decisões quaisquer, mas me manipular de forma que eu passe a acreditar em algo que não seria natural eu acreditar ou desacreditar. Não é algo difícil de ser feito, realmente eu sou influenciável de acordo com o nível de intimidade da pessoa que está tentando me manipular. Quando eu percebo que isso está acontecendo, o ódio pela pessoa surge instantaneamente.
Crucio
A segunda das Maldições Imperdoáveis é tentar me coagir a fazer algo contra minha vontade. Eu realmente me sinto muito mal quando sou levado a fazer algo que eu não concordo. Você pode ser perguntar "como eu faria algo contra minha vontade?" e eu respondo "quando eu percebo que não há solução, e a melhor forma de evitar conflito é sendo conivente". Não é algo fácil de acontecer comigo. Só pessoas muito
mas muito próximas gozam dessa "habilidade". E fazer isso comigo é plantar uma semente que lentamente vai criando raízes e minando minha confiança e fé na pessoa que fez isso. No final, eu tomo uma decisão de não mais aceitar isso e rompo com o ciclo.
Avada Kedavra
E a terceira das Maldições Imperdoáveis é duvidar da minha lealdade e fé na relação com outras pessoas (tanto de amizade quanto de namoro). Eu não sou uma pessoa muito transparente ao que eu sinto e à forma como eu penso, talvez por isso as pessoas possam se equivocar em seus julgamentos, mas infelizmente não há outro jeito. Quando minha lealdade é posta em prova, eu vou tentar defendê-la em um primeiro momento, nem que eu tenha de ajoelhar e explicar que nariz de porco não é tomada. Depois, vêm a fase da depressão, em que eu me sinto mal por duvidarem da minha pessoa e entro em um processo de "morte" ... Meu orgulho morre por um momento e então ele começa a renascer maior e mais resistente que o anterior. O que realmente deixa de existir à partir daquele momento é aquela fé anterior que eu possuía na pessoa que iniciou o processo. É triste quando isso acontece, mas é minha defesa contra um estado depressivo que poderia se estender por tempo indefinido.
Um efeito colateral é o ódio. O ódio é um subproduto que pode aparecer (exceto no primeiro caso, em que o ódio à pessoa é o principal produto da ação) dependendo da gravidade da ação que foi tomada comigo.
Concluindo, eu não me sinto bem dizendo isso. Esse é um lado meu que eu raramente gosto que as pessoas conheçam. Esse é meu demônio, minha sombra, desnudada para todos verem (e lerem). Por algum motivo (relacionado aos eventos recentes) eu achei de bom tom falar sobre isso. Acho que é porque por estar tão à flor da pele e exigindo tanto pensamento por minha parte, e por meu nível de sinceridade estar aumentando gradativamente, que eu achei por bem falar disso aqui.
Eu só queria reiterar que essas três Maldições Imperdoáveis não são algo para se brincar. Brincar com isso é querer ver todo o meu ódio e agressividade sendo direcionados para um único objetivo: causar o maior estrago possível em quem brincou com coisa séria.
De novo, eu estou falando isso porque eu sinto que preciso ser mais transparente. Preciso colocar esses fantasmas para fora com o intuito de que, de alguma forma, eu possa entendê-los e controlá-los melhor. Eu tenho consciência de que nunca estarei livre disso tudo que falei, pois esses "defeitos e qualidades" estão muito enraizados com a minha forma de lidar com a realidade. No entanto, acredito que aos poucos conseguirei neutralizar alguns algoritmos mais nocivos, como já venho conseguindo fazer nesses últimos três anos.