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20 de dez. de 2019

Voidless

Nesse quase solstício de verão, acabei de me dar conta que ultimamente as semanas têm passado como folhas secas no vento.

O rio que corre os eventos de minha vida parece estar acelerando, cada vez mais, perto de chegar no oceano do desaparecimento (ou da próxima vida).

Isso me assusta mas ao mesmo tempo me deixa calmo, pois indica que o fim dessa história chegará mais rápido do que imagino, aquele momento em que a gente descobre se existe algo do outro lado ou não, aquele momento que a gente olha para trás, cumprimenta todos os observadores atentos e sai do palco.

17 de nov. de 2016

Syzygyness

Tudo começa com você acordando. Você não nota nada de diferente no começo mas todas as pessoas estão lhe olhando diferente e você não sabe o porquê. Você vai até o espelho e percebe que você não é você, você é um construto mecânico. E não entendendo o que se passa, você tenta recapitular quando foi que tudo mudou. Será que era porque estava na cama por alguns dias com febre? Será que era por causa daquela visita estranha na noite anterior? E então você nota que todas as pessoas que você conhece estão alguns anos mais velhas, como se 10 anos tivessem passado em um piscar de olhos.

Este foi um sonho que tive há alguns dias, extremamente real e com muito mais detalhes que citei acima. Esse foi só o começo dele, e ele ainda foi muito longe, até um ponto onde finalmente pude entender um questionamento que venho fazendo nos últimos anos sobre o que é essa entidade observadora que existe no fundo de nós.

Essencialmente, o sonho me deu vários insights para os mecanismos que regem a consciência, e depois de muito divagar à respeito, a conclusão que chego é que o que acontece de diferente é o que descreverei abaixo.

Nossa consciência nada mais é do que um fluxo retroalimentado de análises das nossas próprias memórias. Nada mais. Não existe explicação mais complexa ou mística à respeito disso. É só você pensar sobre como seu cérebro sempre usa informações sensoriais e julgamentos tomados para definir o que é nossa personalidade. Na realidade, nós não existimos como entidades, nós existimos como construtos de personalidade baseada nas nossas experiências passadas.

É difícil assimilar isso, e só com uma divagação bastante profunda sobre nossa própria existência que foi possível que eu chegasse à essa conclusão. Essencialmente, somos máquinas biológicas que operam um conjunto de dados em constante mutação.

Isso só me faz lembrar o épico filme chamado Chappie, do cineasta Neill Blomkamp, que nos leva a questionar exatamente isso que chamamos de consciência, daquilo que aparentemente nos torna únicos.

Não se engane, no entanto. Nós continuamos únicos, afinal o maquinário de cada pessoa é ligeiramente diferente uns dos outros, e os conjuntos de memórias e experiências de vida também são diferentes, criando a miríade de identidades projetadas que estamos acostumados a interagir como eu, você, a moça do mercado e o cobrador de ônibus.

O engraçado é que chegar à essa conclusão me trás mais calma do que aflição, como alguns já disseram em um post anterior (Provenanceness) onde eu fiz um questionamento sobre "sua vida mudaria se você se descobrisse uma máquina". Vários de meus amigos falaram que iriam continuar seguindo suas vidas, sem contar as pessoas e evitando pensar nisso novamente. Eu, como disse nesse mesmo post, não conseguiria, eu precisaria explorar essa nova faceta, e de fato é o que venho fazendo desde que me entendo por ser vivo.

Agora, o mais importante na minha visão é como explorar melhor esse conhecimento e como ampliar a minha capacidade de trabalhar esse conceito de personalidade de forma a poder melhorar aspectos da minha vida que precisam ser melhorados.

Não que queira melhorar ou corrigir todos, mas sempre há espaço para melhoramentos, afinal é o que fazemos com uma máquina.

22 de mai. de 2016

Rediceless

Então você vê nas fotos do instagram dos amigos que o maior crush da sua vida dos 16 aos 23 acabou de casar e os dois estavam lindos.

Queria eu estar no lugar dela? Sim. Mas esses são outros tempos e essas águas já passaram há muito tempo.

Dentre as lembranças que tive desse crush, me peguei lembrando de conversas animadas com ele em seu quarto, falando de rpg ou de qualquer outro assunto tão empolgante quanto.

Bom, que seja muito feliz em seu casamento, de verdade.

Pra quem quer conhecer a história toda, pode ver o post Diceless.

Adendo: Segundo a Notação Internacional de Crush, ele possui as características Bonito, Sexy, Inteligente e Engraçado, totalizando um total de todas as características crushescas conhecidas.

28 de mar. de 2016

Noneless

Hoje amanheci com uma vontade de escrever qualquer coisa sem sentido, sem rumo, sem saber onde vou chegar com esse texto, sem nenhum objetivo específico.

É engraçado quando você para para pensar em você, no mundo, nas suas descobertas e nas suas escolhas, tanto de vida quanto de crença (ou não-crença). Eu gosto de divagar de vez em quando sobre a vida, e no ônibus hoje eu me peguei aéreo, tocando o vidro do bus e sentindo sua textura, e digerindo mais uma vez o fato de que um dia isso tudo que eu absorvo vai desaparecer e talz.

Não que isso me deixe triste, de maneira nenhuma! Sabe quando sua maior vontade é de chegar naquele momento que todo mundo têm medo, olhar pra trás, ver tudo o que você fez e encarar o fim da aventura com um sorriso no rosto e uma lágrima nos olhos?

Sorriso no rosto por saber que, assim como tudo no mundo, sua participação no mundo chegou ao fim e, independente do que te espera do outro lado, você se sente realizado com tudo que viveu.

E uma lágrima nos olhos por já começar a sentir saudade disso tudo, de toda essa dificuldade, de todos esses momentos, de todas as memórias, de todas as sensações, cheiros, toques, músicas, e imagens que você colecionou em todos esses anos.

É como fazer uma viagem para um lugar qualquer, sabendo que é provavelmente a última vez que você vai ver aquele lugar que você aprendeu a amar, admirar, independente de todos os defeitos que posam nesse lugar, pois são eles que, por mais que não pareça, tornam o lugar incrível de se vivenciar.

E então, vêm finalmente a viagem, a transferência, a morte, não importa como se chama. O que importa é que vale a pena sentir cada milímetro desse mundo, na alegria e na tristeza, no ódio ou na depressão. Cada experiência conta. E mesmo que tudo isso seja em vão, e que o esquecimento nos aguarde no final, vale a pena saber que, até o último momento, é o momento e a experiência que mais contam.

15 de fev. de 2016

Eagerness

Uma coisa que tenho percebido que têm acontecido com o passar dos anos é a minha diminuição por desejar algo de forma compulsiva.

Antigamente, eu não conseguia fazer outra coisa senão ficar olhando todos os reviews de celulares, ou de jogos, ou de qualquer coisa que eu julgasse extremamente importante para minha satisfação pessoal naquele momento.

Hoje, eu olho para coisas que eu desejo e, por um momento, sinto um forte desejo de possuir essas coisas mas, depois de pouco tempo esse desejo passa, sem deixar nenhum sentimento de frustração, como ocorria antigamente.

Não que o desejo tenha desaparecido, mas atualmente ele não parece ser tão importante na minha vida e, como qualquer mecanismo mental, é passível de adaptação, eu acho.

Penso que, ante a efemeridade da vida humana, essas coisas passam a não fazer tanto sentido, no que tange às experiências que vamos tendo durante nossas vidas. Afinal, a única coisa que podemos dizer que é nossa de verdade são as experiências, e nem sempre esses desejos se compõem em experiências que iremos nos lembrar.

Dado isso, acho que é parte do processo de desconexão do mundo, esse processo de não ver mais graça nas coisas que não estão dentro da minha mente. Afinal, isso é a única coisa que posso falar que é meu, "et veritas" e, independente do desfecho que a vida nos dá, representa quem somos de verdade: um mundo imenso de experiências se inter-relacionando.

11 de jan. de 2016

Título

Inteligência não é parecer esperto para os bobos, mas parecer bobo para os espertos.

10 de dez. de 2015

Learningness

you live, you learn
you love, you learn
você dá bafão, you learn
you lose, you learn
you bleed, you learn
you scream, you learn
você cria expectativas irreais, you learn
you choke, you learn
you laugh, you learn
você faz papel de trouxa, you learn
you pray, you learn
you ask, you learn
você fica toda cagada, you learn

25 de set. de 2015

Mega sonho lúcido da noite de hoje

Bom dia povo!

Faz tempo que não posto sobre sonhos lúcidos aqui no Nosenseless, e na realidade não tenho tido muitos ultimamente por falta de prática. No entanto, essa noite aconteceu um que me surpreendeu muito pelo nível de realidade e pela duração do mesmo.

Vamos ao relato. Primeiramente, eu estava no sonho em uma cidade (que é sempre recorrente em meus sonhos) andando por uma região suburbana. Não sei o que me fez fazer o check de realidade, mas tive um estalo de que aquilo poderia ser um sonho. Fiz o check e voilà, ce que nous devons faire.

Como já disse outras vezes, quando eu fico consciente de que estou dentro de um sonho, eu passo a controlar quaisquer aspectos do mesmo, como aparições de objetos e pessoas, como vou interagir com elas, crio habilidades sobrenaturais para mim como voar, afastar as pessoas e mover as coisas com "a mente".

Nesse sonho, quando fiquei consciente, a primeira coisa que fiz foi voar e observar a cidade de cima. Era a cidade que frequentemente aparece em sonhos que eu tenho. Percebido isso, foi explorar a cidade. Não havia ninguém exceto eu na cidade. Sabendo disso eu só pensei "as pessoas podiam sair de suas casas" e então de repente tinha aquela multidão de pessoas. Achei estranho que o sonho não ameaçou colapsar em nenhum momento, como frequentemente acontece quando você altera demais um sonho seu.

O engraçado é que eu fiquei interagindo com o sonho por muito tempo. E fui ficando. Quando vi, eu já tinha passado alguns anos dentro do mesmo e o pior é que eu conseguia lembrar de detalhes que aconteceram durante os quase 40 anos de tempo de sonho.

O que mais me assustou foi que quando eu "cansei" de ficar dentro do sonho, eu comecei a acordar. O problema é que quando eu acordei, eu não me lembrava quem eu era e de onde eu estava. Não reconheci o morr e fiquei olhando em volta e depois de quase uns 30 minutos, as lembranças começaram a voltar e comecei a me acalmar. Depois disso tomei banho, vim trabalhar e agora estou aqui escrevendo sobre essa experiência.

Sei que foi uma das experiências mais intrigantes que já tive em relação a sonhos lúcidos.

27 de jul. de 2015

Humanizer

Não acredito em deuses, acredito em pessoas, não importa de que lado estejam.

Κύριε ελέησον

Hoje ouvi uma música que representa muito do que estou sentindo hoje, sobre o sonho que tive de manhã, sobre as coisas que eu acredito e sobre o meu lugar no mundo ...

"E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando ir pra casa" Joan Osborne - One of Us

E apesar de não acreditar muito na figura de um deus, eu acredito que todos estamos em uma caminhada, e alguns estão mais à frente que a gente e outros mas atrás, mas no final todos estão andando para algum lugar melhor que hoje.

As vezes aquele que é Deus, ou Jesus, ou Khrishna ou Oxalá, para os outros, são pessoas como eu, como vocês, que dentre todas as coisas, só busca seu lugar no mundo...

Peopleless

Essa noite tive um sonho interessante... Um homem moreno e de barba chegou pra mim e disse "Olá, eu sou Jesus, você me conhece?" e eu respondi "Sim, já ouvi falar de você, khrishna e oxalá falam muito de ti", aí nós quatro nos sentamos embaixo de uma árvore com umas frutinhas azul-escuro e ficamos filosofando sobre a origem do mundo.

Achei o sonho muito legal e descontraído e achei que deveria compartilhar aqui com vocês ...

8 de mar. de 2014

Desintoxication

A partir do momento que separamos o "Eu preciso" do "Eu quero" e passamos a entender o significado de cada uma das partes, todas as compulsões passam a não fazer mais sentido.

14 de jun. de 2013

Foretimeness

Passado. Lembranças. Saudades. Vontade de ser o que já se foi um dia. No entanto, é no presente que vivemos. É na construção do hoje que podemos alcançar e superar a nós mesmos em nossas próprias vitórias passadas.

"Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência
Adormecerá!
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material"

Quando olho para o passado e vejo a quantidade de vitórias (e também derrotas) que tive, penso no hoje e me pergunto porque não sou daquele jeito mais. Aquele foi eu, não sou eu, portanto aquelas vitórias não são vitórias do meu eu de hoje, não são derrotas do meu eu de hoje. Cada uma delas serviu para um crescimento espiritual e moral específico, mas a dificuldade de me desgarrar delas ainda é grande.

As vezes eu queria ser só eu mesmo, sem me preocupar com as visões do passado, mas isso é realmente uma coisa que eu nunca consegui deixar para trás.

Para poder ser Eu, preciso deixar de ser Eu.

Om mani padme hum.

25 de abr. de 2013

ἰδιοσυγκρασία (idiossincrasias)

Engraçado, eu tenho essa necessidade de querer entender como a outra pessoa pensa. Para mim, se eu souber como a pessoa pensa, eu vou conseguir entender ações que ela tomar e conseguir viver com aquilo.

Mas claro, nem tudo é um mar de rosas. Primeiro que eu não tenho como saber o que os outros pensam, somente fazendo uma análise da forma como eu escondo e altero a minha realidade. Segundo, que as vezes decisões são tomadas que nada têm a ver com a forma com que minha mente funciona, como virar à esquerda ou seguir reto para ir para casa, simplesmente escolho randomicamente. E terceiro, saber que a pessoa pensa de um jeito e esperar que a ação tomada por ela seja daquele jeito me faz sentir uma pessoa muito horrível por prejulgar os outros dessa forma.

Daí, eu esqueço isso ... Até a próxima crise.

29 de jan. de 2013

Beautifulness

O que você faz nas horas vagas? R: Sou lindo.

E no resto do tempo? R: Não sei, nunca parei pra pensar nisso ...

28 de nov. de 2012

Choices

Eu acho que há um momento em que um homem tem que se perguntar se ele quer uma vida de felicidade ou uma vida de significados.

Querer os dois não é possível. São caminhos muito distintos. Para ser feliz o homem precisa viver completamente no presente, sem nenhum pensamento no que aconteceu e nem no que vai acontecer. Mas ter uma vida de significado, o homem precisa apodrecer no passado e ser obcecado pelo futuro.

20 de out. de 2012

Repeating Eras

É engraçado como tudo sempre acontece praticamente da mesma maneira na vidas pessoas, já perceberam?

Hoje vendo uma foto recente de duas amigas e colegas de ensino médio me fez pensar em como tudo é sempre igual. Não totalmente igual, porque cada um têm suas próprias experiências pessoais e que jamais se repetem. No entanto, quando vamos nos afastando do nível pessoal começam a aparecer determinados padrões que se repetem em intervalos regulares na evolução da raça humana.

Ver essas duas amigas disparou em mim memórias da época que eu também estava no ensino médio, com meus 15/16/17 anos. Hoje estou com 30 e entendo cada vez mais todo aquele caminho que meus pais, tios e pessoas mais velhas passaram, os problemas que enfrentaram ...

Outra coisa que me intriga desde sempre é a forma como as pessoas lidam com isso. Eu tenho essa visão interior do mundo, um reflexo do que acontece no exterior e sempre me faz querer entender tudo e a todos. Também vejo que algumas pessoas raramente ou nunca tiveram questionamentos parecidos com os meus.

A mente (e porque não dizer, a alma) humana é algo que me fascina, pois apesar de toda essa repetição do padrão "nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer", dá a cada pessoa uma visão de mundo que é totalmente diferente de qualquer outra visão de mundo de qualquer outro ser senciente que já andou, que anda ou que algum dia andará por essas terras.

Por algum motivo, eu lembro de um sonho que tive há alguns meses, que intitulei de "Velhice" e que têm certa relação com isso tudo.

Afinal, nós morremos porque nascemos, mas nós não nascemos somente para morrer.

13 de out. de 2012

Runaway

Eu quero fugir
Nunca dizer adeus
Eu quero saber a verdade
Ao invés de imaginar por que
Eu quero saber as respostas
Nenhuma mentira mais
Eu quero fechar a porta
E abrir minha mente

24 de set. de 2012

Amicíssimos

E o meu final de semana Paulista está terminando. Sinceramente, estou muito contente e triste ao mesmo tempo. Contente porque conheci pessoalmente pessoas maravilhosas e que já faziam parte importante da minha vida nessa nova temporada do meu seriado e triste porque o nosso encontro foi tão breve.

Também estou triste pois estou indo embora de São Paulo hoje. Não sei o que tem nessa cidade mas sempre que estou aqui me sinto numa energia diferente.

E o clima também estava diferente. Fez 17 graus ontem na Paulista e eu queria morrer.

Também revi lugares que gosto como o Center 3, os milhares de Starbucks do Centro e, pasmem, o metrô.

Ehh engraçado dizer isso na eu adoro esse metrô de Sampa. Eu poderia ficar horas andando nele (como já fiquei) ...

Bom, eh isso. Daqui um pouco eh hora de pegar o bus de volta para Jataí e daqui duas semanas pegar de novo a moto pra voltar pra Palmas e de volta a minha mais-ou-menos vida de trabalho.

Obrigado Tiw, Nilton, Beto, Ratu e Dani por esse final de semana incrível que passei com vocês! Foi tão memorável que menestréis élficos escreveão baladas épicas sobre nosso encontro!