20 de mai. de 2025
Cage d’échos
No fim, aproveitamos esta prisão para tentar tornar esse sofrimento e tristeza suportáveis. As vezes uma cortina aqui e ali, as vezes um outro detento do nosso lado por uma parte da nossa estadia. Vivendo de prazer em prazer, de agonia em agonia, em um ciclo sem fim de variações. Escrevemos livros, inventamos histórias, criamos religiões para tentar retratar essa prisão como um lugar bonito, com um carcereiro que nos botou aqui porque quer o nosso bem, desde que sigamos as regras da prisão. E são tantas religiões quantas são os encarcerados, para todos os gostos e idades. Criamos entretenimento para esquecermos a corrente que está no nosso pescoço, para mostrar um impossível que nos faz achar que é possível aquilo. Mas a corrente têm comprimento fixo. Ela não chega até esse santuário.
Em troca de pequenas boas sensações, uns pisam nos outros, tentam fazer sua prisão melhor à expensa do espaço do outro. Nos alimentamos dos menos capazes, e somos assaltados pelos mais preparados, em uma eterna cena de "coma ou seja comido".
Com o tempo começamos a aproveitar a prisão como ela é, então começamos a criar casamentos, família, ter filhos. No fim, criamos tantos significados, teorias e problemas que esquecemos que estamos de fato em uma prisão e que o único propósito de um prisioneiro é ser libertado o mais rápido possível. No entanto, ninguém jamais saiu dessa prisão. Ou se saiu, nunca mais voltou para libertar os outros ou dar esperanças de libertação.
A verdade é que a morte é a única porta de saída dessa prisão. Uma hora chega. Seja por vontade própria, seja por falta de vontade, seja por infortúnio (ou sorte). Mas não há outra saída.
Cada pessoa é um encarcerado. Cada pessoa é um átomo. E todos somos átomos.
Desejo a todos, e especialmente àqueles que já se cansaram disso, uma verdadeira liberdade.
8 de out. de 2022
L'art d'être oreille
Engraçado como as vezes a gente descobre pessoas incríveis ali, do nosso lado, pessoas que sempre existiram próximas, mas que nossas próprias barreiras cotidianas sempre nos impediram (e a eles) de nos entreolharmos, e enxergarmos aquilo que realmente nos faz humanos.
Tenho tido conversas tão incríveis com um conhecido recente de um grupo de amigos que faço parte que tenho me surpreendido com essa conexão. Parece que os sofrimentos mútuos de cada um, aquela visão sábia de que antes de vivermos, nós sobrevivemos, os assuntos em comum, a proximidade de gerações, tudo isso conta para que essas conversas sejam sempre inebriantes, como beber um licquor que vc sabe que está há muito tempo curtindo e esperando para ser consumido.
É difícil eu me encontrar nesse local de fala hoje, pois sempre fui uma pessoa muito isolada e mesmo meus amigos anteriores não eram tão amigos assim (o que é uma explicação superficial de pq eu apaguei todas as minhas redes sociais). Eu sempre sinto muita falta dessa identificação, de saber que não sou só eu quem passei por determinadas situações na vida, que olha para o futuro e para o passado e vê uma estrada sendo percorrida e não só os clubes ou as pedras no caminho.
Estou sendo dramático? Olha, se acharem uma única vez que eu não fui, me mostrem, porque olha...
Mas assim, eu fico feliz de descobrir essa conexão, eu me sinto menos solitário em meio ao meu grupo de amigos, pois estou sempre me perguntando se estou mesmo no lugar certo, com as pessoas certas, com as palavras certas, pq pra mim sempre parece que estou só sendo extremamente pedante e carente de atenção.
E é sobre isso a reflexão de hoje.
29 de jan. de 2017
The virtue of selfishness
"I'm bad, and that's good. I will never be good, and that's not bad. There's no one I'd rather be than me", Detona Ralph.
As vezes a gente para pra pensar sobre algumas coisas de nossas próprias vidas e nos perguntamos: "será que somos bons com as outras pessoas?" ou "será que somos confiáveis?" e isso tede a ficar martelando a cada vez que você se encontra em uma situação em que você precisa tomar uma decisão difícil.
As vezes só o que temos para poder decidir algo é nossa própria consciência, e nesse ponto se não estamos bem conosco, isso só tende a obscurecer nossa capacidade de julgamento.
Veja bem que falei de consciência, e por consciência digo saber quem nós somos e o que queremos dessa experiência de vida. E isso quer dizer decepcionar pessoas pelo caminho, pois nem todos enxergamos a vida pela mesma ótica e nem esperamos as mesmas coisas dessa experiência.
Por isso, as vezes as pessoas podem nos enxergar como pessoas más, as vezes até nós podemos nos ver assim, mas se isso é uma coisa que nós somos, é essa coisa realmente ruim?
Penso sempre que o mais importante nessa vida é ter constância na forma com que vivo a experiência mundana, e tento manter essa constância na forma com que minhas ações são projetadas.
Dessa forma, não tenho nenhum medo de admitir que não sou uma pessoa boa, mas também não me considero uma pessoa má. Na verdade a única característica que ultimamente coloco como parte da minha personalidade é meu senso de justiça e lealdade. E é através desse senso para com meus próprios objetivos de vida, com as coisas que acredito e que me guiam, que canalizo minhas energias para ajudar alguém ou pra retribuir uma ingratidão, caso veja como necessário ou pertinente.
Eu tenho várias características negativas, assim como também tenho várias características positivas, e conheço todas, pois tive todos esses anos de introspecção e meditação comigo mesmo para conhecer cada pedacinho de cada aspecto da minha personalidade mais aparente, e vários de características mais latentes, mais escondidos atrás de tantas muralhas criadas por mim mesmo para me proteger do mundo, das pessoas, da vida. Algumas dessas características uso rotineiramente e com bastante desenvoltura, outras aparecem ocasionalmente em determinadas situações (stress, felicidade), outras ainda raramente aparecem mas tendem a ser reflexo das minhas defesas internas. E também existem aquelas características que nunca foram postas à prova, mas eu sei que existem, pois eu já criei cenários mentais em que essas características foram, de alguma forma, testadas.
Isso pode parecer errático para as outras pessoas, mas para mim não é. Eu sempre sei o porquê de estar fazendo as coisas, dentro do que conheço à respeito do que estou fazendo. À partir do momento que passei a não mais julgar se algo que estou fazendo foi bom ou ruim para alguém e sim julgar se aquilo merece ser feito ou não segundo o que acredito, eu passei a fazê-lo com mais consistência, com menos dúvidas e, principalmente, com mais fé em mim mesmo.
Saber que fui consistente nessa vida é muito mais importante do que ouvir que fiz o bem para outras pessoas, pois o que os outros pensam sobre mim reflete quem eles são não quem sou eu.
9 de fev. de 2016
Hearingness
Quem me conhece me enxerga como uma pessoa paciente, que parece ouvir a opinião alheia e até mesmo me sensibilizar por suas causas, sejam elas irrelevantes ou não. Na realidade, o que ocorre é que na maior parte do tempo, esse comportamento é simulado de forma a tornar minha pessoa mais "convivível" no meio social. Assim, eu sempre vou parecer interessado, animado, alegre, bem disposto, e por aí vai. No entanto, ainda existe certa autenticidade em alguns de meus comportamentos. É até fácil distinguir quando estou sendo dissimulado de quando estou sendo autêntico, só não vê quem não consegue.
No entanto, quem me conhece de verdade sabe que eu não sou bem assim. Eu sou uma pessoa bastante nervosa e que se irrita facilmente com opiniões alheias, principalmente quando os transeuntes sequer conseguem defender seus argumentos com proposições lógicas. Eu amo a discussão lógica e filosófica, me atrai discutir minhas opiniões (que quase sempre são bem fortes) com outras pessoas com opiniões e sentimentos diferentes. No entanto, me irrita profundamente quando a pessoa usa o próprio ego ou idiossincrasias próprias para defender o próprio ponto de vista como correto, para todas as circunstâncias.
"Tudo aqui pra mim é mundano. Tudo é irrelevante. A humanidade é irrelevante pra mim. Exceto algumas coisas e pessoas realmente especiais, como natureza, ou amigos." (Angerness, 2013)
Nesses casos, eu tendo a parecer ceder em meus argumentos, quando na verdade estou sentindo profunda pena da pessoa por ser tão mente pequena, a ponto de achar que uma discussão deve ser sempre um conflito ou uma competição pra saber quem está certo de verdade. Eu paro de discutir pelo simples fato de entender que com pessoas como essas, continuar discutindo é equivalente a falar com uma parede. E nesses casos, eu escolho conservar essa energia para coisas realmente úteis, como ficar no facebook stalkeando os amigos.
As pessoas podem achar horrível ler algo sobre mim mesmo escrito dessa forma, mas é assim que eu sou. Eu sou bastante altruísta com o que merece meu altruísmo. No entanto, quanto mais passa o tempo, menos paciência eu tenho para lidar com as próprias inseguranças das pessoas à minha volta. Eu estou (quase) sempre disposto a ajudar, mas também não vou desviar do meu caminho para acalentar alguém que urge por ajuda mas não se entende a si próprio e torna isso em agressão com as pessoas próximas. Nesse sentido, prefiro me afastar.
Já fui muito mais agressivo no passado. Hoje, sigo o preceito filosófico de um ex, chamado de "O Princípio do Cagaísmo". Estou cagando para essas opiniões alheias que nada me acrescentam. Quer ter uma discussão comigo? Por favor, faça, eu adoro, mesmo! Mas não torne isso uma luta, como se houvesse a necessidade de sair um vencedor ou um perdedor. Pois se houver, eu vou ligar o "caguei" para você, e à partir daí, a tendência é só ir te ignorando cada vez mais até que eu julgue que não há motivos para continuarmos conectados à mesma rede social. Podemos nos manter amigos no mundo real, mas no mundo virtual, onde eu adoro desenvolver discussões sobre quaisquer temas, não vou fazer muita questão de ter você por perto, mais ainda se você for do tipo que problematiza as coisas sem ter bases para defender nem mesmo suas idéias/ideologias.
Olha que é até bem difícil fazer com que eu chegue a esse nível que eu citei nesse post, e se de fato você está lendo isso, significa que de alguma forma nossa relação significa alguma coisa, e muito provavelmente eu respeito isso. Apesar da exageração inerente desse texto, eu sou uma pessoa muito fácil de conviver, altamente adaptável às opiniões alheias. Só não tenho mais muita paciência com egos inflados. Acho que, no final, estou ficando mais velho muito mais rápido do que eu imaginava. Isso é um bom sinal para mim, eu acho.
O que está dito está dito. Quem sabe mais pra frente eu não destile melhor isso, mas não é esse o momento. Caso queira discutir comigo, estou sempre disponível.
P.S.: Os links do post são importantes para alguns entendimentos. Se você chegou até aqui, recomendo as leituras.
17 de jan. de 2015
Boringness
E eu tenho aquele fator de que já me cansei desse mundo. Bored total com as coisas daqui...
Tipo, não dá pra pular logo praquela fase em que sou velhinho no asilo sentado na varanda olhando os carros passarem na rua?
posted from Bloggeroid
-
E não satisfeito em ter inúmeras crises por conta do boy colega de trabalho, aqui estamos escrevendo sobre ele, mais uma vez, não é mesmo? D...
-
Uma coisa eu tenho de admitir, boa parte das coisas que eu posto nesse blog acabam envolvendo sexo de alguma forma, né? Não nesse post! Esse...
-
Pensando aqui que devo escrever sobre os 5 pilares do crush (a saber, os pilares são: bonito, sexy, inteligente, engraçado, carinhoso e, re...