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17 de nov. de 2016

Syzygyness

Tudo começa com você acordando. Você não nota nada de diferente no começo mas todas as pessoas estão lhe olhando diferente e você não sabe o porquê. Você vai até o espelho e percebe que você não é você, você é um construto mecânico. E não entendendo o que se passa, você tenta recapitular quando foi que tudo mudou. Será que era porque estava na cama por alguns dias com febre? Será que era por causa daquela visita estranha na noite anterior? E então você nota que todas as pessoas que você conhece estão alguns anos mais velhas, como se 10 anos tivessem passado em um piscar de olhos.

Este foi um sonho que tive há alguns dias, extremamente real e com muito mais detalhes que citei acima. Esse foi só o começo dele, e ele ainda foi muito longe, até um ponto onde finalmente pude entender um questionamento que venho fazendo nos últimos anos sobre o que é essa entidade observadora que existe no fundo de nós.

Essencialmente, o sonho me deu vários insights para os mecanismos que regem a consciência, e depois de muito divagar à respeito, a conclusão que chego é que o que acontece de diferente é o que descreverei abaixo.

Nossa consciência nada mais é do que um fluxo retroalimentado de análises das nossas próprias memórias. Nada mais. Não existe explicação mais complexa ou mística à respeito disso. É só você pensar sobre como seu cérebro sempre usa informações sensoriais e julgamentos tomados para definir o que é nossa personalidade. Na realidade, nós não existimos como entidades, nós existimos como construtos de personalidade baseada nas nossas experiências passadas.

É difícil assimilar isso, e só com uma divagação bastante profunda sobre nossa própria existência que foi possível que eu chegasse à essa conclusão. Essencialmente, somos máquinas biológicas que operam um conjunto de dados em constante mutação.

Isso só me faz lembrar o épico filme chamado Chappie, do cineasta Neill Blomkamp, que nos leva a questionar exatamente isso que chamamos de consciência, daquilo que aparentemente nos torna únicos.

Não se engane, no entanto. Nós continuamos únicos, afinal o maquinário de cada pessoa é ligeiramente diferente uns dos outros, e os conjuntos de memórias e experiências de vida também são diferentes, criando a miríade de identidades projetadas que estamos acostumados a interagir como eu, você, a moça do mercado e o cobrador de ônibus.

O engraçado é que chegar à essa conclusão me trás mais calma do que aflição, como alguns já disseram em um post anterior (Provenanceness) onde eu fiz um questionamento sobre "sua vida mudaria se você se descobrisse uma máquina". Vários de meus amigos falaram que iriam continuar seguindo suas vidas, sem contar as pessoas e evitando pensar nisso novamente. Eu, como disse nesse mesmo post, não conseguiria, eu precisaria explorar essa nova faceta, e de fato é o que venho fazendo desde que me entendo por ser vivo.

Agora, o mais importante na minha visão é como explorar melhor esse conhecimento e como ampliar a minha capacidade de trabalhar esse conceito de personalidade de forma a poder melhorar aspectos da minha vida que precisam ser melhorados.

Não que queira melhorar ou corrigir todos, mas sempre há espaço para melhoramentos, afinal é o que fazemos com uma máquina.

4 de nov. de 2015

Beliefness

fui católico, mas descobri que confiar cegamente em algo é muito perigoso.

Já fui satanista, mas descobri que negar algo com todas as forças ainda é adorar esse algo.

Já fui druida, mas descobri que não sou mais um ser em comunhão com a natureza.

Já fui Wicca, e descobri que rituais em excesso só atrapalham minha concentração.

Já fui khaos, mas descobri que misturar diferentes vertentes de conhecimento sem saber o que estou fazendo atrapalha tanto quanto rituais.

Já fui ateu, mas descobri que viver sem ter um pouco de fé no oculto faz tão mal quanto ter fé demais.

...

Hoje sou agnóstico, pois aprendi que culturalmente não importa se um livro está errado, ele representa a história e os costumes de um povo e de uma época.

Hoje sou agnóstico, pois aprendi que a negação de algo não é necessariamente o inverso daquilo.

Hoje sou agnóstico, pois aprendi que ser um com a natureza é estar em sintonia comigo mesmo.

Hoje sou agnóstico, pois entendi que rituais passam uma mensagem tão importante quanto a linguagem escrita ou falada.

Hoje sou agnóstico, pois entendi que  todo o misticismo e religiosidade deriva da mesma necessidade de entender o desconhecido, e a nós mesmos.

Hoje sou agnóstico, pois acredito que tudo precisa ter um propósito e um sentido, mesmo que esse sentido seja não não existir propósito.

26 de ago. de 2015

Death

Existe um post nesse blog que todo mês eu adio ele em mais um mês. Esse post é um post onde eu deixo meus pensamentos para caso eu morra. Vocês podem achar mórbido o quanto quiserem, mas eu faço isso e sou feliz por não ter medo da minha própria finitude.

Em resumo, esse post (que vocês só conhecerão o conteúdo no momento certo hehe) trás vários pensamentos meus sobre muitas coisas nessa vida. Esse post é constantemente atualizado com novos conteúdos e com alterações de coisas que antes eu acreditava e agora não mais.

Por que estou falando isso? Porque sim.

27 de jul. de 2015

Κύριε ελέησον

Hoje ouvi uma música que representa muito do que estou sentindo hoje, sobre o sonho que tive de manhã, sobre as coisas que eu acredito e sobre o meu lugar no mundo ...

"E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando ir pra casa" Joan Osborne - One of Us

E apesar de não acreditar muito na figura de um deus, eu acredito que todos estamos em uma caminhada, e alguns estão mais à frente que a gente e outros mas atrás, mas no final todos estão andando para algum lugar melhor que hoje.

As vezes aquele que é Deus, ou Jesus, ou Khrishna ou Oxalá, para os outros, são pessoas como eu, como vocês, que dentre todas as coisas, só busca seu lugar no mundo...

27 de jun. de 2015

Self choose Prideness

Primeiramente, queria dizer que me cansa ver que tudo ultimamente nas redes sociais do momento acaba virando uma guerrinha de opiniões e, por esse motivo, eu mudei minha foto, para representar o preto-no-branco que parece permear as opiniões nesses dias de conflitos, não importando se os temas são importantes ou se são supérfluos.

Cada um devia poder decidir o que fazer e o que mostrar, já que é na pluralidade que vivemos, e não em um mundo preto-e-branco. Não é à toa que a bandeira LGBT é multicor. Pensem nisso.

"O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa." Madre Teresa de Calcutá

Segundamente, estou vendo todos muito felizes com a decisão dos EUA no que tange a definição, a nível territorial, do casamento igualitário e todas as mídias mostrando e comemorando essa luta.

Eu achei extremamente válida a comemoração, mas lembro de ter visto ninguém comemorando dessa forma quando os Países Baixos aprovaram, em 2001, ou a Bélgica (que se tornou o segundo país a fazê-lo) em 2003. Ou da França, em 2013.

Até o da Irlanda, país onde até pouco tempo a Igreja Católica tinha peso na política, teve um referendo que modificou sua constituição duas vezes, para deixar de considerar homossexualidade como crime e a aprovar o casamento igualitário, e eu não vi tamanha comoção.

Gente, são só os EUA.

O motivo desse TL;DR é pelo fato de que ainda, em nosso país, há uma luta pela frente.

O casamento igualitário no Brasil ainda não é amparado pela Constituição Federal e pelo Código Civil, sendo somente permitidos por meio da Ação Direta de Constitucionalidade nº 4277 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132 do Supremo Tribunal Federal, julgadas em 2011, que estenderam o conceito de unidade familiar, deram direito erga omnes àqueles que queriam se unir civilmente e, posteriormente pela Resolução do CNJ que obrigou os cartórios a celebrar o casamento e a conversão da união estável em casamento civil.

Os que já se casaram sob essa chancela estão protegidos pelo direito adquirido, mas pode a qualquer momento ser revogado pelos mesmos órgãos que se fizeram julgados, impedindo que novas celebrações possam ser feitas.

Então, com o mesmo afinco que comemoramos a decisão da Suprema Corte dos EUA, vamos trabalhar na nossa própria Constituição e mostrar que esse símbolo que todos estão usando seja instrumento para a melhoria do nosso país, que tanto têm sofrido nas mãos daqueles que estão no poder.

E, por último, "This way or the highway" não deveria ser uma filosofia de vida. Só acho.

12 de nov. de 2014

Realityless

Pode não parecer, mas boa parte do meu tempo eu estou pensando em como são as coisas lá fora. Minha mente está há muitos anos focada em entender cada aspecto da realidade à minha volta, e dentre todas as coisas que me intrigam e me fascinam, as que mais me prendem a atenção são as relacionadas com a estrutura da realidade.

Acredito que são poucas as pessoas que realmente já chegaram a se questionar o que é realmente a realidade. É aquilo que você pode tocar? É aquilo que você vê? É estar acordado? É pensar? Não é fácil responder essas perguntas sem conhecermos de verdade o mundo onde estamos inseridos. A única certeza de que podemos ter nessa vida (e que eu tenho certeza nessa vida) além da iminência da morte é a de que nós pensamos. Pelo menos eu tenho certeza sobre minha própria natureza.

Não posso afirmar nenhuma certeza à respeito de nada que não seja inerente da minha própria capacidade de perceber a mim mesmo como entidade. Todo o resto pode ser simplesmente uma simulação, ou uma holografia quântica de algum tesseract multidimensional, ou mesmo uma projeção temporal de algo que existe fora do tempo. Como saber? Como ter certeza? Não há essa possibilidade. Só existe o fato de que eu sou capaz de perceber que eu existo como entidade, independente de como isso acontece ou da possibilidade de até mesmo isso ser simulado. Saber que eu existo independente do mundo exterior me dá força para sondar o exterior com o aparato disponível para isso: intelecto, raciocínio, fé.

Se eu existo ou não de verdade, eu não tenho como saber, afinal não tenho como dizer como é uma casa quando eu estou dentro dela. Mas posso dizer com algum nível de certeza que independente da forma como é feita a casa, eu estou dentro dela.

19 de ago. de 2014

Quem sou eu? Eu sou Um. Um são Todos e Todos são Um.

Você já parou para pensar quem realmente é você? Esqueça as definições tradicionais de ser humano, pessoa, ser consciente, espírito, etc. Quem é você de verdade? O que é você?

Uma das perguntas que mais me perguntei na minha vida foi "quem sou eu". Quem sou eu? O que sou eu?

A primeira resposta que dei para essa pergunta foi que eu era uma entidade consciente, um ser único com consciência e intelecto únicos. Assim como cada ser humano é único na sua própria consciência e intelecto. Mas algo nessa pergunta nunca funcionou bem para mim. Algo estava errado. Essa resposta, no fundo, exige a existência de algo além da minha capacidade, do meu intelecto, de entender. E por isso essa resposta nunca foi completa. Eu acredito em espiritualidade, em níveis de realidade diferentes, em forças ainda não descobertas, mas nunca acreditei que exista uma única entidade responsável por tudo isso.

Então, um dia eu aprendi que o Um é Tudo e o Tudo é Um. O que está Em Cima é o que está Embaixo.

Era eu o Um e o Universo o Todo? Como eu podia ser Um e o Todo ao mesmo tempo? Poderia eu ser ao mesmo tempo Um e Tudo? Quem sou eu afinal? Ainda não tinha minha resposta, aquela que me traria tranquilidade de espírito.

No entanto, um dia eu percebi algo que estava embaixo do meu nariz o tempo todo. Na verdade, não só do nariz. Eu não sou só um ser vivo. Eu sou milhares de milhões de pequenos seres vivos, indefesos mas que juntos trabalham coletivamente, cada um com sua função. Eu sou toda uma miríade de pequenas formas de vida! E eu, como ser pensante, só sou mais uma pequena vida, nessa infinitude de pequenas vidas, todos trabalhando para que esse corpo ande, conheça pessoas, interaja com o mundo. Eu sou só mais uma das vidas desse corpo, a quem foi dada a difícil tarefa de coordenar e tomar decisões em prol da coletividade.

Se eu sinto fome, é porque alguma parte do meu corpo está me avisando que é necessário comer. Se eu sinto sede, é porque outra parte do meu corpo está me avisando que precisamos de mais água. Se eu sinto dor, é porque uma terceira parte deste está me dizendo que a decisão que estou tomando pode ferir partes de nós. E cabe a mim cuidar para que todos nós estejamos bem. Cabe a mim tomar decisões em prol de todos.

Nós separados não somos nada. Um não pode viver sem o outro e o todo é muito maior que a soma das partes.

Então, finalmente entendi que Eu sou Um. E não é só isso. Também entendi que o "Um" são "Todos" e Todos são Um.

E assim eu finalmente consigo ter paz de espírito, pois assim como cada ser vivo constituinte do meu corpo têm uma função, eu entendo qual a minha função na coletividade. Se existe um Deus por trás disso tudo ou não, não faz diferença para mim. Não é essa resposta que eu preciso responder nessa vida. Se ele existe ou não, sua existência é independente de mim. A única coisa que eu realmente sei é que Eu Existo e que minha missão é cuidar de Nós.

7 de jun. de 2014

O homem é mau

Aprendam de uma vez por todas, pessoas do planeta: Não é a esquerda ou a direita, o comunismo ou o capitalismo, a democracia ou a monarquia ou qualquer outro modelo social / sociológico / filosófico / econômico / político / administrativo que é bom ou ruim, melhor ou pior, é o ser humano, que é inerentemente mau por natureza. Nesse ponto, concordo com Maquiavel e com Hobbes. Ações altruístas ou de boa vontade infelizmente não são a regra e sim a exceção no mundo. E o que fazer então?

Se a pessoa for boa e justa, qualquer sistema ou modelo que ela aplicar será funcional. Se não for, não existirá modelo ou sistema que conseguirá diminuir a destruição causada por seus atos.

1 de mar. de 2014

Outros Fantasmas de Verões Passados

Há alguns anos saiu um post agendado no blog que quase abalou as estruturas da sociedade, se eu e meu marido não fôssemos tão bem felizes e completos um com o outro. Daí, por isso, pensei em completar essa linha do tempo até o momento que o conheci.

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

Desde o último evento, narrado no post Fantasmas de Verões Passados (e concluído no post Triangle) ainda houveram algumas coisas que aconteceram antes da fatídica (e maravilhosa) noite da caipiroska (e outras que havia esquecido de citar na cronologia anterior).

A.C.

Homem da Mão Mágica

Olha, acho que nunca me senti tão assustado nessa vida quanto esse encontro que tive com essa pessoa em especial. Tudo ia extremamente bem entre a gente, até que ele começou a demonstrar seus dotes com as mãos, especificamente com os dedos. Olha, no começo estava muito interessante, até que no processo, ele achou o ponto XT615 (vulgarmente conhecido uma glândula exócrina tubuloalveolar situada na região inferior da bexiga de mamíferos machos) e fez uma massagem que gerou um aumento tão abrupto da intensidade de ocitocinas, dopaminas, feromônios e outros neuropeptídeos de fenda sináptica que eu fiquei com medo do que estava acontecendo. Só sei que depois disso eu fiquei vários dias pensando sobre o que havia acontecido ali. O cara realmente é bom no que faz.

D.C.

Homem de Deus do BP Uol

Foi muito interessante descobrir que ainda se podia achar pessoas dispostas a nada mais do que um papo inteligente (e sem pretensões) no Batepapo Uol. Na verdade rolou umas coisas MUUUITO interessantes depois mas a minha vibe e da dele eram diferentes. Eu não queria me envolver e ele estava interessado em encontrar alguém especial (não naquele momento, claro). Hoje somos amigos e o mesmo papo inteligente de antes se manteve.

Músico do Palco do Palmas Shopping (e de outros eventos Palmenses)

Na sinceridade, acho que nunca tinha visto um mix tão eclético de personalidades, e tão bem harmonizadas em uma mesma pessoa. Singelo, safado, carinhoso, fogoso, educado, dominador, preocupado, intenso. Me senti tendo tido 1239872 noites em uma só! E ainda, no outro dia, foi educado e ainda me convidou pra sair com seus amigos. E tudo isso funcionando dentro do acordo prévio de que era só uma "Night without Regrets". Ficou marcado como um dia memorável, até a segunda noite, que não foi mais tão legal (acho que ainda era eu e meu antigo comportamento "No máximo 2 saídas por pessoa"). Ainda sim, foi bem acima da qualidade média dos encontros que tive.

O Retorno de Jedi (ou Parte 3 do último evento de Fantasmas de Verões Passados)

Engraçado como as vezes a gente não percebe a outra pessoa, sabe? Não estou sendo ingrato, pelo contrário! Só que eu não soube ler os sinais até muito tempo depois (na verdade, tiveram de me contar). O caso é que depois de ter acontecido tudo o que aconteceu, eu tive a idéia de ir visitar esse amigo (A.K.A. Bob do post Triangle) depois que as coisas se acalmaram do lado dele. Marquei a viagem para o fim do ano para ver alguns amigos de São Paulo (e em especial para vê-lo). Algo havia de diferente mas eu não sabia o que era. Fomos para o reveillon eu, seu pai e o ex-noivo dele para a confraternização do Santo Daime, que ia acontecer na virada do ano. Até aí tudo bem, nada de muito estranho afinal a gente ainda não se conhecia muito bem. Uns dois dias depois nós dois saímos para dar uma volta na Paulista, o acompanhei para comprar roupas, enquanto eu estava com aquela sensação de que ele se defendia muito. Ok. Daí, outro dia chamei outro casal de ursos que eram muito meus amigos para sair para comer rodízio de japonês na Liberdade, e nesse intermeio eu convidei o rapaz, que infelizmente não apareceu. Seu pai foi então comigo e tivemos um dia excelente nós quatro. No retorno para a casa onde eu estava (que era na verdade a casa onde seu pai morava em São Paulo) deixei as minhas defesas caírem e eu entrei em uma depressão por conta de ter muita coisa na minha cabeça. Mas não se preocupem, eu melhorei depois disso pouco (bem pouco) tempo depois...

Nota do autor: Ele estava na defensiva pois não havia muito tempo que ele tinha conhecido uma pessoa de São Paulo mesmo e que estava gostando muito dela. Eu não sabia disso, por isso fiquei me sentindo largado na medina. Mas quando fiquei sabendo dessa parte da história eu fiquei bastante feliz por eles dois, pois ainda tinha um carinho pelo primeiro e tão importante quanto, a pessoa que ele estava gostando também era alguém que eu conhecia e por quem eu tenho até hoje uma admiração muito grande!

Contiua no próximo episódio...

P.S.2:

B.C. a.k.a Before Closet.
A.C. means After Closet.

P.S.3: Da aclamada série "Posts do Passado Distante". Agendado no Carnaval de 2014.

19 de fev. de 2014

Fantasmas de Verões Passados

Todos possuem verões passados que gostariam de não mais lembrar. Todos possuem verões passados que gostariam de ter vivido mais. Todos possuem verões passados. Todos possuem. Todos.

WARNING: Any resemblance to persons living or dead should be plainly apparent to them and for those who know them, especially if the author has been kind enough to have provided their real names, which is not the case. All events described herein actually happened, though on occasion the author has taken certain, very (veeeeeeeeeery) small, liberties with chronology, because that is his right as a Human Being.

B.C.

Homem de Deus

Só queria dizer que perdôo você. Perdôo no sentido de que hoje entendo as suas frustrações e sua sina. O que as pessoas acham que você fez é bem diferente do que você realmente fez. Só fique em paz. Sério.

Servidor da Limpeza Pública

Olha, não sei o que dizer sobre você. Rolou uma química legal, mas sua paranóia de ir na minha casa todos os dias e bater na janela dizendo que queria me ver aquela hora me fez realmente me afastar de você! Me desculpe, mas é verdade.

Professor de Karatê

Foram tempos bons, viu? Tudo bem que foi uma vez só e depois tanto eu quanto você ficamos só na defensiva e no final você acabou se mudando pra Rio Verde, e eu saí da turma de Karatê. Aprendi algumas coisas interessantes nessa época.

Colega de Faculdade

Foi tudo tão rápido, tão intenso, tão arriscado! Até hoje me arrependo de ter mentido pra você pra não sairmos mais uma vez. Nessa época, eu raramente saía com alguém mais de duas vezes. E com você, foram três!

Advogado do UOL

Aquele seu escritório com chão de carpete na garagem da casa da sua mãe me faz pensar, hoje, em quão esquisito você é! Naquela época eu não vi nada disso, só o carpete no chão mesmo.

Veterinário

Lindo, engraçado, cheiroso, charmoso (pra um peão - o que eu adoro). No entanto amigo, você foi a coisa mais fria e mais frígida que já encontrei na vida. E você perguntar por que eu não fiquei "túrgido" na hora contribuiu para a sua total falta de tato para a coisa. Ahh é, era sua primeira vez. Não era a minha. Mea culpa.

Homem da Bermuda Azul

Chegar em Palmas e dar de cara com você no banheiro da rodoviária foi pobre. Mas, né? Quem nunca fez loucuras nessa vida? Ainda mais com alguém de botinas e uma bermuda azul de jogar pelada na terra. O importante é que você serviu como base para, muitos anos depois, eu cunhar a expressão "Maranhense-Magya®".

Deputado Fazendeiro

Só uma coisa: ir pra sua fazenda depois de te conhecer foi muito bom. Mas perguntar meu nome uma vez e ainda errar depois da segunda vez foi difícil de aceitar. E assim, nem todo mundo gosta de fazer 128731687 vezes durante o fim de semana em todas as partes da fazenda. Eu pelo menos não (a quantidade e não os lugares, pois são lindos)!

Tio do UOL

Olha, raridade você viu! Admito que você quase foi meu primeiro namorado, se um dia você não tivesse aparecido no shopping com sua esposa e seus três filhos. Não que me importasse com o fato de você ter uma esposa (pois isso nunca me impediu de ter rapidinhas) mas eu realmente achei que ia rolar algo ali. Depois disso, acho que foram só mais umas duas vezes e nunca mais nos vimos. Mas pelo menos o livro de gramática indígena eu gostei de ler, apesar de não entender muito dele.

A.C.

Rapaz do Primeiro Beijo

Eu minto pra todo mundo falando que você foi a primeira pessoa que beijei na vida. Não, não é mas você está no top 3 primeiros beijos. O professor de karatê foi o primeiro e o tio da uol foi o segundo. Mas sabe como é, foi o primeiro beijo depois de eu sair do armário, debaixo da marquise do ponto de ônibus da avenida Teotônio Segurado. E você até ganhou um poema (creeeeeeepy). Só me desculpe por ter sido meio stalker, não queria ter assustado você.

Professor Loucura

Na boua, que química louca essa que rolou né? Só que seu surto psicótico super sayajin (IT'S OVER NINE THOUSAAAAAND) depois de só um único encontro e por conta de eu não ter ligado durante a viagem do coral e depois ter decidido não ir de encontro a você (por estar cansado e querer cama) realmente me assustou cara (e a meus amigos mais ainda)!

Moço da Ubanda

Meu primeiro namorado! Bem, foi meio aos trancos e barrancos né? Mas funcionou por alguns meses. Tudo bem que ambos eram pâmelas e que eu tinha esquecido de te convidar pra um sabbath (na época era wiccano) e que segundo você eu me vestia melhor pra ir pro coven que pra sair com você e ... Tá ok, não funcionou. Só preciso dizer mais uma coisa: A logo que você fez pra mim, eu realmente não gostei, achei com detalhes demais.

Dentista Dotado

Olha, não tenho nada a comentar exceto o fato de que nunca tinha visto algo com calibre suficiente pra minha mão nem fechar em volta. Se eu surtei? Claro, fiquei com medo! Eu gosto de pequenos, não de grandes. Um amigo de São Paulo, se soubesse de você, teria vindo de teleporte pra conhecer você!

Tio Importante de Algum Órgão do Estado que eu não posso dizer qual é

Acho que foi a pessoa com quem mais me relacionei (mesmo você sendo casado e a gente tendo um acordo de que era algo sem sentimentos) até hoje. Foram anos de encontros às escondidas. Foi divertido enquanto durou.

Professor Loucura Parte 2

Sabe como é a vida né? O mundo deu voltas e voltei a ficar com você. Dessa vez, a gente começou a namorar e talz mas convenhamos, nunca deu certo nem daria. Sabe por quê? No fundo, mesmo gostando de você, conviver com sua personalidade era extremamente cansativo. Eu sempre me sentia pisando em ovos, já que você se ofendia facilmente. E sua melhor amiga não ajudava muito, mesmo você fazendo o possível pra evitar isso. Internamente eu contei os dias até sua viagem e, como você já sabe, eu fiquei com o tio importante ainda no mesmo dia, pra poder conversar com alguém sobre isso. Se de perto não dava certo, de longe daria menos ainda. Eu só aceitei a sua proposição, lá no aeroporto, pois eu era fraco pra dizer não. Tivera eu dito não no aeroporto e evitado os problemas que vieram a seguir. Pelo menos uma coisa de boa tirei dessa história: consegui acabar com a minha compulsão patológica por mentir.

Astrólogo de São Paulo

Você sabe, tudo começou online e tudo terminou online. Teve o episódio do término com o Professor Loucura por telefone que ele queria que eu passasse o telefone pra você e eu não deixei e nos divertimos bastante nesse fim de semana que você esteve aqui. As inúmeras viagens a São Paulo que me fizeram apaixonar pela cidade e seus amigos, que passaram a ser meus também (nem todos, BTW). Pena que eu ainda tinha alguns problemas com compulsão e a primeira mentira que eu inventei ao acaso para você (pra não parecer que eu era um loser que ficou em ksa numa sexta à noite) foi a ferida que nunca tinha cicatrizado. Sei que relacionamentos se constroem em cima de confiança, mas eu ainda não tinha tanta confiança em mim mesmo. Mas teve também o fato de nosso amigo em comum ter terminado com outro amigo em comum, que gerou uma confusão muito grande. Afinal, dava certo? Até dava, desde que não houvessem influências externas (o que haviam, por parte de vários de seus amigos que não eram comuns e amigos meus que não eram comuns também).

DJ de São Paulo

Agradeço a sua disposição em me oferecer apoio e suporte desde antes do fim do namoro com o Astrólogo de São Paulo. Claro que depois rolou uma coisa legal entre a gente, mas nunca te contei que eu sentia de verdade pois você tinha passado por situação parecida. Hoje somos amigos mas acho que você nem imagina que eu tive sentimentos por você àquela época né? Então, é isso!

Ariano Psicótico (não confundir com Ariano Fortalezense)

Foram momentos intensos viu! A gente se conheceu, teve momentos de conversas muito fodas, trocamos fotos, skypeamos, brigamos feio um com o outro, tivemos nossa primeira DR, brigamos de novo e então tivemos nossa segunda DR e finalmente terminamos. Seria algo completamente plausível se isso não tivesse acontecido no intervalo de 3 dias né? Você conseguiu ser mais neurótico que o Professor Loucura! Na boa, tudo bem que dizem que arianos são apressados, mas isso fugiu às raias do absurdo! Acho que só aconteceu assim pois você é (era) o kra mais bonito do meu círculo de pessoas que eu conhecia na época e eu desliguei um monte de mecanismos anti-surto.

Conclusões

Verões passados, verões passados. Não estão todos, mas estão os mais importantes. É bom relembrar dos verões passados! A gente percebe que viveu lembrando dessas coisas, de cada momento que passamos na nossa vida! E por que estou escrevendo isso? Eh por que estou provavelmente pra entrar na próxima furada da minha vida. Vou resumir a história pra vocês ...

Casal de São Paulo

Eu conheci esse kra, que é fascinado pelas pessoas que trabalham num blog que eu participo. Começamos a interagir e esse kra começou a puxar um papo meio estranho pro meu lado. Ok, passou pelos mecanismos anti-surto. No entanto eu descobri, depois de uma sessão de fotos mais "interessante" que ele era casado. Novamente, não tenho problemas com isso, afinal quem têm de se garantir é ele, não eu. Tempos depois, descobri que esse marido dele era um amigo que recentemente adicionei. Conversa vai, conversa vem, papos em comum e de repente estou gostando do rapaz pois ele é muito fofo! A história agora é a seguinte: Eu conto pro primeiro que estou gostando do segundo, ou conto pro segundo que eu já chifrei ele via internet com o primeiro?

Dilemas. Aguardem os próximos capítulos!

UPDATE 1: Conclusão do Capítulo "Casal de São Paulo", postado em Dezembro de 2012.

UPDATE 2: Outros Fantasmas de Verões Passados.

P.S.:

B.C. a.k.a Before Closet.
A.C. means After Closet.

P.S.2: Da aclamada série "Posts do Passado Distante". Agendado em Agosto de 2012.

23 de jun. de 2013

Matter of Belief

Eu sempre estive dividido entre a crença e o ceticismo. Até que ponto o sutil é verdade, até que ponto é histeria coletiva e como diferenciar um do outro.

Eu simplesmente entendi que é um ato de fé. Não há certezas antes que os dados estejam na mesa, as cartas reveladas e as linhas traçadas.

Junto dessa divisão, a minha eterna dúvida: eu sou um ser místico ou só uma máquina? Sim, pois se não há outro lado, somos simplesmente um corpo mecânico executando software armazenado no nosso dna.

E assim, a criação e a criatura são só expressões da mesma coisa primordial.

A minha dúvida passou quando entendi que todos temos esse lado mundano e o místico. Somos máquinas executando software e quando pararmos de funcionar, o software se perderá. O que é diferente é a conexão com um ser maior, um eu divino, que já passou por vários hardwares e softwares diferentes, da mesma forma que passamos de um computador para outro.

E esse eu que me habita, é o software ou o operador? O que sobrevive do software no operador depois que a conexão é desfeita?

Digo que me sinto tranquilo por ser único em minhas existências e que parte de mim deixa de existir e essa parte mística divina continua, pois eu só sou eu quando existem essas três variáveis: hardware, software e operador.

E assim me mantenho divino e mundano, eterno e efêmero, encima e embaixo. Tudo e Um.

E a paz volta a reinar na minha mente corporal espiritual.

15 de mai. de 2013

Lobos em pele Arezzo de Cordeiros

Hoje eu ouvi a seguinte frase no meu trabalho: "Olha, aquele que lhe oferecer segurança, será o traidor" e uma discussão se seguiu à respeito de tal frase, sobre falsidade das pessoas e mais outros 93510 assuntos de fofocas.

Eu tenho uma opinião sobre essa frase, que é a seguinte: "Eu confio até que me provem o contrário". Pode parecer uma postura inocente, mas não é. Eu convivo com muitas pessoas, de índoles diferentes, de personalidades diferentes, de conceitos religiosos/filosóficos/morais diferentes, e eu não tenho todo o tempo do mundo pra ficar pensando em quem vai me fazer mal ou não vai.

O que acontece é que existem níveis de confiança que a gente deposita nas pessoas, e cada pessoa ganha um nível de acordo com aquilo que ela demonstra em suas relações com você. É simples. Você não vai conhecer a pessoa hoje e amanhã emprestar 1000 reais para ela, mas quem sabe dar carona para essa pessoa sim.

Essa frase é típica de pessoas que sofreram muitas desilusões, e eu falo com alguma experiência pois eu já tive as minhas: profissionais, pessoais e afetivas. Essa frase nada mais demonstra uma defesa da pessoa contra novas situações do mesmo tipo.

A gente nunca têm segurança total de tudo na nossa vida. O importante é não transformar a busca por segurança em algo paranóico pois isso nos manterá imóveis e insensíveis em relação à pessoas que têm o real intuito de nos ajudar e que, por conta dessa nossa reação exacerbada, é afastada por nós mesmas, pela simples possibilidade de ser traído, de alguma forma.

A gente deve aprender a confiar primeiro e desconfiar depois. As pessoas que não merecerem confiança vão dar sinais de até onde podemos contar com elas. Algumas muito, outras pouco e algumas nada.

3 de abr. de 2013

No Randomness

Caos não necessariamente significa desordem.

Ordem implica em comportamento preditivo, comportamento preditivo implica padrões e a existência de um padrão implica que existe algo maior que cria, rege e define o padrão estipulado. Se existe um padrão, existe algo maior por trás.

Um Padrão possui limites, pois é a partir do padrão anterior detectado (e finalizado) é que se torna possível detectar a próxima vez em que ele irá se repetir.

Caos é simplesmente um Padrão que ainda não foi concluído. Caos não possui limites. A ordem possui.

Em verdade, Ordem é Caos que se repete. Caos é Ordem que jamais se repete.

7 de mar. de 2013

Bartenderness

Hoje parei pra pensar uma coisa...

A indústria da hospitalidade não é para os fracos.

A vida de um barman não é nada mais do que solitária. As pessoas acham as festas ótimas mas se esquecem que a pessoa que organiza a festa nunca se diverte.

Está muito ocupado trabalhando enquanto está todo mundo se divertindo.

Tudo o que fazem a festa toda é dar, é servir. E ninguém sequer se preocupa em saber como eles estão.

Mas quem trabalha nessa profissão é guerreiro. É resistente. É sagaz e inteligente.

Saber como agradar as pessoas não é um dom muito comum nesses dias de hoje.