Pode não parecer, mas boa parte do meu tempo eu estou pensando em como são as coisas lá fora. Minha mente está há muitos anos focada em entender cada aspecto da realidade à minha volta, e dentre todas as coisas que me intrigam e me fascinam, as que mais me prendem a atenção são as relacionadas com a estrutura da realidade.
Acredito que são poucas as pessoas que realmente já chegaram a se questionar o que é realmente a realidade. É aquilo que você pode tocar? É aquilo que você vê? É estar acordado? É pensar? Não é fácil responder essas perguntas sem conhecermos de verdade o mundo onde estamos inseridos. A única certeza de que podemos ter nessa vida (e que eu tenho certeza nessa vida) além da iminência da morte é a de que nós pensamos. Pelo menos eu tenho certeza sobre minha própria natureza.
Não posso afirmar nenhuma certeza à respeito de nada que não seja inerente da minha própria capacidade de perceber a mim mesmo como entidade. Todo o resto pode ser simplesmente uma simulação, ou uma holografia quântica de algum tesseract multidimensional, ou mesmo uma projeção temporal de algo que existe fora do tempo. Como saber? Como ter certeza? Não há essa possibilidade. Só existe o fato de que eu sou capaz de perceber que eu existo como entidade, independente de como isso acontece ou da possibilidade de até mesmo isso ser simulado. Saber que eu existo independente do mundo exterior me dá força para sondar o exterior com o aparato disponível para isso: intelecto, raciocínio, fé.
Se eu existo ou não de verdade, eu não tenho como saber, afinal não tenho como dizer como é uma casa quando eu estou dentro dela. Mas posso dizer com algum nível de certeza que independente da forma como é feita a casa, eu estou dentro dela.