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17 de nov. de 2016

Syzygyness

Tudo começa com você acordando. Você não nota nada de diferente no começo mas todas as pessoas estão lhe olhando diferente e você não sabe o porquê. Você vai até o espelho e percebe que você não é você, você é um construto mecânico. E não entendendo o que se passa, você tenta recapitular quando foi que tudo mudou. Será que era porque estava na cama por alguns dias com febre? Será que era por causa daquela visita estranha na noite anterior? E então você nota que todas as pessoas que você conhece estão alguns anos mais velhas, como se 10 anos tivessem passado em um piscar de olhos.

Este foi um sonho que tive há alguns dias, extremamente real e com muito mais detalhes que citei acima. Esse foi só o começo dele, e ele ainda foi muito longe, até um ponto onde finalmente pude entender um questionamento que venho fazendo nos últimos anos sobre o que é essa entidade observadora que existe no fundo de nós.

Essencialmente, o sonho me deu vários insights para os mecanismos que regem a consciência, e depois de muito divagar à respeito, a conclusão que chego é que o que acontece de diferente é o que descreverei abaixo.

Nossa consciência nada mais é do que um fluxo retroalimentado de análises das nossas próprias memórias. Nada mais. Não existe explicação mais complexa ou mística à respeito disso. É só você pensar sobre como seu cérebro sempre usa informações sensoriais e julgamentos tomados para definir o que é nossa personalidade. Na realidade, nós não existimos como entidades, nós existimos como construtos de personalidade baseada nas nossas experiências passadas.

É difícil assimilar isso, e só com uma divagação bastante profunda sobre nossa própria existência que foi possível que eu chegasse à essa conclusão. Essencialmente, somos máquinas biológicas que operam um conjunto de dados em constante mutação.

Isso só me faz lembrar o épico filme chamado Chappie, do cineasta Neill Blomkamp, que nos leva a questionar exatamente isso que chamamos de consciência, daquilo que aparentemente nos torna únicos.

Não se engane, no entanto. Nós continuamos únicos, afinal o maquinário de cada pessoa é ligeiramente diferente uns dos outros, e os conjuntos de memórias e experiências de vida também são diferentes, criando a miríade de identidades projetadas que estamos acostumados a interagir como eu, você, a moça do mercado e o cobrador de ônibus.

O engraçado é que chegar à essa conclusão me trás mais calma do que aflição, como alguns já disseram em um post anterior (Provenanceness) onde eu fiz um questionamento sobre "sua vida mudaria se você se descobrisse uma máquina". Vários de meus amigos falaram que iriam continuar seguindo suas vidas, sem contar as pessoas e evitando pensar nisso novamente. Eu, como disse nesse mesmo post, não conseguiria, eu precisaria explorar essa nova faceta, e de fato é o que venho fazendo desde que me entendo por ser vivo.

Agora, o mais importante na minha visão é como explorar melhor esse conhecimento e como ampliar a minha capacidade de trabalhar esse conceito de personalidade de forma a poder melhorar aspectos da minha vida que precisam ser melhorados.

Não que queira melhorar ou corrigir todos, mas sempre há espaço para melhoramentos, afinal é o que fazemos com uma máquina.

28 de jun. de 2015

Beetleheadness

Para quem ainda não entendeu, vou desenhar: Eu tinha colorido minha foto, mas daí vi algumas pessoas sendo desnecessárias com quem não tinha colorido (ainda mais com outras gays, como pode) e em protesto mudei a minha pra preto-e-branco pra mostrar que não devia existir essa coisa de "my way or the highway", afinal a bandeira tb representa diversidade de pensamentos...

12 de nov. de 2014

Realityless

Pode não parecer, mas boa parte do meu tempo eu estou pensando em como são as coisas lá fora. Minha mente está há muitos anos focada em entender cada aspecto da realidade à minha volta, e dentre todas as coisas que me intrigam e me fascinam, as que mais me prendem a atenção são as relacionadas com a estrutura da realidade.

Acredito que são poucas as pessoas que realmente já chegaram a se questionar o que é realmente a realidade. É aquilo que você pode tocar? É aquilo que você vê? É estar acordado? É pensar? Não é fácil responder essas perguntas sem conhecermos de verdade o mundo onde estamos inseridos. A única certeza de que podemos ter nessa vida (e que eu tenho certeza nessa vida) além da iminência da morte é a de que nós pensamos. Pelo menos eu tenho certeza sobre minha própria natureza.

Não posso afirmar nenhuma certeza à respeito de nada que não seja inerente da minha própria capacidade de perceber a mim mesmo como entidade. Todo o resto pode ser simplesmente uma simulação, ou uma holografia quântica de algum tesseract multidimensional, ou mesmo uma projeção temporal de algo que existe fora do tempo. Como saber? Como ter certeza? Não há essa possibilidade. Só existe o fato de que eu sou capaz de perceber que eu existo como entidade, independente de como isso acontece ou da possibilidade de até mesmo isso ser simulado. Saber que eu existo independente do mundo exterior me dá força para sondar o exterior com o aparato disponível para isso: intelecto, raciocínio, fé.

Se eu existo ou não de verdade, eu não tenho como saber, afinal não tenho como dizer como é uma casa quando eu estou dentro dela. Mas posso dizer com algum nível de certeza que independente da forma como é feita a casa, eu estou dentro dela.

19 de ago. de 2014

Quem sou eu? Eu sou Um. Um são Todos e Todos são Um.

Você já parou para pensar quem realmente é você? Esqueça as definições tradicionais de ser humano, pessoa, ser consciente, espírito, etc. Quem é você de verdade? O que é você?

Uma das perguntas que mais me perguntei na minha vida foi "quem sou eu". Quem sou eu? O que sou eu?

A primeira resposta que dei para essa pergunta foi que eu era uma entidade consciente, um ser único com consciência e intelecto únicos. Assim como cada ser humano é único na sua própria consciência e intelecto. Mas algo nessa pergunta nunca funcionou bem para mim. Algo estava errado. Essa resposta, no fundo, exige a existência de algo além da minha capacidade, do meu intelecto, de entender. E por isso essa resposta nunca foi completa. Eu acredito em espiritualidade, em níveis de realidade diferentes, em forças ainda não descobertas, mas nunca acreditei que exista uma única entidade responsável por tudo isso.

Então, um dia eu aprendi que o Um é Tudo e o Tudo é Um. O que está Em Cima é o que está Embaixo.

Era eu o Um e o Universo o Todo? Como eu podia ser Um e o Todo ao mesmo tempo? Poderia eu ser ao mesmo tempo Um e Tudo? Quem sou eu afinal? Ainda não tinha minha resposta, aquela que me traria tranquilidade de espírito.

No entanto, um dia eu percebi algo que estava embaixo do meu nariz o tempo todo. Na verdade, não só do nariz. Eu não sou só um ser vivo. Eu sou milhares de milhões de pequenos seres vivos, indefesos mas que juntos trabalham coletivamente, cada um com sua função. Eu sou toda uma miríade de pequenas formas de vida! E eu, como ser pensante, só sou mais uma pequena vida, nessa infinitude de pequenas vidas, todos trabalhando para que esse corpo ande, conheça pessoas, interaja com o mundo. Eu sou só mais uma das vidas desse corpo, a quem foi dada a difícil tarefa de coordenar e tomar decisões em prol da coletividade.

Se eu sinto fome, é porque alguma parte do meu corpo está me avisando que é necessário comer. Se eu sinto sede, é porque outra parte do meu corpo está me avisando que precisamos de mais água. Se eu sinto dor, é porque uma terceira parte deste está me dizendo que a decisão que estou tomando pode ferir partes de nós. E cabe a mim cuidar para que todos nós estejamos bem. Cabe a mim tomar decisões em prol de todos.

Nós separados não somos nada. Um não pode viver sem o outro e o todo é muito maior que a soma das partes.

Então, finalmente entendi que Eu sou Um. E não é só isso. Também entendi que o "Um" são "Todos" e Todos são Um.

E assim eu finalmente consigo ter paz de espírito, pois assim como cada ser vivo constituinte do meu corpo têm uma função, eu entendo qual a minha função na coletividade. Se existe um Deus por trás disso tudo ou não, não faz diferença para mim. Não é essa resposta que eu preciso responder nessa vida. Se ele existe ou não, sua existência é independente de mim. A única coisa que eu realmente sei é que Eu Existo e que minha missão é cuidar de Nós.

14 de jul. de 2014

Foda-se o potencial

Sabe de uma coisa? Eu estou fodendo para o meu potencial. Me irrita imensamente ver as pessoas olhando pra mim e me falando "nossa, você têm um potencial muito grande, devia trabalhar isso"...

Em primeiro lugar, eu sei bem qual é meu potencial e pode crer, ele está MUUUITO além do que você acredita que ele é. Segundo, o potencial é meu e eu faço com ele o que eu quiser. Ou não faço.

Agora, se você têm um problema com o fato de que você não possui um potencial como o meu e queria ter tido a mesma "sorte" que eu, uma dica: tenha amor próprio. Foram suas decisões que lhe levaram a ter esse sentimento de que seu próprio potencial não foi explorado e tentar fazer com que eu "explore corretamente" meu potencial não vai fazer com que a sua situação se reverta.

Ou seja, se eu vou explorar ou não meu potencial, é uma decisão somente minha e eu tenho pleno conhecimento e consciência das implicações da mesma. Não preciso de sua opinião, como se para esse assunto em particular eu realmente me importasse com ela.

18 de set. de 2013

Relacionamentos

Sempre fui uma pessoa solitária nesse mundo, e por solitário não entenda como deprimido. Eu era solitário e feliz. Hoje estou namorando e feliz. Mas há algo que eu preciso dizer, que poucas pessoas conseguem entender. Sempre acho que namoro, casamento, romance, e até mesmo a solidão tem começo, meio e fim. Aliás, como tudo na vida.

Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...

Claro que deu certo! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos essa coisa completa.

Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.

Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...

Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Cosmopolitan, por favor... e vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.

Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.

Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto.

Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?

O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.

Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo, e nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse. A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. E mesmo ela não é tão previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear e nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...

Enfim, quem disse que ser adulto é fácil?

P.S.: Post vindo das entranhas do passado. Por que eu postei agora? Porque estava agendado. Não se acostumaram ainda com meus posts sem ordem cronológica? Achei que tinham se adaptado ao Nosenseless, desculpa aí!

12 de jun. de 2013

Datingness

Roses are red, violets are blue. Faces like yours belongs the zoo, don't be mad I'll be there too, not in the cage but waving at you!

8 de mar. de 2013

Angerness

Hoje terminei de assistir mais um seriado. Dessa vez foi Star Trek Deep Space 9. Esse foi um seriado que me decepcionou no começo mas que me conquistou e me prendeu até o último episódio, que eu assisti hoje. Eu não gosto de assistir (nem ler) finais das coisas. Não porque "Tudo que têm um começo, têm um fim" (Oráculo, Matrix) mas porque eu não gosto de me sentir voltando daquele mundo fantástico e retornando a essa realidade imunda e desprezível que nós vivemos.

Eu tenho muito disso, sabe? As pessoas me chamam de inocente ou de fútil, ou mesmo de coisas piores, pelo fato de eu me doar tanto emocionalmente pra coisas tão "insípidas". Eu sou do tipo que chora em filme (Rei Leão e Titanic são os recordistas atuais), que se revolta com vilões, que comemora uma vitória, como se eu mesmo estivesse lá dentro dos filmes ou livros.

Isso também leva a outro ponto relacionado aos meus gostos: Eu gosto de muitas literaturas e filmes que a maioria das pessoas acha ridículo, imperfeito, moralista, e por aí vai, só pelo fato de que muitas vezes o diálogo e a progressão psicológica dos personagens me prende e me fascina tremendamente. Um exemplo é Eragon. Eu adoro esse livro. Realmente vejo nele um cara lutando contra sua própria incapacidade de fazer as coisas do jeito certo e ao mesmo tempo, tendo de fazer o papel de líder da resistência e a única esperança do povo sob sua tutela. Pra muita gente, é uma série de livros mal escritos. Pra mim, é um compêndio de impressões psicológicas enorme! Outro livro é Jogos Vorazes. Quantas pessoas criticaram o filme por mostrar uma ficção fantástica sobre dominação e povos dominados, que raramente conseguiria ser complexo politicamente. Sinceramente, não ligo. O que me importa (e me cativa) é ver a Katniss ter de lidar com o fato de que ela pode morrer e que várias outras pessoas estão desejando a morte dela para eles próprios continuarem vivendo.

Pra mim o livro ou o filme não é bom pelo que está escrito ou mostrado ali, mas pela miríade de sensações que eles me causam. Pela imersão que eles me proporcionam. Pela possibilidade de, por algumas páginas ou por algumas horas, me permitir fugir desse mundo e existir em um lugar diferente, onde tudo poderia ser diferente.

Tudo aqui pra mim é mundano. Tudo é irrelevante. A humanidade é irrelevante pra mim. Exceto algumas coisas e pessoas realmente especiais, como natureza, ou amigos. Eu me revolto com muitas coisas, mas no fundo eu sou uma pessoa que nunca soube o que é passar fome, ficar sem emprego, ser assaltado ou ter a vida em risco. Alguns podem argumentar que eu não tenho direito de reclamar tendo uma vida tão "boa".

VÁ A MERDA! PEGUEM ESSE SEU ARGUMENTO E ENFIEM NO SEU CU ATÉ SAIR PELA ORELHA, SEU FILHO DE UMA RAMPEIRA RUMINANTE! VOCÊ SÓ EXISTE PORQUÊ DEUS DEVE TER UM ENORME SENSO DE HUMOR, SEU IDIOTA IGNORANTE DE MERDA!

Eu sozinho já me revolto com isso, com o fato de eu não ter vivido essas experiências, mas isso não me tira a propriedade em eu falar como me sinto à respeito de determinados assuntos. E ao mesmo tempo não dá direito a nenhum de vocês de dizer o que eu posso ou não fazer, ou sentir, ou acreditar.

Da mesma forma eu tenho esse pensamento para aquelas pessoas que adoram ditar regras por aí. "Não pode twittar piada de humor negro", "Fulano morreu, daqui a pouco começam as ofensas", "Quem usa hashtag no Facebook é retardado", "Em vez de postar foto de comida no Instagram, deveria gastar esse tempo comendo a mesma".

A minha vontade era, para cada comentário ignóbil que alguém faz para mim, sacar um taser e disparar uma carga por uns 10 minutos no meio do seu saco (ou peitos) só pra me sentir melhor.

Mas, no final das contas, me conformo em ficar calado e deixar que essas pessoas caiam no abismo da minha ignorância da existência desses pedaços de carne, com intestinos no lugar do cérebro, pois só assim pra explicar tanta verborragia dissonante que ouço por aí.

Hoje estou furioso. Furioso principalmente comigo. E quem quiser falar qualquer coisa, vai dar meia hora de bunda pro diabo porque eu não estou a fim de escutar ninguém hoje!

6 de dez. de 2012

Deus Ex

Não importa se chamamos isso de Deus ou de Deuses, ou inspiração sublime, ou força divina, algo que não sabemos nem podemos entender, isso não importa em nada.

Está aqui. Simplesmente existe.

E nossos destinos estão entrelaçados nesta força.

Se isso fosse verdade, e isso é um grande "se"... como saber se esta força quer o melhor para nós? Como saber se Deus está do seu lado?

Eu não sei. Ninguém sabe, pois Deus não está no lado de ninguém.

Deus é uma força da natureza... muito além do bem e do mal.

Nós criamos o bem e o mal.

16 de ago. de 2012

Serenity Prayer

God, Grant me the serenity to accept the things I cannot change,
Courage to change the things I can,
And wisdom to know the difference.

12 de ago. de 2012

Fobias

É engraçado esse meu medo. As pessoas me chamam pra sair e dependendo da relação que eu tenho com elas e do lugar pra onde estamos indo, eu me sinto extremamente desconfortável.

Isso se intensifica se eu estou indo com essa pessoa e lá vai ter amigos dela que eu não conheço. Isso more aterroriza de uma forma que não é nem possível quantificar.
Comigo é assim, se eu vou pro lugar sozinho, de boa, não vou conversar com quase ninguém. Agora se eu vou com alguém, eu me sinto impelido a interagir ... e interagir com pessoas que eu não conheço é uma das coisas que mais me causam calafrios nesse mundo.

Que o digam meus amigos de São Paulo. Eles me conheceram como mudinho pq eu raramente interagia. Mas isso pq eu estava lá, construindo o modelo mental de cada um dos meus novos amigos, mesmo que eu estivesse completamente overwhelmed com a situação.

Claro que com o tempo a relação melhorou e eu até comecei a falar por conta própria.
É sempre assim. Se houver a mínima possibilidade de eu me sentir desconfortável e/ou deslocado, eu vou pensar muito se eu vou mesmo a esse lugar. Eu gosto de ambientes e pessoas que eu já conheço.

Então, se vc não entender por que eu não quis sair com você mesmo eu querendo sair pra algum lugar, já sabe: freak out ...

6 de ago. de 2012

Heart Things

Não adianta, por mais que eu queira, meu coração pensa diferente da minha cabeça. Mas de certo modo ele está certo em assuntos que minha cabeça não deveria se meter.

13 de jul. de 2012

Datingless

Esse é um assunto que vem me assombrando já têm alguns dias.

Namorar.

Eu não sei explicar o porquê dessa coisa toda, mas como meu objetivo aqui é falar sobre o que me aflige e ser transparente, vamos lá.

Então, tudo começou com uma conversa com um amigo sobre amizade colorida. O tal de fazer carinho, fazer sexo gostoso, assistir filme junto, mas tudo isso sem o peso emocional e as cobranças de um relacionamento sério. Eu acredito que isso possa existir. Esse meu amigo não.

Mas antes que vocês achem que é uma indireta, não é. Eu conversei sobre esse assunto com vários amigos diferentes, em Palmas e na internet, então se vc não se lembra disso, não eh pra vc ok?

Prosseguindo, eu e esse amigo começamos a discutir sobre esse negócio de relação à dois. Para ele, ou é 8 ou 80. Se não for pra namorar, não quer saber de nada disso. Amigo é amigo e namorado é namorado, sem meio termo. Claro que eu discordei dessa posição intransigente, porque eu atualmente consigo ser tudo aquilo que citei lá em cima sem necessitar de uma muleta emocional.

E aqui vamos para o centro da questão. Pra mim relacionamento é isso. Não, eu não tenho uma opinião que eu tomei como verdade de algum pseudo-filósofo de Facebook, eu vivi isso em vários graus diferentes com diferentes pessoas.

Hoje eu enxergo um relacionamento como uma ligação emocional muito intensa e, na minha opinião, perigosa. É se abrir além daquele nível de segurança que todos nós temos. É se doar por inteiro.

Eu não sou dessas pessoas. Eu tenho dificuldade de me abrir. Eu tenho medos e pensamentos que não quero partilhar com ninguém. Eu tenho segredos que não quero que ninguém saiba. E isso, mais do que tudo foi a ruína em todos os meus relacionamentos.

Eu não sou misterioso. Eu tenho uma defesa mental muito grande, vinda dos meus tempos de terror familiar. Era uma guerra fria de desinformação e de aparências e nesse cenário eu forjei boa parte do meu ferramental defensivo. Eu sou até bem aberto aos meus problemas para com alguns amigos bem próximos. O problema é que a grande cobrança era em querer extrair de mim coisas que eu não quero dizer ou não tenho certeza se devo dizer.

Isso é motivado, na verdade, pela frustração. Meus relacionamentos sempre começaram uma maravilha. Até que eu falava algo e era repreendido. Ou outra coisa era irritante. Ou não podia dizer algo porque iria ofender. Eu não me eximo de culpa por não saber lidar com frustrações. Meu modo de funcionamento é: "se eu me frustro com algo, evito fazer com que aconteça de novo".

Claro que isso foi se tornando frequente. Não podia conversar com fulana ou ciclano porque não eram pessoas confiáveis, ou porque o parceiro não conversa mais com tal pessoa e eu para evitar a discussão, tomava o caminho menos doloroso para mim.

Acho que o fato de fazer isso talvez fosse uma forma de egoísmo minha, sabe? Querer evitar conflito. No entanto ele sempre acontece. E nesses casos, vem aquele caminhão de coisa guardada.

Sim, sou dessas pessoas que interioriza as coisas e lá na frente tudo derrama de uma vez só. Como esse post.

Essas cobranças, essas posses, tudo isso na minha visão de relacionamento nada mais é do que querer certezas, ou diminuir inseguranças. Me desculpe, mas quando você faz isso, fere mais ainda a pessoa do outro lado.

Meus relacionamentos sempre se basearam na fé que eu tinha na pessoa. A única coisa que queria era estar junto, partilhar momentos agradáveis, ser companheiro, mas sem perder a minha identidade e individualidade. Vários amigos me disseram que namorar sempre vai ter isso, essa complexidade, essa necessidade de se ter certeza de algo que é a expressão mais subjetiva e incerta do emocional humano.
Hoje eu perdi a fé em relacionamentos. Em parte porque eu perdi várias vezes a fé em meus companheiros, pelos mais diversos motivos. E uma ferida aberta sempre vai deixar uma cicatriz. Eu com certeza deixei uma cicatriz tão profunda quanto as que recebi, não tenho dúvida disso, mas elas estão aqui - algumas bem fundas, e na boa, eu não quero mais feridas não.

Minha visão pode ser deturpada, mas é a visão do que eu vivi nesses últimos 6 anos em que me assumi e passei a investir em descobrir mais o meu lado emocional. Hoje me conheço melhor, mudei muito e me sinto um pouco menos confuso que quando me abri pra esse mundo. Só que infelizmente, é como eu aprendi a enxergar as coisas. E é algo que só mudará quando alguém aparecer com uma proposta diferente. Com um conceito diferente.

Só que eu não estou mais disposto a tentar encontrar essa agulha de ouro no meio do feno. Em algum momento pode aparecer alguém querendo fazer a diferença, mas na minha cabeça será somente mais do mesmo. E é por isso que eu criei mais uma camada de proteção à minha volta. Uma blindagem que me permite ser carinhoso, carente, atencioso, mas sem que com isso eu me sinta compelido a querer desenvolver uma relação mais séria com a pessoa.

É incongruente? Sim, com certeza. Mas uma incongruência que tem funcionado muito bem e que não tem me causado nenhuma ferida desde então.

Você pode argumentar que desse jeito nunca vou ter um grande amor. Provavelmente é verdade! Mas pelo menos eu não me privo de algo que você só quer desenvolver se estiver em uma relação séria.

Eu não tenho problema em manifestar carinho pra uma pessoa que nem sei se vai estar aqui na próxima semana. Essas coisas deviam ser feitas sem esperar que haja algo em troca. Por isso me sinto bem fazendo isso sem um relacionamento. Pq não preciso de um contrato de "eu te dou carinho mas você também precisa me dar".

Está dito. Meu desabafo saiu. Muitos não vão concordar com minha opinião e visão disso mas, e daí, não são vocês que viveram a minha vida, não sabem o que eu passei. Eu espero de vocês pelo menos o tato de perceber que nada do que vocês falarem vai mudar tudo isso que eu disse. Claro que eu enxergo exceções por todos os lados. Tenho vários amigos cujos relacionamentos são lindos. Mas com eles deu certo. Comigo não. Cada experiência é única para cada casal. Infelizmente comigo não dei sorte. Ou foi eu quem estragou tudo. Ou foram eles, BTW. Não interessa. EU SEI QUE COMIGO FOI ASSIM!

No final, sempre fui um lobo solitário. E assim será até o fim, e hoje me sinto feliz assim.