13 de jul. de 2012

Datingless

Esse é um assunto que vem me assombrando já têm alguns dias.

Namorar.

Eu não sei explicar o porquê dessa coisa toda, mas como meu objetivo aqui é falar sobre o que me aflige e ser transparente, vamos lá.

Então, tudo começou com uma conversa com um amigo sobre amizade colorida. O tal de fazer carinho, fazer sexo gostoso, assistir filme junto, mas tudo isso sem o peso emocional e as cobranças de um relacionamento sério. Eu acredito que isso possa existir. Esse meu amigo não.

Mas antes que vocês achem que é uma indireta, não é. Eu conversei sobre esse assunto com vários amigos diferentes, em Palmas e na internet, então se vc não se lembra disso, não eh pra vc ok?

Prosseguindo, eu e esse amigo começamos a discutir sobre esse negócio de relação à dois. Para ele, ou é 8 ou 80. Se não for pra namorar, não quer saber de nada disso. Amigo é amigo e namorado é namorado, sem meio termo. Claro que eu discordei dessa posição intransigente, porque eu atualmente consigo ser tudo aquilo que citei lá em cima sem necessitar de uma muleta emocional.

E aqui vamos para o centro da questão. Pra mim relacionamento é isso. Não, eu não tenho uma opinião que eu tomei como verdade de algum pseudo-filósofo de Facebook, eu vivi isso em vários graus diferentes com diferentes pessoas.

Hoje eu enxergo um relacionamento como uma ligação emocional muito intensa e, na minha opinião, perigosa. É se abrir além daquele nível de segurança que todos nós temos. É se doar por inteiro.

Eu não sou dessas pessoas. Eu tenho dificuldade de me abrir. Eu tenho medos e pensamentos que não quero partilhar com ninguém. Eu tenho segredos que não quero que ninguém saiba. E isso, mais do que tudo foi a ruína em todos os meus relacionamentos.

Eu não sou misterioso. Eu tenho uma defesa mental muito grande, vinda dos meus tempos de terror familiar. Era uma guerra fria de desinformação e de aparências e nesse cenário eu forjei boa parte do meu ferramental defensivo. Eu sou até bem aberto aos meus problemas para com alguns amigos bem próximos. O problema é que a grande cobrança era em querer extrair de mim coisas que eu não quero dizer ou não tenho certeza se devo dizer.

Isso é motivado, na verdade, pela frustração. Meus relacionamentos sempre começaram uma maravilha. Até que eu falava algo e era repreendido. Ou outra coisa era irritante. Ou não podia dizer algo porque iria ofender. Eu não me eximo de culpa por não saber lidar com frustrações. Meu modo de funcionamento é: "se eu me frustro com algo, evito fazer com que aconteça de novo".

Claro que isso foi se tornando frequente. Não podia conversar com fulana ou ciclano porque não eram pessoas confiáveis, ou porque o parceiro não conversa mais com tal pessoa e eu para evitar a discussão, tomava o caminho menos doloroso para mim.

Acho que o fato de fazer isso talvez fosse uma forma de egoísmo minha, sabe? Querer evitar conflito. No entanto ele sempre acontece. E nesses casos, vem aquele caminhão de coisa guardada.

Sim, sou dessas pessoas que interioriza as coisas e lá na frente tudo derrama de uma vez só. Como esse post.

Essas cobranças, essas posses, tudo isso na minha visão de relacionamento nada mais é do que querer certezas, ou diminuir inseguranças. Me desculpe, mas quando você faz isso, fere mais ainda a pessoa do outro lado.

Meus relacionamentos sempre se basearam na fé que eu tinha na pessoa. A única coisa que queria era estar junto, partilhar momentos agradáveis, ser companheiro, mas sem perder a minha identidade e individualidade. Vários amigos me disseram que namorar sempre vai ter isso, essa complexidade, essa necessidade de se ter certeza de algo que é a expressão mais subjetiva e incerta do emocional humano.
Hoje eu perdi a fé em relacionamentos. Em parte porque eu perdi várias vezes a fé em meus companheiros, pelos mais diversos motivos. E uma ferida aberta sempre vai deixar uma cicatriz. Eu com certeza deixei uma cicatriz tão profunda quanto as que recebi, não tenho dúvida disso, mas elas estão aqui - algumas bem fundas, e na boa, eu não quero mais feridas não.

Minha visão pode ser deturpada, mas é a visão do que eu vivi nesses últimos 6 anos em que me assumi e passei a investir em descobrir mais o meu lado emocional. Hoje me conheço melhor, mudei muito e me sinto um pouco menos confuso que quando me abri pra esse mundo. Só que infelizmente, é como eu aprendi a enxergar as coisas. E é algo que só mudará quando alguém aparecer com uma proposta diferente. Com um conceito diferente.

Só que eu não estou mais disposto a tentar encontrar essa agulha de ouro no meio do feno. Em algum momento pode aparecer alguém querendo fazer a diferença, mas na minha cabeça será somente mais do mesmo. E é por isso que eu criei mais uma camada de proteção à minha volta. Uma blindagem que me permite ser carinhoso, carente, atencioso, mas sem que com isso eu me sinta compelido a querer desenvolver uma relação mais séria com a pessoa.

É incongruente? Sim, com certeza. Mas uma incongruência que tem funcionado muito bem e que não tem me causado nenhuma ferida desde então.

Você pode argumentar que desse jeito nunca vou ter um grande amor. Provavelmente é verdade! Mas pelo menos eu não me privo de algo que você só quer desenvolver se estiver em uma relação séria.

Eu não tenho problema em manifestar carinho pra uma pessoa que nem sei se vai estar aqui na próxima semana. Essas coisas deviam ser feitas sem esperar que haja algo em troca. Por isso me sinto bem fazendo isso sem um relacionamento. Pq não preciso de um contrato de "eu te dou carinho mas você também precisa me dar".

Está dito. Meu desabafo saiu. Muitos não vão concordar com minha opinião e visão disso mas, e daí, não são vocês que viveram a minha vida, não sabem o que eu passei. Eu espero de vocês pelo menos o tato de perceber que nada do que vocês falarem vai mudar tudo isso que eu disse. Claro que eu enxergo exceções por todos os lados. Tenho vários amigos cujos relacionamentos são lindos. Mas com eles deu certo. Comigo não. Cada experiência é única para cada casal. Infelizmente comigo não dei sorte. Ou foi eu quem estragou tudo. Ou foram eles, BTW. Não interessa. EU SEI QUE COMIGO FOI ASSIM!

No final, sempre fui um lobo solitário. E assim será até o fim, e hoje me sinto feliz assim.