8 de dez. de 2012

Not from this World

Eu não sei explicar esse sentimento. Cada dia que passa, cada fim de semana que chega, eu sinto cada vez mais que eu não sou desse mundo.

Eu sinto uma solidão sem fim aqui, mas quando saio com os amigos ou fico com alguém, a sensação é tão momentânea que eu me pergunto depois se não foi só um sonho.

Minha visita a São Paulo foi tão boa, tão gostosa, conheci pessoalmente pessoas que hoje eu amo, mas já fazem alguns meses isso, e o sentimento é o mesmo de ter sonhado um sonho bastante lúcido e real.

Eu sinto como se nada nesse mundo fosse permanente e que uma hora ou outra tudo se transforma em memória.

Eu queria ser um ser que existisse independente do tempo, como uma vez experimentei no Daime. Uma loucura de memórias, mas todas elas eram a mim mesmo. Um ser impermanente, que existia aparte do tempo.

Eu me pergunto todo dia quando será o momento que eu vou ser levado dessa realidade para deixar de existir nesse contexto que me agonia, que me faz sofrer, para simplesmente desaparecer ou para ir para uma outra esfera de realidade.

Esse mundo não é real para mim, à despeito de todas as sensações que eu sinto aqui. Esse mundo não é real, não é de verdade, é como uma prisão para os sentidos, onde sou obrigado a reviver experiências que nem mesmo sei quais são, a ver a mim mesmo causando o mal, em me sentir o único ser vivente que enxerga o caráter onírico de nossa realidade.

A realidade não se diferencia muito de um sonho lúcido, exceto pelo fato que você não pode mudá-lo com um único pensamento.