... aquele momento que vc troca olhares com a pessoa, e percebe que o instinto caçador dele é maior do que o seu, e vc se sente seduzido pelo seu olhar magnético, com vontade de ir ao encontro do seu predador.
Então vc acorda, e percebe que não pode fazer. Não assim, naquele lugar. Não pode se dar o luxo de cair na tentação e nos braços e pernas torneadas e naquele corpo bronzeado de alguém que já viveu mais verões que você, e que sabe o que quer, e que naquele momento só quer saber de você.
Então, no súbito da noite, as coisas rolam como deveriam rolar, e vc é deixado em sua casa. Vocês tiveram uma excelente noite, exceto pelo sexo. Não por ter sido ruim. Só que pela minha própria decisão de não querer me envolver, por um tempo.
Repetindo a frase de uma amiga, "Eu estou fechado para balanço, até que me balancem novamente". Mas, no meu caso, a segunda parte é descartável. Ser solteiro. Ser livre, desimpedido. Como é bom!
... no entanto, aqueles olhos ainda me perseguem durante a noite. Minha mente não deixa de ser seduzida pelas suas palavras doces, escolhidas a dedo como a caneta de um poeta. Aqueles olhos sedentos por você. Aqueles olhos que desejam seu corpo, apesar de suas palavras terem dito outras coisas.
Meu instinto está à mil, mas minha razão disse. Não. Não agora.
E assim foi feito. E aqui estou, novamente, jogando videogame e cuidando dos meus gatos enquanto eles me arranham até o fim dos tempos. Mas pelo menos deles eu espero o mais profundo amor sincero. Contanto que eles não falem.
Sou um cafajeste? Sim, sou, com certeza. Mas não hoje.